Open-access As cartas do capitalismo extrativo e os usos empresariais da escrita

O presente artigo tem por fim, discutir cartas públicas como uma das estratégias de agentes do capitalismo extrativo em adotar o discurso da sustentabilidade como forma de se distanciar do antiambientalismo autoritário do governo brasileiro 2019-2022. A pesquisa foi realizada através da revisão bibliográfica de debates evocando as categorias de análise ambientalização, agronegócio/neoextrativismo e capital reputacional, assim como sobre os usos sociais da escrita; foram consultadas fontes secundárias como sítios eletrônicos das empresas e grupos econômicos selecionados, clipping de notícias, e meios de comunicação. Uma fonte central de análise, que justifica a especificidade do trabalho, foram as cartas dirigidas indiretamente, por meios públicos de comunicação, ao governo Jair Bolsonaro. Conclui-se que buscam legitimar a forma como os agentes empresariais pretendem organizar o mundo, produzindo uma verdade comprovada por suas palavras, que operam, por sua vez, como um sistema de alerta para a necessidade de desencobrir suas implicações políticas, socioculturais e territoriais.

Palavras-chave:
neoextrativismo; agronegócio; ambientalização; expressão escrita; capital reputacional

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