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Fazendo orixás: sobre o modo de existência das coisas no candomblé

Making orixás: on the mode of existence of things in Candomblé

Resumo:

Este trabalho tenta refletir sobre o modo como as “coisas” são feitas no universo do candomblé. Para isso, parto de uma etnografia realizada na oficina de José Adário dos Santos, mais conhecido como Zé Diabo, sobre a produção das chamadas ferramentas de orixás, artefatos de metal que se tornam - ou são preparados para - entidades das religiões de matriz africana no Brasil (Orixás, Exus, Voduns, Inquices, Caboclos etc.). Ao acompanhar os distintos processos de feitura dessas ferramentas, busco explorar como, no candomblé, o fazer deve ser pensado menos como uma “agência” e mais como um processo de canalização e composição de distintas forças que permeiam pessoas, deuses e coisas. Assim, no universo do candomblé, as formas não podem ser desvencilhadas das forças que as compõem. E tais forças, para se manterem “vivas”, demandam um cuidadoso e ininterrupto trabalho ritual, propondo-nos uma espécie de ecologia das práticas onde tudo, embora vivo, deve ser constantemente feito.

Palavras-chave:
Candomblé; Materialidade; Técnica; Fazer; Ecologia das práticas

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