Objetivos: Comparar a prevalência de utilização dos serviços de saúde entre adultos da zona urbana de Pelotas, em 2012 e 2021, e avaliar as desigualdades socioeconômicas nesses anos.
Métodos: Trata-se de estudo transversal de base populacional com adultos residentes na zona urbana de Pelotas em 2012 e 2021. Foram realizadas análises brutas e ajustadas, por meio da regressão de Poisson, da utilização de serviços de saúde nos 30 dias anteriores às pesquisas de acordo com sexo, idade, escolaridade, raça/cor da pele, classe econômica, situação conjugal e percepção de saúde. O índice absoluto de desigualdade foi utilizado para mensurar desigualdades.
Resultados: A amostra foi composta por 2.925 participantes em 2012 e 5.717 em 2021. A prevalência de utilização de serviços de saúde aumentou de 29,3% (intervalo de confiança de 95% - IC95% 27,6; 31,1) para 34,4% (IC95% 33,2; 35,6). Entre os usuários, a utilização de unidades do Sistema Único de Saúde cresceu de 45,7% (IC95% 42,7; 48,7) para 69,8% (IC95% 67,8; 71,7), com redução proporcional no uso de serviços particulares. Em 2021, observou-se maior dependência dos serviços públicos entre mulheres (63,2%), mais pobres (31,4%) e indivíduos mais jovens (56,7%). Houve aumento nas desigualdades por classe econômica.
Conclusão: Houve aumento na utilização dos serviços de saúde e maior dependência dos serviços públicos em 2021, especialmente entre grupos socialmente vulneráveis. As desigualdades socioeconômicas se acentuaram, o que refletiu mudanças no padrão de acesso em um contexto de crise econômica e sanitária.
Palavras-chave:
Serviços de Saúde; Desigualdades em Saúde; COVID-19; Adultos; Estudos Transversais
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