Objetivo Descrever a prevalência do uso de hormônios, o perfil sociodemográfico e o acesso aos serviços de saúde pela população trans, travesti e não-binária em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.
Métodos Utilizou-se estudo transversal, entre setembro e novembro de 2021, com amostragem por “bola de neve” (n=65), realizado a partir de questionário autoaplicável com pessoas trans de idade igual ou superior a 18 anos.
Resultados Verificou-se o alto uso de hormônios (n=47), com maior ocorrência de auto-hormonização entre as mulheres trans, travestis e pessoas transfemininas (n=10). O acompanhamento em saúde ocorre principalmente nos ambulatórios de identidade de gênero (n=56). Episódios de transfobia e travestifobia ao acessar os serviços de saúde foram relatados por 28 pessoas.
Conclusão Este estudo demonstrou o alto uso de hormônios, as especificidades na utilização entre as diferentes identidades de gênero e a necessidade de melhorias no acesso aos serviços de saúde.
Palavras-chave
Identidade de Gênero; Pessoas Transgênero; Hormônios; Acesso aos Serviços de Saúde; Estudos Transversais
Principais resultados Verificou-se o alto uso de hormônios (n=47), com destaque para as formulações contendo estrogênio (n=12) ou cipionato de testosterona (n=22). A auto-hormonização foi maior entre as mulheres trans, travestis e pessoas transfemininas (n=10).
Implicações para os serviços O estudo contribui no entendimento do processo de auto-hormonização e intervenções adequadas. Este estudo aponta a importância do estabelecimento de estratégias que garantam o acesso sem discriminação relacionada à identidade de gênero.
Perspectivas Fazem-se necessários mais estudos na área para fomentar a inclusão dos medicamentos utilizados na hormonização na Relação Nacional de Medicamentos Essenciais, com a finalidade de tornar o acesso aos hormônios mais equânime e universal.