Introdução: Manuscritos submetidos a periódicos de Ciências Sociais frequentemente reproduzem teorias sem desenvolverem interpretações próprias dos dados, o que reduz a contribuição analítica dos artigos. Embora o modelo IMRaD organize a escrita científica, sua aplicação recorrente privilegia descrição e revisão de literatura em detrimento da explicação autoral. Este artigo discute como incorporar a explicação autoral como eixo central dos manuscritos.
Materiais e métodos: O estudo utiliza abordagem qualitativa baseada em revisão narrativa de literatura sobre escrita acadêmica, documentos orientadores e experiência editorial da autora. A análise sistematiza dificuldades recorrentes em manuscritos, como uso instrumental da teoria e interpretação limitada dos achados.
Resultados: Propõe-se um modelo de escrita que reforça três operações: i) definição precisa do problema de pesquisa e da lacuna teórica; ii) explicitação de critérios e decisões metodológicas; iii) apresentação dos achados acompanhada de interpretação autoral ancorada nos dados. O modelo diferencia descrição, mobilização teórica e explicação, destacando esta última como componente distintivo da contribuição científica. Exemplos operacionais mostram como transformar dados brutos e categorias analíticas em explicação substantiva.
Discussão: Sustenta-se que o fortalecimento da explicação autoral melhora a qualidade analítica dos artigos, favorece diálogo crítico com teorias existentes e reduz a reprodução acrítica de referenciais. Conclui-se que o modelo fornece parâmetros aplicáveis a distintas tradições metodológicas, oferecendo uma referência para aprimoramento da escrita científica.
Palavras-chave
escrita científica; autoria acadêmica; IMRaD; produção do conhecimento; revisão narrativa