Objetivo: Analisar os fatores associados ao tempo desde a última consulta odontológica entre brasileiros nas faixas etárias de 15–19, 35–44 e 65–74 anos, segundo o Modelo Comportamental de Andersen.
Métodos: Estudo transversal analítico, que utilizou microdados de um inquérito nacional representativo de saúde bucal. Foram analisados dados de 21.385 indivíduos. O desfecho foi o tempo desde a última consulta odontológica (≤1 ano vs. >1 ano). As variáveis independentes foram agrupadas em fatores predisponentes, facilitadores e necessidade percebida, conforme o Modelo de Andersen. As análises consideraram o desenho amostral complexo e foram realizadas por meio de regressão logística multinível com intercepto aleatório no nível do município, estimando razões de chances (OR) e intervalos de confiança de 95% (IC95%).
Resultados: Idosos (OR 1,436; IC95% 1,242–1,660), pretos (OR 1,161; IC95% 1,011–1,334) e pardos (OR 1,096; IC95% 1,005–1,196) apresentaram maior probabilidade de relatar que a última consulta ocorreu há mais de um ano. Maior escolaridade esteve fortemente associada a menores chances de utilização tardia (OR 0,383; IC95% 0,318–0,461). Autoavaliação negativa da saúde bucal (OR 2,486; IC95% 2,041–3,028) aumentou a probabilidade de consulta tardia, enquanto dor de dente esteve associada ao uso mais recente (OR 0,413; IC95% 0,382–0,448). O uso de serviços privados esteve associado a menores chances de utilização tardia (OR 0,820; IC95% 0,732–0,919). A cobertura municipal de saúde bucal e a presença de centros especializados não apresentaram associação significativa.
Conclusão: Características sociodemográficas e fatores de necessidade percebida permanecem como determinantes centrais dos padrões recentes de utilização de serviços odontológicos no Brasil.
Palavras-chave:
Cobertura universal de saúde; Desigualdades em saúde; Fatores socioeconômicos; Saúde bucal
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