Objetivo: Propor e aplicar uma metodologia para estimar a subnotificação de casos prováveis de dengue em mulheres não gestantes, utilizando a incidência em gestantes como referência.
Métodos: Estudo ecológico com dados de casos prováveis de dengue notificados no estado de São Paulo entre janeiro e junho de 2024. Partindo do pressuposto de que gestantes apresentam maior probabilidade de diagnóstico e notificação devido ao acompanhamento pré-natal, tomamos esse grupo como referência para calcular a subnotificação da incidência de dengue em não gestantes na faixa etária de 18 a 45 anos. A associação entre a subnotificação e os fatores “cobertura da Estratégia Saúde da Família”, “número de Unidades Básicas de Saúde por mil mulheres em idade fértil” e “grau de urbanização” foi avaliada por regressão logística. Também foi realizada análise de autocorrelação espacial da subnotificação.
Resultados: Dos 645 municípios analisados, 108 (16,7%) foram sugestivos de subnotificação, variando de 1 a 95%. Estimou-se que 8.624 casos de dengue não tenham sido detectados em mulheres não gestantes no período. Não identificamos associações estatisticamente significativas entre os fatores analisados e a subnotificação. A análise espacial indicou agrupamentos significativos de municípios com subnotificação na região noroeste do estado.
Conclusão: A metodologia proposta pode identificar áreas com provável subnotificação e subsidiar análises sobre determinantes da sensibilidade do sistema de vigilância, contribuindo para orientar intervenções. Embora potencialmente aplicável a outras doenças de notificação compulsória, comparações entre gestantes e não gestantes devem ser interpretadas com cautela, devido a diferenças de risco, vulnerabilidade e critérios diagnósticos.
Palavras-chave:
Dengue; Subnotificação; Vigilância epidemiológica; Gestantes; Saúde pública
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Fonte: elaborada com o software GeoDA 1.22.
Fonte: elaborada com o software GeoDA 1.22.
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