Objetivo: comparar os hábitos de leitura avaliados pelo Questionário História de Leitura em adultos com e sem dislexia de diferentes culturas e línguas.
Métodos: participaram da pesquisa 119 estudantes universitários (60 tchecos e 59 brasileiros, metade com dislexia), os quais foram avaliados por meio de autoavaliação, respondendo o questionário de história de leitura e realizando teste de nível de leitura. A pontuação no QHL foi comparada entre os grupos e países com o teste de Análise de Variância (ANOVA) e a correlação foi avaliada com o teste de Spearman, ambos com nível de significância de p < 0,05.
Resultados: adultos com dislexia obtiveram menor pontuação nos hábitos de leitura e no nível de leitura do que adultos leitores típicos em ambas as línguas. Houve correlação positiva entre os hábitos de leitura e o nível de leitura nos dois idiomas. Os brasileiros, independentemente do grupo, mostraram hábitos de leitura com menor pontuação do que os estudantes tchecos.
Conclusão: os resultados sugerem que a autoavaliação dos hábitos de leitura é uma forma eficaz de triagem para os transtornos de leitura, contudo os fatores culturais e escolares devem ser considerados.
Descritores:
Leitura; Dislexia; Adulto; Autoteste
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Pontuação no Questionário História de Leitura (QHL) no grupo dos adultos com dislexia e controles no Brasil (gráfico A) e na República Tcheca (gráfico B). Os boxplots mostram a mediana de cada grupo, quartis e intervalo interquartil. A diferença entre os grupos em ambos os países foi de p < 0,001.
Pontuação média (e erro padrão) por questão no QHL por país e por grupo. Os brasileiros (gráficos superiores) pontuaram mais alto em alguns dos itens do QHL do que os tchecos (gráficos inferiores).
Correlação entre a pontuação total no Questionário de Hábitos de Leitura (QHL) e a velocidade de leitura do Internacional Reading Speed Teste (IReST; Figura A) dos Brasileiros e precisão da leitura de pseudopalavras dos Tchecos (Figura B).