Objetivo Analisar a tendência temporal e a distribuição espacial das doenças tropicais negligenciadas com sobreposição no Piauí entre 2013 e 2022.
Métodos Estudo ecológico de série temporal, quantitativo e analítico dos casos de doença de Chagas, leishmanioses, hanseníase e tuberculose, nesse período, no Piauí. Utilizaram-se dados disponibilizados pela Secretaria do Estado de Saúde do Piauí, a partir do Sistema de Informações de Agravos de Notificação e dados populacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Investigaram-se variáveis sociodemográficas e calcularam-se incidência, prevalência, frequências absolutas e relativas, além de análises de tendência temporal utilizando o modelo de regressão de Prais-Winsten, com variação percentual anual (VPA) e intervalos de confiança de 95% (IC95%).
Resultados Entre 2013 e 2022, foram registrados 24.234 casos dessas doenças no Piauí, com destaque para hanseníase (46,2%) e tuberculose (37,4%). O sexo masculino foi o mais afetado (60,6%) e a faixa etária de 20-59 anos (62,5%). A leishmaniose visceral apresentou alto percentual em crianças (33,0%). A tendência temporal indicou redução da prevalência para leishmaniose visceral (VPA -12,26%; IC95% -17,49; -6,71) e hanseníase (VPA -5,67%; IC95% -9,47; -1,72), além de aumento para doença de Chagas (VPA 19,3%; IC95% 5,09; 35,43) e tuberculose (VPA 2,2%; IC95% 0,59; 3,84). A análise espacial apontou que 25% dos municípios apresentaram sobreposição de pelo menos três agravos, destacando-se as regiões Entre Rios, Vale do Rio Guaribas e Cocais.
Conclusão Observaram-se padrões diferenciados de ocorrência, especialmente para a hanseníase e a tuberculose, variações relevantes entre as regiões de saúde e tendência crescente para dois agravos.
Palavras-chave
Doenças Negligenciadas; Determinantes Sociais da Saúde; Estudos de Séries Temporais; Vigilância em Saúde Pública; Sistema de Vigilância em Saúde
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