Open-access “Um agregado” - um excerto de Dom Casmurro em três meios de publicação e suas possíveis leituras

“Um agregado” - an excerpt of Dom Casmurro published in three different media and its different possible meanings

RESUMO

Este artigo objetiva analisar um excerto de Dom Casmurro publicado originalmente em 1896 no periódico República com o título “Um agregado: capítulo de um romance inédito”. Poucos anos depois, o trecho, com alterações, passaria a integrar um dos romances mais célebres do autor. Quase meio século mais tarde, no entanto, a passagem original voltaria a figurar no suplemento literário Autores e Livros do jornal A Manhã. Sendo assim, esta investigação analisa os possíveis protocolos de leitura engendrados em cada uma dessas publicações, bem como compreende as razões por trás não só da publicação do original quase 50 anos mais tarde, mas também aquelas que motivaram as transformações propostas por Machado quando da publicação do romance.

PALAVRAS-CHAVE:
Machado de Assis; Dom Casmurro; “Um agregado”.

ABSTRACT

This article analyses an excerpt of Dom Casmurro originally published during 1896 in the newspaper República bearing the title of “Um agregado: capítulo de um romance inédito”. A few years later, the excerpt, with alterations, would become part of one of Machado’s most celebrated novels. Almost half a century later, though, the original passage would once again be published in the literary supplement Autores e Livros of the periodical A Manhã. Therefore, this study investigates the possible reading protocols engendered by each of these publications, as well as understanding the motives behind not only the publishing of the original piece almost 50 years later but also the reasons that motivated the changes made by Machado when writing the complete novel.

KEYWORDS:
Machado de Assis; Dom Casmurro; “Um agregado”.

Publicado em 1899, Dom Casmurro foi o segundo romance de Machado de Assis a ser veiculado integralmente apenas em livro, acompanhado até então por Ressurreição (1872), estreia do autor no gênero. Todos os outros cinco romances editados nesse intervalo, como também as coletâneas de contos que o Bruxo do Cosme Velho organizou no período, foram estampados originalmente nos periódicos oitocentistas.

A publicação de textos em periódicos era, no século XIX e durante boa parte do século XX, uma das principais formas de divulgação literária. Não só a leitura de um periódico se prolongava para além do dia em que ele fora publicado - algo que, hoje, parece impensável -, como também o diálogo entre jornal e literatura permitiu que a dicção usada por ambos os gêneros sofresse sutis alterações. Segundo Lúcia Granja (2018, p. 37; p. 41-42),

[...] é preciso que se tenha em mente que os jornais não eram objetos tão efêmeros no século XIX e que as suas quatro a oito páginas permaneciam para leitura e releitura durante dias, e o folhetim poderia mesmo ser recortado e colecionado. [...]

No Brasil, o box literário e ficcional do jornal (o rodapé das folhas), espaço no qual cabia a crônica, a ficção e a crítica (literária ou de espetáculos), radicalizou um acontecimento esporádico dos jornais franceses, quando se reinventou sem temer a coexistência de textos de diferentes naturezas que ao se alternarem nos dias da semana, passaram a constituir, nessa coabitação, novas formas e gêneros textuais. É importante compreender de que maneira as interpretações brasileiras do uso desse espaço podem ser pensadas como uma das razões para o desenvolvimento de formas e estilos literários que identificamos hoje como próprios da Literatura Brasileira; ao mesmo tempo, a compreensão dessa Poética dos jornais no século XIX equivale a uma visão mais aprofundada dos textos dos escritores-jornalistas de então.

Machado,visto por boa parte da crítica como pai da crônica moderna, não escapa dessa relação simbiótica entre literatura e imprensa. O escritor carioca publicou diversos escritos nas folhas oitocentistas, fossem eles textos de cunho mais propriamente jornalístico, fossem eles contos ou poesias, ou até mesmo romances impressos de forma seriada, divididos ao longo de diversos números de um mesmo jornal. É o que acontece com todos os romances entre Ressurreição e Dom Casmurro, por exemplo.

Em se tratando das duas obras publicadas apenas em livro, no entanto, o caso de Dom Casmurroé diferente do de Ressurreição em um aspecto crucial: três anos antes da edição princeps, em 1896, Machado divulga um excerto da obra sob o título de “Um agregado: capítulo inédito de romance” no número inaugural do periódico República, que durou pouco mais do que cinco meses. Nesse pequeno trecho que o autor presenteia ao público com o objetivo de atiçar a curiosidade pela obra que o acompanharia, somos apresentados a alguns personagens da obra, em especial a José Dias, agregado da família Santiago. Embora sofra diversas alterações para a versão final que sai em 1899, os traços essenciais da personalidade do agregado já se encontram presentes em 1896.

A variante publicada no jornalRepública volta a aparecer décadas mais tarde, em 1941, no suplemento literário Autores e Livros do jornal A Manhã, em uma edição que celebra a figura de Machado de Assis. Estampado, dessa vez, após a publicação do romance e não mais em vida do autor, o trecho apresenta nuances distintas, que não necessariamente se adéquam nem àquelas do primeiro periódico nem às da publicação em livro. Os sentidos de um texto muito têm a dever aos meios de publicação a partir dos quais tal escrito veio a público.Roger Chartier comenta o tema em Os desafios da escrita:

Os textos não existem fora dos suportes materiais (sejam eles quais forem) de que são os veículos. Contra a abstração dos textos, é preciso lembrar que as formas que permitem sua leitura, sua audição ou sua visão participam profundamente da construção de seus significados. O “mesmo” texto, fixado em letras, não é o “mesmo” caso mudem os dispositivos de sua escrita e de sua comunicação. (CHARTIER, 2002a, p. 61-62)

Por esses motivos, o presente trabalho pretende olhar para esse excerto em suas três publicações não só a partir de um viés que considera o texto em si, mas também levando em consideração os protocolos de leitura que cada meio de publicação é capaz de conferir aos escritos. Donald McKenzie, em Bibliografia e a sociologia dos textos, discorre sobre como os estudiosos de bibliografia deveriam olhar para os textos:

O que a palavra “texto” também permite, no entanto, é a extensão das práticas atuais de modo a incluir todas as formas de texto, não somente livros ou os signos em pedaços de pergaminho ou papel [...]. Francamente, também, aceita que bibliógrafos devam se preocupar em demonstrar que as formas afetam o significado. Além disso, permite que descrevamos não apenas os processos técnicos, mas também os processos sociais de sua transmissão. Dessas maneiras tão específicas, considera textos que não estão em livros, suas formas físicas, versões textuais, transmissão técnica, controle institucional, a sua percepção de seus significados e seus efeitos sociais. Considera uma história do livro e, na verdade, todas as formas impressas, incluindo todos os textos efêmeros, como registro de mudanças culturais, seja na civilização de massa ou em cultura minoritária. (MCKENZIE, 2018, p. 25-26).

Tomando em consideração esse valor, o texto literário não deveria ser visto como um escrito no vácuo, mas sim analisado a partir de uma perspectiva capaz de estudar como a transmissão e a circulação daquele escrito podem interferir e repercutir nas leituras e interpretações que delevenham a ser feitas.

De acordo com McKenzie, não se deve separar o estudo do suporte, a crítica e a história da literatura. Com o objetivo de compreender um texto em sua dimensão histórica, é também preciso passar pelos mais variados processos de sua veiculação ao longo do tempo, tendo em vista questões para, peri e epitextuais que podem alterar a compreensão não só de um texto em específico, mas também da história da leitura e dos livros em si. As interpretações e sentidos de um texto expandem-se para muito alémda leitura dos signos impressos no papel. É necessário analisar, conjuntamente, os conteúdos que o circunscrevem, a disposição tipográfica da obra, seu espaço de publicação, entre outros fatores queemprestam sentido ao conteúdo ali escrito. Um texto não se encontra isolado no tempo e no espaço, ele é parte integrante de um contexto histórico e editorial. Segundo Chartier em Inscrever e apagar (2002b, p. 11-13), é impossível separar a “substância essencial da obra” de suas variantes e de seus processos de publicação, algo que requer a contribuição de inúmeras figuras para se consolidar.

No caso específico de Machado de Assis, o Bruxo do Cosme Velho tinha plena consciência da importância do papel do meio de publicação nos sentidos apresentados por um texto. Sua inclusão nos círculos intelectuais cariocas se deu como tipógrafo na Tipografia Nacional, dirigida naquele momento por Manuel Antônio de Almeida. Familiarizado com as atividades de composição e tipografia, Machado vai se aclimatando à importância da página em que um texto é impresso, como menciona Nelson Schapochnik (2008, p. 386): “Na condição de operador da linguagem, ele tinha muita clareza de que, entre a intencionalidade do escritor e a recepção do público-leitor, postavam-se os mediadores que transmutavam as tiras de papel almaço caligrafadas em colunas diagramadas e impressas nos jornais e revistas”.

Pouco depois, o jovem escritor ingressa nas redações de jornal, munido da crença de que as folhas periódicas teriam uma função civilizatória e de que eram de suma importância para a sociedade brasileira oitocentista. Em “O jornal e o livro” (ASSIS, 1859a; 1859b), por exemplo, Machado tenta compreender como os dois suportes editoriais vão conviver conjuntamente com o passar dos anos, comparando a revolução provocada pelo jornal com aquela relativa ao surgimento da imprensa e da publicação mais abrangente de livros. Em sua opinião, o jornal teria prevalência sobre o livro no objetivo de civilizar a sociedade, funcionando aquele como uma revolução em relação a este.

Sua fé na função social do jornal segue firme nos primeiros anos da década de 1860, mas vai se esvaindo aos poucos com o passar do tempo, mesmo que ele continue publicando literatura, crônica e crítica nas folhas do período. Independentemente de sua visão sobre a função civilizatória do jornal, é inegável que Machado tinha vasto conhecimento sobre os periódicos da época, e publicava seus textos literários nas folhas em que mais se encaixavam.

As narrativas de Contos fluminenses (1870) e Histórias da meia-noite (1874) saem quase em sua integralidade no Jornal das Famílias (1864-1878), folha dirigida por Garnier que buscava majoritariamente um público feminino, enquanto Iaiá Garcia (1878), romance anterior a Memórias póstumas de Brás Cubas (1881) em que Machado se afasta dos ideais de Realismo vigentes na época, é publicado em O Cruzeiro (1878-1883), folha que se opunha ao Primo Basílio de Eça de Queirós. É também nesse jornal que Machado encontra espaço para publicar suas duas críticas ao romance queirosiano.

Sendo assim, quais os sentidos que o periódico República pode ter emprestado para o trecho de Dom Casmurro? Quais os possíveis motivos para que Machado o tenha escolhido como veículo para a publicação de um capítulo inédito de seu novo romance? Como esses sentidos se transformam posteriormente na publicação do mesmo escrito, agora com alterações, no romance? E, por fim, por que uma folha decide republicar o excerto original, de 1896, mais de 40 anos depois?

Inaugurado em 15 de novembro de 1896, o jornal República imprimiu a primeira edição daquela que seria uma curta vida: a folha encerrou suas atividades em 31 de março do ano seguinte (MACHADO, 2008, p. 290). Infelizmente, suas edições ficaram perdidas com o tempo: não é possível encontrar seus números na Hemeroteca Digital da Fundação Biblioteca Nacional, nem nos principais arquivos nacionais, dificultando uma compreensão mais extensiva da linha editorial do periódico, bem como do público que pretendia alcançar. No entanto, graças às pesquisas de Ubiratan Machado para o Dicionário de Machado de Assis (2008), é possível traçar algumas hipóteses sobre o jornal a partir do perfil de seus fundadores e das relações que Machado estabeleceu com muitos deles.

Segundo Ubiratan (2008, p. 290), República era uma propriedade conjunta de sete indivíduos, dentre os quais quatro eram amigos ou conhecidos de Machado: Joaquim Xavier da Silveira Júnior, Alcindo Guanabara, Tomás Delfino dos Santos, Francisco Glicério, Lauro Muller, João Lopes Ferreira Filho e João Cordeiro. Alguns desses nomes são de figuras importantes nos cenários político e jornalístico do século XIX: Alcindo Guanabara, por exemplo, foi um dos maiores jornalistas de seu tempo, enquanto Joaquim Xavier da Silveira Jr. foi chefe de polícia no governo Floriano Peixoto e grande amigo de Machado até o fim da vida do escritor. A contribuição com o texto “Um agregado” no número inaugural da folha foi um pedido de Joaquim, ao qual Machado aquiesceu (MACHADO, 2008, p. 320).

Xavier era filho de um poeta abolicionista e, quando adulto, seguiu as ideias do pai, além de ser militante republicano. Formado em direito, foi presidente da Ordem dos Advogados, deputado durante a terceira e a quarta legislaturas, presidente do Rio Grande do Norte e prefeito da cidade do Rio de Janeiro.

Já Alcindo Guanabara foi exímio jornalista e político, e também o fundador da cadeira nº 19 da Academia Brasileira de Letras. Criou seu primeiro jornal, Fanfarra, aos 21 anos, contando com Olavo Bilac como um de seus colaboradores. Era também ferrenho abolicionista e republicano, e, quando da mudança de regime político, foi eleito para a Constituinte. Em seu jornal A Tribuna, no ano de 1900, Alcindo promoveu um concurso para escolher a melhor versão que completasse o soneto que Bentinho deixara incompleto em Dom Casmurro. Era grande admirador do escritor e, na ocasião de sua morte, foi escolhido como representante da Câmara nas cerimônias funerárias de Machado (MACHADO, 2008, p. 152).

Francisco Glicério era filho de uma ex-escravizada e mais um abolicionista, além de propagandista da República. Já no início do novo regime, foi convidado a ocupar a pasta de ministro da Agricultura, Comércio e Obras Públicas, se tornando, então, colega de trabalho de Machado de Assis. Deu razão ao escritor em uma disputa com Luís Francisco da Veiga que levara Machado a pedir demissão (MACHADO, 2008, p. 148). Em uma crônica da série “A Semana”, datada de 28 de agosto de 1892, Machado menciona Glicério ao tratar da discussão sobre quem seria o verdadeiro fundador da República (se Marechal Deodoro da Fonseca ou se Benjamin Constant), comentando que Glicério apontava também que a Câmara não assumia a responsabilidade que lhe cabia (ASSIS, 2015, p. 854).

Lauro Muller era militar, republicano, e assumiu o Ministério da Indústria, Viação e Obras Públicas em 1902. No mesmo ano, restabeleceu Machado como diretor do Ministério, para deleite do escritor. Ao longo dos anos, os dois estabeleceram amizade e trocavam gentilezas. Em 1912, Muller foi eleito para a Academia Brasileira de Letras (MACHADO, 2008, p. 229).

Os outros três fundadores aparentemente não eram próximos de Machado, mas suas visões políticas se alinhavam às dos quatro conhecidos do autor: Tomás Delfino dos Santos foi senador e deputado pelo Distrito Federal nos primeiros anos da República; João Lopes Ferreira Filho era também abolicionista, além de ter ocupado cargos no governo republicano; e João Cordeiro foi um dos líderes do movimento pela Abolição no estado do Ceará.

Assim, tendo em vista as figuras que foram responsáveis pela fundação do periódico, infere-se que a folha apresentava cunho progressista, com sólido apoio ao regime vigente. Infelizmente, a ausência de cópias de suas edições para consulta dificulta a avaliação de outros aspectos: o acesso ao programa inaugural, a análise da organização espacial dos conteúdos na página - afinal, o texto de Machado foi publicado no corpo do jornal ou numa seção de rés do chão? - e o estabelecimento de hipóteses quanto ao público-alvo que a República buscava atingir. É possível, contudo, imaginar que o jornal alcançaria uma audiência pouco conservadora, mas ainda de elite, já que a taxa de alfabetização no Brasil do século XIX era baixíssima. Machado pode ter escolhido a República não só para agradar o amigo, mas também porque o público de um jornal como esse poderia receber bem seu livro.

É possível, no entanto, graças à reprodução fiel do excerto machadiano em outro jornal quase 50 anos mais tarde, avaliar as diferenças textuais entre as duas versões do texto e traçar cenários que contemplem os motivos pelos quais Machado decidiu fazer certas alterações de uma variante para a outra.

“Um agregado: capítulo de um livro inédito” traz um amálgama de conteúdos dos capítulos III, IV, V e VII, que são destrinchados e elaborados com mais precisão na versão em livro. Além de alterações pontuais - de 1855 para 1857, da rua do Rezende para Matacavallos, Tio Cosme deixa de ser coronel para se tornar advogado, dentre outros exemplos -, Machado aprofunda a descrição de certos personagens ao mesmo tempo que torna certas passagens mais sutis e exclui outras.

No livro, o diálogo entre José Dias e D. Glória relativo à denúncia que o agregado faz sobre o namoro entre Bentinho e Capitu raramente é interrompido pelo narrador, enquanto no jornal isso acontece com frequência. Santiago faz digressões para contextualizar não só seus personagens, mas também o momento histórico da vida cultural no Rio de Janeiro da metade do século:

A vida externa era festiva, intensa e variada. Tinham acabado as revoluções políticas. Crescia o luxo, abundava o dinheiro, nasciam melhoramentos. Tudo bailes e teatros. Um cronista de 1853 (se vos não fiais em mim) dizia haver trezentos e sessenta e cinco bailes por ano. Outro de 1854 escreve que do princípio ao fim do ano toda a gente ia ao espetáculo. Salões particulares à porfia. Além deles muitas sociedades coreográficas, com os seus títulos bucólicos ou mitológicos, a Campestre, a Sylphide, a Vestal, e outras muitas chamavam a gente moça às danças que eram todas peregrinas, algumas recentes. A alta classe tinha o Cassino Fluminense. Tal era o amor ao baile que os médicos organizaram uma associação particular deles, a que chamaram Cassino dos Médicos. Hoje, se dançam, dançam avulsos. A Ópera Italiana tinha desde muito os seus anais: no decênio anterior, mais de uma cantora entontecera a nossa população maviosa e entusiasta; agora desfilava uma série de artistas mais ou menos célebres, a Stoltz, o Tamberlick, o Mirate, a Charton a LaGrua. O próprio teatro dramático mesclava nos seus espetáculos o canto e a dança, árias e duos, um passo a três, um passo a quatro, não raro um bailado inteiro. Já havia corridas de cavalos, um clube apenas, que chamava a flor da cidade. As corridas começavam às dez horas da manhã e findavam à uma da tarde. Ia-se a elas por elas mesmas. A Europa mandava para cá as suas modas, as suas artes e os seus clowns. Traquitanas e velhas seges cediam o passo ao coupé, e os cavalos do Cabo entravam como triunfadores. Modinhas e serenatas brasileiras iam de par com árias italianas. As festas eclesiásticas eram numerosas e esplêndidas; na igreja e na rua, a devoção geral e sincera, as romarias e patuscadas infinitas. (ASSIS, 1941, p. 104).

Todo esse trecho é suprimido na versão em livro. No jornal, essa passagem pode aproximar o leitor, situado em 1896, do contexto social de eventos que se passam 40 anos antes. A supressão desse excerto quando da publicação do romance, porém, parece atender mais a um leitor atemporal, que não esteve em nenhum momento aclimatado com o contexto cultural dos anos 1850, e para quem essas informações apenas funcionariam a título de curiosidade.

Outra alteração muito relevante aparece no modo como os personagens são apresentados ao leitor. No fragmento publicado em periódico, Bentinho descreve brevemente sua mãe ao público, enquanto em livro ele retarda essa introdução para o capítulo VII, intitulado “D. Glória”, no qual não só ele repete as informações presentes no jornal como também muito expande o perfil de sua mãe.

Algo similar acontece com José Dias: muito embora o trecho apresentado na folha se detenha sobre o agregado com mais afinco e detalhes, Machado ainda o expande posteriormente em livro, dedicando a ele um capítulo (“V - O agregado”) no qual ele aborda não só o modo como José Dias passou a fazer parte da família, mas também seu papel e sua importância no núcleo familiar após a morte do patriarca Pedro.

O “dever amaríssimo” que José Dias se sente compelido a cumprir - e que, no livro, dá título ao capítulo IV - também muda de figura: no jornal, o agregado usa a expressão no aumentativo para se referir à sua obrigação de informar à D. Glória sobre o possível namoro entre Bentinho e Capitu. No entanto, no livro, a conversa termina com a primeira menção à promessa que levaria Bentinho ao seminário, o que leva a mãe do protagonista às lágrimas, e José Dias, para se justificar de ter mencionado a questão, argumenta que o faz para cumprir um “dever amaríssimo” para a família.

Todos os detalhes da primeira versão parecem apresentar para o leitor detalhes mais completos dos personagens com o objetivo de aclimatar o público do jornal às figuras ali apresentadas em um curto espaço, ao mesmo tempo que convida à leitura do futuro “romance inédito” ao deixar alguns dos detalhes da conversa mais vagos, como a ausência de uma explicação que justifique o desejo de D. Glória em enviar seu filho para o seminário. Esses aspectos poderiam despertar no leitor um desejo de entrar em contato com a obra e, consequentemente, aprofundar-se nos perfis desses personagens.

Por fim, Machado adota uma estratégia que lhe é muito cara: a de, no momento da transposição de um texto de um jornal para um livro, deixar certas passagens mais “sutis”, com interpretações mais abertas, menos conclusivas. Isso acontece com frequência nos contos: em “O relógio de ouro”, por exemplo, a versão apresentada no Jornal das Famílias em abril e maio de 1873 tem um final bem mais fechado, no qual Machado confirma a traição de Luís Negreiros com Zepherina; já em Histórias da meia-noite, o conto termina assim que o protagonista tem acesso a uma carta deixada por “tua iaiá”. Essa estratégia não é exclusiva de sua juventude, aparecendo também em contos como “A chinela turca” (publicado em A Epocha em 1875 e em Papéis avulsos em 1882), no qual a mensagem final contrária ao teatro de melodrama é bem mais enfática no periódico do que na coletânea.

Em se tratando da comparação entre “Um agregado” e Dom Casmurro, a sutileza aparece na personalidade de José Dias e em como ele retrata as possíveis segundas intenções da família de Capitu em relação a um namoro com Bentinho. Na versão impressa na República, José Dias não modera suas palavras ao argumentar que o pai de Capitu finge não ver o namoro: “Pudera! Quer naturalmente subir; casa rica, casa respeitável, onde é que ele achará genro igual, nem que de longe se aproxime?” (ASSIS, 1941, p. 104). Ao fazer uso do mesmo argumento no livro, José Dias é bem mais comedido e não diz com todas as letras que Pádua teria interesses financeiros na união: “tomara ele que as coisas corressem de maneira que…” (ASSIS, 1899, p. 8).

De modo similar, quando D. Glória parece desconfiar das suspeitas de José Dias, ele é bem menos cortês na versão do jornal, tratando o vizinho como homem de caráter e inteligência inferiores: “não se pode admitir que a ideia de semelhante enlace entre na cabeça de homem tão reles, tão ínfimo… Provoca, realmente, uma estrondosa gargalhada” (ASSIS, 1941, p. 104). No livro, o agregado coloca a responsabilidade da desconfiança sobre suas palavras na índole de D. Glória, que não acreditaria na maldade alheia: “a senhora não crê em tais cálculos, parece-lhe que todos têm a alma cândida” (ASSIS, 1899, p. 8).

Ainda na mesma seara, José Dias se refere a Capitu e seu pai como velhacos no jornal, não escondendo seu desdém em relação aos vizinhos mais pobres. Essa alegação desaparece no livro, e o agregado apenas aponta que examinou muito a situação do possível namoro antes de apresentá-la a D. Glória.

Tendo em vista que essa estratégia de deixar sentidos em aberto quando da transposição para livro parece ser cara a Machado, é preciso tentar traçar hipóteses que expliquem os motivos por trás dela. A principal delas está associada ao fato de o livro ser um formato mais perene do que a imprensa periódica, dando ao leitor um caráter mais universal e atemporal. Ademais, no caso de um romance como Dom Casmurro, o leitor terá acesso a uma gama maior de informações para poder chegar às suas próprias conclusões sem precisar ser guiado pelo escritor: a desconfiança de José Dias em relação aos vizinhos, por exemplo, será mais destrinchada ao longo do romance, bem como os traços de personalidade do agregado e os motivos que levam e essa desconfiança da família Pádua serão trabalhados de modo mais detido ao longo da narrativa. O leitor do livro tem acesso a um universo bem maior de informações.

Já o público do jornal pode não só realizar uma leitura com pressa, entremeada de textos jornalísticos, sem uma atenção mais detida e apenas com o objetivo de preencher o dia com um pouco de entretenimento, como também pode não ter interesse na leitura do romance no futuro. Assim, a passagem, quando apresentada no periódico, é mais esmiuçada para acomodar-se a esse leitor.

Para além disso, o desafortunado desaparecimento de República não permite uma avaliação mais profunda dos textos que circunscreviam o excerto machadiano, nem do público que o periódico buscava alcançar. Mesmo que o exame dos fundadores habilite o traçado de conjecturas, ainda é pouco para compreender todas as implicações da ambiência discursiva de “Um agregado: capítulo de um livro inédito” quando publicado no periódico oitocentista.

A situação não se repete, no entanto, com a impressão desse mesmo trecho na folha A Manhã, quase 50 anos depois, dirigida por Cassiano Ricardo (1895-1974), poeta modernista que se associava às tendências nacionalistas do movimento. No ano inaugural do jornal, surgiu também seu suplemento literário, intitulado Autores e Livros: Suplemento Literário de A Manhã, sob orientação de Mucio Leão (1898-1969), jornalista e poeta que já em 1941 era membro da Academia Brasileira de Letras.

O periódico tinha diretriz governista e pertencia, junto ao jornal paulista A Noite (dirigido por Menotti del Picchia) às Empresas Incorporadas ao Patrimônio da União (SODRÉ, 2011, p. 561-562). Por esse motivo, faz-se imperativo avaliar quais seriam os preceitos valorizados pelo Estado Novo e o que uma imprensa que apoiava o governo tenderia a trazer em sua abordagem. Sendo assim, as diretrizes aconselhadas pelo Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), criado em 1939, têm importante papel:

Sua função primordial era concentrar e coordenar a veiculação da ideologia estadonovista para os diferentes segmentos da sociedade, visando à construção do consenso em torno do novo governo. Nesse sentido, dirigia-se tanto a estratos mais populares como a grupos mais abastados. Aos primeiros, procurava construir a imagem de uma sociedade homogênea, negando a problemática de classe e destacando o trabalho como fator basilar da dignidade humana. Aos segundos, pretendia enfatizar o caráter inovador do governo, bem como a adequação deste tanto à “alma do país” como a um cenário internacional de falência do liberalismo. Segundo sua perspectiva, o Estado Novo colocava-se como uma resposta autenticamente nacional frente à situação catastrófica pela qual o mundo passava. (SALLA, 2016, p. 230-231).

A imprensa referendada pelo Estado Novo, portanto, procurava estimular uma valorização do nacional, tanto na mensagem que procurava passar aos grupos mais abastados quanto naquela das classes populares. O Brasil não só seria exemplo em relação à estruturação da sociedade, mas também se destacaria em comparação com o resto do mundo, especialmente em um contexto de guerra.

O projeto do jornal A Manhã seguia uma linha que se encaixava nas propostas estabelecidas pelo DIP. O suplemento literário Autores e Livros, no qual foi publicado o excerto machadiano, também subscrevia a essas diretrizes. Segundo as informações presentes no seu número inaugural (de 17 de agosto de 1941), o suplemento teria paginação própria para, ao final de cada ano, ser encadernado e colecionado pelos leitores, funcionando quase como uma obra de cunho literário e crítico, compilando textos de diferentes autores e escolas e permitindo uma leitura que funcionasse à parte do periódico diário. No programa da edição inicial, Mucio Leão detalha um pouco mais os objetivos que pretende atingir com a publicação:

Autores e Livros, o suplemento literário de A Manhã, vai procurar ter uma função de utilidade que ninguém lhe poderá contestar: a de ser, tanto quanto possível, um órgão de coordenação da inteligência do nosso país. [...] O Brasil provincial de hoje parece-nos sentir o florescimento de um brilhantíssimo espírito, desde o Amazonas até o Rio Grande do Sul. E podemos dizer que alguns dos legítimos representantes da geração fazem questão de não abandonar a região em que nasceram. [...] Autores e Livros vai tentar congregar em suas colunas esses valores que se estabilizaram nas províncias, esses valores hoje dispersos, hoje quase completamente ignorados do Rio, e quase que somente conhecidos dos rincões a que pertencem. (LEÃO, 1941).

Assim como outros instrumentos de imprensa do governo, o suplemento literário de A Manhã buscava alimentar e valorizar o nacionalismo, afirmando em seu programa que irá trazer textos de autores de diversas regiões do Brasil que tenham mérito artístico, com o objetivo de exibir a arte e os hábitos culturais dos diferentes locais de nosso país. Sendo assim, o público d’A Manhã poderia desenvolver um orgulho de nossos escritores e daquilo que apresentam sobre a nação.

Alguns dos números trazem textos de diversos autores, enquanto outros eram dedicados com mais afinco a algum escritor em específico. A segunda edição, por exemplo, é destinada a Fagundes Varela, incluindo tanto textos do poeta quanto sobre ele. Já a terceira, além de trazer vários escritos de e sobre Eduardo Prado, também apresenta poemas, contos e críticas de e relativos a outros autores.

O número 7, publicado em 28 de setembro de 1941, pertence ao segundo grupo. Quase a totalidade dos textos presentes nessa edição foi ou escrita por Machado ou sobre ele, cortesia de figuras como José Verissimo, Carlos de Laet, Manuel Bandeira e Graça Aranha, por exemplo. O suplemento faz questão de destacar a importância do Bruxo do Cosme Velho no cenário literário nacional: “Nenhum escritor de nosso país tem sido tão estudado, e por ângulos tão diferentes, como esse” (MACHADO DE ASSIS, 1941, p. 97).

A publicação de uma edição dedicada a Machado de Assis, portanto, tem objetivos claros que se alinham com a proposta getulista de promover o orgulho por aquilo que é nacional: ao exaltar o escritor mais estudado do país, o número reforça o interesse pela “alma brasileira”, bem como pelo valor que nossos escritores representam para nossa cultura.

A relação do regime estadonovista com a figura de Machado de Assis assumiu contornos contrastantes não só com o passar dos anos, mas também conforme o órgão responsável pela avaliação do escritor e de sua obra. Em 1939, ano do centenário do nascimento do autor de Dom Casmurro, foram realizadas iniciativas e celebrações de tom majoritariamente laudatório, tais como a exposição “Machado de Assis” - promovida pelo Instituto Nacional do Livro (INL) - ou o filme Um apólogo: Machado de Assis - 1839-1939, dirigido por Humberto Mauro e realizado pelo Instituto Nacional do Cinema Educativo (Ince). No entanto, nos anos seguintes, a percepção de parte da crítica em relação ao romancista, inclusive em alguns periódicos governistas que estavam associados ao DIP, passa a enfatizar uma visão calcada em percepções do século anterior que tratavam Machado como um autor frio, distante de questões que envolvessem a sociedade brasileira2.

É nesse ambiente discursivo que sai, pela segunda vez, o texto “Um agregado: capítulo de um livro inédito”, apresentado na versão que fora antes publicada em República. O excerto é apresentado brevemente em três parágrafos, transcritos a seguir:

Num velho número da “República”, de 1896, encontramos um trabalho de Machado de Assis intitulado “Um agregado (capítulo de um livro inédito)”.

Fizemos questão de reproduzir essa página pela curiosidade evidente que ela constitui. Primeiro, por se tratar de um capítulo de um romance dado previamente ao público. Será isso uma coisa extremamente rara, sabido como Machado de Assis evitava referir-se mesmo aos seus amigos mais íntimos acerca dos seus livros em preparo.

O segundo motivo porque tivemos empenho em transcrever esse capítulo consiste em que com ele fornecemos ao leitor a primeira versão dos capítulos III, IV e V do “Dom Casmurro”, o que permitirá um curioso estudo sobre o método de composição do romancista brasileiro. (UM CAPÍTULO DE ROMANCE, 1941, p. 104).

O trecho de apresentação da passagem machadiana já esclarece um dos possíveis sentidos que a reprodução desse excerto pode adquirir: o de objeto de curiosidade e estudo. Ao ser publicado depois do romance, ou seja, após terem sido feitas alterações na passagem que a aproxime mais da estrutura do livro, o trecho funciona como registro do processo criativo de Machado. O pesquisador - ou mesmo o leitor comum - que entrar em contato com esse texto não mais estará privado do “romance inédito”, podendo comparar as duas versões e estabelecer hipóteses e conclusões a partir da análise das mudanças efetuadas na narrativa.

O periódico dirigido por Cassiano Ricardo - um dos intelectuais que mais se enquadrou ideologicamente ao regime ditatorial de Getúlio - parece ilustrar com razoável nitidez as contradições relativas a como Machado de Assis se encaixava ou não no plano de valorização da pátria. Ao mesmo tempo que sua trajetória foi amplamente aclamada por parte da crítica a partir de um viés meritocrático burguês, outra parte centra foco na concepção de que Machado estaria preso a uma “torre de marfim”, afastado dos elementos que tornariam sua obra verdadeiramente nacional.

Gabriela Manduca Ferreira (2011), por exemplo, em sua dissertação de mestrado sobre a crítica machadiana durante o Estado Novo, analisa com mais afinco as figuras de Lúcia Miguel Pereira, Astrojildo Pereira, Augusto Meyer e Eugênio Gomes - dentre os quais, apenas Astrojildo não trabalhou com funcionalismo público durante os anos em que Getúlio esteve no poder - e como suas críticas foram moldadas pelas visões de mundo vigentes na época. Se Astrojildo faz análises marxistas da obra de Machado, rejeitando uma ideia de absenteísmo no autor, Eugênio Gomes se dedica mais detidamente às influências inglesas que estariam presentes nos textos machadianos. Enquanto Augusto Meyer procura fugir do biografismo ao investir no caráter negativista da obra do escritor, Lúcia faz o caminho contrário e aparece como uma das primeiras críticas a reforçar a questão da negritude na pessoa de Machado, salientando sua ascensão social e corroborando as visões de Gilberto Freyre sobre uma “democracia racial” no Brasil, ainda que os comentários da pesquisadora, quando lidos sob a luz dos dias atuais, tenham caráter bastante higienista.

Ao publicar um número de Autores e Livros dedicado ao autor de Memórias póstumas, o periódico cumpre duas funções paralelas: a de saudar aquele que, dois anos antes, era já celebrado como o principal de nossos escritores, valorizando seu processo criativo; e, ao mesmo tempo, apresentar visões dissonantes, que ressaltam a opinião de que Machado de Assis era como “um inglês cheio do gênio da observação, que ficasse no Brasil pelo gosto de observar” (REGO, 1941, p. 99).

Assim, a publicação desse fragmento do romance tem diferentes implicações e sentidos nos diferentes meios de publicação nos quais ele foi veiculado. Em República, o trecho servia como apresentação e aperitivo do romance, ainda não plenamente desenvolvido. As passagens que posteriormente foram alteradas tinham o objetivo de aclimatar o leitor do jornal aos personagens e ao contexto do romance, criando uma expectativa e um interesse pela obra que seria publicada anos mais tarde.

Já quando editado em livro, o trecho, agora com alterações, é circunscrito pelos outros capítulos do romance. José Dias não é mais apenas um agregado que apresenta comportamento pouco cortês com a família vizinha mais pobre, mas sim um indivíduo que enxerga nos Pádua um pouco de si próprio, e tenta proteger a família Santiago. As motivações de D. Glória são expandidas, e sua personalidade ganha novas feições, inclusive de afeto em relação aos vizinhos, por exemplo.

Por fim, quando publicado em A Manhã, num retorno ao texto que originalmente saíra em República, o trecho corrobora a mensagem de valorização ao nacional apresentada pela folha, além de apresentar o conteúdo em chave comparativa com a variante que fora impressa em livro, transformando o excerto em objeto de curiosidade para estudiosos daquele que, já no século XIX, era nosso autor de maior prestígio.

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    Essa visão chega mesmo a aparecer no número aqui analisado de Autores e Livros, quando textos como os de José Lins do Rego e Barbosa Lima Sobrinho ressaltam elementos que se referem a uma suposta desconexão de Machado com a realidade nacional (SALLA, 2012).
  • Este artigo foi concebido a partir de uma pesquisa de doutorado com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), processo 21/01149-4 (AGUILAR, 2022-2026).

Referências

  • AGUILAR, Luiza Helena Damiani. O mistério do feminino visto por três narradores machadianos: as mulheres enigmáticas de Dom Casmurro, “Singular ocorrência” e “Missa do galo”. Fapesp. Processo 21/01149-4. Linha de fomento: Bolsas do Brasil - Doutorado. Pesquisador responsável: Thiago Mio Salla. Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo (USP), São Paulo, SP, Brasil, 2022-2026.
  • ASSIS, Machado de. O jornal e o livro. Ao Sr. Dr. M. A. de Almeida. Correio Mercantil, n. 10, 10 jan. 1859a, p. 1. Hemeroteca Digital da Fundação Biblioteca Nacional.
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  • ASSIS, Machado de. Ressurreição Rio de Janeiro: H. Garnier Livreiro-Editor, 1872.
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  • ASSIS, Machado de. Obra completa de Machado de Assis Organização de Aluizio Leite, Ana Lima Cecílio, Heloisa Jahn e Rodrigo Lacerda. 3. ed. São Paulo: Nova Aguilar, 2015.
  • CHARTIER, Roger. Os desafios da escrita São Paulo: Editora Unesp, 2002a.
  • CHARTIER, Roger. Inscrever e apagar São Paulo: Editora Unesp, 2002b.
  • EXPOSIÇÃO Machado de Assis. Ministério da Educação e Saúde. Centenário do nascimento de Machado de Assis - 1839-1939. (Série Exposições II).
  • FERREIRA, Gabriela Manduca. A crítica machadiana durante o Estado Novo Dissertação (Mestrado em Literatura Brasileira). Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, 2011.
  • GRANJA, Lúcia. Machado de Assis - antes do livro, o jornal: suporte, mídia e ficção. Edição digital. São Paulo: Editora Unesp Digital, 2018.
  • LEÃO, Mucio. Quase um programa. Autores e Livros: Suplemento Literário de A Manhã Rio de Janeiro, n. 1, 17 ago. 1941, p. 1.Hemeroteca Digital da Fundação Biblioteca Nacional.
  • MACHADO DE ASSIS. Autores e Livros: Suplemento Literário de A Manhã Rio de Janeiro, n. 7, 28 set. 1941. Hemeroteca Digital da Fundação Biblioteca Nacional.
  • MACHADO, Ubiratan. Dicionário de Machado de Assis Apresentação de Cícero Sandroni. Rio de Janeiro: ABL, 2008.
  • MCKENZIE, Donald Francia. Bibliografia e a sociologia dos textos. Trad.: Fernanda Veríssimo. São Paulo: Edusp, 2018.
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  • SALLA, Thiago Mio. Graciliano Ramos e a Cultura política: mediação editorial e construção de sentido. São Paulo: Edusp/Fapesp, 2016.
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  • UM APÓLOGO: Machado de Assis - 1839-1939. Direção: Humberto Mauro. Fotografia: Manoel Ribeiro. Produção: Ministério da Educação e Cultura; Instituto Nacional de Cinema Educativo (Ince). Drama. Rio de Janeiro, 1939. (15 min.). Disponível em: http://www.bcc.gov.br/filmes/443311 Acesso em: 22 out. 2024.
    » http://www.bcc.gov.br/filmes/443311
  • UM CAPÍTULO DE ROMANCE. Autores e Livros: Suplemento Literário de A Manhã Rio de Janeiro, n. 7, 28 set. 1941, p. 104. Hemeroteca Digital da Fundação Biblioteca Nacional.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    17 Jan 2025
  • Data do Fascículo
    2024

Histórico

  • Recebido
    19 Out 2023
  • Aceito
    16 Out 2024
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