Objetivo Investigar a prevalência do uso de medicamentos psiquiátricos e fatores sociodemográficos, incluindo identidade de gênero, idade, raça/cor da pele, escolaridade, trabalho formal e acesso a unidades de saúde da atenção primária à saúde (APS), em pessoas atendidas em um ambulatório trans, no Sul do Brasil.
Métodos Estudo do tipo transversal, que utilizou dados administrativos de sistemas de informação da Secretaria Municipal de Saúde de Porto Alegre, coletados entre 2021 e 2022.
Resultados Este estudo analisou 629 registros de pessoas que acessaram o ambulatório e encontrou uma prevalência de 29% (IC95% 25;32) de uso de medicamentos psiquiátricos, com maior frequência para a classe de psiconaléptico (45%), com destaque para a medicação fluoxetina (31%).
Conclusão Além da tendência para raça/cor parda e ensino fundamental incompleto, pessoas trans de 40 a 49 anos e com acesso a unidade de APS apresentaram maior probabilidade de utilizar medicamentos psiquiátricos.
Palavras-chave
Pessoas Transgênero; Minorias Sexuais e de Gênero; Saúde Mental; Uso de Medicamentos; Estudos Transversais
Principais resultados Observou-se uma prevalência de uso de medicamentos psiquiátricos de 29% (IC95% 25;32), com maior probabilidade para pessoas de 40 a 49 anos e com acesso a unidades de saúde da atenção primária. Baixa escolaridade e raça/cor parda apresentaram tamanhos de efeito importantes. A classe mais dispensada foi a de psicoestimulantes (45%), com destaque para a fluoxetina (31%).
Implicações para os serviços Este estudo pode ser reproduzido em outros ambulatórios trans do Brasil e deve contribuir para ampliar a discussão do cuidado em saúde mental da população trans
Perspectivas Os achados ressaltam a importância de se pensar o cuidado em saúde de forma interdisciplinar e se discutir a efetividade das políticas públicas em saúde mental para a população trans.