Considerando as periferias urbanas como um tema vívido e complexo, busco neste artigo articular uma chave conceitual - narrativas sônicas - que possa fornecer ideias relevantes sobre as dinâmicas da vida periférica. Tento apresentar a dimensão sônica no locus da pesquisa, a Cohab Feitoria, um bairro frequentemente narrado como da classe trabalhadora na região metropolitana de Porto Alegre, RS, Brasil, e, a partir daí, o percurso narrativo musical de um grupo de rap, o Mesclã. A partir desse contexto, as performances do grupo emergem como narrativas sônicas, enfrentando desafios e respondendo por meio de estratégias sociomusicais moldadas pela sua condição enquanto rappers do sul do Brasil. É possível afirmar que as narrativas sônicas da Cohab dinamizam a vida na periferia urbana, fazendo sentido onde há ‘tiros daqui e de lá’, tanto literal quanto simbolicamente; sons de ‘aqui e de lá’ também se tornam entidades sônicas que reverberam a própria existência dos/as cohabeiros/as e o sentimento de pertencimento imerso em um ethos sônico.
Palavras-chave:
narrativas sônicas; rap; performances musicais; COHAB; periferias urbanas