Open-access Entre traduções e imagens: língua, raça e representações visuais no ensino de inglês em escola pública do Sul Global

Between translations and images: language, race, and visual representations in English education in a public school in the Global South

Resumo

Este artigo analisa uma experiência pedagógica desenvolvida com estudantes do 8º ano do Ensino Fundamental em uma escola pública estadual localizada no litoral paranaense. A proposta, intitulada My Dream Job, envolveu a produção de postagens multimodais em inglês na plataforma Padlet, nas quais os alunos escreveram pequenos textos sobre profissões futuras e selecionaram imagens para representá-las. A partir desse contexto, o estudo discute como o uso de tradutores automáticos e buscadores de imagens, quando realizado sem mediação crítica suficiente, interfere na autoria textual dos estudantes e na construção de representações visuais sobre trabalho, raça e gênero. A pesquisa, de abordagem qualitativa e interpretativista, caracteriza-se como estudo de caso situado no campo da Linguística Aplicada Crítica. O corpus é composto por 26 postagens dos estudantes, registros de observação participante e anotações em diário de campo. A análise organiza-se em dois movimentos principais: o primeiro examina o uso da tradução automática na produção textual em inglês, observando marcas de dependência, padronização e deslocamento da reflexão linguística; o segundo analisa a seleção de imagens por buscadores digitais, considerando como determinadas representações de profissões tendem a reproduzir padrões sociais já naturalizados. Os resultados indicam que as ferramentas tecnológicas ampliam o acesso dos estudantes a recursos linguísticos e visuais, mas também podem reforçar associações entre prestígio profissional, branquitude, masculinidade e espaços corporativos idealizados, enquanto trabalhos manuais ou precarizados aparecem vinculados a corpos racializados. Defende-se que tradutores automáticos e buscadores de imagens sejam incorporados ao ensino de inglês como objetos de problematização pedagógica, favorecendo práticas de letramento crítico, digital e visual na escola pública situada no Sul Global.

Palavras-chave
Linguística Aplicada Crítica; tecnologias digitais; raça e gênero; letramento visual crítico; ensino de inglês

Abstract

This article analyzes a pedagogical experience developed with eighth-grade students in a state public school located on the coast of Paraná, Brazil. The project, entitled My Dream Job, involved the production of multimodal posts in English on the Padlet platform, in which students wrote short texts about future professions and selected images to represent them. From this context, the study discusses how the use of machine translation tools and image search engines, when carried out without sufficient critical mediation, interferes with students’ textual authorship and with the construction of visual representations of work, race, and gender. The research follows a qualitative and interpretivist approach and is characterized as a case study situated within the field of Critical Applied Linguistics. The corpus consists of 26 student posts, participant observation records, and field notes. The analysis is organized into two main movements: the first examines the use of machine translation in English writing, observing signs of dependence, standardization, and displacement of linguistic reflection; the second analyzes the selection of images through digital search engines, considering how certain representations of professions tend to reproduce socially naturalized patterns. The results indicate that technological tools expand students’ access to linguistic and visual resources, but may also reinforce associations between professional prestige, whiteness, masculinity, and idealized corporate spaces, while manual or precarious work appears linked to racialized bodies. The article argues that machine translation tools and image search engines should be incorporated into English teaching as objects of pedagogical problematization, fostering critical, digital, and visual literacy practices in public schools located in the Global South.

Keywords
Critical Applied Linguistics; digital technologies; race and gender; critical visual literacy; English language teaching

CONSIDERAÇÕES INICIAIS

Esta investigação insere-se na Linguística Aplicada Crítica (LAC) e busca contribuir para debates sobre ensino de línguas, tecnologias digitais e letramento crítico em contextos públicos de escolarização. Partindo da compreensão de que a linguagem é uma prática social atravessada por relações de poder, identidade e desigualdade, o estudo toma o ensino de inglês como espaço ético e político de produção de sentidos. No Brasil, a LAC, desde Cavalcanti (1986) e Moita Lopes (2013), consolida-se como campo interdisciplinar voltado à leitura crítica das práticas sociais e à transformação das relações entre língua, sujeito e poder. Fabrício (2013) e Rajagopalan (2003, 2010) enfatizam que o ensino de línguas intervém nos modos de significar o mundo e exige atenção às assimetrias históricas, discursivas e sociais. Nessa perspectiva, este artigo analisa como tradutores automáticos e buscadores de imagens participam das práticas escolares de inglês e podem interferir na autoria textual e nas representações de trabalho, raça e gênero. Tais recursos são compreendidos como ferramentas tecnológicas de mediação linguística e visual, e não como exemplos diretos de inteligência artificial generativa. O foco da análise recai sobre seus usos pedagógicos e discursivos em sala de aula, especialmente quando mobilizados sem mediação crítica suficiente.

O estudo nasce de uma inquietação recorrente entre docentes da escola pública, também vivida pela professora-pesquisadora, sobre o uso frequente de ferramentas tecnológicas nas aulas de língua inglesa. Em atividades com plataformas digitais, textos em inglês e produção multimodal, observa-se que os estudantes recorrem imediatamente a tradutores automáticos e buscadores de imagens. Embora essas ferramentas ampliem o acesso à língua e a repertórios visuais, seu uso pouco problematizado levanta questões sobre autoria, aprendizagem e mediação docente.

Mesmo em propostas orientadas por perspectivas críticas, as tecnologias digitais podem deslocar a produção linguística para procedimentos automáticos, reduzindo a reflexão sobre escolhas de linguagem e representação. Essa tensão fundamenta este artigo, que analisa como estudantes do 8º ano utilizaram tradutores automáticos e buscadores de imagens em uma atividade multimodal de inglês, observando seus efeitos na autoria textual e nas representações de trabalho, raça e gênero.

O espaço on-line deixou de ser recurso auxiliar e tornou-se parte das práticas sociais, comunicativas e escolares. Como afirma Blommaert (2018), a internet funciona como ambiente sociolinguístico que reorganiza interações e modos de produção de sentidos, integrando a vida social. Refletir sobre a escola pública contemporânea implica reconhecê-la nesse ecossistema digital, que amplia possibilidades de criação e acesso, mas também impõe desafios relacionados ao uso pouco problematizado das ferramentas digitais. No Paraná, tecnologias educacionais se materializam em políticas que articulam formação docente, infraestrutura e inovação. Iniciativas como o Programa Inglês Paraná, o Formadores em Ação e a distribuição de tablets e telas digitais (PARANÁ, 2025) evidenciam o esforço de integrar tecnologia e ensino. Embora apostem na modernização e no engajamento, também exigem mediação crítica sobre os sentidos e implicações pedagógicas desses usos, especialmente quando tradutores automáticos e buscadores de imagens passam a orientar escolhas linguísticas e representacionais dos estudantes.

A incorporação das tecnologias dialoga ainda com metodologias que defendem maior protagonismo discente. Para Bacich e Moran (2018), recursos tecnológicos ganham sentido quando vinculados a práticas colaborativas e reflexivas, nas quais o estudante atua como agente da aprendizagem. Neste estudo, a proposta My Dream Job aproxima-se dessa perspectiva ao promover autoria, escolha e produção multimodal em língua inglesa. Contudo, além de uma visão instrumental da tecnologia, a abordagem enfatiza a necessidade de mediação crítica, reconhecendo que a autonomia digital dos estudantes é atravessada por escolhas automatizadas, repertórios visuais disponíveis nas plataformas e disputas discursivas sobre língua, trabalho, raça e gênero.

Nesse contexto, desenvolveu-se a sequência didática My Dream Job em uma turma de oitavo ano. A proposta integrou o ensino de inglês a debates sobre trabalho, futuro e identidade, por meio da produção de postagens multimodais no Padlet. Com base no material didático da rede, os estudantes construíram sentidos sobre o “trabalho dos sonhos” combinando texto e imagem, articulando dimensões linguísticas, culturais e tecnológicas. O uso frequente de tradutores automáticos e buscadores de imagens evidenciou tensões entre autoria, aprendizagem e dependência tecnológica, além de suscitar reflexões sobre como determinadas representações de trabalho, raça e gênero são selecionadas, reproduzidas ou pouco questionadas em ambientes digitais.

Este artigo ancora-se na Linguística Aplicada Crítica e nas teorizações sobre letramentos crítico, digital e visual, compreendendo que aprender uma língua implica também questionar os sentidos que circulam em textos, imagens, mídias e ferramentas tecnológicas. O estudo dialoga com produções da Linguística Aplicada brasileira, como as de Barbosa e Simões (2017), sobre a formação da contrapalavra crítica diante da mídia, e Araújo, Azevedo e Morais (2023), que abordam os multiletramentos na escola como prática de pertencimento e emancipação discursiva. Ao considerar tradutores automáticos e buscadores de imagens como objetos de análise pedagógica, esta pesquisa busca compreender como práticas digitais escolares participam da construção de sentidos sobre língua, trabalho, raça e gênero.

Neste estudo, autoria é compreendida como uma prática discursiva situada, construída nas relações entre sujeito, língua, repertórios socioculturais e ferramentas tecnológicas. Assim, a autoria não se reduz à produção individual e autônoma de um texto, mas envolve escolhas, apropriações e posicionamentos diante dos recursos disponíveis para produzir sentidos. Essa compreensão dialoga com Norton (2013), para quem aprender uma língua implica negociar posições de sujeito em contextos marcados por relações de poder. No âmbito da sequência My Dream Job, essa perspectiva permite observar como os estudantes constroem suas vozes discursivas em meio a traduções automáticas, repertórios visuais disponíveis e padrões de representação que circulam nas plataformas digitais. Desse modo, a autoria é analisada nas formas como os alunos selecionam palavras, imagens e sentidos para representar língua, trabalho, raça e gênero.

A proposta desenvolvida é guiada pela seguinte questão central: de que modo o uso de tradutores automáticos e buscadores de imagens, em uma atividade multimodal de língua inglesa, interfere na autoria textual dos estudantes e na reprodução ou problematização de representações de trabalho, raça e gênero? Essa pergunta emerge do reconhecimento de que a escola pública paranaense está inserida em práticas digitais cotidianas, nas quais tais ferramentas já fazem parte dos modos de escrever, pesquisar e produzir sentidos. Assim, o desafio pedagógico consiste em compreender como esses recursos podem ser mobilizados como objetos de leitura crítica, produção de sentidos e exercício de autoria.

Objetivo geral: analisar como estudantes do 8º ano do Ensino Fundamental utilizam tradutores automáticos e buscadores de imagens em uma atividade multimodal de língua inglesa, discutindo os efeitos desse uso na autoria textual e nas representações visuais de trabalho, raça e gênero.

Objetivos específicos: (1) identificar marcas de uso de tradução automática nas produções textuais dos estudantes; (2) analisar como as imagens selecionadas pelos alunos constroem representações de profissão, raça e gênero; (3) discutir a necessidade de mediação crítica no uso de ferramentas tecnológicas no ensino de inglês em escola pública situada no Sul Global.

Este artigo resulta de uma pesquisa em andamento sobre práticas de letramento crítico, digital e visual na escola pública. O estudo integra um processo continuado de pesquisa docente desenvolvido no contexto da rede estadual do Paraná e busca contribuir para a ampliação de investigações empíricas sobre o uso de ferramentas tecnológicas no ensino de inglês. Em especial, focaliza tradutores automáticos e buscadores de imagens como recursos que, quando usados sem mediação crítica suficiente, podem interferir na autoria textual dos estudantes e na reprodução de representações sociais sobre trabalho, raça e gênero.

1. REFERENCIAL TEÓRICO

No cenário contemporâneo, os debates sobre linguagem, tecnologia e educação têm se intensificado diante da presença crescente de ferramentas digitais nas práticas comunicativas e pedagógicas. Blommaert (2018) argumenta que a internet deve ser compreendida como infraestrutura sociolinguística, capaz de reorganizar condições de interação e produzir novas formas de desigualdade comunicativa e indexicalidade social. Zuboff (2021), por sua vez, analisa como as plataformas digitais operam segundo lógicas de vigilância e extração de dados que redefinem formas de agência e produção de conhecimento. Nesse horizonte, as tecnologias deixam de ser instrumentos neutros e passam a constituir regimes de poder, visibilidade e controle.

É nesse cruzamento entre debates sobre tecnologias digitais e perspectivas críticas do Sul Global que se inscreve a presente pesquisa. Ao articular a Linguística Aplicada Crítica aos letramentos digitais críticos, o estudo busca compreender como tradutores automáticos e buscadores de imagens produzem efeitos de sentido que atravessam o ensino de línguas e a formação de identidades. Essa aproximação responde à necessidade de pensar as tecnologias como práticas socioculturais que atualizam tensões entre centro e periferia, Norte e Sul, técnica e ética.

A pesquisa situa-se na Linguística Aplicada Crítica (LAC), que entende a linguagem como prática social permeada por ideologias, poder e identidades. Nessa perspectiva, o ensino de línguas é ação situada e politicamente engajada, orientada por uma ética da reflexão. Para Pennycook (2021), a LAC busca compreender as condições históricas e culturais que produzem o uso da língua, deslocando o foco da descrição linguística para a problematização dos discursos. De modo convergente, Luke e Dooley (2011) define o letramento crítico como prática voltada a analisar como significados são legitimados em contextos específicos, permitindo ler textos e relações de poder. Menezes de Souza (2006) também compreende o letramento como prática social e ética, orientada pela possibilidade de transformação do sujeito e do mundo. A partir desse entendimento, o letramento crítico no ensino de línguas passa a ser visto como espaço de resistência e emancipação, articulando saberes escolares e cotidianos. Essa perspectiva fundamenta o modo como esta pesquisa compreende as práticas discursivas mediadas por tecnologias, nas quais as ferramentas digitais participam das formas de agir, interpretar e significar no mundo.

Nesse horizonte, Rajagopalan (2003, 2010) argumenta que a Linguística Aplicada deve assumir-se como prática indisciplinar, aberta ao diálogo com questões éticas, políticas e culturais. Para o autor, toda prática de ensino e análise linguística envolve uma tomada de posição, pois a linguagem é atravessada por disputas de sentido e legitimidade. Essa postura reforça o papel do ensino como espaço de resistência e transformação, especialmente em contextos nos quais as ferramentas digitais atuam como mediadoras dos discursos e das representações sociais.

O conceito de multiletramentos, formulado pelo New London Group (1996), amplia essa visão ao reconhecer a multiplicidade de modos verbais, visuais, sonoros e digitais que compõem a comunicação contemporânea. Misa (2023) observa que a leitura e a escrita em ambientes multimodais criam oportunidades para autoria crítica e consciência discursiva. Nesse sentido, a articulação entre letramento crítico e multiletramentos permite compreender como textos, imagens e mídias digitais produzem sentidos sobre trabalho, raça, gênero e identidade, especialmente em contextos escolares mediados por tecnologia.

No campo da educação linguística, estudos como os de Leão e Finardi (2021), Lee (2020) e Borsatti e Blanco Riess (2021) mostram que tradutores automáticos e ferramentas digitais fazem parte do cotidiano de estudantes e professores. Quando usados de modo crítico, esses recursos podem favorecer o engajamento e a ampliação do repertório linguístico; sem mediação, tendem a reforçar dependências e reduzir a reflexão sobre o processo de aprendizagem. O letramento digital crítico, na perspectiva de Tagata e Ribas (2021) e Da Silva (2025), propõe tratar essas ferramentas como objetos de análise, para que os aprendizes compreendam seus efeitos de sentido, suas omissões e os valores que podem reproduzir.

Nesse mesmo eixo de reflexão, Araújo e Sá (2024) discutem a literacia algorítmica como dimensão do letramento digital crítico, destacando a necessidade de compreender como ferramentas digitais organizam visibilidades, exclusões e hierarquizações de sentidos. Essa perspectiva contribui para uma educação linguística crítica ao deslocar o uso funcional dos recursos para a análise de seus efeitos sociais e discursivos. Nesse sentido, a formação crítica dos estudantes requer práticas pedagógicas capazes de problematizar mediações pouco visíveis das plataformas, especialmente quando elas orientam escolhas linguísticas e visuais em sala de aula.

Na atividade analisada, a tradução automática e a busca de imagens revelaram tensões entre autoria estudantil e uso automatizado das ferramentas. Os textos apresentam marcas linguísticas que sugerem tradução automática, perceptível na literalidade das construções, na linearidade sintática e na padronização discursiva. Esses indícios apontam que tais recursos não apenas auxiliam, mas também interferem na organização lexical e no registro dos enunciados. O problema, portanto, não está no uso das ferramentas em si, mas na ausência de mediação pedagógica que permita discutir seus efeitos na aprendizagem. Leão e Finardi (2021) e Monte Mór (2019) lembram que tais tecnologias suscitam ambivalência entre professores, pois abrem possibilidades didáticas, mas também tensionam o papel docente.

Além da tradução textual, as escolhas visuais também são mediadas por buscadores digitais. Ao selecionar imagens no Padlet, os estudantes entram em contato com resultados organizados por critérios pouco transparentes, como popularidade, circulação e padrões estéticos. Essa seleção influencia a representação de profissões, gênero e raça nas postagens, revelando como as ferramentas digitais podem reforçar imaginários de sucesso e apagamento. Um exemplo aparece no aluno que associa o “trabalho dos sonhos” ao surfe em família, mas escolhe uma imagem do surfista reconhecido mundialmente, Gabriel Medina, em competição internacional, deslocando a experiência local para um modelo midiático de prestígio esportivo.

A LAC também convoca à leitura interseccional das práticas discursivas. Moita Lopes (2013) e Fabrício (2013) apontam que o ensino de línguas envolve disputas identitárias e epistemológicas. Conforme Ferraz, Duboc e Menezes de Souza (2020), a educação linguística contemporânea exige atenção às formas pelas quais normatividades e hierarquias sociais atravessam práticas pedagógicas e dispositivos tecnológicos. Ao problematizar heterogeneidade, justiça social e regimes de normatividade, os autores indicam que materiais didáticos e ambientes digitais podem reproduzir estruturas de visibilidade que privilegiam certas identidades em detrimento de outras. Nesse sentido, o letramento digital crítico precisa incorporar dimensões de raça, gênero e classe, reconhecendo que as tecnologias participam da manutenção ou da contestação de hierarquias sociais.

O letramento visual crítico, em diálogo com Rojo (2013) e Kress e van Leeuwen (2006), permite ler imagens como enunciados atravessados por valores sociais, e não como ilustrações neutras. Nas atividades analisadas, buscas por termos como doctor ou engineer resultaram em representações homogêneas, com corpos majoritariamente brancos, masculinos e sorridentes, enquanto profissões de menor prestígio exibiam maior presença de corpos racializados. Essa seleção visual reafirma o que Duboc (2014) chama de colonialismo visual: uma lógica de visibilidade que legitima certos corpos e silencia outros.

Essa discussão pode ser ampliada à luz dos estudos sobre colonialismo digital, que apontam o papel das plataformas na reprodução de desigualdades simbólicas. Em convergência com essa leitura crítica, Costa e Radín (2025) defendem que o colonialismo digital se manifesta nas formas como tecnologias digitais reproduzem lógicas de dominação histórica, influenciando quais corpos, línguas e culturas são visibilizados ou silenciados. Essa reflexão reforça o alerta de Duboc (2014), ao mostrar que o digital não é apenas meio técnico, mas campo político que reinscreve desigualdades e hierarquias discursivas. No contexto escolar, reconhecer essas mediações significa compreender que ensinar e aprender línguas envolve também disputar os sentidos produzidos por sistemas de busca, tradução e representação.

A partir dessa compreensão, ambientes multimodais como o Padlet configuram ecossistemas discursivos que articulam texto, imagem e interação, como discute Monte Mór (2019). Mais que ferramentas, constituem espaços culturais de negociação de sentidos. Quando mediados criticamente, podem favorecer práticas colaborativas e reflexivas, nas quais os estudantes reconhecem a tecnologia como produtora de discursos. Ensinar línguas, portanto, implica formar sujeitos capazes de perceber que palavras e imagens são atravessadas por relações de poder, condição essencial para o letramento crítico em práticas digitais escolares.

2. CONTEXTO DA PESQUISA E PERCURSO METODOLÓGICO

A pesquisa foi realizada em uma escola pública estadual localizada no litoral do Paraná, em uma turma de oitavo ano do Ensino Fundamental do turno da tarde, no componente curricular de língua inglesa. O contexto escolar é caracterizado por um perfil de classe trabalhadora, formado majoritariamente por famílias que atuam no comércio local, na prestação de serviços e em atividades relacionadas ao turismo da região. A escola conta com acesso à internet e equipamentos digitais fornecidos por programas públicos de inovação tecnológica, o que viabilizou o uso de recursos on-line durante as aulas.

Participaram da proposta 26 estudantes, com idades entre 12 e 14 anos. A sequência didática, intitulada My Dream Job, integrou o planejamento regular do terceiro trimestre de 2025 e envolveu vocabulário de profissões, leitura e interpretação de textos sobre carreiras, uso do futuro com going to e produções orais sobre projetos de vida. Como parte do percurso, os alunos assistiram a vídeos temáticos na plataforma Inglês Paraná, que abordavam situações cotidianas e representações profissionais. A sequência compreendeu seis encontros, sendo os dois últimos destinados à elaboração de postagens multimodais no Padlet, nas quais os estudantes produziram pequenos textos em inglês e escolheram imagens para representar seus “trabalhos dos sonhos”.

A escolha do Padlet como ambiente de criação e análise decorre de seu potencial como espaço discursivo multimodal, que integra escrita, imagem e interação digital em um mesmo ambiente semiótico. Além de funcionar como ferramenta pedagógica acessível, o Padlet foi concebido como espaço de observação das práticas de autoria e de circulação de sentidos em práticas digitais escolares. A plataforma permitiu acompanhar, durante a atividade, como os estudantes negociavam escolhas lexicais, visuais e temáticas, revelando modos pelos quais as ferramentas digitais participam das produções linguísticas e imagéticas em contexto escolar.

O corpus foi gerado em um contexto pedagógico natural, sem intervenções externas ao planejamento da turma, o que se alinha à perspectiva da Linguística Aplicada Crítica (LAC), voltada à análise situada das práticas de linguagem. A observação das interações no cotidiano da sala de aula reflete o compromisso ético e epistemológico de compreender o espaço escolar como lugar legítimo de produção de conhecimento e de reflexão sobre língua, poder, identidade e tecnologia.

Foram consideradas, para esta análise, 26 postagens realizadas pelos alunos no Padlet, correspondentes às produções finais da sequência didática. O processo de geração de dados ocorreu ao longo de três semanas, envolvendo observação direta das aulas, registro em caderno de campo e acompanhamento das interações no ambiente digital. Os critérios de organização do corpus consideraram a completude das postagens, com texto e imagem, a diversidade temática e visual representada nos trabalhos e a presença de comentários significativos sobre o uso das ferramentas digitais. Esse recorte permitiu observar recorrências discursivas e tensionamentos entre autoria estudantil, tradução automática e seleção de imagens.

Os dados analisados incluem: (a) postagens dos estudantes no Padlet, compostas por textos curtos em inglês e imagens selecionadas por meio de buscadores integrados à plataforma; (b) registros da professora-pesquisadora em diário de campo, com anotações sobre comentários espontâneos dos alunos acerca do uso de tradutores automáticos e da escolha de imagens; e (c) observações da dinâmica de realização das tarefas com os tablets em sala de aula.

No dia destinado à produção das postagens, os alunos realizaram duas etapas complementares. Primeiro, foram convidados a produzir uma postagem sobre uma profissão futura, mobilizando texto em inglês e imagem para representar essa escolha no ambiente digital. Em seguida, registraram cinco nomes de profissões em inglês e atribuíram a cada uma delas uma imagem representativa, compondo um conjunto de associações visuais e lexicais que integrou o desenvolvimento da sequência didática.

A pesquisa insere-se no paradigma qualitativo, de base interpretativista, orientado pelos pressupostos da Linguística Aplicada Crítica em contextos educacionais. Trata-se de um estudo de caso único (ANDRÉ, 2013), voltado à compreensão das relações entre ferramentas tecnológicas, autoria textual e construção de representações visuais no ensino de inglês em uma turma específica da rede pública.

A análise foi conduzida a partir de eixos temáticos emergentes, definidos com base na recorrência e na relevância teórica das ocorrências. Dois eixos principais orientaram a leitura dos dados: (1) o uso de tradutores automáticos como estratégia de produção textual, evidenciando marcas de dependência, padronização e deslocamentos na autoria; e (2) a seleção de imagens por buscadores digitais, com atenção aos sentidos pouco problematizados sobre trabalho, raça e gênero. Ao final, discutem-se as implicações pedagógicas desses usos para o letramento crítico, digital e visual no ensino de inglês.

Para a análise das postagens, adotou-se uma perspectiva multimodal e semiótica, conforme Kress e van Leeuwen (2006) e Rojo (2013), voltada à relação entre texto, imagem e escolha lexical nas produções dos estudantes. Embora inspirada em princípios da gramática visual e da análise multimodal do discurso, a abordagem manteve caráter interpretativo e situado, priorizando os sentidos emergentes da prática pedagógica. As análises foram organizadas em fichamentos interpretativos, articulando as produções dos alunos às categorias teóricas discutidas.

Por fim, o estudo se delineia nos moldes da pesquisa-ação docente, conforme Thiollent (2011), compreendida como processo de reflexão sobre a prática a partir da atuação do pesquisador em seu próprio contexto. A professora-pesquisadora não se limita ao papel de observadora, mas atua como agente que media e interpreta as relações entre ensino, tecnologias digitais e práticas discursivas na escola pública.

3. ANÁLISE E DISCUSSÃO

A proposta My Dream Job foi desenvolvida com base no planejamento anual da rede pública e orientada pelos princípios da Linguística Aplicada Crítica, de acordo com Pennycook (2021) e Moita Lopes (2006), com foco nos letramentos crítico, digital e multimodal, em diálogo com Luke e Dooley (2011), Rojo (2013) e Monte Mór (2019). Mais do que ensinar vocabulário ou estruturas gramaticais, a atividade buscou fomentar reflexões sobre trabalho, futuro e identidade, permitindo que os estudantes produzissem sentidos sobre si e sobre possíveis trajetórias profissionais. No litoral paranaense, onde muitos jovens ingressam cedo no comércio local, na prestação de serviços ou em empregos informais, a proposta criou um espaço pedagógico para relacionar língua inglesa, projeto de vida e leitura crítica das representações sociais.

A sequência didática contou com seis aulas, envolvendo leitura, escuta, vocabulário, escrita e seleção de imagens. As produções dos alunos foram desenvolvidas em três momentos: (1) Dream Job, postagem no Padlet com texto em inglês e imagem representativa da profissão escolhida; (2) cinco profissões em inglês, atividade de vocabulário e compreensão oral baseada em vídeos da plataforma Inglês Paraná; e (3) análise crítica da imagem, reflexão escrita sobre a escolha visual e sua relação com a profissão representada. As postagens foram realizadas no Padlet, com perguntas norteadoras e mediação docente. A maioria dos estudantes utilizou o mecanismo de busca da plataforma, e o uso de tradutores e outras ferramentas digitais foi permitido como apoio ao processo de produção. Foi solicitado, porém, que o tradutor fosse usado principalmente para palavras ou expressões específicas, evitando a tradução integral dos textos.

As produções foram analisadas como práticas sociais multimodais, nas quais linguagem verbal e imagem se articulam na construção de sentidos sobre trabalho, raça, gênero e identidade. Com base em Kress e van Leeuwen (2006), as imagens foram lidas como enunciados visuais atravessados por discursos sociais, e não como ilustrações neutras. A análise organiza-se em dois movimentos principais. O primeiro examina o uso de tradutores automáticos na produção textual em inglês, investigando marcas de dependência, padronização e deslocamentos na autoria estudantil. O segundo concentra-se na seleção de imagens por buscadores integrados à plataforma, discutindo como essas escolhas reproduzem ou tensionam representações de trabalho, raça e gênero. Ao final, a seção explicita implicações pedagógicas decorrentes da análise, refletindo sobre possibilidades de mediação crítica no ensino de língua inglesa em contextos digitais. O foco analítico não recaiu sobre correção gramatical, mas sobre os discursos e posicionamentos emergentes nas postagens.

As produções do projeto constituem o ponto de partida desta análise multimodal crítica. Ao integrarem linguagem, imagem e recursos digitais, revelam como os estudantes constroem sentidos sobre trabalho, identidade e pertencimento em meio às tecnologias presentes no cotidiano escolar. Mais do que exercícios linguísticos, os textos e imagens publicados no Padlet configuram enunciados situados, nos quais repertórios culturais, escolhas lexicais e representações visuais ajudam a compreender formas de autoria no ensino público de inglês.

As escolhas profissionais apresentadas pelos estudantes servem, neste estudo, como contexto para observar os modos de produção textual e visual. Elas oscilam entre profissões de maior prestígio social, como atletas, advogados, médicas e engenheiros, e ocupações ligadas a trajetórias familiares, comunitárias ou locais. Essa diversidade permite analisar como, na atividade proposta, os alunos mobilizam repertórios pessoais e sociais ao mesmo tempo em que recorrem a tradutores automáticos e buscadores de imagens para construir sentidos sobre trabalho, raça e gênero.

As análises apresentadas nesta seção foram desenvolvidas a partir da leitura integral das vinte e seis postagens produzidas pelos estudantes, considerando recorrências temáticas, escolhas lexicais e padrões visuais observados no conjunto do corpus. Contudo, em razão dos limites deste artigo, não se apresenta uma análise individual de todas as produções. Foram selecionadas unidades representativas dos fenômenos observados, com atenção aos dois eixos definidos metodologicamente: o uso de tradutores automáticos na produção textual e a seleção de imagens por buscadores digitais. Por se tratar de uma atividade de natureza multimodal, constituída pela articulação entre linguagem verbal e recursos imagéticos, a interpretação dialoga com a noção de design multimodal proposta por Kress e van Leeuwen (2006), entendendo texto e imagem como modos semióticos que produzem sentidos de forma complementar. Assim, as unidades analisadas são examinadas conforme a centralidade assumida pelos recursos verbais, visuais ou pela articulação entre ambos na construção dos significados.

Embora a leitura tenha contemplado a totalidade das produções, apenas alguns excertos e imagens são apresentados nesta seção, selecionados por sua relevância representativa em relação aos fenômenos discursivos investigados. Em casos nos quais a materialidade visual não foi mobilizada pelos estudantes ou não acrescentaria novos elementos à discussão, a análise concentra-se nos aspectos discursivos e linguísticos mais significativos para compreender a autoria textual e o uso de tradutores automáticos. As postagens são referenciadas por meio de unidades analíticas, multimodais, textuais ou visuais, preservando a anonimização dos participantes, e são reproduzidas tal como foram redigidas pelos alunos, sem correções linguísticas, a fim de manter sua materialidade discursiva.

3.1 Texto, imagem e profissão: sentidos iniciais da produção multimodal

Esta seção apresenta a atividade My Dream Job como ponto de entrada para a análise multimodal das produções dos estudantes. As profissões mencionadas não são tomadas como objeto psicológico ou sociológico central, mas como escolhas discursivas que permitem observar como os alunos articulam texto, imagem e ferramentas digitais na construção de sentidos sobre trabalho, identidade e pertencimento. Nesse percurso, interessa compreender como a relação entre o que é escrito e o que é visualmente selecionado revela tensões entre experiência cotidiana, repertórios pessoais e representações disponíveis em ambientes digitais.

As produções são apresentadas por meio de unidades analíticas selecionadas, nas quais texto verbal e imagem são observados de forma integrada quando essa articulação contribui para os objetivos da análise. A associação entre trabalho e experiência familiar aparece em algumas postagens e permite observar como a autoria estudantil se constrói em diálogo com vivências locais, ao mesmo tempo em que as imagens escolhidas podem deslocar esses sentidos para representações mais genéricas ou idealizadas. Esse movimento torna-se visível na primeira unidade analisada:

Unidade Multimodal 1 – Aluno 1

Excerto 1: My dream job is to be a truck driver because half of my family is truck drivers.

O enunciado produzido pelo estudante, ao vincular a profissão escolhida à tradição familiar, evidencia uma autoria situada, construída a partir de repertórios cotidianos e experiências compartilhadas no âmbito comunitário. A formulação lexical simples e direta não deve ser lida apenas pela falta de elaboração linguística, mas como marca de uma produção em que o aluno mobiliza sentidos próximos de sua vivência. Nesse caso, a análise recai sobre a relação entre texto e imagem: enquanto o excerto verbal ancora a profissão na experiência familiar, a imagem selecionada desloca esse sentido para uma representação visual mais ampla, padronizada e idealizada do trabalho.

Na Figura 1, o caminhão é apresentado em enquadramento lateral, percorrendo uma estrada vazia sob um céu alaranjado, em perspectiva baixa, recurso composicional recorrente em bancos de imagens comerciais. Essa configuração estética associa o transporte à ideia de liberdade, autonomia e movimento contínuo. A ausência de figuras humanas contribui para apagar a dimensão concreta do trabalho, como corpo, rotina, esforço e condições laborais. Assim, a postagem revela uma tensão multimodal: o texto aproxima a profissão da experiência vivida, enquanto a imagem a reinscreve em um repertório visual idealizado. Essa tensão permite observar como escolhas imagéticas feitas em ambientes digitais podem reorganizar os sentidos produzidos pelos estudantes.

Figura 1.
Representação visual da profissão truck driver escolhida pelo estudante.

Legenda: Representação idealizada da profissão, associada à ideia de liberdade e movimento, em enquadramento típico de bancos de imagem.


Movimento semelhante aparece na Unidade Multimodal 2, referente ao Aluno 2, composta por dois excertos verbais e pela imagem selecionada para representar a profissão escolhida:

Excerto 2: My job is marketing. This is my job because my mother is starting a beachwear brand, so I want to learn so that it can be successful in the future.

Excerto 3: Surfer. Even though it doesn’t seem like a profession, I really like surfing with my father and brother at Matinhos Peak every day.

Figura 2.
Imagem selecionada por estudante para representar a profissão de surfista

Legenda: Representação midiática do sucesso esportivo, associada a ícone global do surfe, que desloca o contexto afetivo local mencionado pelo estudante para um imaginário competitivo e internacional.


No caso do Aluno 2, os dois enunciados articulam a profissão escolhida a experiências locais e familiares. O interesse em atuar no marketing do empreendimento de moda praia da mãe relaciona a aprendizagem da língua e da comunicação a uma prática concreta do contexto familiar. Já o surfe aparece como atividade cotidiana vinculada ao território, especialmente quando o estudante menciona a prática com o pai e o irmão em Matinhos. A análise textual mostra, portanto, que as escolhas profissionais são construídas a partir de repertórios próximos da vivência do aluno.

A imagem selecionada, entretanto, desloca esse sentido para um imaginário esportivo global. Ao escolher uma imagem de Gabriel Medina em competição internacional, a postagem deixa de representar o surfe cotidiano mencionado no texto e passa a acionar um modelo midiático de sucesso, reconhecimento e performance profissional. A tensão entre o excerto verbal e a imagem evidencia como a produção multimodal não apenas ilustra uma escolha, mas reorganiza seus sentidos: enquanto o texto aproxima a profissão de uma experiência local e familiar, a imagem a reinscreve em uma representação visual de prestígio esportivo amplamente circulante nos ambientes digitais.

As duas unidades analisadas mostram que a atividade sobre profissões funciona como espaço de produção multimodal em que texto e imagem nem sempre constroem o mesmo sentido. Nos exemplos discutidos, os enunciados verbais aproximam as profissões de experiências familiares, locais e cotidianas, enquanto as imagens selecionadas tendem a deslocá-las para repertórios visuais mais genéricos, idealizados ou midiáticos. Esse movimento evidencia a necessidade de observar não apenas o que os estudantes escrevem, mas também como as imagens escolhidas participam da construção de sentidos sobre trabalho, identidade e pertencimento. A seguir, a análise desloca o foco para a produção textual em inglês, examinando como o uso de tradutores automáticos interfere na autoria estudantil e na reflexão sobre a língua.

3.2 Tradução automática e autoria textual: entre acesso e dependência

No segundo conjunto de análises, o foco recai sobre os textos produzidos pelos estudantes, com o objetivo de examinar de que modo o uso de tradutores automáticos interfere na autoria textual e na organização linguística dos enunciados em inglês. Como este eixo se concentra na produção escrita, a análise visual não é mobilizada aqui. Interessa observar marcas de literalidade, padronização discursiva e deslocamento da reflexão linguística, compreendendo o tradutor não como problema em si, mas como ferramenta que exige mediação crítica no processo de aprendizagem.

Após a análise da relação entre texto e imagem, o foco desloca-se para o modo como os enunciados em inglês foram produzidos com apoio de tradutores automáticos. Torna-se, portanto, essencial repensar o papel dessas ferramentas no ensino. Atividades como comparar versões traduzidas e originais, discutir escolhas lexicais e refletir sobre sentidos que se perdem ou se transformam na tradução podem converter o uso do tradutor em prática de letramento crítico, deslocando o foco do produto final para a consciência discursiva.

Embora os estudantes tenham sido orientados a utilizar o tradutor de forma cautelosa, recorrendo a ele apenas para palavras ou expressões específicas, a observação em sala indicou que, em diversos momentos, a ferramenta foi usada de maneira mais ampla e pouco criteriosa. Esse uso também se tornou perceptível nas postagens, cujas marcas linguísticas sugerem tradução integral ou pouca revisão do texto final. O debate realizado sobre o uso do tradutor mostrou-se insuficiente para explicitar seus efeitos na produção escrita. Incorporá-lo como objeto sistemático de reflexão pedagógica implica deslocar o foco do resultado final para o processo, examinando como a ferramenta interfere na organização da linguagem e na autoria textual.

A seguir, apresenta-se a Unidade Textual 1, referente ao Aluno 1, cuja produção evidencia marcas de tradução automática e pouca revisão do texto final:

Excerto: My dream job is to be a truck driver and have a bike and sound shop. Because since I was a child I like it and I have experience. Study and work.

O texto preserva certa linearidade do português, especialmente na sequência de frases curtas e na pouca articulação por conectores. Essa organização sugere o uso de tradução automática com revisão limitada, resultando em um enunciado híbrido, no qual repertórios cotidianos do estudante se combinam a estruturas geradas pela ferramenta. Desse modo, a autoria textual aparece como prática situada e mediada, marcada por escolhas do aluno, mas também pelos limites e padrões oferecidos pelo tradutor.

Na Unidade Textual 2, referente ao Aluno 4, observam-se marcas diferentes de uso da tradução automática:

Excerto: I want to be a game developer. To be a game developer, you have to know how to program, make pixel art, and so on. A very famous indie game made by one guy with just help on art and music.

Nesse caso, o texto apresenta um padrão explicativo próximo ao inglês informacional, comum em descrições e tutoriais on-line. A produção sugere uma autoria que transita entre a escrita escolar, a consulta digital e o apoio da tradução automática, resultando em um enunciado mais organizado, mas também marcado por certa padronização discursiva. Essa dinâmica dialoga com Bitencourt (2020), para quem as práticas digitais instauram modos de autoria distribuída, nos quais o texto final resulta da negociação entre intenções do sujeito, recursos disponíveis e mediações tecnológicas.

Para que o uso de tradutores e buscadores deixe de operar como recurso pouco questionado, é necessário criar condições pedagógicas que promovam análise crítica das tecnologias. Comparar traduções, discutir escolhas lexicais, analisar representações visuais e refletir sobre sentidos deslocados ou apagados são práticas que ajudam a formar leitores e produtores mais conscientes das relações entre linguagem, poder e tecnologia.

O uso de tradutores automáticos também evidencia como determinadas formas de inglês passam a ser tomadas como mais corretas, naturais ou adequadas. Em diálogo com Rajagopalan (2010), essa tendência pode ser compreendida no âmbito da hegemonia simbólica da língua inglesa, que não se limita à gramática, mas envolve modos legitimados de dizer, escrever e representar o mundo. Em contexto escolar, a tradução automática pode reforçar padrões globais de padronização linguística, especialmente quando utilizada sem revisão ou discussão crítica. Por isso, a mediação docente torna-se necessária para que o aprendizado de inglês não se reduza à reprodução de formas prontas, mas se converta em espaço de reflexão sobre escolhas linguísticas, autoria e produção de sentidos.

3.3 Buscadores de imagens e representações de trabalho, raça e gênero

Neste bloco de análise, o foco recai sobre as imagens selecionadas pelos estudantes. Na segunda etapa da atividade realizada no Padlet, os alunos foram convidados a escrever nomes de profissões em inglês e a atribuir a cada uma delas uma imagem representativa, o que permite observar como esses papéis profissionais foram visualmente construídos. A partir da análise multimodal, em diálogo com Kress e van Leeuwen (2006), e da perspectiva crítica da Linguística Aplicada, tais escolhas evidenciam modos de percepção e representação que atravessam o imaginário dos estudantes e ajudam a compreender como significados sociais sobre trabalho, raça e gênero são mobilizados nas produções.

As imagens selecionadas pelos alunos mostram que o processo de escolha não se apoia apenas em critérios pessoais, mas também na forma como as plataformas organizam e disponibilizam conteúdos visuais. Como o Padlet opera integrado a mecanismos de busca, o repertório oferecido tende a refletir padrões amplamente circulantes, privilegiando imagens que já ocupam posições de destaque nesses sistemas. Dessa maneira, os buscadores participam da construção das representações profissionais acessadas pelos estudantes, influenciando aquilo que se torna mais visível e reconhecível como referência.

Ao pesquisar termos como doctor, teacher ou engineer, surgem imagens semelhantes: corpos brancos, jovens e sorridentes em ambientes limpos e bem iluminados. Essa homogeneidade revela como os repertórios visuais disponíveis nas plataformas tendem a privilegiar certas estéticas e a tornar outras menos visíveis. O gesto recorrente de “escolher a primeira imagem que apareceu” evidencia um uso pouco problematizado dos buscadores, no qual os primeiros resultados passam a funcionar como referência imediata sobre modos de ser e de trabalhar. A recorrência desse padrão torna-se visível na Unidade Visual 1, selecionada pelos alunos 3, 4 e 5:

Figura 3.
Homem de terno escuro e gravata, sentado à mesa de escritório, falando ao telefone e escrevendo em um caderno.

Legenda: Representação hegemônica da autoridade e do sucesso profissional masculino no imaginário corporativo.


A repetição dessa imagem em diferentes postagens, associada ao termo lawyer, evidencia como os buscadores podem favorecer padrões visuais recorrentes. O enquadramento, a iluminação e o traje corporativo constroem um ideal de sucesso associado à masculinidade, à branquitude e à lógica empresarial. O advogado genérico converte-se, assim, em signo de poder e competência, substituindo referências locais e contextuais. O fato de a mesma imagem ter sido escolhida por três estudantes indica que os primeiros resultados oferecidos pela plataforma funcionaram como referência imediata, reforçando uma estética hegemônica do sucesso profissional.

Essa homogeneização visual revela uma estética da desigualdade: nas profissões de prestígio, como medicina, advocacia, ciência e engenharia, predominam corpos brancos e jovens, cuja postura comunica autoridade e sucesso; já nas representações de trabalhos manuais ou de menor remuneração, aparecem com maior frequência corpos negros e pardos, geralmente em ambientes externos e associados ao esforço físico. Esse padrão de racialização também se manifesta na Unidade Visual 2, vinculada ao termo construction, selecionada pelo Aluno 6:

Figura 4.
Duas crianças negras carregando massa de construção.

Legenda: Exemplo de racialização visual do trabalho manual em contextos precários.


A recorrência de associações entre profissões e marcadores raciais evidencia um processo de racialização nas representações visuais acessadas pelos estudantes. O fato de imagens como essa aparecerem entre as opções selecionadas indica que os repertórios disponíveis nos buscadores podem reproduzir hierarquias sociais já consolidadas. Enquanto profissões de prestígio tendem a ser representadas por corpos brancos em posições de autoridade, atividades manuais ou precarizadas aparecem associadas a corpos negros, muitas vezes despersonalizados. Essa assimetria revela um regime de visibilidade que naturaliza desigualdades sob aparência de neutralidade técnica.

Nas postagens analisadas, predominam padrões previsíveis: mulheres brancas em ambientes escolares padronizados e homens negros em funções técnicas ou braçais. Tal recorrência dialoga com o que Duboc (2014) e Costa e Radín (2025) denominam colonialismo visual, isto é, a atualização digital de hierarquias históricas de raça, gênero e poder. Assim, as imagens não apenas ilustram os textos, mas materializam discursos que moldam imaginários de sucesso e pertencimento no espaço escolar.

Ainda assim, há brechas e deslocamentos. Apenas quatro das vinte e seis postagens apresentaram imagens que tensionam o padrão dominante, evidenciando tentativas de autoria mais crítica, enquanto a maioria (vinte e duas postagens) seguiu a lógica de visibilidade hegemônica dos buscadores. Em contraste com o padrão hegemônico anteriormente descrito, observam-se deslocamentos significativos nas representações de poder e prestígio profissional. Esse deslocamento torna-se visível na Unidade Visual 3, vinculada ao termo pesquisado judge, conforme apresentado na Figura 5.

Figura 5.
Juiz negro segurando martelo em ambiente de tribunal.

Legenda: Representação contra-hegemônica da autoridade e do prestígio jurídico, que tensiona os padrões raciais dominantes nas imagens de poder.


A imagem apresenta um homem negro em vestimenta formal, segurando o martelo judicial em ambiente de tribunal. Diferentemente das representações anteriores associadas a profissões de prestígio, marcadas pela predominância de corpos brancos, essa escolha tensiona a associação recorrente entre autoridade profissional e branquitude. Ao inscrever um corpo negro no espaço simbólico do poder jurídico, a imagem rompe parcialmente com o padrão visual observado em outras unidades. Ainda que essa representação também possa integrar bancos de imagens globais, sua seleção amplia as possibilidades de identificação e pertencimento simbólico no campo profissional. De modo semelhante, a Unidade Visual 4, vinculada ao termo businesswoman, evidencia outro deslocamento em relação ao padrão hegemônico anteriormente descrito.

Figura 6.
Mulher em traje corporativo, falando ao microfone em púlpito.

Legenda: Dispositivo visual de liderança que tensiona a hegemonia masculina nas representações de poder.


A imagem apresenta uma mulher em traje corporativo discursando ao microfone, em posição central e de destaque. Diferentemente do padrão majoritário observado nas demais representações de poder, marcadas pela predominância masculina, essa escolha desloca parcialmente a normatividade de gênero associada ao sucesso profissional. O enquadramento frontal e a centralidade composicional reforçam sua autoridade e protagonismo, configurando uma representação que tensiona, ainda que pontualmente, a homogeneização visual identificada no conjunto analisado.

Embora sejam minoria, esses casos evidenciam que os estudantes exercem formas situadas de agência, capazes de selecionar imagens que ampliam o repertório visual do possível. Essa agência parcial indica que o aprendizado linguístico e visual ocorre em espaços de negociação e disputa, nos quais as escolhas dos estudantes podem tanto reproduzir quanto tensionar padrões sociais de raça, gênero e prestígio profissional.

Os dados revelam que os buscadores digitais não apenas disponibilizam imagens, mas participam da organização de repertórios visuais que influenciam modos de ver e imaginar o futuro profissional. Ao tornar mais recorrentes determinados corpos, gestos e cenários, a cultura digital pode consolidar ideais de sucesso associados à branquitude, à masculinidade e à normatividade de gênero. Contudo, imagens que tensionam esse padrão, como a do juiz negro ou a da mulher em ambiente corporativo, revelam possibilidades de deslocamento e reinterpretação. Essas escolhas, ainda que pontuais, evidenciam o potencial pedagógico de ler criticamente as imagens digitais, reconhecendo nelas tanto a reprodução de desigualdades quanto a possibilidade de ampliar sentidos. Assim, a dimensão visual da atividade afirma-se como campo fértil para o letramento crítico, ao permitir a desnaturalização das imagens e a reflexão sobre como representações de trabalho, raça e gênero são produzidas e legitimadas em ambientes digitais.

3.4 Síntese crítica e implicações pedagógicas

Ao examinar o uso de tradutores automáticos na produção textual e a seleção de imagens por buscadores digitais, a análise das produções dos alunos mostra que o ensino de inglês mediado por tecnologias pode se constituir como prática de letramento crítico situado. A atividade evidenciou que essas ferramentas ampliam possibilidades de acesso à língua e a repertórios visuais, mas também podem favorecer usos pouco problematizados, nos quais sentidos prontos são aceitos sem reflexão suficiente. Nesse processo, a sala de aula torna-se espaço para investigar como linguagem, tecnologia e poder se entrelaçam na produção de textos, imagens e representações sobre trabalho, raça e gênero.

O potencial formativo da atividade torna-se evidente quando se observam, de forma articulada, a produção textual com apoio de tradutores automáticos e a seleção de imagens por buscadores digitais. As postagens no Padlet revelam que os alunos mobilizam repertórios culturais próprios, mas também recorrem a ferramentas que oferecem formas prontas de dizer e representar. Nesse sentido, a escola pública pode constituir-se como espaço de autoria e leitura crítica, desde que essas tecnologias sejam tomadas como objetos de problematização pedagógica. A atividade analisada evidencia, assim, a necessidade de formar estudantes capazes de interrogar os sentidos produzidos por textos, imagens e plataformas digitais.

Ao mesmo tempo, a atividade apontou limites metodológicos e pedagógicos relacionados aos dois eixos analisados. A ausência de uma discussão coletiva mais sistemática sobre o uso de tradutores automáticos e buscadores de imagens reduziu as possibilidades de aprofundamento crítico tanto da dimensão textual quanto da dimensão visual. Integrar essas discussões ao planejamento didático é essencial para que o trabalho com tecnologias digitais ultrapasse o uso operacional e se converta em prática de leitura e escrita crítica. Comparar traduções, discutir escolhas lexicais, questionar os primeiros resultados de busca e examinar representações visuais são estratégias que ampliam a consciência dos estudantes sobre como textos e imagens são produzidos em ambientes digitais.

Esses encaminhamentos apontam para a necessidade de pedagogias linguísticas que integrem, de forma articulada, a reflexão sobre escrita, imagem e tecnologias digitais. Ao tratar tradutores automáticos e buscadores de imagens como práticas de linguagem inseridas em contextos sociais desiguais, o ensino de inglês pode desenvolver a consciência metalinguística, visual e digital dos estudantes, formando sujeitos capazes de interrogar discursos e participar criticamente das esferas contemporâneas de produção de sentido.

Como desdobramento, a pesquisa abre caminhos para investigações participativas que incorporem as percepções dos próprios estudantes sobre o uso de tradutores automáticos, buscadores de imagens e plataformas digitais. Grupos focais e entrevistas podem aprofundar a compreensão das formas de agência que emergem na relação com essas ferramentas, evidenciando como os sujeitos negociam identidades linguísticas e visuais. Estudos comparativos entre plataformas e contextos escolares distintos também podem ampliar o entendimento sobre as condições de produção do letramento crítico em cenários marcados pela desigualdade tecnológica.

Em síntese, ao articular produção textual, seleção de imagens e tecnologias digitais, a atividade analisada demonstra que ensinar e aprender uma língua estrangeira hoje implica também aprender a ler criticamente as ferramentas que participam da comunicação. A apropriação pedagógica de tradutores automáticos e buscadores de imagens, sob perspectiva crítica, desloca a aprendizagem do campo da reprodução para o da reflexão, transformando o digital em espaço de leitura, autoria e disputa de sentidos. O olhar sobre as postagens revela que a autoria estudantil se constrói nas relações entre escolhas linguísticas, repertórios visuais e mediações tecnológicas. É nesse processo que se manifesta o potencial pedagógico da atividade, ao permitir que textos e imagens sejam analisados como práticas sociais atravessadas por língua, trabalho, raça e gênero.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A análise da atividade My Dream Job indica que o ensino de língua inglesa na contemporaneidade requer compreender as tecnologias digitais como parte das práticas de linguagem. Tradutores automáticos, buscadores de imagens e plataformas multimodais participam dos modos de escrita, leitura e construção da autoria estudantil. Nesse sentido, torna-se necessário incorporá-los como objetos de análise pedagógica, problematizando seus efeitos na produção textual e nas representações visuais.

O estudo mostrou que a tradução automática e a busca de imagens ampliam o acesso dos estudantes à língua inglesa e a recursos multimodais, ao mesmo tempo em que podem oferecer modelos prontos de correção, organização textual e visibilidade. Nas postagens analisadas, parte das produções seguiu padrões hegemônicos, associando profissões de prestígio à branquitude, à masculinidade e a espaços corporativos idealizados. Também surgiram deslocamentos, como imagens que apresentam corpos negros em posições de autoridade ou mulheres em espaços de liderança. Esses casos, ainda que pontuais, evidenciam o potencial pedagógico de tratar o digital como espaço de leitura crítica e de construção de representações mais plurais.

Em diálogo com Rajagopalan (2003, 2010), este estudo reafirma que o ensino de línguas constitui um campo atravessado por disputas de sentido, poder e legitimidade. No contexto analisado, tradutores automáticos, buscadores de imagens e plataformas digitais participam da produção de textos e representações, podendo reforçar hierarquias historicamente associadas ao inglês como língua de prestígio. Tornar visível essa dimensão contribui para que o ensino de inglês na escola pública se configure como prática crítica, voltada à reflexão sobre linguagem, tecnologia e desigualdade.

A pesquisa também apresenta limites. O estudo concentrou-se em uma turma específica do 8º ano, em uma escola pública do litoral paranaense, e analisou unidades representativas de um conjunto de vinte e seis postagens. Além disso, a investigação não incluiu entrevistas ou grupos focais com os estudantes, o que poderia aprofundar a compreensão sobre suas percepções a respeito do uso de tradutores automáticos e buscadores de imagens. A análise também se voltou aos efeitos discursivos observáveis nas produções escolares, sem descrever tecnicamente o funcionamento interno das ferramentas digitais.

Em resposta à inquietação que orientou esta pesquisa, sobre como ensinar inglês criticamente em contextos atravessados por tecnologias digitais, compreende-se que o desafio está em tornar essas ferramentas objeto de leitura e problematização. Professor e estudantes podem construir práticas de análise que desnaturalizem os sentidos produzidos por traduções automáticas, buscadores de imagens e plataformas digitais. Assim, aprender inglês na escola pública envolve práticas de leitura, escrita e interpretação crítica de textos, imagens e discursos, transformando a experiência digital em espaço de autoria, reflexão e disputa de sentidos.

  • 1
    Todas as imagens apresentadas como dados da pesquisa, foram colhidas pelos alunos por meio do buscador do google ou o próprio padlet.
  • DECLARAÇÃO DE DISPONIBILIDADE DE DADOS DA PESQUISA
    Os dados que fundamentam este estudo são compostos por produções escolares de estudantes, registros de observação participante e anotações em diário de campo. Por envolverem participantes menores de idade e contexto escolar específico, os dados não estão disponíveis publicamente, a fim de preservar o anonimato, a privacidade e os princípios éticos da pesquisa.
  • DECLARAÇÃO DE USO DE IA
    A autora declara que utilizou ferramentas de Inteligência Artificial apenas como apoio pontual à revisão linguística, organização textual e aprimoramento da clareza da redação. A concepção da pesquisa, a geração e análise dos dados, a interpretação teórica e a versão final do artigo são de responsabilidade exclusiva da autora.

REFERÊNCIAS

  • ANDRÉ, Marli. O que é um estudo de caso qualitativo em educação? Revista da FAEEBA: Educação e Contemporaneidade, Salvador, v. 22, n. 40, p. 95-103, jul./dez. 2013. Disponível em: https://educa.fcc.org.br/pdf/faeeba/v22n40/v22n40a09.pdf Acesso em: 26 fev. 2026.
    » https://educa.fcc.org.br/pdf/faeeba/v22n40/v22n40a09.pdf
  • ARAÚJO, Júlio Cézar Dantas de; AZEVEDO, Glícia; MORAIS, Débora Praxedes. Multiletramentos no ensino de argumentação emancipadora. Linha D’Água, São Paulo, v. 36, n. 3, p. 91-105, 2023. DOI: 10.11606/issn.2236-4242.v36i3p91-105. Disponível em: https://revistas.usp.br/linhadagua/article/view/211413 Acesso em: 7 jul. 2026.
    » https://doi.org/10.11606/issn.2236-4242.v36i3p91-105» https://revistas.usp.br/linhadagua/article/view/211413
  • ARAÚJO, Willian Fernandes; SÁ, Fernanda Pires de. Educação para os algoritmos: levantamento bibliográfico e debate sobre o conceito de literacia algorítmica. Texto Livre: Linguagem e Tecnologia, v. 17, e49440, 2024.
  • BACICH, Lilian; MORAN, José. Metodologias ativas para uma educação inovadora: uma abordagem teórico-prática. Porto Alegre: Penso, 2018.
  • BARBOSA, José Paulo; SIMÕES, Paulo Henrique de Oliveira. Letramento midiático no ensino de português: a formação da contrapalavra crítica. Linha D’Água, São Paulo, v. 30, n. 2, p. 71-91, 2017. DOI: 10.11606/issn.2236-4242.v30i2p71-91. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/linhadagua/article/view/127663 Acesso em: 26 fev. 2026.
    » https://doi.org/10.11606/issn.2236-4242.v30i2p71-91» https://www.revistas.usp.br/linhadagua/article/view/127663
  • BITENCOURT, Fernanda. A constituição da autoria em práticas escolares de letramento digital. Revista Linha D’Água, São Paulo, v. 33, n. 1, p. 227–246, 2020. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/linhadagua/article/view/157374 Acesso em: 10 dez. 2025.
    » https://www.revistas.usp.br/linhadagua/article/view/157374
  • BLOMMAERT, Jan. Durkheim and the Internet: On sociolinguistics and the sociological imagination London: Bloomsbury Academic, 2018.
  • BORSATTI, Débora; BLANCO RIESS, Adriana. O uso do tradutor automático como recurso pedagógico na aula de inglês para propósitos específicos no contexto acadêmico. Revista de Estudos da Linguagem, Belo Horizonte, v. 29, n. 2, p. 829-858, 2021. DOI: 10.17851/2237-2083.29.2.829-858.
    » https://doi.org/10.17851/2237-2083.29.2.829-858
  • CAVALCANTI, Marilda do Couto. A propósito da linguística aplicada. Trabalhos em Linguística Aplicada, Campinas, n. 7, p. 5-12, 1986. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/tla/article/view/8639020 Acesso em: 8 jan. 2026.
    » https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/tla/article/view/8639020
  • COSTA, Alan Ricardo; RADÍN, Thárin Gomes. Por que o colonialismo digital é uma pauta urgente na Linguística Aplicada Brasileira? Revista do SELL, Uberaba, v. 13, n. 2, p. 71-90, 2025. DOI: 10.18554/rs.v14i2.8693. Disponível em: https://seer.uftm.edu.br/revistaeletronica/index.php/sell/article/view/8693 Acesso em: 7 jul. 2026.
    » https://doi.org/10.18554/rs.v14i2.8693» https://seer.uftm.edu.br/revistaeletronica/index.php/sell/article/view/8693
  • DA SILVA, Rodrigo Abrantes. New Literacies, New Learning: Cyber-Social Pedagogies in the Brazilian Context Champaign, IL: Common Ground Research Networks, 2025.
  • DUBOC, Ana Paula Martinez. Letramento crítico nas brechas da sala de línguas estrangeiras. In: Letramento em terra de Paulo Freire. Campinas: Pontes, 2014.
  • FABRÍCIO, Branca Falabella. Linguística Aplicada como prática de desaprendizagem: desfazendo verdades para construir alternativas. In: MOITA LOPES, Luiz Paulo da (org.). Linguística Aplicada na modernidade recente: festschrift para Antonieta Celani São Paulo: Parábola Editorial, 2013. p. 71-90.
  • FERRAZ, Daniel; DUBOC, Ana Paula; MENEZES DE SOUZA, Lynn Mario. Pesquisas, políticas e práticas educacionais em curso: conversa com Ana Paula Duboc e Lynn Mario Menezes de Souza sobre heterogeneidade e normatividade. Trabalhos em Linguística Aplicada, Campinas, SP, v. 59, n. 3, p. 2330-2355, 2020. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/tla/article/view/8660014 Acesso em: 25 fev. 2026.
    » https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/tla/article/view/8660014
  • LEÃO, Roberta Gomes; FINARDI, Kyria Rebeca. Digital Technologies in L2 teaching-learning in Brazil: A Critical Content Analysis. Education and Linguistics Research, v. 7, n. 1, p. 14-34, 2021. DOI: 10.5296/elr.v7i1.18304. Disponível em: https://www.macrothink.org/journal/index.php/elr/article/view/18304 Acesso em: 7 jul. 2026.
    » https://doi.org/10.5296/elr.v7i1.18304» https://www.macrothink.org/journal/index.php/elr/article/view/18304
  • LEE, Sangmin. The impact of using machine translation on EFL students’ writing. Computer Assisted Language Learning, v. 33, n. 3, p. 157-178, 2020. DOI: https://doi.org/10.1080/09588221.2018.1553186.
    » https://doi.org/10.1080/09588221.2018.1553186
  • LUKE, Allan; DOOLEY, Karen. Critical literacy and second language learning. In: SIMPSON, Jennifer (org.). The Routledge Handbook of Applied Linguistics. London: Routledge, 2011. p. 55-77. DOI: 10.4324/9780203836507-58. Disponível em: https://www.taylorfrancis.com/chapters/edit/10.4324/9780203836507-58/critical-literacy-second-language-learning-allan-luke-karen-dooley Acesso em: 7 jul. 2026.
    » https://doi.org/10.4324/9780203836507-58» https://www.taylorfrancis.com/chapters/edit/10.4324/9780203836507-58/critical-literacy-second-language-learning-allan-luke-karen-dooley
  • KRESS, Gunther; VAN LEEUWEN, Theo. Reading Images: The Grammar of Visual Design. 2. ed. London: Routledge, 2006.
  • MENEZES DE SOUZA, Lynn Mario T. de. Da escola às ruas: letramento e transformação. Revista Brasileira de Educação, v. 11, n. 32, p. 94-103, 2006. DOI: 10.1590/S1413-24782006000100008.
    » https://doi.org/10.1590/S1413-24782006000100008
  • MISA, Mária. Multiliteracies pedagogy: A case study of critical reading in ELT classroom by implementing situated practice. English Review: Journal of English Education, v. 11, n. 2, p. 70-80, 2023. DOI: 10.25134/ERJEE.V11I2.7918.
    » https://doi.org/10.25134/ERJEE.V11I2.7918
  • MOITA LOPES, L. P. da. Por uma Linguística Aplicada indisciplinar. São Paulo: Parábola Editorial, 2006.
  • MOITA LOPES, Luiz Paulo da (org.). Linguística Aplicada na modernidade recente: festschrift para Antonieta Celani São Paulo: Parábola Editorial, 2013.
  • MONTE MÓR, Walkyria. Critical literacy and teacher education: Contributions from the Brazilian context. Critical Literacy: Theories and Practices, v. 13, n. 2, p. 17-29, 2019.
  • NORTON, Bonny. Identity and Language Learning: Extending the Conversation. 2. ed. Bristol: Multilingual Matters, 2013. DOI: 10.21832/9781783090563.
    » https://doi.org/10.21832/9781783090563
  • PARANÁ. Secretaria de Estado da Educação do Paraná. Estado entrega 25 mil tablets e 2,8 mil carrinhos de recarga para escolas da rede estadual. 1 jul. 2025. Disponível em: https://nreparanavai.educacao.pr.gov.br/noticias/seed/473b0a6f-a76e-4589-b23b-32352e207a93 Acesso em: 26 fev. 2026.
    » https://nreparanavai.educacao.pr.gov.br/noticias/seed/473b0a6f-a76e-4589-b23b-32352e207a93
  • PENNYCOOK, Alastair. Critical Applied Linguistics: A Critical Re-introduction. London: Routledge, 2021. DOI: 10.4324/9781003090571.
    » https://doi.org/10.4324/9781003090571
  • RAJAGOPALAN, Kanavillil. Por uma linguística aplicada indisciplinar. São Paulo: Parábola, 2003.
  • RAJAGOPALAN, Kanavillil. Política e política linguística: por uma reavaliação do papel do inglês no mundo contemporâneo. São Paulo: Parábola, 2010.
  • ROJO, Roxane Helena. Letramentos múltiplos, escola e inclusão social. São Paulo: Parábola Editorial, 2013.
  • TAGATA, William Mineo; RIBAS, Fernanda Costa. Rethinking digital literacy practices and educational agendas in times of Covid-19 uncertainty. Revista Brasileira de Linguística Aplicada, v. 21, n. 2, p. 399-431, 2021. DOI: 10.1590/1984-6398202117285.
    » https://doi.org/10.1590/1984-6398202117285
  • THE NEW LONDON GROUP. A pedagogy of multiliteracies: Designing social futures. Harvard Educational Review, v. 66, n. 1, p. 60-92, 1996.
  • THIOLLENT, Michel. Metodologia da pesquisa-ação. 18. ed. São Paulo: Cortez, 2011.
  • ZUBOFF, Shoshana. A era do capitalismo de vigilância: a luta por um futuro humano na nova fronteira do poder Rio de Janeiro: Intrínseca, 2021.
  • Editora-chefe
    Simone Tiemi Hashiguti

Disponibilidade de dados

Os dados que fundamentam este estudo são compostos por produções escolares de estudantes, registros de observação participante e anotações em diário de campo. Por envolverem participantes menores de idade e contexto escolar específico, os dados não estão disponíveis publicamente, a fim de preservar o anonimato, a privacidade e os princípios éticos da pesquisa.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    27 Jul 2026
  • Data do Fascículo
    2026

Histórico

  • Recebido
    03 Mar 2026
  • Aceito
    10 Jun 2026
location_on
UNICAMP. Programa de Pós-Graduação em Linguística Aplicada do Instituto de Estudos da Linguagem (IEL) Rua Sérgio Buarque de Holanda, n.571 - Cidade Universitária - CEP: 13083-859, Telefone: (+55) 19 - 3521-6729 - Campinas - SP - Brazil
E-mail: tla@unicamp.br
rss_feed Acompanhe os números deste periódico no seu leitor de RSS
Ir para o topo Reportar erro