Objetivo: Analisar fatores associados ao acesso do registro de casos, as características do tratamento e a mortalidade por câncer de pulmão de 2013-2019 no Brasil.
Métodos: Estudo retrospectivo utilizando o Sistema de Informação de Mortalidade (SIM) e Registros Hospitalares de Câncer (RHC). Desfechos analisados: (Modelo-1) "ausência de registro de caso de câncer de pulmão" no RHC e (Modelo-2) "taxa de casos registrados acima do 3º quartil". Realizou-se análises descritivas e bivariadas, para comparar os grupos, e regressão logística multivariada, identificando-se, no nível municipal, fatores associados aos desfechos, obtendo-se a razão de chance ajustada (odds ratio, OR) e o intervalo de confiança de 95% (IC95%).
Resultados: Analisou-se 206.703 óbitos e 89.265 casos (43% de cobertura). Cerca de 85,7% dos pacientes foram diagnosticados tardiamente, e metade dos casos com estadiamento inicial não recebeu tratamento adequado. No Modelo-1, a não cobertura do RHC foi associada a municípios do Centro-Oeste em comparação ao Norte [OR 3,9; IC95% 2,7; 5,7] e ao Produto Interno Bruto abaixo da média nacional [OR 1,3; IC95% 1,1; 1,7]. No Modelo-2, a maior chance de alta taxa de registro ocorreu em municípios do Sul [OR 9,1; IC95% 6,8; 12,2], de pequeno porte [OR 7,1; IC95% 4,0; 12,3] e com deslocamento para tratamento abaixo da média nacional [OR 4,2; IC95% 2,3; 7,7].
Conclusão: Localidades com melhor infraestrutura apresentaram maior probabilidade de registrar casos e ter maior cobertura de registros. Já áreas com menor infraestrutura apresentaram maior probabilidade de não registrar casos, apesar de apresentarem óbitos por câncer de pulmão.
Palavras-chave:
Neoplasias pulmonares; Registros de Mortalidade; Sistemas de Iinformação em Saúde; Disparidades Socioeconômicas em Saúde; Estudos Retrospectivos.
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