Resumo
Neste artigo propomos uma leitura da relação entre Salvador e Gala Dalí com o objetivo de caracterizar um possível funcionamento do partenaire nas psicoses. Nossa abordagem toma como ponto de partida a consideração de que os laços consistentes que se estabelecem nas psicoses excedem a identificação conformista como princípio explicativo. O uso do termo partenaire supõe um funcionamento de suporte e de atadura que articula o véu da dimensão do objeto. A reconstrução das vidas de Salvador e Gala, lida deste ponto de vista, lança luz sobre uma modalidade de vínculo na qual a partenaire conta com o traço da unicidade e a potência unificante, recurso inestimável para sustentar a cotidianidade e a criação artística de Dali, a que configura um saber fazer com o real que lhe é imposto como invasão de imagens e sensações.
Palavras-chave:
Parceria; psicose; enodamento; suporte