O gênero Khaya é formado por importantes espécies florestais conhecidas como mogno africano, que possuem madeira de coloração característica avermelhada, de densidade variada. A espécie Khaya grandifoliola C. DC. está entre as árvores de madeira nobre mais cultivadas no Brasil, sendo atualmente plantada em todas as regiões brasileiras (1, 2). Essa árvore, assim como qualquer outra cultura, é afetada por uma série de doenças. No ano de 2017, em um viveiro de mudas florestais no município de Garça/SP, foram observadas lesões foliares de formato irregular e coloração escura que incidiam esporadicamente em mudas sombreadas nas bordas do viveiro, em folhas jovens e adultas de K. grandifoliola. Devido à sombra, os locais onde essas mudas se encontravam apresentavam maior acúmulo de água na lona plástica que revestia o solo. Assim que observada a ocorrência da doença, plantas doentes foram encaminhadas ao Laboratório de Patologia Florestal na UNESP/Botucatu para identificação do agente causal. Desse material foram coletados fragmentos dos tecidos lesionados, passando em seguida pela esterilização superficial sequencial com álcool 70%, hipoclorito de sódio 2% e água esterilizada, em torno de 1 minuto de imersão em cada solução. Por final, esses fragmentos foram plaqueados em placas de Petri contendo meio batata-dextrose-ágar (BDA) e armazenados em câmara BOD à temperatura de 25 oC e fotoperíodo alternado (12 horas de luz e escuro). Sete dias após o plaqueamento, foi observada a formação de colônias fúngicas de coloração rosada, com pouco micélio aéreo e sem a formação de esporos sobre o meio de cultura. Dessas placas foram coletadas amostras de micélio por meio da raspagem superficial para realização da extração de DNA e posterior amplificação e sequenciamento da região ITS-5.8S rDNA (ITS 1 e 4). A sequência obtida foi postada no GenBank (Sequence ID: MK788189) e apresentou 99% de similaridade com Epicoccum sorghinum (Sacc.) Aveskamp, Gruyter & Verkley (sin. Phoma sorghina, Epicoccum sorghi) encontrado em grãos de sorgo (Sequence ID: MG969889.1) no Brasil. A comprovação da patogenicidade foi feita por meio da inoculação de folhas saudáveis de sete mudas de K. grandifoliola, com aproximadamente 5 meses de idade, através da deposição de discos com 5 mm de diâmetro de meio de cultura BDA contendo o fungo puro sobre os folíolos. Três outras mudas foram mantidas como testemunhas e receberam somente o meio de cultura livre de microrganismos. Todas as plantas foram mantidas em câmara úmida por 72 h, em temperatura ambiente. Após esse tempo, observou-se a formação de lesões foliares semelhantes aquelas observadas nas mudas nas condições de viveiro. O fungo E. sorghinum foi reisolado com sucesso das folhas inoculadas com o fungo, enquanto que nas testemunhas não ocorreu a formação de sintomas, comprovando assim a patogenicidade desse fungo em K. grandifoliola. Esse foi o primeiro relato dessa espécie florestal como hospedeira de E. sorghinum.
REFERÊNCIAS
- 1 Melo, J.E.; Carvalho, G.M.D; Martins, V.A. Espécies de madeiras substitutas do mogno Brasília, DF: IBAMA, 1989. 16p.
- 2 Pinheiro, A.L.; Couto, L.; Pinheiro, D.T.; Brunetta, J.M.F.C. Ecologia, silvicultura e tecnologia de utilização dos mognos-africanos (Khaya spp.) Viçosa: Sociedade Brasileira de Agrossilvicultura, 2011. 102p.


