Objetivo Descrever os conhecimentos e as habilidades autopercebidas pelos agentes de combate às endemias previamente à formação técnica específica do Programa Saúde com Agente.
Método Estudo descritivo com dados de estudantes do Programa Saúde com Agente coletados por questionário online autopreenchido. O instrumento incluiu caracterização sociodemográfica e autopercepção das habilidades em quatro domínios – (a) educação, planejamento e ações no território, (b) vigilância ambiental, (c) vigilância epidemiológica e (d) vigilância sanitária e duas dimensões: (1) reconhecimento de necessidades e planejamento de ações e (2) execução – com respostas em escala Likert. Os dados foram analisados no software estatístico R versão 4.4.1, apresentados em frequências absolutas e relativas.
Resultados A amostra incluiu 3.730 agentes de combate às endemias, dos quais 51,8% eram mulheres, 67,0% negros, 49,7% tinham ensino médio completo e 67,9% tinham vínculo direto com o município. Do total, 90,6% atuavam em áreas urbanas, 39,7% eram da região Nordeste. A autopercepção de competência variou de 47,0% a 94,0%. As maiores proficiências autopercebidas foram observadas em ações educativas sobre prevenção de doenças endêmicas (90,3%), aplicação de agrotóxicos (90,5%) e controle de vetores (94,0%). As menores concentraram-se na área de vigilância ambiental, especialmente quanto aos danos decorrentes de eventos climáticos e ao aproveitamento de rejeitos orgânicos, com mais de 50,0% quando considerados os participantes que declararam não saber fazer, saber pouco ou apresentaram dúvidas.
Conclusão Os resultados indicam que, embora os agentes de combate às endemias percebam-se competentes nas ações tradicionais de controle de endemias, há lacunas em áreas emergentes, como a vigilância ambiental.
Palavras-chave
Agente de Combate às Endemias; Vigilância em Saúde Pública; Capacitação Profissional; Educação em Saúde; Vigilância em Saúde Ambiental