Em 24 de março de 1976 teve início o Processo de Reorganização Nacional na República Argentina, num cenário de elevado conflito político. Uma Junta Militar, na sequência de um golpe de Estado, assume o governo do país, e tentará monitorizar e intervir no comportamento das pessoas, das instituições e do sistema educativo. Pretende-se analisar, neste contexto, o funcionamento de algumas atividades pedagógicas desenvolvidas em instituições culturais e recreativas do ICUF, que se constituíram como espaços de contenção e resistência, com projetos que ofereciam uma ‘outra’ educação, fora do ‘oficial’ escola. Propõe-se uma revisão de algumas destas experiências, recuperando documentação de época e testemunhos dos participantes tendo em conta as descontinuidades que impuseram ameaças, proibições, encerramentos, rusgas, exílios, prisões, desaparecimentos e destruição de arquivos. Pretende-se dar um contributo que, na perspectiva metodológica da história recente e da história oral, redefina estas propostas pedagógicas e o seu impacto no campo da história da educação.
Palavras-chave:
ditadura; memoria; testemunhos; documentos