| Gadelha, 20035
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O complexo industrial da saúde e a necessidade de um enfoque dinâmico na economia da saúde |
Analisa as transformações no setor da saúde no Brasil, enquadrando-as no desenvolvimento nacional. A lógica empresarial capitalista está presente em todos os setores produtivos, o que impulsiona uma mudança para um modelo empresarial na gestão e organização dos serviços de saúde. Isso inclui tanto o setor público quanto o privado, com o Estado desempenhando um papel crucial na regulação e no financiamento. Destaca a importância da inovação e acumulação de capital no setor da saúde, ressaltando as tensões entre os interesses econômicos e as necessidades sociais. Além disso, aponta para a dependência do País com relação às importações de produtos de saúde, decorrente da baixa capacitação local em inovação em saúde. |
Aborda a evolução do Ceis no Brasil, destacando a mutação industrial e institucional que afeta a estrutura produtiva, estratégias organizacionais e a atuação estatal. Em contraposição à abordagem neoclássica, que foca na alocação de recursos em equilíbrio estático, propõe-se uma visão dinâmica e heterodoxa, baseada em teorias keynesiana, marxista e schumpeteriana. Essa perspectiva reconhece as limitações da racionalidade econômica e enfatiza inovação, competição e diversidade como motores do desenvolvimento. Defende-se que o mercado de saúde requer intervenção estatal devido a falhas como assimetrias de informação e externalidades, propondo uma ação estatal proativa para moldar instituições e interações, impulsionando o Ceis como agente de desenvolvimento alinhado à política nacional de saúde. |
Argumenta que a abordagem neoclássica tradicional não é adequada para compreender e responder aos desafios enfrentados pelo setor saúde no Brasil, especialmente com relação a inovação, acumulação de capital e transformações estruturais. Ao destacar a importância das abordagens de economia política, especialmente as tradições keynesiana e schumpeteriana, o texto propõe uma análise dinâmica que considera as forças endógenas da inovação e a interação entre Estado e mercado como elementos essenciais para promover o desenvolvimento do Ceis. Ele argumenta que o mercado não é apenas um mecanismo alocativo, e, sim, um espaço de luta competitiva que pode gerar desequilíbrios e desigualdades, mas, também, oportunidades de inovação e desenvolvimento. |
Impacto da globalização e reformas do Estado no Ceis |
| Gadelha, 20062
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Desenvolvimento, complexo industrial da saúde e política industrial |
Trata do projeto de desenvolvimento nacional no Brasil, com foco histórico entre 1930 e 1980, quando políticas desenvolvimentistas e industriais foram implementadas na América Latina, com a indústria vista como central para superar dependência e subdesenvolvimento. Autores como Prebisch, Furtado e Cardoso são citados por criticarem a ideia de que o mercado, por si só, promoveria convergência econômica. A estratégia adotada incluía a industrialização, com o Estado coordenando investimentos, desde indústrias leves até pesadas. |
Trata do Ceis como uma construção que busca integrar tanto a dimensão sanitária quanto a econômica, visando à interação entre saúde e desenvolvimento. Destaca-se a necessidade de uma estratégia de desenvolvimento que promova o dinamismo econômico e reduza a dependência em áreas críticas, como a dos equipamentos eletrônicos, da biotecnologia e dos novos materiais. O conceito de Ceis é apresentado como uma abordagem sistêmica, relacionada ao sistema nacional de inovação em saúde, em que a capacidade de inovação do País é crucial. |
Adota uma perspectiva desenvolvimentista para analisar o Ceis. Ele discute a importância da intervenção estatal na promoção da industrialização e na geração de inovação como estratégia para superar a dependência econômica e alcançar o desenvolvimento. Além disso, destaca a necessidade de políticas industriais e de inovação para promover o crescimento econômico e a inclusão social, posicionando o Estado como um agente fundamental nesse processo. |
Desenvolvimento econômico e política industrial no Brasil e na América Latina |
| Gadelha, 20062(cont.) |
Desenvolvimento, complexo industrial da saúde e política industrial |
Com o surgimento do neoliberalismo, nas décadas de 1970 e 1980, esse modelo foi criticado. Também aborda a relação entre desenvolvimento e saúde, ressaltando a inovação em saúde como fundamental para o progresso nacional, mas identificando desafios, como a dependência econômica e a necessidade de políticas voltadas à inovação e industrialização no setor. Em síntese, enfatiza-se a relevância de políticas industriais e de inovação para o desenvolvimento, especialmente em setores estratégicos como a saúde. |
Ressalta a importância de políticas industriais e de inovação para fortalecer a base produtiva nacional e superar desafios históricos de dependência e desenvolvimento. Os dados apresentados revelam a necessidade de uma análise detalhada do perfil das atividades produtivas no Brasil, especialmente considerando a balança comercial como um indicador-chave para compreender a capacidade e as dependências do País nesse setor. |
Portanto, o artigo está alinhado com os princípios do pensamento desenvolvimentista ao propor uma abordagem que enfatiza o papel ativo do Estado na promoção do desenvolvimento industrial e tecnológico no setor saúde. |
Desenvolvimento econômico e política industrial no Brasil e na América Latina |
| Barbosa e Gadelha, 20126
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O papel dos hospitais na dinâmica de inovação em saúde |
Destaca a importância da inovação como uma dimensão crucial para o desenvolvimento das organizações e sociedades na contemporaneidade, especialmente quando se trata da política sanitária. A compreensão dessa dinâmica possibilita abordagens mais amplas e intersetoriais da política de saúde, colocando-a no centro da agenda de desenvolvimento nacional. Ao integrar um enfoque dinâmico da economia na política de saúde, novos modelos de interação entre Estado, políticas públicas e mercado podem ser elaborados, fortalecendo o desenvolvimento do Ceis como um todo. A inovação nos serviços de saúde emerge como um elemento estratégico, destacando-se o protagonismo dos hospitais na geração de inovação e suas relações com outros institutos e universidades. É ressaltada a necessidade de compreender melhor a dinâmica de inovação envolvendo os serviços de saúde, identificando lacunas de conhecimento nessa área e reconhecendo a importância de adensar o conhecimento científico nesse campo de estudo. |
Destaca o papel crucial do Ceis como uma importante frente de inovação, ocupando um espaço diferenciado nas políticas públicas devido aos significativos gastos em pesquisa e desenvolvimento (P&D), especialmente na indústria farmacêutica e de equipamentos médicos. Reconhece-se o protagonismo dos produtores de insumos de saúde na geração de inovação, destacando a interação entre indústria, universidades, institutos científicos e Estado. No contexto dos hospitais, é apontado seu protagonismo na geração de inovação em saúde, incluindo inovações organizacionais, de processos e de produtos. Ressalta a importância de compreender a dinâmica de inovação envolvendo os serviços de saúde, especialmente nos hospitais, e propõe modelos analíticos que contemplam diferentes tipos de inovação e a interação entre diversos agentes no processo de inovação. Essas análises visam a aprimorar a compreensão da dinâmica da geração de inovação nos hospitais e subsidiar políticas públicas para o desenvolvimento do setor saúde e do Brasil como um todo. |
Adota uma perspectiva desenvolvimentista para debater o Ceis. Ele destaca a importância da inovação e do desenvolvimento tecnológico na área da saúde, argumentando que esses elementos são fundamentais para impulsionar o desenvolvimento econômico e social do País. Além disso, o artigo ressalta a necessidade de uma abordagem mais ampla e intersetorial da política de saúde, colocando-a no centro da agenda de desenvolvimento. Isso reflete a ideia central do pensamento desenvolvimentista, que é a busca da superação do subdesenvolvimento por meio da industrialização, do planejamento e do apoio decisivo do Estado. |
Inovação e desenvolvimento no Ceis |
| Metten et al., 20157
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A introdução do complexo econômico industrial da saúde na agenda de desenvolvimento: uma análise a partir do modelo de fluxos múltiplos de Kingdon |
Refere-se ao posicionamento estratégico do Ceis no contexto do desenvolvimento nacional do Brasil, destacando sua inclusão nas prioridades do Plano Brasil Maior como um marco significativo. Essa decisão não representa uma ruptura, mas, sim, uma continuidade do reconhecimento da importância desse complexo, evidenciada em programas desde os anos 2000. Enfatiza a importância de políticas públicas para impulsionar a produção nacional de insumos estratégicos, enfrentar a defasagem industrial e adequar o marco regulatório. Esse movimento também é impulsionado por uma abordagem renovada da saúde, reconhecendo seu papel no desenvolvimento econômico e social, e pela atuação de empreendedores políticos, destacando a integração do Ministério da Saúde nas instâncias deliberativas do Plano Brasil Maior. O contexto macroeconômico favorável e o comprometimento do governo com políticas desenvolvimentistas também influenciaram essa inclusão. |
Discute a integração do Ceis como uma das principais metas do Plano Brasil Maior, destacando que essa decisão não representou uma interrupção nas políticas públicas do País, mas, sim, uma ampliação do reconhecimento da relevância estratégica do Ceis para o desenvolvimento econômico e social do Brasil. A fragilidade da base produtiva da saúde, em particular, a dependência dos mercados estrangeiros, levou à incorporação do Ceis na agenda política. Para lidar com esse desafio, foram sugeridas respostas inovadoras, como investimentos em setores-chave da saúde e uma abordagem mais ampla da saúde como impulsionadora do desenvolvimento. Adicionalmente, a participação de empreendedores políticos e as condições políticas favoráveis em nível macro foram cruciais para essa escolha. Contudo, é crucial assegurar que as políticas criadas para o Ceis sejam implementadas e avaliadas de forma efetiva, além de ser necessário incluir a dimensão territorial no planejamento da política industrial de saúde para combater as disparidades regionais. |
Adota o pensamento desenvolvimentista no debate sobre o Ceis. Ele reconhece a saúde como um importante indutor de desenvolvimento, seja pelo seu papel na geração de emprego, renda e fonte de progresso técnico para o Brasil. Utiliza-se da teoria econômica desenvolvida por autores da tradição cepalina desenvolvimentista clássica, a exemplo de Celso Furtado; e ao tratar do ‘fluxo político’, reconhece nos dois primeiros mandatos do presidente Lula e da presidente Dilma Rousseff um comprometimento do governo com a proposta desenvolvimentista. |
Inovação e políticas de saúde no desenvolvimento econômico |
| Gadelha e Braga, 20168
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Saúde e inovação: dinâmica econômica e Estado de Bem-Estar Social no Brasil |
Discute os esforços e avanços obtidos a partir da inserção do Ceis na agenda das políticas nacionais, enquanto aposta de construção de um Estado de Bem-Estar no Brasil, destacando a importância da conjugação dos direitos sociais para constituição de uma estrutura produtiva e tecnológica que considere a saúde como estratégia do desenvolvimento nacional. Coloca o sistema produtivo da saúde no papel de gerador de inovações, sistema este que inclui segmentos de alta complexidade e dinamismo, a exemplo da moderna biotecnologia e das ciências da vida, da química avançada, da nanotecnologia, dos novos materiais, da microeletrônica e da tecnologia da informação, todos eles impactando a dinâmica de desenvolvimento nacional. Aborda, ainda, as políticas públicas criadas ao longo dos anos que contribuíram para a retomada de uma política industrial voltada para o desenvolvimento nacional. |
Apresenta o Ceis como sendo um sistema interdependente, que abrange uma rede de conhecimentos para onde convergem as indústrias farmacêuticas, de diagnósticos, de equipamentos e materiais direcionadas aos prestadores de serviços de saúde. Informa que o conceito de Ceis foi formulado no início dos anos 2000 e que seus desdobramentos precisam ser constantemente problematizados e atualizados para o alcance de uma perspectiva transformadora e que integre as dimensões econômicas e sociais da saúde. Destaca que a concepção do Ceis remete à necessidade de uma abordagem sistêmica da saúde, num esforço analítico que inclua a dinâmica interdependente dos subsistemas produtivos, que, apesar de heterogêneos, são organicamente interligados. |
Adota o pensamento desenvolvimentista no debate sobre o Ceis. Ele identifica a imprescindibilidade da atuação do Estado na função de indutor e articulador dos diversos interesses que recaem sobre a geração de novas tecnologias, conferindo uma direção para os objetivos do Sistema Único de Saúde (SUS) e de um Estado de Bem-Estar Social. Ele argumenta que, para superar a dependência e o padrão tecnológico desagregado (incompatível com os princípios do SUS e com as demandas da população), faz-se necessário o estabelecimento de políticas nacionais e a construção de uma capacidade estratégica do Estado. Utiliza-se do pensamento econômico desenvolvido por teóricos ligados ao enfoque histórico-estruturalista cepalino, a exemplo de Celso Furtado, no debate sobre modernização/marginalização. |
Inovação e políticas de saúde no desenvolvimento econômico |
| Gadelha et al., 20189
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Transformações e assimetrias tecnológicas globais: estratégia de desenvolvimento e desafios estruturais para o Sistema Único de Saúde |
Os autores colocam que os países desenvolvidos (ou os que estão em processo de transformação de sua estrutura produtiva, a exemplo da China) apresentam projetos de hegemonia global e visam a reafirmar o seu poder na definição do padrão tecnológico. Logo, para responder a tal realidade, os autores argumentam sobre a necessidade de uma estratégia de desenvolvimento que articule a saúde como direito universal, a reconstrução da base produtiva nacional no âmbito do Ceis e das atividades de ciência, tecnologia e inovação (CTI) em saúde como parte da estratégia de desenvolvimento nacional com foco na saúde, para a superação dos bloqueios advindos da dependência estrutural que restringem a consolidação do SUS. |
Os autores colocam que o Ceis adquiriu destaque nos governos Lula e Dilma, especialmente no período de 2003-2014, uma vez que esses governos retomaram ações voltadas à política industrial e de desenvolvimento produtivo. Utiliza-se no artigo o enfoque da Complexidade Econômica para verificar padrões de desigualdade das bases produtivas nacionais, somada a outras abordagens e indicadores para análise de uma geopolítica da tecnologia e da inovação que, segundo os autores, ameaça estruturalmente a soberania para viabilidade dos sistemas universais na periferia. Os autores argumentam que a produção e a inovação no âmbito do Ceis encontram-se em uma espécie de coluna dorsal de alta densidade tecnológica e de conhecimento, que estabelece o potencial de desenvolvimento dos sistemas produtivos nacionais. |
Parte do enfoque histórico-estruturalista cepalino, ancorado no pensamento de teóricos dessa tradição, a exemplo do argentino Raúl Prebisch e dos brasileiros Celso Furtado e Ricardo Bielschowsky. Infere sobre um progressivo crescimento das importações do Ceis nas últimas décadas, independentemente da oscilação da taxa de câmbio real, que, segundo os autores, demonstra que déficit não depende apenas dos preços, mas, também, da dependência tecnológica da saúde, de modo que as políticas de acesso universal se encontram limitadas pela disponibilidade de recursos para a importação de produtos, revelando uma ‘dependência’ e a vulnerabilidade do SUS frente à lógica da concorrência capitalista em saúde e à hegemonia dos países de capitalismo central sobre o padrão tecnológico global. |
Impacto da globalização e reformas do Estado no Ceis |
| Gadelha e Temporão, 201810
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Desenvolvimento, Inovação e Saúde: a perspectiva teórica e política do Complexo Econômico-Industrial da Saúde |
Ao retomar as ideias-força da perspectiva do Ceis, os autores buscam demarcar a visão incorporada nesse paradigma, num esforço decisivo para consolidação do SUS e de um projeto nacional de desenvolvimento baseado na constituição de sistemas universais e em bases produtivas e de inovação fortes, soberanas e socialmente orientadas. Diante disso, ganham destaque duas perspectivas estratégicas para a ação do Estado: (1) a natureza da abordagem Ceis requer um padrão sistêmico de intervenção do Estado; (2) o marco teórico do Ceis destaca, entre todos os instrumentos de indução e de regulação, o uso do poder de compra do Estado como fator estruturante para superar as condições de dependência e de atraso na produção e na inovação em saúde. |
Os autores colocam que o conceito do Ceis foi desenvolvido mediante pesquisas realizadas no início dos anos 2000 e apresentou, ao longo tempo, diferentes denominações em função das ênfases buscadas para sua aplicação teórica e política. No artigo, argumenta-se que a concepção do Ceis se vincula às teorias econômicas de matriz keynesiana, ao mesmo tempo que incorpora o processo de transformação de longo prazo e estrutural das bases produtivas econômica e social que marcam as matrizes marxista, schumpeteriana e estruturalista. |
Parte do enfoque histórico-estruturalista cepalino, ancorado no pensamento de teóricos dessa tradição, a exemplo do argentino Raúl Prebisch e do brasileiro Celso Furtado. Argumenta-se, no artigo, que as assimetrias de poder, conformadoras do ‘sistema centro-periferia’, estão assentadas na direção e na difusão do progresso técnico. Com base ainda no pensamento estruturalista, os autores argumentam que a dinâmica da inovação é assimétrica e gera polaridades entre classes sociais, regiões e países, de modo a caracterizar um processo de modernização com marginalização. |
Inovação e políticas de saúde no desenvolvimento econômico |
| Felix, 201811
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Economia da Longevidade, Gerontecnologia e o complexo econômico-industrial da saúde no Brasil: uma leitura novodesenvolvimentista |
Estabelece um paralelo entre Ceis e Economia da Longevidade, visando a discutir as possibilidades de efetivação das estratégias industriais no Brasil, bem como vêm fazendo países de capitalismo central. Para isso, o autor acredita que se faz necessário recorrer a uma macroeconomia menos tradicional e mais normativa. |
Argumenta que o conceito de Ceis vem sendo elaborado sob uma base teórica desenvolvimentista clássica, pautada, principalmente, no enfoque cepalino. |
Utiliza-se do enfoque teórico novo-desenvolvimentista, de inspiração keynesiana e estruturalista, embora com algumas distinções dessas duas correntes. Ele escolhe a abordagem novo-desenvolvimentista, pois acredita que a escola ortodoxa liberal tem se mostrado ineficiente em obter êxito na empreitada de industrialização dos países de renda média, ainda que tenha hegemonizado o pensamento econômico desde os anos 1990 no Brasil. |
Desenvolvimento econômico e política industrial no Brasil e na América Latina |
| Gadelha et al., 202012
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Acesso a vacinas no Brasil no contexto da dinâmica global do Complexo Econômico-Industrial da Saúde |
Ao investigar as principais tendências econômicas, da estrutura de mercado e da produção e inovação de vacinas contra doenças infecciosas, além de observarem os reflexos dessas dinâmicas no acesso à vacinação no Brasil e na sustentabilidade do SUS, os/as autores(as) dimensionam a importância da pesquisa, desenvolvimento e inovação de vacinas para a superação da dependência estrutural, logo, para a consolidação de um projeto de desenvolvimento nacional. |
Apresenta o segmento de vacinas como sendo parte integrante do subsistema de base química e biotecnológica do Ceis. Este subsistema está condicionado por aspectos econômicos e segue o padrão competitivo do sistema capitalista, além de estar inserido numa tendência produtiva de elevada complexidade e dinamismo tecnológico, caracterizando-se como um oligopólio diferenciado baseado na ciência, cuja indústria enfrentou um forte processo de concentração nas últimas décadas. |
Utiliza-se do enfoque histórico-estruturalista cepalino em conjugação com a moderna teoria da complexidade para analisar os aspectos do déficit da balança comercial brasileira referente ao setor de vacinas. Segundo os/as autores(as) do artigo, esse enfoque preconiza a balança comercial como principal indicador da especialização produtiva e das assimetrias globais entre países, empresas e regiões. Logo, é possível afirmar que o artigo adota o pensamento desenvolvimentista no debate sobre o Ceis. |
Impacto das dinâmicas globais sobre Políticas Nacionais de Saúde |
| Gadelha, 202213
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Complexo Econômico-Industrial da Saúde: a base econômica e material do Sistema Único de Saúde |
Por meio do diálogo entre o campo da economia política e o campo da saúde coletiva, o artigo procurou articular a dimensão social e econômica, a fim de superar a visão da política social como um campo compensatório ou complementar ao desenvolvimento. O autor acredita que a articulação com o campo da economia política permite enxergar a relevância da base econômica e material da saúde, cuja dinâmica reproduz as características do padrão nacional de reprodução. O artigo situa a saúde no campo dos direitos e do bem-estar social, mas inserida na estrutura social e econômica do modo de reprodução capitalista. Desse modo, o autor considera a saúde como sendo parte intrínseca da estrutura capitalista, reproduzindo as contradições do modelo de desenvolvimento em seu interior; assim sendo, ele insere a saúde no âmbito dos padrões nacionais e globais de desenvolvimento. |
O Ceis é abordado de modo multidisciplinar, buscando-se integrar as dimensões social, econômica e política, em diálogo com os determinantes sociais da saúde. O artigo reconhece a saúde como parte intrínseca da estrutura econômica, onde a estrutura capitalista desempenha um papel dito relevante. O diálogo constante com a economia política e a saúde coletiva sustenta a estratégia do Ceis, permitindo uma análise aprofundada das conexões entre desenvolvimento econômico e saúde. A aplicação prática dessa abordagem, exemplificada pelo estudo da disponibilidade de vacinas contra covid-19 e pala análise da balança comercial do Ceis, revela as desigualdades estruturais e os desafios enfrentados na garantia do acesso universal à saúde. |
Parte do enfoque histórico-estruturalista cepalino, ancorado no pensamento de teóricos dessa tradição, a exemplo do argentino Raúl Prebisch e do brasileiro Celso Furtado. Argumenta-se sobre o surgimento de toda uma literatura que debatia o desenvolvimento na América Latina, cujas referências teórica e política são os trabalhos elaborados no bojo da Cepal. |
Desenvolvimento econômico e saúde coletiva |
| Rodrigues et al., 202214
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Mudanças recentes e continuidade da dependência tecnológica e econômica na indústria farmacêutica no Brasil |
Destaca a evolução do projeto de desenvolvimento econômico por meio da indústria farmacêutica brasileira, dando ênfase às políticas governamentais, como o Programa de Apoio ao Desenvolvimento da Cadeia Produtiva Farmacêutica (Profarma) e as Parcerias de Desenvolvimento Produtivo (PDP). Tais políticas impulsionaram o crescimento de empresas nacionais, direcionando, inicialmente, a produção para medicamentos genéricos e medicamentos isentos de prescrição (MIP), e, posteriormente, capacitando-as para fabricar medicamentos biotecnológicos e sintéticos mais complexos. Entretanto, as mudanças políticas que aconteceram a partir de 2016 interromperam parcialmente esses avanços, incluindo a extinção de projetos de PDPs, gerando prejuízo e instabilidade jurídica. O modelo liberal e periférico adotado desde os anos 1990 fortaleceu setores econômicos ligados à produção primária/exportadora em detrimento da indústria farmacêutica. Apesar do apoio do Estado, a dependência externa do setor persiste, evidenciada pelo déficit comercial crescente e pela importação significativa de insumos e medicamentos. Deste modo, as políticas governamentais, embora tenham promovido o crescimento das empresas nacionais, não conseguiram alterar substancialmente a dependência do Brasil com relação aos países de capitalismo central. |
O artigo não aborda diretamente o Ceis, mas a evolução da indústria farmacêutica no Brasil com base em quatro componentes: as políticas industriais do Estado; as mudanças na composição financeira e patrimonial das empresas de capital nacional; a evolução da produção; e o comportamento da balança comercial. |
O artigo não adota o pensamento desenvolvimentista clássico no debate sobre o Ceis. Pelo contrário, os autores compreendem que a essência neodesenvolvimentista esteve presente quando da retomada de políticas industriais pelo Estado Brasileiro no início do século XXI. As análises realizadas pelos autores levaram em consideração o pensamento teórico proposto por Luiz Filgueiras e Reinaldo Gonçalves a respeito da implantação de um modelo liberal e periférico na economia brasileira a partir dos anos 1990. |
Desenvolvimento econômico e política industrial no Brasil e na América Latina |
| Gadelha et al., 202315
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O Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS) como espaço estratégico para a modernização do SUS e para a geração dos empregos do futuro |
Discute o descompasso entre a expansão do acesso universal à saúde e a base produtiva e tecnológica, sublinhando uma condição de dependência tecnológica e produtiva que reflete um modelo de desenvolvimento econômico frágil e voltado para a exportação de produtos primários. Destaca, ainda, a necessidade de uma política de desenvolvimento que não apenas enfrente as limitações de uma economia primário-exportadora, mas que também promova um SUS robusto como parte integral do desenvolvimento econômico e social. |
O Ceis é descrito como uma resposta à necessidade de integrar saúde e desenvolvimento econômico, numa visão que vai além da separação entre economia e bem-estar. Esse Complexo é fundamentado nas teorias da economia política e abraça uma perspectiva sistêmica que considera a saúde como direito universal, relacionando-o diretamente com o desenvolvimento econômico e a geração de empregos. |
Os autores argumentam que o conceito de Ceis se sustenta na teoria marxista, keynesiana, schumpeteriana e estruturalista. Nesta última, destaca-se a influência e o pensamento de Celso Furtado. |
Desenvolvimento econômico e saúde coletiva |