Objetivo: Este estudo teve como objetivo avaliar a estrutura configural e métrica, bem como a consistência interna, da adaptação para o português do Brasil de um instrumento destinado a avaliar maus-tratos durante o parto.
Métodos: Utilizaram-se dados do estudo “Nascer no Brasil” II, realizado em 2023/24, que incluiu 1.881 mulheres hospitalizadas para parto no Rio de Janeiro, Brasil. Inicialmente, foi realizada uma Análise Fatorial Confirmatória (AFC) para testar a estrutura dimensional original. Devido à inadequação do modelo, realizou-se uma Análise Fatorial Exploratória (AFE) para reavaliar a estrutura fatorial. Aplicando critérios predefinidos, os itens que apresentaram cargas cruzadas ou possíveis correlações residuais foram removidos. Os itens restantes foram avaliados por meio de AFC; e a confiabilidade foi avaliada via coeficiente alfa de Cronbach.
Resultados: A solução final compreendeu 17 itens distribuídos em quatro dimensões: abuso verbal; negligência e desrespeito; estigma, discriminação e falta de privacidade; e toques vaginais inadequados. O modelo final apresentou índices de ajuste aceitáveis, definição fatorial satisfatória e ausência de redundância de itens. A maioria das dimensões apresentou consistência interna razoável, com exceção da dimensão “estigma, discriminação e falta de privacidade”.
Conclusão: Os resultados sugerem que é necessária uma avaliação psicométrica adicional para estabelecer a validade e a confiabilidade do instrumento. Seu uso para avaliar maus-tratos durante o parto ou violência obstétrica no Brasil deve ser feito com cautela. Recomenda-se estudos psicométricos futuros com este instrumento.
Palavras-chave:
Violência obstétrica; Questionários; Estudos de validação; Psicometria; Análise fatorial; Análise de rede
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