Objetivo Compreender as percepções de ribeirinhos do Amazonas sobre os efeitos da pandemia de COVID-19 na economia e práticas alimentares.
Métodos Estudo qualitativo realizado em 2022, durante a 4ª onda da pandemia, com amostra intencional e critério de saturação. Aplicou-se um questionário sociodemográfico e de perfil de saúde de populações ribeirinhas durante a pandemia, Questionário Critério de Classificação Econômica Brasil e um roteiro semiestruturado. As transcrições das entrevistas semiestruturadas e os diários de campo da observação participante foram analisados por meio da Análise de Conteúdo Temática dividida em três etapas: pré-análise; exploração do material e tratamento dos resultados; interpretação e conclusão.
Resultados Os achados indicam que na pandemia as transformações nas práticas alimentares dos 12 ribeirinhos entrevistados (sete mulheres e cinco homens) decorreram da defasagem das vendas, diminuição dos ganhos, elevação dos preços dos alimentos e consequente redução e/ou exclusão de itens disponíveis na zona urbana que complementavam as refeições. Os alimentos oriundos da pesca e da agricultura familiar garantiram a alimentação nesse período.
Conclusão Os resultados apresentam que ribeirinhos do Amazonas estiveram entre os grupos mais impactados pelas medidas restritivas da pandemia de COVID-19, no que se refere às práticas alimentares e economia. As percepções também manifestam a acentuação das desigualdades sociais e má gestão do poder público nesse período.
Palavras-chave
Amazônia; COVID-19; Segurança alimentar; População rural; Populações vulneráveis
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Note: Authors’ personal archive.
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