Objetivo: Avaliar a prevalência de anemia em pacientes com doença renal crônica e sua associação com a necessidade de terapia renal substitutiva durante cinco anos em um ambulatório especializado.
Métodos: Estudo de coorte retrospectivo que incluiu pacientes admitidos em um ambulatório de nefrologia entre 2010 e 2018 no município de São Paulo. Analisaram-se dados demográficos, clínicos e laboratoriais a partir de frequências e valores absolutos. A anemia foi definida como concentração de hemoglobina <13 g/dL para homens e <12 g/dL para mulheres. Compararam-se os dados clínicos e a necessidade de terapia renal substitutiva ao longo de cinco anos entre pacientes com e sem anemia na admissão. Para as análises estatísticas, utilizaram-se testes qui-quadrado de Pearson e t de Student ou U de Mann-Whitney, curva de Kaplan-Meier com teste de log-rank e análise de sobrevida por regressão de Cox.
Resultados: O estudo incluiu 534 pacientes, sendo 41,8% diagnosticados com anemia na admissão. As principais etiologias da doença renal crônica foram hipertensão (35,2%) e diabetes (27,5%). Evoluíram para terapia renal substitutiva, em cinco anos, 4,1%. A anemia na admissão foi associada ao maior risco do desfecho (hazard ratio - HR 3,24; intervalo de confiança de 95% - IC95% 1,38; 7,61). O nível de hemoglobina mostrou-se preditor independente para o desfecho (HR 0,766; IC95% 0,593; 0,989).
Conclusão: Encontrou-se alta prevalência de anemia na doença renal crônica em pacientes provenientes da Atenção Primária. O nível de hemoglobina foi uma variável independente associada ao desfecho.
Palavras-chave:
Insuficiência Renal Crônica; Anemia; Atenção Primária à Saúde; Prevalência; Estudos de Coortes.
Thumbnail
Thumbnail

