Peer review A
Questionnaire
Does the manuscript contain new and significant information to justify publication? Yes
Does the Abstract (Summary) clearly and accurately describe the content of the article? No
Is the problem significant and concisely stated? Yes
Are the methods described comprehensively? Yes
Are the interpretations and conclusions justified by the results? Yes
Is adequate reference made to other work in the field? Yes
Manuscript Structure
Length of article is: Adequate
Number of tables is: Adequate
Number of figures is: Adequate
Please state any conflict(s) of interest that you have in relation to the review of this paper. None
Interest: Good
Quality: Average
Originality: Good
Overall: Good
Recommendation: Minor Revision
Comments
O artigo traz um recorte do Mapeamento da População Trans da Região da Baixada Santista se detendo as questões de inatividade física. Tem como objetivo “Estimar a prevalência de inatividade física e investigar fatores associados entre pessoas trans”. As pessoas autoras informam uma relação entre nível educacional e inatividade física.
- O trabalho traz dados novos ao associar inatividade de pessoas trans não como escolhas pessoais mas como fruto de exclusões estruturais, mesmo que precise adensar um pouco essa afirmação.
- Minhas preocupações são: 1) são pouco delineadas e adensadas as questões estruturais, fala-se de “fatores psicológicos corporais e sociais” ou “ambientais e históricos” mas não são aprofundados ou citados, parecem um pouco generalistas demais.
- Não existem preocupações éticas em relação à pesquisa, os dados da aprovação encontram-se no corpo do artigo.
- Sugiro leitura de estudos e críticas produzidas por pesquisadores trans, principalmente aqueles que pesquisam questões de educação física, como Leonardo M. B. Peçanha e Eric Seger (sugestões de trabalhos mais abaixo). Ainda, coloco como sugestões que podem auxiliar nessas questões:
- GOFFMAN, Erving. Stigma: Notes on the Management of Spoiled Identity. Englewood Cliffs: Prentice-Hall, 1963.
- Carvalho M.F. de L., Menezes M.S. de, 2021, Violência e saúde na vida de pessoas LGBTI, Rio de Janeiro, Fiocruz.
- Rodrigues, L.; Carneiro, N. S.; Nogueira, C. História das abordagens científicas, médicas e psicológicas sobre as transexualidades e suas aproximações críticas. Saude soc. 2021, 30, e200768. https://doi.org/10.1590/S0104-12902021200768.
- Goulart VP, Nardi HC. Vidas inimigas, necropolítica e interseccionalidade: da exclusão na educação ao suicídio/assassinato de pessoas trans. Rev Entreideias. 2022;11(1). doi:10.9771/re.v11i1.45614
- Freitas FLS, Bermúdez XPCD, Merchán-Hamann E, Dias Dos Santos AS, Vieira VF. Social and programmatic vulnerability in the context of transgender people’s health: a scoping review of scientific evidence from Brazil. Int J Equity Health. 2024;23(1):272. doi:10.1186/s12939-024-02359-1
Resumo
- o que seria “panorama de vulnerabilidade interseccional”? É citada no resumo mas não aparece no corpo do artigo.
Introdução
- Comentário: acredito que seja necessário uma atenção maior a introdução, ela está demasiadamente sucinta, um pouco embolada e sem um bom encadeamento de ideias. Seria bom, principalmente, contextualizar como a população brasileira está em relação a realização ou não de atividades físicas. Sugiro também contextualizar de forma mais material a questão do preconceito/estigma das pessoas trans no Brasil, “fatores psicológicos, corporais e sociais” são demasiadamente abrangentes e precisam ser melhor descritas para deixar claro o caráter estrutural dessas violências. Além disso, é importante amarrar melhor a justificativa da motivação de pesquisar inatividade em pessoas trans, ainda mais no contexto brasileiro que temos poucas pesquisas nesse sentido. Acho importante ainda, como sugestão, que a questão de pessoas trans no esporte é altamente controversa e elas são, muitas vezes, alvos de perseguições políticas.
- Pág. 4 linha 19: explicar cisgênero, nem todas as pessoas tem aproximação com essa importante nomenclatura;
- Pág. 4 linha 17-24: Sugiro reescrever as duas frases a partir do “Segundo dados de diversas pesquisas (5,6), incluindo uma revisão sistemática (7)” pois fica meio confuso saber de qual das três pesquisas saem os dados a seguir. “Esse mesmo estudo identificou que” qual dos três citados? a revisão?
- Pág. 4 linha 25: “Outros estudos com população trans….” mas só cita um. Alguns artigos que podem ajudar nessa contextualização (inclusive alguns escritos por pessoas trans):
- Corpos transmasculinos negros em intersecções estéticas: entrevista com Leonardo Peçanha https://doi.org/10.1590/1413-81232024292.18622023
- CAMARGO, Eric Seger de. “Pessoas trans no esporte”: os jogos da cisnormatividade. 2020. https://lume.ufrgs.br/handle/10183/218439
- Transmasculinidades no esporte: entre corpos e práticas dissonantes https://doi.org/10.1590/1806-9584-2021v29n279366
Métodos
- Os métodos estão bem descritos, apenas sugiro dividir o parágrafo que começa na página 5 linha 16 e acaba apenas na linha 46.
- Seria bom explicar se a escala de estigma foi criada para o artigo, além disso, seria bom explicar o que é o estigma que não é sinônimo de preconceito e se é o melhor termo a ser utilizado..
Resultados
- Os resultados estão bem apresentados, sinalizando as tabelas.
Discussão
- Acredito que a questão do estigma foi pouco discutida, é necessário um maior aprofundamento.
- Outro ponto que seria importante destacar é a interação de raça, gênero e classe. O dossiê da Antra é claro ao afirmar que as pessoas trans que são assassinadas são travestis negras, jovens, de baixa escolaridade e sem vínculo empregatício. Talvez a análise interseccional possa enriquecer a discussão, mas é uma sugestão. (https://antrabrasil.org/wp-content/uploads/2025/01/dossie-antra-2025.pdf
