Objetivo Analisar o perfil epidemiológico da sífilis gestacional, a completude das notificações e os fatores associados à adequação do tratamento em Ubá, região de Minas Gerais, entre 2018 e 2023.
Métodos Estudo transversal com registros do Sistema de Informação de Agravos de Notificação. Calcularam-se a taxa de detecção anual de sífilis gestacional e a regressão logística para avaliar o tratamento. A completude dos dados foi calculada e categorizada.
Resultados A taxa de detecção variou de 17,7 casos por 1 mil nascidos vivos em 2019 a 41,3 em 2022. As gestantes apresentaram mediana de 23 anos (intervalo interquartil 19; 28), sendo 61,9% de raça/cor da pele negra e 36,1% diagnosticadas no terceiro trimestre. A penicilina foi indicada em 75,3% dos casos, e o tratamento da parceria ocorreu em 41,2%. A completude foi excelente para as variáveis “período gestacional do diagnóstico” (100,0%) e “teste não treponêmico” (98,9%); ruim para “escolaridade” (65,4%) e “classificação clínica” (70,6%). A prescrição inadequada foi maior para gestantes diagnosticadas no terceiro trimestre em comparação ao diagnóstico no primeiro trimestre (odds ratio [OR] 2,00; intervalo de confiança de 95% [IC95%] 1,30; 3,07). As gestantes com resultado não reagente para o teste não treponêmico (OR 13,48; IC95% 5,93; 30,64) e que não realizaram o teste treponêmico (OR 1,65; IC95% 1,13; 2,40) apresentaram maiores chances de prescrição inadequada. Houve mais falhas de prescrição para as gestantes cujas parcerias sexuais não foram tratadas (OR 1,91; IC95% 1,34; 2,72).
Conclusão Observaram-se elevada taxa de detecção e falhas na completude das notificações e no tratamento prescrito das gestantes com sífilis.
Palavras-chave
Sífilis; Gestantes; Infecções Sexualmente Transmissíveis; Notificação de Doenças; Estudos Transversais
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