Resumo
Este artigo examina o impacto das queixas individuais sobre a participação em protestos, com ênfase no contexto de crise econômica. A literatura recente sugere que as percepções subjetivas das condições econômicas desempenham um papel central no ativismo de protesto. No entanto, outros estudos argumentam que a mobilização depende não apenas dessas percepções, mas também da disponibilidade de recursos para transformar o descontentamento em ação política. Utilizando dados do Barômetro das Américas e aplicando técnicas de regressão logística multinível, este estudo problematiza essas perspectivas. Os resultados indicam que não é a deterioração objetiva das condições de vida, mas sim a percepção subjetiva dessa deterioração que motiva o protesto. Ademais, em cenários de crise, as desigualdades no engajamento em protestos são exacerbadas, tornando a mobilização menos acessível para indivíduos com menos recursos. Esses achados contribuem para a compreensão das dinâmicas de protesto em contextos de instabilidade econômica na América Latina.
Palavras-chave:
protesto; queixas; recursos; crise econômica; América Latina
Abstract
This article examines the impact of individual grievances on protest participation, with an emphasis on the context of economic crisis. Recent literature suggests that subjective perceptions of economic conditions play a central role in protest activism. However, other studies argue that mobilization depends not only on these perceptions but also on the availability of resources to transform discontent into political action. Using data from the AmericasBarometer and applying multilevel logistic regression techniques, this study problematizes these perspectives. The results indicate that it is not the objective deterioration of living conditions, but rather the subjective perception of this deterioration, that motivates protest. Furthermore, in crisis scenarios, inequalities in protest engagement are exacerbated, making mobilization less accessible to individuals with fewer resources. These findings contribute to the understanding of protest dynamics in contexts of economic instability in Latin America.
Keywords:
protest; grievances; resources; economic crisis; Latin America
1. Introdução
A crise econômica de 2008-2009 afetou diversas economias no mundo, implicando no crescimento da desigualdade social, desemprego e precarização das condições de vida. Em razão dessa crise, muitos países adotaram medidas de austeridade, com ações que impactaram as políticas de proteção social. Diante desse cenário, vale recordar os diversos protestos entre 2010 e 2015 contra as medidas de austeridade, a exemplo das grandes manifestações na Grécia, dos “Indignados” na Espanha, também em Portugal, Itália e Reino Unido. Na América do Sul, listamos outros países com manifestações massivas, como Argentina, Brasil, Chile, Equador e Bolívia. Esses fatos são oportunos para analisarmos a seguinte questão: as queixas individuais atuam como preditoras do protesto?
Um argumento clássico é de que as queixas objetivas ou subjetivas só se transformam em ação se forem viabilizadas e politizadas (McCarthy; Zald, 1977, Opp, 2009). Quando dizemos “viabilizadas”, referimo-nos à existência de capacidades e oportunidades que tornam possível a ação coletiva. Por sua vez, “politizadas” significa enquadrar as queixas como questões públicas e coletivas, conectadas a responsabilidades políticas e passíveis de mudança por meio da mobilização. Assim, apenas quando condições práticas permitem agir e quando as interpretações atribuem sentido político às queixas é que o descontentamento deixa de ser individual e se converte em mobilização coletiva.
Nesse sentido, a literatura destaca que tanto a viabilização quanto a politização das queixas dependem da disposição de recursos, entendidos como tempo, dinheiro, apoio organizacional e habilidades políticas que tornam possível e sustentável a participação (McAdam, 1986, Schlozman; Brady; Verba, 2018). Além dos recursos, pondera-se também o papel do contexto político e econômico (Eisinger, 1973, Kitschelt, 1986, Kriesi et al., 1992, Quaranta, 2015), argumentando que um ambiente favorável de abertura política e crescimento econômico criaria espaços de participação. A esse debate, Dalton, Van Sickle e Weldon (2010) acrescentam que o protesto tende a se intensificar em contextos intermediários, quando avanços políticos e econômicos não acompanham a escala das demandas sociais. Mais recentemente, Rocha e Ribeiro (2023) mostram, para o caso latino-americano, que a qualidade democrática e a disponibilidade de recursos estruturam a frequência de protestos nos países da região, ainda que o efeito curvilíneo das oportunidades não tenha sido confirmado.
Ainda que essa literatura política seja mais consolidada em estudos sobre comportamento de protesto, o enfoque nas variáveis econômicas permanece relativamente menos explorado nos estudos de comportamento político. O enfoque na dimensão econômica contribui justamente para avançar nessa lacuna, examinando como condições econômicas interagem com o engajamento individual na produção do ativismo de protesto. Pesquisas futuras poderão integrar indicadores institucionais e econômicos, testando de forma conjunta como diferentes arranjos políticos modulam ou amplificam a relação entre queixas subjetivas e ação coletiva.
Ribeiro e Borba (2015) e Okado e Ribeiro (2020) identificaram que a posse de recursos tem um peso decisivo sobre o ativismo de protestos em países latino-americanos. Isso implica dizer que o protesto não é um tipo de ação disponível para todas as pessoas, mesmo que estejam descontentes e que o contexto seja favorável. Desse modo, as queixas não são descartadas como preditoras do protesto, mas argumenta-se que elas dependem de outras condições, como a disposição de recursos e a variabilidade do contexto político e econômico.
Vale mencionar outro ponto crítico em estudos que relacionam as queixas aos protestos, que é a forma de mensurar as queixas individuais. Estudos recentes recomendam analisá-las a partir de duas dimensões: queixas econômicas objetivas – desvantagem econômica – e subjetivas – deterioração das perspectivas econômicas (Kern; Marien; Hooghe, 2015, Grasso; Giugni, 2016, Galais; Lorenzini, 2017, Kurer et al., 2019). Os resultados dessas pesquisas têm apontado para o papel mobilizador das queixas subjetivas, argumentando que, em contexto de crise econômica, a sensação de privação aumentaria a predisposição em protestar. O contexto analisado pelos estudos citados contempla majoritariamente países europeus, que até então seguiam com suas economias estáveis e democracias consolidadas. A crise econômica de 2008-2009 trouxe prejuízos principalmente à manutenção do estado de bem-estar social, levando diversos desses países a adotar políticas de austeridade. Neste caso, os protestos desse período são enquadrados como reação às políticas de austeridade praticada pelos governos (Bremer; Hutter; Kriesi, 2020). Esses estudos reabilitam o papel independente das queixas subjetivas sobre o protesto, particularmente em contexto de crise econômica.
Neste artigo, analisamos os protestos na América Latina. Diferente dos países europeus, essa região se caracteriza pelo histórico de dependência econômica, governos autoritários e, principalmente, pelo processo de abertura política que conviveu com a tensão entre dois projetos: política neoliberal e de bem-estar social (Ibarra, 2011, Campos, 2017, Baer; Maloney, 2022). Por isso, suspeitamos que o sentimento de privação seja um determinante do protesto nessa região, fator que pode ter ganhado maior relevância após a crise de 2008-2009.
O estudo de Mendonça e Fuks (2015) sobre o Brasil acompanha a tese de que a privação relativa tem influência sobre o ativismo político. Por sua vez, Tatagiba e Galvão (2019, p. 77) salientaram que os protestos não só refletem a deterioração das condições políticas e econômicas, mas também “[...] contribuem para produzir e aprofundar sua crise. A crise, por sua vez, potencializa os descontentamentos com o governo e fomenta novos protestos”. Bremer, Hutter e Kriesi (2020) seguem na mesma direção, apontando que o contexto de crise e os protestos se retroalimentam. Diante desses argumentos, buscamos contribuir com essa discussão, analisando o papel das queixas sobre o ativismo de protesto em países latino-americanos.
Neste artigo utilizamos dados do Barômetro das Américas, projeto do Latin American Public Opinion Project (LAPOP), sediado na Vanderbilt University, que realiza pesquisas regulares sobre valores e comportamentos políticos nas Américas. A coleta de dados é feita por meio de amostras nacionais probabilísticas estratificadas por região, áreas urbanas e rurais, e tamanho do município, garantindo representatividade ao longo das diferentes sub-regiões do país. O questionário aplicado tem um núcleo comum entre todos os países, o que permite comparações internacionais, além de módulos específicos para cada país que abordam temas locais relevantes.
Valemo-nos de testes de regressão multinível (Gelman, 2006), com objetivo de analisar o papel do descontentamento sobre o protesto em diferentes contextos. Nossos resultados sugerem que não é a piora objetiva das condições de vida, mas a percepção subjetiva dessa piora que mobiliza o protesto e que o cenário de crise potencializa as desigualdades de engajamento em protestos, tornando-o cada vez menos viável aos indivíduos com menos recursos.
Dividimos nosso artigo em cinco seções, além desta introdução. As duas primeiras apresentam um quadro analítico do contexto latino-americano e das discussões sobre o papel das queixas sobre o protesto. A terceira seção descreve os materiais e os métodos de pesquisa, propondo, ao final, dois modelos de análise. A quarta seção se reserva a expor e discutir os dados. Na conclusão, apresentamos nossos principais achados.
2. América Latina e a tensão entre dois projetos: política neoliberal e de bem-estar social
Destacamos dois tópicos da conjuntura latino-americana: o primeiro se refere às estratégias de implementação da política neoliberal (Ibarra, 2011), e o segundo se refere a um papel mais ativo do Estado, por meio de políticas keynesianas (Vadell; Carvalho, 2014). Em particular, a tensão entre os modelos de gestão do Estado caracterizou as décadas de 2000 e 2010. De um lado, com a ascensão de governos progressistas, houve uma reação às políticas neoliberais adotadas na década de 1990, alavancada pelo contexto favorável de exportações (Bresser-Pereira; Theuer, 2012). De outro, após a crise de 2008-2009 e o fracasso das intervenções sociais focadas quase que exclusivamente no desenvolvimento humano (Mussot, 2018), o neoliberalismo ganhou novo fôlego, mesclado a uma agenda conservadora nos costumes.
Existe um consenso de que as políticas neoliberais contribuíram para o aprofundamento da concentração de renda e o crescimento da pobreza, com a fragmentação dos sistemas públicos, o desemprego e a precarização do trabalho (Campos, 2017, Göttems; Mollo, 2020). Esses fatores combinados intensificaram a precarização das condições de vida, tornando-se uma característica distintiva da região que compreende os países latino-americanos. A virada do milênio trouxe consigo uma postura crítica do modelo neoliberal, com diversos movimentos antiglobalização espalhados pelo mundo (Bringel; Muñoz, 2010, Glória Gohn, 2018). Discute-se principalmente o papel social do Estado na gestão das desigualdades e no provimento de oportunidades. O Fórum Social Mundial em Porto Alegre/Brasil foi um marco das iniciativas consorciadas de diversos desses movimentos que eram críticos da pauta neoliberal.
De certo modo, os governos progressistas da década de 2000 combinaram uma política econômica de viés extrativista e desenvolvimentista com estratégias de justiça social assistencialista e de individualização do bem-estar (Bresser-Pereira; Theuer, 2012, Mussot, 2018). Essa combinação gerou tensões estruturais que se tornaram mais visíveis no início da década de 2010, quando a deterioração das condições econômicas com a queda do crescimento, pressões inflacionárias e retração do emprego, desencadeou ondas de descontentamento em países como Brasil, Chile e Argentina. No caso brasileiro, essa ambiguidade ficou particularmente evidente: entre 2013 e 2015, o país experimentou mobilizações massivas que refletiam não apenas frustrações conjunturais, mas também os limites de um modelo que conciliava, de forma contraditória, disciplina fiscal e ampliação de políticas sociais
Nesse período, a atuação de organismos internacionais, como o Banco Mundial, reforçava essa tensão ao apoiar simultaneamente reformas orientadas pelo mercado e programas de bem-estar subordinados à lógica da formação de “capital humano” (Fernández, 2025). A experiência comparada confirma que tais contradições não eram exclusivas do Brasil: enquanto o kirchnerismo na Argentina preservou uma gramática movimentista capaz de integrar a mobilização social às instituições, o lulismo, ao apostar na desmobilização, acabou por enfraquecer sua base de apoio (Natalucci; Ferrero, 2021). Assim, as crises políticas da década de 2010 na região expressam a convivência paradoxal entre imperativos neoliberais e a necessidade de proteção social, revelando os limites de um ciclo progressista apoiado em pilares econômicos instáveis.
Importa mencionar que a crise econômica favoreceu a narrativa de fracasso das gestões progressistas, em grande medida articulada por uma direita neoliberal e amparada por Think Tanks (Faria; Chaia, 2020), inclusive pela internet (Rocha, 2019). Mais uma vez, o caso brasileiro é exemplar, por que esse consórcio da direita neoliberal foi capaz de articular o impeachment de Dilma Rousseff (PT) em 2016 e a eleição de Jair Bolsonaro (PL) em 2018. A derrota das gestões progressistas fortaleceu um discurso contrário ao papel social do Estado, classificado como custoso. Assim, o apelo por reformas – previdenciária, fiscal, trabalhista – contribuiu para a redução do Estado na proteção social. Os debates eleitorais da década de 2010 polarizaram essas visões, ora em defesa do neoliberalismo, ora em defesa do Estado de bem-estar social. Por essa razão, ao menos para o caso latino-americano, a análise de protestos não pode estar dissociada do contexto desigual e de precarização das condições de vida.
3. Queixas individuais e protesto
A literatura tem caracterizado as queixas individuais a partir da insatisfação com a economia, experiência de desemprego, situação de baixa renda e poder de compra (Kern; Marien; Hooghe, 2015, Galais; Lorenzini, 2017), bem como a posição de inferioridade de seu grupo em relação a outros grupos sociais (Klandermans; Roefs; Olivier, 2001, Kurer et al., 2019). A nível macro, defende-se que as desigualdades sociais (Solt, 2015) e os períodos de crises econômicas (Grasso; Giugni, 2016) potencializam as queixas individuais. O protesto, neste caso, seria um recurso de grupos descontentes que politizaram as suas queixas individuais e coletivas (Lipsky, 2019, Gurr, 1970, Turner, 1969, Opp, 2009). Não por acaso, as manifestações de rua na Europa e em outras regiões na década de 2010 provocaram diversos estudiosos sobre o tema, resgatando a discussão que relaciona as queixas individuais aos protestos.
Um primeiro ponto de destaque é o papel corrosivo da crise econômica sobre a democracia (Kurer et al., 2019). Em particular, argumenta-se que os contextos econômicos adversos contribuem para a desmobilização política, fragilizando uma das bases da democracia, que é a participação. Isso ocorre porque a crise econômica favorece a desvantagem estrutural, que afeta o nível das queixas, e a deterioração das perspectivas econômicas, que afeta a mudança do nível das queixas (Grasso; Giugni, 2016). Define-se o nível das queixas como a condição objetiva de desvantagem, por exemplo, o desemprego (Rehm, 2009); já o nível de mudança no nível das queixas refere-se à condição subjetiva, quando se perde a perspectiva de que o governo responderá às demandas sociais (Kern; Marien; Hooghe, 2015).
Um segundo ponto é de que a duas dimensões do descontentamento que foram citadas apresentam efeitos distintos sobre o protesto. Seria mobilizadora quando as queixas subjetivas se destacam (Grasso; Giugni, 2016), demonstrando que os sentimentos de privação resultantes da deterioração das perspectivas econômicas despertam a sensação de injustiça (Tarrow, 2009), necessária ao ativismo de protesto. Seria desmobilizadora quando as queixas objetivas são aparentes, principalmente em contextos em que as taxas médias de desemprego são altas. Esse é o principal avanço da literatura que analisou o impacto da crise econômica de 2008-2009 sobre os protestos no mundo: o consenso de que não é qualquer tipo de queixa que mobiliza o protesto, mas aquelas vinculadas aos sentimentos subjetivos de desvantagem. Com isso, nossa primeira hipótese defende
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H1 – que os sentimentos de privação são preditores do ativismo de protesto.
Um terceiro ponto, que decorre do segundo, é que o contexto de crise não teria um efeito desmobilizador, mas mobilizador entre aqueles que compartilham de sentimentos de privação (Galais; Lorenzini, 2017). Grasso e Giugni (2016) são mais radicais, defendendo que o sentimento de privação é mobilizador do ativismo de protesto, independente do contexto macroeconômico. Rehm (2009), por sua vez, argumenta que a condição de pobreza, de baixo nível educacional e a condição desfavorável de gênero e raça aumentam significativamente as preferências por redistribuição. Klandermans, Roefs e Olivier (2001) encontraram algo semelhante em estudo no qual enfatizaram a importância da ligação entre raça e classe na África do Sul. Com isso, nossa segunda hipótese defende
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H2 – que a interação entre o contexto de crise econômica e os sentimentos de privação são preditores do ativismo de protesto.
Nossas duas hipóteses procuram testar a importância do descontentamento para o ativismo de protesto. Nosso exercício é motivado por estudos como o de Hacker et al. (2013), que sugeriu que o impacto da insegurança econômica rivaliza com a influência do partidarismo e da ideologia, e em alguns casos, até com a disposição dos recursos. Bremer, Hutter e Kriesi (2020), por sua vez, apontam que os protestos econômicos atuam como sinalizadores que nomeiam os responsáveis pelo contexto de crise, incorporando a agenda econômica dentro dos ciclos eleitorais. Dado o recorte do nosso estudo, que considera os países latino-americanos, o histórico dessa região é propício para aprofundar discussões que envolvem a relação entre queixas individuais e protestos.
Não podemos desconsiderar as críticas realizadas à teoria das queixas individuais, especialmente aquelas que defendem que as condições de participação política são desigualmente distribuídas (Schlozman; Brady; Verba, 2018). Essa ressalva foi demarcada inclusive pelos estudos que partem do referencial teórico das queixas (Berinsky, 2002, Solt, 2008). O ponto central da discussão é de que a posse de recursos funciona como uma hipótese alternativa às queixas individuais, ao defender que as queixas precisam ser politizadas e viabilizadas. Nesse sentido, os protestos seriam ações coletivas de indivíduos que possuem recursos, seja alguma assessoria profissional de movimentos organizados, sindicatos, membros de partidos e até associações privadas, seja disponibilidade de tempo, habilidades políticas e dinheiro (McCarthy; Zald, 1977). A perspectiva de fundo é de que o engajamento dos indivíduos em qualquer tipo de ação é uma função entre custos e benefícios, com articulação entre diversos atores com graus distintos de organização. Desse modo, nossa terceira hipótese defende
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H3 – que a posse de recursos é um preditor do ativismo de protesto.
A distribuição desigual de recursos se torna ainda mais restritiva em contextos de crise econômica, quando a queda de renda, o desemprego e a insegurança material elevam os custos de participação e reduzem a capacidade de mobilização daqueles com menores recursos. Nesses cenários, ainda que as queixas aumentem, a possibilidade de convertê-las em ação coletiva diminui, uma vez que a crise aprofunda assimetrias pré-existentes e opera como mecanismo de desmobilização. Assim, formulamos a quarta hipótese de que
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H4 – a crise econômica modera negativamente o efeito dos recursos sobre o ativismo, restringindo a participação, sobretudo entre indivíduos com menor capacidade de ação.
4. Materiais e método
Utilizamos dados do Barômetro das Américas, projeto que faz pesquisa comparativa sobre valores e comportamentos democráticos, e selecionamos amostras que contemplam os países latino-americanos. Contamos com 120 amostras representativas de 20 países e que foram coletadas entre os anos de 2006 e 2019 (Apêndice 1). Esse recorte temporal foi definido pelo critério de disponibilidade das mesmas variáveis em cada amostra, o que nos permite comparar países e contextos. Em razão do escopo quantitativo da presente pesquisa, o foco recai sobre padrões gerais e mecanismos comparáveis, e não sobre a cronologia particular dos protestos em cada país.
Nossa variável dependente se refere aos indivíduos que afirmaram ter participado de protestos. Originalmente, a redação dessa pergunta apresentava três alternativas de resposta “algumas vezes”, “quase nunca” e “nunca”. Após 2008, a redação do Barômetro das Américas padronizou as alternativas entre “sim” e “não”. Como queremos comparar os ativistas de protestos com aqueles que não protestam, essa mudança na redação não prejudicou a construção do nosso objeto.
Nossos dados mostram que os níveis de participação em protestos apresentam elevada heterogeneidade entre os países analisados (Apêndice 2). Países andinos, como Peru e Bolívia, registram consistentemente os maiores percentuais de engajamento, com picos acima de 25%. Em contraste, países da América Central, como El Salvador e Panamá, exibem níveis sistematicamente baixos, em geral inferiores a 6%. Já Brasil, México, Argentina e Chile mostram forte oscilação entre anos, refletindo conjunturas políticas específicas. No conjunto, os dados indicam que o protesto é um comportamento minoritário, porém altamente sensível ao contexto nacional, justificando o uso de modelos multiníveis para capturar a variação entre países e ao longo do tempo.
Alinhado com nossa discussão teórica, trabalhamos com duas categorias que chamamos de “queixas” e “recursos”. No primeiro caso, selecionamos as variáveis que perguntam sobre a condição de emprego para mensurar as queixas objetivas (estar desempregado) e a avaliação da condição econômica pessoal e do país para mensurar as queixas subjetivas (avaliação negativa). Segundo Hacker, Rehm e Schlesinger (2013), as atitudes políticas são sensíveis às preocupações econômicas, e, conforme argumentou Kurer et al. (2019), seria a deterioração nas perspectivas econômicas (dimensão subjetiva) que aumentaria as atividades de protestos, enquanto a condição objetiva de desemprego tenderia à desmobilização.
No segundo caso, selecionamos as variáveis que perguntam sobre o engajamento em partidos e movimentos sociais, níveis de escolaridade, renda e interesse por política. Esse quadro de variáveis busca contemplar alguns aspectos centrais da dimensão dos recursos, que são: tempo, dinheiro, estruturas de mobilização e habilidades políticas (McCarthy; Zald, 1977, Schlozman; Brady; Verba, 2018). Vale ressaltar que, para o caso da renda e da escolaridade, nós centralizamos as variáveis e construímos dois grupos de indivíduos: os que possuem renda e escolaridade abaixo ou acima da média. Essa estratégia nos ajudou a padronizar essas medidas para o caso dos países pesquisados, assumindo que os anos de estudo e a renda média têm pesos diferentes a depender do país.
Nosso desenho de pesquisa também considera que existem fatores contextuais associados aos níveis de protestos. Segundo Kern, Marien e Hooghe (2015), a participação não institucionalizada é mais afetada por variáveis em nível de país. Em particular, interessa-nos saber se o contexto de crise econômica potencializa as queixas individuais para esse tipo de ativismo. Alinhados com o estudo de Grasso e Giugni (2016), o primeiro indicador que selecionamos mensura as taxas de desemprego, informação que extraímos da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Essa é uma medida útil, porque reflete a incapacidade de uma economia de gerar empregos, impedindo pessoas que querem trabalhar ou que estão disponíveis de serem inseridas no mercado de trabalho. O segundo indicador que selecionamos mensura a variação percentual do PIB per capita, informação que extraímos do Banco Mundial. Essa é uma medida útil para avaliar o padrão de vida em um determinado local (no nosso caso, o país) e serve como uma medida de crescimento econômico. O Quadro 1 apresenta as variáveis que utilizamos neste artigo.
Construímos uma base de dados que agrega dois níveis de mensuração: individual (nível 1) e de contexto (nível 2). Procedemos a partir de uma técnica de análise multinível, que permite avaliar a interação entre indicadores de nível 2 e de nível 1, fornecendo mais informações sobre a variabilidade dentro de cada país e entre os países (Gelman, 2006, Garson, 2013). Para analisar as tendências de protestos, utilizamos um modelo logístico multinível, que leva em conta a estrutura hierárquica dos dados.
A decisão de adotar esse modelo foi baseada em várias considerações estatísticas. A primeira é o número de grupos analisados, que deve ser superior a 30, conforme sugestão de Maas e Hox (2005) e Bryan e Jenkins (2013). Como mencionado no início desta seção, trabalhamos com 120 amostras (grupos), que foram coletadas em diferentes momentos entre 2006 e 2019, de 20 países (ver Apêndice 1). O coeficiente de correlação intraclasse (ICC)1 foi estimado em 0,10, indicando que 10% da variação no desfecho pode ser atribuída ao nível 2. Além disso, a comparação entre o modelo nulo e o modelo alternativo foi significativa, com uma diferença de log-verossimilhança de 3107,873 (df = 2, p < 0,001), indicando que o modelo multinível se ajusta significativamente melhor aos dados do que o modelo sem essa estrutura. Por fim, a variância no nível 2 foi estimada em 0,35, o que reforça a presença de variabilidade entre os grupos.
A Figura 1 apresenta as modas condicionais de protesto por grupo. No contexto de modelos logísticos multiníveis, as modas condicionais representam as estimativas dos efeitos aleatórios específicos de cada grupo, condicionadas aos dados observados. No nosso caso, as modas condicionais de protesto por país indicam como cada país se desvia da média global de probabilidade de protestos, após controlar pelos efeitos fixos do modelo. Assim, a figura apresenta a distribuição desses desvios estimados, permitindo visualizar quais países mostram uma propensão maior ou menor ao engajamento em protestos do que o valor esperado pelo modelo geral. Em outras palavras, as modas condicionais sintetizam a variabilidade não explicada pelos preditores individuais, captando o componente contextual específico de cada país.
Nosso desenho de pesquisa pode ser expresso pelas seguintes equações:
O objetivo principal é investigar como diferentes variáveis contextuais e individuais interagem para prever o comportamento de protesto. O primeiro modelo examina o efeito das queixas (B1) e da percepção de crise econômica (B2) sobre a participação em protestos (Y). Além dos efeitos principais de queixas e crise econômica, o modelo inclui um termo de interação (B1xB2) para avaliar se o impacto das queixas na propensão a protestar varia em função da percepção de crise econômica. O segundo modelo, por sua vez, substitui a variável queixas por uma medida de recursos (B1), mantendo a crise econômica (B2) e a interação entre elas (B1xB2). Aqui, o foco é investigar se os recursos disponíveis influenciam a propensão a protestar e como essa relação é moderada pela percepção de crise econômica. Nas próximas seções, descrevemos e discutimos os resultados da pesquisa.
5. Resultados e discussão
Os resultados da análise macroeconômica revelam dois padrões distintos de comportamento econômico na América Latina (ver Figura 2). Em 2009, a região experimentou uma variação negativa no PIB per capita, acompanhada por um aumento nas taxas de desemprego, que superaram a própria queda do PIB per capita. Esse fenômeno pode ser atribuído à crise financeira global, que impactou as economias latino-americanas, resultando em um aumento do desemprego desproporcional à contração econômica. Já no período de 2013 a 2018, a situação se intensificou, com um crescimento contínuo do desemprego e uma queda acentuada do PIB per capita, caracterizando um contexto de crise mais prolongado e profundo. Esses resultados refletem a vulnerabilidade estrutural da América Latina a choques econômicos, onde crises globais e regionais tendem a exacerbar problemas preexistentes, como desigualdades e precarização das condições de vida.
Dividimos esta seção em duas partes. Na primeira, analisamos o efeito independente das queixas e dos recursos sobre o ativismo de protesto. Para tanto, calculamos um modelo de regressão logística com todos os preditores listados na seção metodológica (Quadro 1). Com exceção do desemprego, na dimensão das queixas, e da renda, na dimensão dos recursos, os demais coeficientes se mostraram significativos e positivos (ver modelo completo no Apêndice 3). De um lado, essa tendência revela um papel significativo da privação relativa sobre as chances de protestar, corroborando a tese de estudos recentes sobre o tema (Kern; Marien; Hooghe, 2015, Grasso; Giugni, 2016, Galais; Lorenzini, 2017, Kurer et al., 2019). De outro lado, a dimensão dos recursos, em particular a filiação a partidos e movimentos sociais, apresentou efeito mais forte, o que reforça os argumentos de McCarthy e Zald (1977), McAdam (1986) e Schlozman, Brady e Verba (2018) sobre o papel dos recursos cognitivos e materiais sobre o protesto.
Calculamos os valores preditos do modelo de regressão e apresentamos, nas Figuras 3 e 4, algumas medidas de densidade e de tendência central para probabilidade de protesto, considerando os condicionantes com efeitos significativos.
Probabilidades preditas de protestos dada a avaliação negativa da economia do país e da condição econômica individual.
Probabilidades preditas de protestos dado o engajamento em partidos e movimentos, interesse por política e escolaridade.
As medidas que compõem a dimensão das queixas (Figura 3) foram assimétricas à esquerda e praticamente não apresentaram diferenças entre os grupos. Embora o indicador seja estatisticamente significativo no modelo, a sobreposição das distribuições sugere que o nível de queixas subjetivas não altera substancialmente a probabilidade de protesto. O boxplot também revelou poucas diferenças entre os grupos, e a presença de outliers sugere que a explicação do efeito das queixas pode depender de outros fatores, como a variabilidade entre países. Grasso e Giugni (2016), por exemplo, argumentam que as taxas de desemprego e a redução dos gastos públicos ampliam o efeito da privação relativa sobre o protesto. Kern, Marien e Hooghe (2015) defendem que a explicação do ativismo de protesto depende em grande medida da análise de fatores contextuais. Desse modo, é provável que não exista necessariamente um efeito independente das queixas sobre o protesto, mas que essa condição interaja com cenários econômicos específicos.
Por sua vez, as medidas que compõem a dimensão dos recursos (Figura 4) apresentaram um comportamento mais claro em relação às diferenças entre grupos, demonstrando que os engajados, muito interessados por política e com escolaridade acima da média tendem a protestar mais. Berinsky (2002) afirma que a participação política direta (protestos) é eficaz para comunicar preferências políticas às elites, mas ineficaz para garantir igualdade política. De fato, nossos dados acompanham essa tese, ao indicar que os grupos com menos recursos são sub-representados no ativismo de protestos. Importa ressaltar que o gráfico de densidade demonstrou grande variabilidade dentro desses grupos, especialmente entre os engajados, sugerindo um comportamento mais heterogêneo do que se esperava. Por essa razão, embora tenhamos encontrado diferenças significativas entre os grupos testados, as medidas de densidade e de tendência central sugerem que o efeito dos recursos também pode depender de outros fatores, dada a variabilidade e a presença de outliers.
Na segunda parte, avançamos em nossas análises, incluindo na discussão os termos interativos das queixas e dos recursos com as taxas de desemprego e PIB per capita. Encontramos efeito significativo da interação entre desemprego e a dimensão dos recursos, sugerindo que, em cenário de crise, amplia-se a desigualdade de participação em protestos. Por sua vez, a dimensão das queixas só apresenta efeito da interação entre desemprego e avaliação negativa da economia do país, indicando que também exista uma postura crítica em relação às elites políticas, tese defendida nos trabalhos de Opp (2009) e Kern, Marien e Hooghe (2015).
A variação do PIB per capita, que é uma medida de crescimento econômico, mostrou-se significativa em interação com a renda, indicando que a melhoria da economia do país potencializa o protesto de indivíduos com renda mais alta. Portanto, nossos resultados atestam que as variações do contexto econômico são significativas quando interagem com a dimensão dos recursos. Não encontramos as mesmas tendências para o caso da dimensão das queixas, com exceção da avaliação econômica do país, o que reduz a importância dessa interação no modelo que testamos.
Calculamos os valores preditos de protestos e apresentamos, na Figura 5, as probabilidades preditas de protesto para as interações com efeitos significativos.
Probabilidades preditas de protestos dadas as interações entre as taxas de desemprego e a variação do PIB per capita com o engajamento em partidos e movimentos, interesse por política, escolaridade, renda e avaliação negativa da economia do país.
Na Figura 5, encontramos um efeito de parábola da interação entre taxa de desemprego e a dimensão dos recursos. Observamos que essa interação se torna positiva quando ultrapassa os níveis de 10%, ao mesmo tempo em que se ampliam as desigualdades de participação em protestos. Kurer et al. (2019) argumentou que o aumento da exposição ao desemprego tem um efeito positivo sobre as chances de protestos. Solt (2008, 2015), por sua vez, defende que a predisposição em protestar é maior entre aqueles com mais recursos. De fato, nossos testes revelam que o cenário de crise econômica torna maior o fosso entre os grupos com mais ou menos recursos.
A interação entre as taxas de desemprego e a avaliação negativa da economia do país também apresentou um efeito de parábola, demonstrando que o sentimento de privação ganha relevância em países com taxas de desemprego que ultrapassam os 12%. Com isso, a análise da interação entre queixas e contexto econômico nos ajudou a detalhar o papel das queixas sobre os protestos. Diante dos dados, argumentamos que a situação econômica do país afeta mais os indivíduos do que a condição econômica pessoal em cenários de crise.
O fato de o PIB per capita se destacar mais por seu efeito independente do que interativo mostra que esse indicador macroeconômico amplia o cenário de oportunidades para o protesto, apesar da posse de recurso ou das queixas pessoais. Por sua vez, as taxas de desemprego não apresentaram um efeito independente, indicando que só é mobilizador dentro de grupos específicos da sociedade, como aqueles que possuem recursos ou que estão descontentes com a economia do país. Em resumo, argumentamos, a partir dos nossos dados, que (1) os recursos são determinantes do protesto e se tornam centrais em contexto de crise, (2) as queixas subjetivas ampliam as chances de protestos, especialmente a avaliação negativa da condição econômica do país e (3) o cenário de crescimento econômico cria mais oportunidades para o engajamento em protestos.
6. Conclusão
A partir dos resultados obtidos, é possível concluir que a disposição para protestar entre os descontentes é influenciada por uma combinação de fatores objetivos e subjetivos, sendo significativamente moldada pelo contexto econômico. Primeiro, os recursos disponíveis emergem como um fator determinante para a mobilização em protestos, especialmente em tempos de crise. Quando as condições econômicas deterioram, o acesso a recursos, como capital financeiro, redes sociais e capital cultural, tornam-se ainda mais centrais para aqueles que buscam se engajar em atividades de protesto. Este resultado destaca a importância de entender a mobilização como uma atividade que, embora motivada por insatisfações, requer uma base de recursos para ser realizada.
Segundo, as queixas subjetivas, particularmente a percepção negativa da situação econômica do país, amplificam as chances de protesto. Mesmo em contextos em que os recursos são limitados, o descontentamento com as condições econômicas pode catalisar a ação coletiva, sugerindo que as percepções de injustiça ou de deterioração das condições de vida são potentes motivadores de protesto. Essa leitura acompanha a discussão de Tarrow (2009) sobre o enquadramento da injustiça e o papel das emoções em processos de ação coletiva.
Por fim, em cenários de crescimento econômico, surgem novas oportunidades para o engajamento em protestos, especialmente entre aqueles com maior segurança financeira e mais recursos. Este achado indica que o ativismo de protesto não está restrito a períodos de crise, mas também pode se intensificar em tempos de crescimento, quando os grupos mais abastados encontram motivos para se mobilizar em torno de demandas específicas, que não estão restritas à sobrevivência física, mas avançam sobre valores abstratos.
Em síntese, a crise econômica desempenha um papel dual no ativismo de protesto: ela não apenas intensifica as motivações para protestar ao exacerbar o descontentamento, mas também torna os recursos mais centrais para a mobilização. Entretanto, mesmo em contextos de crescimento, o protesto pode florescer, especialmente entre aqueles com recursos para sustentar suas ações. Esses achados sublinham a complexidade do ativismo de protesto, que é profundamente influenciado tanto por condições materiais quanto por percepções subjetivas, configurando-se de maneiras variadas conforme o contexto econômico.
Reconhecemos que um limite importante desta pesquisa diz respeito à heterogeneidade temporal dos protestos nos diferentes países. Embora o modelo logístico multinível empregado permita controlar variações entre países por meio de efeitos fixos e aleatórios, bem como testar interações que capturam diferenças estruturais entre contextos nacionais, ele não contempla a incorporação detalhada dos ciclos específicos de mobilização que caracterizam cada caso. Em razão do escopo comparativo e quantitativo do estudo, não foi possível desenvolver análises qualitativas sobre os períodos de protesto nem reconstruir, para cada país, as dinâmicas históricas e políticas que moldaram a emergência de determinadas ondas de mobilização. Futuras pesquisas poderiam integrar abordagens históricas ou estudos de caso que aprofundem essa dimensão temporal.
Apêndice 1 Quadro de amostras por país e ano de pesquisa do LAPOP
| Países selecionados | Ondas do LAPOP | ||||||
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| 2006 | 2008 | 2010 | 2012 | 2014 | 2016 | 2018 | |
| México | x | x | x | x | x | x | x |
| Guatemala | x | x | x | x | x | x | x |
| El Salvador | x | x | x | x | x | x | x |
| Honduras | x | x | x | x | x | x | |
| Nicarágua | x | x | x | x | x | x | x |
| Costa Rica | x | x | x | x | x | x | |
| Panamá | x | x | x | x | x | x | |
| Colômbia* | x | x | x | x | x | x | x |
| Equador | x | x | x | x | x | x | |
| Bolívia | x | x | x | x | x | ||
| Peru | x | x | x | x | x | x | x |
| Paraguai | x | x | x | x | x | x | |
| Chile | x | x | x | x | x | ||
| Uruguai | x | x | x | x | x | ||
| Brasil | x | x | x | x | x | x | x |
| Argentina | x | x | x | x | x | ||
| República Dominicana | x | x | x | x | x | x | |
| Haiti | x | x | x | x | x | x | |
| Trinidad e Tobago | x | x | x | ||||
| Suriname | X | x | |||||
*O LAPOP extraiu mais de 7 amostras da Colômbia (2006, 2007, 2008, 2009, 2010, 2011, 2012, 2013, 2014, 2016 e 2018).
Apêndice 2 Percentual de protestos por ano em 20 países
Fonte: Elaboração dos autores a partir de dados do LAPOP.
Apêndice 3 Modelo Logístico Multinível: efeito do contexto de crise econômica e do ressentimento sobre o protesto em países latino-americanos
| Modelo Nulo | Modelo 1 | Modelo 2 | Modelo 3 | Modelo 4 | |
|---|---|---|---|---|---|
| Preditores | Exp(B) | Exp(B) | Exp(B) | Exp(B) | Exp(B) |
| (Intercepto) | 0.10*** | 0.11 *** | 0.03 *** | 0.02 *** | 0.03 *** |
| Nível 1: Queixas | |||||
| Desempregado | 0.97 | 1.03 | 1.06 | ||
| Avaliação negativa (Eco. País) | 1.05** | 1.12 *** | 1.24 *** | ||
| Avaliação negativa (Eco. Ind.) | 1.09 *** | 1.13 *** | 1.23 *** | ||
| Nível 1: Recursos | |||||
| Engajado (Partido e Mov. Soc.) | 2.95 *** | 2.92 *** | 3.43 *** | ||
| Escolaridade [> média] | 1.45 *** | 1.45 *** | 1.19 *** | ||
| Interesse por política (Muito) | 1.55 *** | 1.57 *** | 1.46 *** | ||
| Renda [> média] | 1.13 *** | 1.14 *** | 0.95 | ||
| Controles | |||||
| Sexo [Masculino] | 1.41 *** | 1.26 *** | 1.23 *** | 1.23 *** | |
| Idade [Contínua] | 0.99 *** | 1.00 ** | 1.00 *** | 1.00 *** | |
| Nível 2: Dados Econômicos | |||||
| Taxa de desemprego (%) | 1.01 | 0.98 | |||
| PIB per capita (Variação %) | 1.02 ** | 1.02* | |||
| Interações: Recursos x Dados Econômicos | |||||
| Taxa de desemprego × Engajado | 0.98 * | ||||
| Taxa de des. × Escolaridade [> média] | 1.03 *** | ||||
| Taxa de des. × Inter. Pol. [muito] | 1.01 *** | ||||
| Taxa de des. × Renda [> média] | 1.01 *** | ||||
| PIB per capita × Engajado | 1.00 | ||||
| PIB per capita × Escolaridade [> média] | 1.00 | ||||
| PIB per capita × Inter. Pol. [muito] | 1.00 | ||||
| PIB per capita × Renda [> média] | 1.01*** | ||||
| Interações: Queixas x Dados Econômicos | |||||
| Taxa des. × Desempregado | 1.00 | ||||
| Taxa des. × Avaliação negativa (Eco. País) | 0.99 *** | ||||
| Taxa des. × Avaliação negativa (Eco. Ind.) | 0.99 | ||||
| PIB capita × Desempregado | 1.00 | ||||
| PIB capita × Avaliação negativa (Eco. País) | 1.00 | ||||
| PIB capita × Avaliação negativa (Eco. Ind.) | 1.00 | ||||
| Efeitos Aleatórios | |||||
| σ2 | 3.29 | 3.29 | 3.29 | 3.29 | 3.29 |
| τ00 | 0.35nível_2 | 0.35nível_2 | 0.40nível_2 | 0.36nível_2 | 0.36nível_2 |
| ICC | 0.10 | 0.10 | 0.11 | 0.10 | 0.10 |
| N | 120nível_2 | 120nível_2 | 120nível_2 | 120nível_2 | 120nível_2 |
| Observações | 200135 | 185962 | 166885 | 155941 | 155941 |
| Marginal R2/Condicional R2 | 0.000 / 0.096 | 0.011 /0.107 | 0.082 / 0.180 | 0.091 / 0.181 | 0.092 /0.182 |
* p<0.05 ** p<0.01 *** p<0.001.
Apêndice 4 Testes de Multicolinearidade: Estatísticas VIF
Agradecimentos
Agradecemos à equipe editorial da revista e aos pareceristas pelas valiosas contribuições ao nosso artigo. Os comentários e sugestões foram fundamentais para o aprimoramento do texto. A pesquisa contou com financiamento do CNPq e da Fundação Araucária na forma de bolsas e financiamento das atividades do INCT-ReDem.
-
1
Fórmula: , onde T00 é a medida de variação externa e o Sig2 é a medida de variação interna. Se T00 e Sig2 forem diferentes de zero, então a modelagem multinível é recomendada.
-
Fonte de financiamento:
INCT (150169/2025-6).
-
Aprovação do Comitê de Ética:
Nada a declarar.
-
Disponibilidade de Dados:
Os dados de pesquisa estão disponíveis somente mediante solicitação.
-
Uso de tecnologia assistida por inteligência artificial:
Como auxílio para listagem de artigos relacionados ao tema: Research Rabbit. Como auxílio para correção gramatical e semântica: ChatGPT.
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Editado por
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Editor:
Matheus Mazzilli Pereira (UFRGS, Brasil).
Os dados de pesquisa estão disponíveis somente mediante solicitação.







Fonte: Elaboração dos autores a partir de dados da Organização Mundial do Trabalho (OIT) e do Banco Mundial.
Fonte: Elaboração dos autores a partir de dados LAPOP.
Fonte: Elaboração dos autores a partir de dados LAPOP.
Fonte: Elaboração dos autores a partir de dados LAPOP e da Organização Mundial do Trabalho (OIT).