Objetivos Descrever evolução temporal e distribuição geográfica dos óbitos por códigos garbage, além de analisar a prevalência e as características associadas à ocorrência de códigos garbage como causa básica de óbito no estado do Rio de Janeiro entre 1998 e 2023.
Métodos Estudo transversal dos óbitos de residentes do estado obtidos do Sistema de Informações sobre Mortalidade. Os códigos garbage foram classificados segundo metodologia do Global Burden of Disease Study. Realizaram-se análises descritivas da evolução temporal e distribuição por municípios. A associação com variáveis sociodemográficas, local de ocorrência e região de saúde foi analisada por regressão de Poisson com variância robusta e descrita a partir da razão de prevalência (RP) e dos respectivos intervalos de confiança de 95% (IC95%).
Resultados Dos 3.399.380 óbitos, 1.510.135 (44,4%) foram classificados como códigos garbage. A proporção permaneceu elevada, variando de 48,0% (1998) a 46,3% (2023), com redução transitória para 38,1% em 2021. O nível 1 (pior qualidade) concentrou maior proporção (22,9%). Maiores prevalências associaram-se ao sexo ignorado (RP 1,18; IC95% 1,11; 1,23), raça/cor da pele preta (RP 1,17; IC95% 1,16; 1,17) e indígena (RP 1,16; IC95% 1,10; 1,22), faixa etária ≥80 anos (RP 1,74; IC95% 1,71; 1,75) e óbitos em local ignorado (RP 1,30; IC95% 1,25; 1,34).
Conclusão Metade dos óbitos apresentou causa básica registrada como código garbage, com maior prevalência entre sexo e local de ocorrência ignorados, idosos e raça/cor da pele preta e indígena. Investigação ativa, redistribuição por algoritmos e integração de bancos de dados mostram-se promissores para qualificar a informação.
Palavras-chave
Causa Básica de Morte; Estatísticas Vitais; Qualidade dos Dados; Sistemas de Informação em Saúde; Classificação Internacional de Doenças
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