Objetivo Analisar os efeitos das características sociodemográficas e clínicas na ocorrência de delirium em pessoas idosas hospitalizadas.
Método Estudo longitudinal prospectivo realizado com 427 pessoas idosas (≥60 anos de idade) sem ocorrência de delirium na admissão hospitalar, entre março de 2022 e julho de 2023. O delirium foi monitorado diariamente até alta ou óbito. Curvas de Kaplan–Meier estimaram a sobrevida, e a regressão de Cox calculou as razões de risco (IC95%), avaliadas pelo teste de Wald. A proporcionalidade dos riscos foi verificada pelos resíduos de Schoenfeld.
Resultados O risco de <italic>delirium </italic>foi 5,47 vezes maior nos frágeis, 2,5 vezes maior em cuidados paliativos e 2,51 vezes maior em pessoas com demência. Renda superior a 3,1 salários mínimos foi fator protetor, reduzindo o risco em 71% em relação à faixa de 0 a 1 salário mínimo. Pessoas idosas com internações nos últimos 12 meses apresentaram risco de delirium 56% menor. Idade ≥80 anos (p=0,0007), viuvez (p=0,0142), baixo peso (p=0,0002), fragilidade (p<0,001), demência (p≤0,0001) e cuidados paliativos (p≤0,0001) associaram-se a menor tempo até o primeiro episódio de delirium.
Conclusão A fragilidade, demência e necessidade de cuidados paliativos foram os principais fatores de risco para delirium em pessoas idosas, enquanto maior renda mostrou efeito protetor. Reconhecer esses fatores permite direcionar tratamentos e cuidados preventivos, individualizados e mais eficazes para delirium na população idosa hospitalizada.
Palavras-chave
Idoso; Hospitalização; Delirium; Estudo Observacional; Fatores de Risco.
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