O objetivo deste artigo é analisar as afinidades entre a crítica política desenvolvida por Eduardo Prado no final do século XIX e o pensamento histórico de José Murilo de Carvalho, um dos principais nomes da historiografia brasileira contemporânea. Não é minha intenção, tão somente, estabelecer uma discussão bibliográfica de natureza comparativa entre os dois autores, mas sim mostrar como eles compartilham um vocabulário crítico/analítico que constitui não apenas a historiografia especializada na Primeira República, mas também o pensamento social brasileiro. O texto está dividido em três partes: primeiro, examino como os autores analisaram a Proclamação da República como resultado do ressentimento dos proprietários com a abolição da escravidão e da leniência com a qual D. Pedro II teria tratado as oposições republicanas. Em seguida, me dedico às críticas que eles direcionaram ao bacharelismo, interpretado como um vício da formação social brasileira. Por último, analiso como Prado e Carvalho trataram o militarismo político como o principal defeito da República no Brasil.
Eduardo Prado; José Murilo de Carvalho; pensamento social brasileiro