Sumário
Revista Brasileira de Linguística Aplicada, Volume: 26, Número: 1, Publicado: 2026Revista Brasileira de Linguística Aplicada, Volume: 26, Número: 1, Publicado: 2026
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Thematic Dossier Letramentos afetivos múltiplos: harmonizando letramentos internos e externos no ensino de língua inglesa Herrera, Luis Javier Pentón Barcelos, Ana Maria Ferreira Hussain, Yasir Resumo em Português: Resumo: Este artigo apresenta o conceito de multiletramentos afetivos como um novo referencial para a educação em língua inglesa. Embora as abordagens contemporâneas de multiletramentos tenham ampliado o escopo da alfabetização/letramento ao incluir dimensões multimodais, culturais e digitais, elas continuam a enfatizar o que definimos como letramentos externos: habilidades visíveis, avaliáveis e performativas utilizadas para interagir com textos, ferramentas e contextos externos. Essa ênfase frequentemente obscurece os letramentos internos, ou seja, as capacidades sociais, emocionais e relacionais que moldam a forma como os aprendizes interpretam suas experiências e se conectam com os outros. Em resposta, propomos os multiletramentos afetivos como uma maneira de harmonizar essas dimensões internas e externas, posicionando o letramento tanto como um processo interno de construção de sentidos quanto como participação externa. Com base em pesquisas sobre inteligência emocional, amor pedagógico e harmonia, este artigo examina como educadores podem cultivar ambientes de aprendizagem que apoiem os estudantes enquanto seres humanos. Apresentamos fundamentação teórica, ilustrações práticas e implicações pedagógicas para sustentar essa visão holística. Ao repensar o letramento como uma prática humana moldada por processos cognitivos e afetivos, essa abordagem busca orientar educadores na preparação de estudantes capazes de se comunicar de forma reflexiva, relacionar-se eticamente e participar de maneira significativa em suas comunidades ao redor do mundo.Resumo em Inglês: Abstract: This article introduces the concept of affective multiliteracies as a new framework for English language education. While current approaches to multiliteracies have expanded the scope of literacy to include multimodal, cultural, and digital dimensions, they continue to emphasize what we define as outer literacies: visible, assessable, and performative skills used to engage with texts, tools, and external contexts. This emphasis often overshadows inner literacies, or the social, emotional, and relational capacities that shape how learners interpret experiences and connect with others. In response, we propose affective multiliteracies as a way to harmonize these inner and outer dimensions, positioning literacy as both internal meaning-making and external participation. Drawing on research in emotional intelligence, pedagogical love, and harmony, this paper examines how educators can cultivate learning environments that support students as human beings. We provide theoretical grounding, practical illustrations, and pedagogical implications to support this holistic vision. By rethinking literacy as a human practice shaped by both cognitive and affective processes, this approach aims to guide educators in preparing students to communicate thoughtfully, relate ethically, and participate meaningfully in their communities worldwide. |
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Thematic Dossier De Inglês como Língua Franca a Englishes as Linguae Harmonicae: um marco crítico para uma educação linguística ética e relacional Becker, Anna Resumo em Português: Resumo: Este artigo apresenta Englishes as Linguae Harmonicae (ESLH), um novo marco teórico e pedagógico que reimagina a educação em língua inglesa a partir das lentes da ética relacional, da ressonância emocional e do cuidado decolonial. Dialogando com e indo além de Inglês como Língua Franca (ILF), World Englishes (WEs) e Global Englishes (GEs), o ESLH realça a harmonia não como uniformidade, mas como corressonância na diferença. Ancorado em perspectivas pluriversais e pós-coloniais, o ESLH enfatiza a sintonia, a dignidade e a cura em resposta aos danos pós-coloniais, emocionais e epistêmicos associados ao inglês. A partir de metáforas da música e de práticas restaurativas, o artigo propõe uma praxiologia do ensino de inglês centrada na presença relacional, na escuta dialógica e na coconstrução ética. O ESLH convida educadoras e educadores a imaginar as salas de aula não como espaços padronizados, mas como paisagens sonoras de pertencimento. Ao ressignificar os Englishes como espaços de justiça, mutualidade e humanidade compartilhada, este marco contribui para um futuro da educação linguística fundamentado no amor crítico e em uma compreensão mais profunda.Resumo em Inglês: Abstract: This article introduces Englishes as Linguae Harmonicae (ESLH), a new theoretical and pedagogical framework that reimagines English language education through the lenses of relational ethics, emotional resonance, and decolonial care. Building on and moving beyond English as a Lingua Franca (ELF), World Englishes (WEs), and Global Englishes (GEs), ESLH foregrounds harmony not as sameness, but as co-resonance across difference. Rooted in pluriversal and postcolonial thought, ESLH emphasizes attunement, dignity, and healing in response to the postcolonial, emotional, and epistemic harms of English. Drawing on metaphors of music and restorative practice, the article proposes a praxiology of English teaching centered on relational presence, dialogical listening, and ethical co-creation. ESLH invites educators to imagine classrooms not as standardized spaces, but as soundscapes of belonging. In reframing Englishes as sites of justice, mutuality, and shared humanity, this framework contributes to a future of language education grounded in critical love and deeper understanding. |
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Thematic Dossier Pedagogia de “yarning” translíngue informada pelo trauma Dovchin, Sender Oliver, Rhonda Jackson, Lissy Resumo em Português: Resumo Muitos estudantes aborígenes australianos aprendem inglês como língua ou dialeto adicional porque crescem tendo inglês aborígene, crioulos e línguas indígenas como primeiras línguas, sendo o inglês australiano padrão adquirido depois, geralmente na educação formal. Esse posicionamento linguístico tem importantes implicações para o ensino da língua inglesa (ELI), principalmente em contextos informados pelo trauma. Este artigo apresenta os resultados de um estudo etnográfico conduzido em um internato aborígene na Austrália, examinando como a pedagogia informada pelo trauma pode ser fortalecida com a integração de um novo conceito que introduzimos - “pedagogia de yarning translíngue”. Ao combinar o translinguismo com yarning, essa pedagogia visa proporcionar espaços de ensino harmoniosos que cultivem os repertórios linguísticos, comunicativos e identitários dos estudantes aborígenes. Recorrendo a observações de aulas, conversas de yarning e criações artísticas, analisamos como estudantes aborígenes engajados nos círculos de yarning foram capazes de se expressar usando a totalidade de seus repertórios translinguísticos, incluindo o inglês aborígene, o inglês australiano padrão, crioulos e línguas indígenas. Nossos resultados demonstram que a pedagogia informada pelo trauma em salas de aula aborígenes pode ser fortalecida com a integração da pedagogia de yarning translíngue. Essa abordagem fomenta um ambiente escolar mais harmonioso, possibilitando que estudantes aborígenes articulem com confiança suas práticas de construção de sentido e reivindiquem sua agência linguística e cultural.Resumo em Inglês: Abstract Many Australian Aboriginal students are English as an additional language or dialect (EALD) learners because they grow up speaking Aboriginal English, creoles, and Indigenous languages as their first languages, with Standard Australian English being acquired later, often in formal schooling. This linguistic positioning has significant implications for ELT, particularly in trauma-informed contexts. This article presents findings from an ethnographic study conducted at an Aboriginal boarding school in Australia, examining how trauma-informed pedagogy can be strengthened through the integration of a novel concept we introduce - “translingual yarning pedagogy”. By combining translingualism with yarning, this pedagogy aims to provide harmonious learning spaces that nurture Aboriginal students’ linguistic, communicative, and identity repertoires. Drawing on classroom observations, yarning conversations, and art creations, we analyse how Aboriginal students engaged in yarning circles were able to express themselves through their full translingual repertories, including Aboriginal English, Standard Australian English, creoles, and traditional languages. Our findings demonstrate that trauma-informed pedagogy in Aboriginal classrooms can be strengthened through the integration of translingual yarning pedagogy. This approach fosters a more harmonious classroom environment, enabling Aboriginal students to confidently articulate their meaning-making practices while reclaiming their linguistic and cultural agency. |
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Introduction Pedagogias das harmonias como amor crítico no ensino de língua inglesa Herrera, Luis Javier Pentón Trinh, Ethan Park, Gloria Resumo em Português: Resumo: À medida que as sociedades enfrentam uma instabilidade global contínua, o ensino da língua inglesa assume uma responsabilidade urgente de preparar os aprendizes não apenas para o sucesso acadêmico, mas também para um engajamento ético, relacional e humano em um mundo incerto. A linguagem funciona como um poderoso meio pelo qual os indivíduos negociam identidade, conexão, justiça e pertencimento, posicionando-se no centro da transformação pedagógica. No entanto, se a linguagem molda a forma como as pessoas compreendem a (in)estabilidade, a (in)justiça e umas às outras, o ensino da língua inglesa precisa ir além de uma instrução baseada em habilidades e avançar em direção a pedagogias fundamentadas no cuidado, na relacionalidade e na responsabilidade ética. Neste número especial, articulamos os conceitos de pedagogias, harmonias e amor crítico para desenvolver as pedagogias das harmonias como uma abordagem relacional orientada para a justiça e voltada à cura coletiva. As pedagogias das harmonias destacam a empatia, a inclusão e o engajamento crítico com sistemas de desigualdade, ao mesmo tempo em que reconhecem as complexidades das conexões humanas através das diferenças. Como editores, esperamos que este número especial estimule um diálogo contínuo que transcenda os limites do ensino da língua inglesa, promovendo práticas pedagógicas que cultivem empatia, unidade e um engajamento intercultural significativo. Ao centralizar as pedagogias das harmonias como amor crítico, este número convida educadores a imaginar e a concretizar futuros educacionais mais humanos, justos e conectados.Resumo em Inglês: Abstract: As societies confront ongoing global instability, English language education faces an urgent responsibility to prepare learners not only for academic success but also for ethical, relational, and human engagement in an uncertain world. Language functions as a powerful medium through which individuals negotiate identity, connection, justice, and belonging, positioning it at the heart of pedagogical transformation. Yet, if language shapes how people make sense of (in)stability, (in)justice, and one another, English language education must move beyond skills-based instruction toward pedagogies grounded in care, relationality, and ethical responsibility. In this special issue, we bring together the concepts of pedagogies, harmonies, and critical love to advance pedagogies of harmonies as a justice-oriented, relational approach aimed at collective healing. Pedagogies of harmonies foreground empathy, inclusivity, and critical engagement with systems of inequity while honoring the complexities of human connection across differences. As editors, our hope is that this special issue sparks sustained dialogue that transcends the boundaries of English language education, advocating for pedagogical practices that cultivate empathy, unity, and meaningful intercultural engagement. By centering pedagogies of harmonies as critical love, this issue invites educators to imagine and enact more humane, just, and connected educational futures. |
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