O objetivo do presente artigo é investigar a produção intelectual de Gilberto Freyre no que se refere ao luso-tropicalismo, atento ao lugar de centralidade e de exemplaridade ocupado pelo Brasil no pensamento do autor ao longo da década de 1950, início dos anos 1960, com destaque para fontes pouco exploradas, em particular, sua contribuição jornalística na revista semanal O Cruzeiro (Rio de Janeiro), da qual foi colunista regular entre 1948 e 1967. O luso-tropicalismo não é lido como mero suporte ideológico ao colonialismo português – ainda que Freyre de fato tenha emprestado apoio à ditadura liderada por António Salazar –, mas sim como uma construção discursiva que confere ao Brasil uma posição central, na qual o país é visto como destino promissor às “províncias ultramarinas”, desde que mantido o colonialismo sob prisma luso-tropical, ou seja, sob as premissas contidas no pensamento de Gilberto Freyre daquele período.
Palavras-chave
Gilberto Freyre; Luso-tropicalismo; Revista O Cruzeiro