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"Workshop" diversidade taxonômica e padrões de distribuição das Angiospermas brasileiras: introdução

Taxonomic diversity of Brazilian Angiosperms: introduction

"Workshop" diversidade taxonômica e padrões de distribuição das Angiospermas brasileiras introdução

Taxonomic diversity of Brazilian Angiosperms - introduction

Ana Maria GiuliettiI; Enrique ForeroII

IDepartamento de Botânica, Instituto de Biociências, Univ. São Paulo, C. P. 11461-05499 - São Paulo, SP, Brasil

IIMissouri Botanical Garden. P. O. Box 299, St. Louis, Missouri, USA

A idéia de um workshop sobre "Diversidade taxonómica das Angiospermas brasileiras", nasceu da necessidade de um maior conhecimento da flora do Brasil, enfocando diversos grupos taxonómicos, com base nas suas variações morfológicas e nos padrões de distribuição geográfica. A metodologia para se atingir tal objetivo seria através da apresentação e discussão de trabalhos, sobre mesmas famílias de Angiospermas; estudadas isoladamente ou em conjunto por pesquisadores brasileiros e norte-americanos. Desse modo, seria possível reunir tais pesquisadores e, através da troca de dados e idéias, serem planejados projetos conjuntos, visando um melhor conhecimento da flora do Brasil.

Foram selecionadas algumas famílias de Dicotiledóneas e Monocotiledôneas, que possuíam especialistas brasileiros e norte-americanos e, apesar do escasso tempo decorrido entre a aprovação do projeto e sua realização, os pesquisadores participantes empenharam-se na preparação de suas apresentações, as quais revestiram-se do maior sucesso, onde muitos dados novos e interessantes para o conhecimento dos diversos grupos foram apresentados. Tal fato refletiu a grande experiência de tais pesquisadores, em relação às famílias de suas especialidades.

No dia 25 de janeiro de 1990, realizou-se o workshop, onde foram apresentados todos os trabalhos incluídos neste volume e mais os seguintes: Diversidade em Serjania (Sapindaceae) do Rio de Janeiro e Sudeste do Brasil, por Genise Somner da Univ. Federal Rural do Rio de Janeiro; Diversidade em Dalechampia (Euphorbiaceae), por Grady Webster da Univ. of California, Davis; Diversidade taxonómica do gênero Mabea (Euphorbiaceae), por Margareth Emmerich do Museu Nacional do Rio de Janeiro e Diversidade taxonómica em Cryptanthus (Bromeliaceae), por Gustavo Martinelli do Jardim Botânico do Rio de Janeiro.

A concretização deste workshop só foi possível graças a numerosas pessoas e instituições que nos auxiliaram desde a montagem do projeto até a publicação deste volume na Acta Botânica Brasílica. Em especial, gostaríamos de agradecer ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Brasil (CNPq) e ao Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA/OICD) , pelo apoio financeiro; à Sociedade Botânica do Brasil e ao Comitê organizador do XLI Congresso Nacional de Botânica, realizado em Fortaleza, Ceará, pelo suporte logístico, pelas instalações para a realização do evento e aprovação da publicação dos trabalhos na Acta Botânica Brasílica, e ao Missouri Botanical Garden e Universidade de São Paulo, pelo apoio institucional à coordenação do evento.

O Brasil é considerado como o país de flora mais rica do globo, com cerca de 60.000 espécies, das cerca de 155.000 reconhecidas entre as Angiospermas tropicais (Prance 1977). Tal fato está certamente relacionado à vasta extensão de mais de 8.500.000 km e grande diversidade de clima, solo e geomorfologia, produzindo como resultado final uma grande variedade de tipos de vegetação.

Cada um desses tipos de vegetação, inclui uma grande diversidade de famílias, gêneros e espécies de Angiospermas, os quais, com diferentes hábitos, formas de vida e adaptação biológicas e, associando-se a todos os outros organismos, caracterizam cada um dos ecossistemas brasileiros.

O interesse pela flora do Brasil é muito antigo, podendo ser citadas as obras de Piso e Marcgrave no livro Historia Naturalis Brasiliae, publicado em 1648 em Amsterdam, as de Manuel Arruda Camara entre 1800 e 1810 e reunidas por Mello (1982) e a Florae Fluminensis de J. M. Vellozo publicada em 1829, entre outras. Essa época e até o final do século XIX, foi caracterizada pela presença dè botânicos estrangeiros, que vinham da Europa com o objetivo de observar as paisagens e a flora e organizar coleções botânicas que seriam depositadas em herbários europeus. Assim são famosas as coleções de Riedel (1821-35), depositadas em Leningrado, as de Sellow (1815-17), em Berlim; as de St. Hilaire (1816-22), em Paris; as de Pohl (1817-21) em Viena; as de Gardner (1836-41), em Kew e as de Martius (1817-20) em Munique. O estudo dessas coleções possibilitou a publicação da "Flora Brasiliensis" editada por Martius, Eichler & Urban entre 1840-1906, com cerca de 23.000 espécies descritas, das quais 5.939 eram novas para a ciência.

No final do século passado, e início deste, estabeleceram-se no Brasil alguns botânicos, que realizaram coletas mais ou menos intensivas em determinadas áreas, porém os espécimes foram normalmente remetidos para a Europa, para identificação e inclusão nos herbários. Desse período podem ser citados como exemplos: Riedel, que foi diretor do herbário e chefe da seção de botânica do Museu Nacional, entre 1841 e 1861; Schwacke em Ouro Preto e outras cidades de Minas Gerais; Regnell em Caldas (MG) e Mato Grosso; Glaziou em Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais e arredores do Rio de Janeiro e Barbosa Rodrigues no Rio de Janeiro. A criação dos herbários do Museu Nacional e do Jardim Botânico do Rio de Janeiro no início do século XIX, serviu como estímulo para a formação e reunião de botânicos brasileiros e estrangeiros e também para o depósito de espécimes herborizados.

A partir dos anos 20 destacam-se vários taxonomistas no Brasil, podendo ser referidos, entre outros, Frederico C. Hoehne e João G. Kulhmann em São Paulo; Alvaro da Silveira e Henrique de Mello-Barreto em Minas Gerais; A. C. Brade, Liberato Barroso e posteriormente Graziela Maciel Barroso no Rio de Janeiro e mais recentemente Dardano de Andrade-Lima em Recife.

Deve ser destacado que em 1957 foi criado o primeiro curso de especialização em Sistemática de Fanerógamas, no Museu Nacional do Rio de Janeiro. Esse curso, com duração de três anos, era ministrado especialmente por Alberto Castellanos e teve como alunos alguns dos botânicos que hoje formam os jovens taxonomistas brasileiros, como: J. Fontella, M. Emmerich, J. P. Carauta, E. Santos, entre outros. Paralelamente a esse curso, a formação de recursos humanos no Brasil, continuava sendo feita de forma individual e entre outros podem ser destacados: Graziela Maciel Barroso no Rio de Janeiro, Dardano de Andrade-Lima em Pernambuco, Aylthon Brandão Joly em São Paulo e A. Schultes no Rio Grande do Sul. A partir de 1970 foram criados vários cursos de pós-graduação em Botânica e dos 11 cursos existentes atualmente, pelos menos 7 deles oferecem área de concentração em taxonomía de angiospermas.

O enfoque taxonómico dado aos trabalhos desenvolvidos no Brasil, varia desde estudos florísticos com a abrangência de todo o país, até levantamentos florísticos mais regionais, seja delimitados por divisão geopolítica, seja por um determinado ecossistema.

No início dos anos 70, foi criado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, o Projeto Flora, que tinha por objetivo a formação de um banco de dados, o mais completo possível, das espécies do Brasil, coletado através dos espécimes de todos os herbários do país. O projeto levantou dados de grande número de herbários do Norte, Nordeste e Centro-Oeste, porém, devido a problemas operacionais, foi interrompido.

A flora de Angiospermas do Brasil está distribuída em diversos ecossistemas, dos quais mencionaremos, aqui, alguns mais evidentes.

A região amazônica compreende diferentes tipos de vegetação que inclui diversos tipos de florestas, além de campinas nas áreas mais abertas e floras rupestres nas serras.

Prance (1978, 1982) reconhece vários centros de endemismos na Amazônia brasileira tais como os de: Imerí, São Paulo de Olivença, Tefé, Manaus, Trombetas, Belém, Tapajós, Rondônia-Aripuana e nordeste do Acre. Nelson et al. (1989) consideram que alguns desses centros de endemismos poderiam ser artefatos, pois tratam-se das áreas onde tem ocorrido maior concentração de coletas.

Atualmente estão em andamento na região, além do projeto flora amazônica, estudos florísticos detalhados da Reserva Ducke; da Serra dos Carajás (Silva & Rosa 1989) de onde foram descritas novas espécies como por exemplo Ipomoea marabaensis por Austin & Secco (1988) ePicramnia férrea por Pirani & Thomas (1988), e algumas áreas de florestas de Rondônia (Lisboa 1989).

A região das caatingas inclui grande parte de praticamente todos os Estados do Nordeste exceto Maranhão, e alcança o norte de Minas Gerais. A vegetação é muito típica, composta por plantas geralmente arbóreas e caducifólias além de xerófitas terrestres. Existe um aumento do grau de xerofitismo na direção leste-oeste, que é quebrado pelos vários "brejos" (floresta plúvio-nebular) e pelas Chapadas do Araripe entre Pernambuco e Piauí e Chapada Diamantina na Bahia.

A flora arbórea das caatingas é considerada como tendo poucos endemismos e está relacionada com a flora do Chaco da Argentina e Paraguai. Andrade-Lima (1981) cita alguns exemplos de espécies que ocorrem nas duas áreas como Prosopis juliflora (Sw.) DC, Anadenanthera colubrina (Vell.) Brenan e Amburana cearensis (Fr. Allemão) A. C. Smith. Podem ocorrer também nas duas regiões, espécies muito próximas, como por exemplo as duas únicas espécies de Patagonula (Boraginaceae), sendo P. americana L. distribuída do Paraná até a Argentina e P. bahiensis Moric. das caatingas próximas de Bom Jesus da Lapa na Bahia (Harley com. pess.).

Rizzini (1979) refere que os únicos gêneros autóctones das caatingas são: Fraunhofera (Celastraceae), Auxemma (Boraginaceae) e Xerotecoma = Godmania (Bignoniaceae). Alvimiantha, um gênero de Rhamnaceae recentemente descrito por Wilson (1978), tem distribuição restrita a Bahia e Pernambuco. Entre as herbáceas pode ser destacado o gênero Dizygostemon (Scrophulariaceae) com apenas duas espécies, sendo D. angustifolium Giul. de Pernambuco e D. floribundum Benth. do Piauí (Giulietti & Wanderley 1972).

Como foi referido anteriormente, as caatingas são interrompidas pelos "brejos", que são florestas plúvio-nebulares perenifólias que ocorrem nos altos de algumas serras do Nordeste. Em Pernambuco, segundo Andrade-Lima (1970) os principais são: da Serra Negra de Bezerros; de Taquaritinga do Norte; da Serra do Vento e do Brejo da Madre de Deus nesse município; da Serra dos Cavalos em Caruaru; da Serra do Jenipapo em Sanharó; da Serra do Ororubá em Pesqueira, da Serra da Baixa Verde em Triunfo e da Chapada do Araripe. Quando esses brejos atingem altitude em torno de 800-900 m, estabelecem-se espécies arbóreas muito associadas com as do Leste-Sul brasileiros como por exemplo: Lamanonia speciosa (Camb.) L. B. Smith (Cunnoniaceae), Prunus sphaerocarpa Sw. (Rosaceae), Apeiba tibourbou Aubl. (Tiliaceae), Podocarpus sellowii Klotzsch ex Endi. e P. lambertii Klotzsch ex Endi. (Podocarpaceae), Huberia ovalifolia DC. (Melastomataceae) e Peltophorum dubium (Spreng.) Taub. (Leg. Caesalpinioideae) (Andrade-Lima 1970, 1981, 1989).

Nos locais de mais baixos índices pluviométricos, em solos rasos e com afloramentos rochosos encontram-se os exemplos mais típicos da caatinga xerofítica, rica em plantas carnosas, espinhosas e áfilas, com predominância de Cactaceae e Bromeliaceae.

Durante os curtos períodos chuvosos, a água da chuva pode ser acumulada em depressões, formando lagoas temporárias. Tais lagoas são geralmente salobras e desenvolve-se aí uma flora efêmera, constituída por ervas anuais, as quais algumas vezes completam todo o seu ciclo de vida em poucos dias. Essa flora está muito mal estudada, porém são encontradas por exemplo: Bacopa monnieri (L. ) Pennell (Scrophulariaceae); Callitriche deflexa A. Br. (Callitrichaceae) e Stemodia heterophylla Giul. & Souza, espécie endêmica, em publicação (Souza & Giulietti 1990).

Na zona costeira do Rio Grande do Norte até o Rio Grande do Sul com ca. de 1 milhão de km2 e 120-160 km de largura, ocorre a mata atlântica. É uma formação florestal que até um século atrás era contínua em toda a região que ocupava. Apresenta fisionomia geral similar e, em algumas áreas possui ligação florística com a floresta amazônica, testemunho das associações maiores que existiram entre os dois tipos de florestas durante o Terciário e início do Quaternário. Apesar disso, é perfeitamente caracterizada por um conjunto de espécies exclusivas, não só de plantas como de animais. Podem ser citadas como exemplos: Harleyodendron unifoliolatum R. Cowan (Leg. Papilionoideae), exclusiva das florestas da Bahia; Almeidea (Rutaceae) com suas seis espécies restritas a essa formação vegetal e Nematanthus (Gesneriaceae) que inclui 26 espécies, das quais apenas N. strigillosus (Mart.) H. E. Moore ocorre fora da floresta atlântica (Chautems 1988).

Mori (1989) reconhece quatro áreas de alto endemismo na mata atlântica que são: arredores do Rio de Janeiro, Sudeste da Bahia, Nordeste do Espírito Santo e costa de Pernambuco.

As matas em Pernambuco segundo Andrade-Lima (1970) variam de 45 km de largura no Recife, até 155 km na altura de Bom Conselho, e se instalam na faixa de pluviosidade entre 725-2316 mm anuais. Atualmente essas matas estão restritas a pequenas áreas descontínuas, muitas vezes nos altos dos morros e entremeadas por çana-de-açúcar, o que tem provocado, certamente, a extinção de grande número de espécies.

Os estudos taxonómicos mais detalhados das áreas da mata atlântida são os realizados em Santa Catarina, e apresentados na publicação da Flora Catarinense, sob a coordenação de R. Reitz e R. Klein. Segundo dados de Mori (1989), até 1979 haviam sido publicadas 96 famílias, com 1.958 espécies, das quais 314 novas para a ciência.

A vegetação de cerrado ocupa cerca de 1,5 milhão de km2, ou seja, 25% da área do Brasil, estando condicionada principalmente ao tipo de solo, geralmente pobre em nutrientes e com pH ácido. Localiza-se principalmente no Centro-Oeste, apesar de ocorrerem disjunções em certas regiões do Norte, Nordeste e Sudeste.

A fisionomia do cerrado é muito característica, com suas árvores retorcidas, com caules cobertos por espesso súber e um substrato de gramíneas e ciperáceas.

Ao longo de toda a área de distribuição dos cerrados, ocorrem espécies típicas, que ultrapassam geralmente os limites do Brasil, chegando até a Venezuela e ao Paraguai. Como exemplos podem ser citadas Byrsonima verbascifolia Rich.; B. coccolobifolia Kunth; B. crassifolia HB K (Malpighiaceae); Vochysia tucanorum Mart. e Qualea grandiflora Mart. (Vochysiaceae); Andirá humilis Mart. e Bowdichia virgilioides HB K (Leguminosae); Curatella americana L. e Davilla elliptica St. Hil. (Dilleniaceae). Richardson (1978) considera que cerca de 3.000 espécies, da flora do planalto central brasileiro, são endêmicas dos tipos de vegetação aí existentes.

Eiten (1972) fez um estudo detalhado sobre a vegetação dos cerrados do Brasil, enfocando aspectos do clima, solo, vegetação e ação do fogo. Ferri (1967) descreve e ilustra as principais espécies desse tipo de vegetação.

As montanhas do Brasil, com altitudes acima de 1.000 m localizam-se principalmente no Sudeste, em substrato de granito ou mais especialmente de quartzito, ocorrendo algumas disjunções no Centro-Oeste e Norte. No Rio de Janeiro os campos de altitude do Parque Nacional do Itatiaia foram estudados por Brade (1956) e os de outras áreas estão sendo estudados por pesquisadores do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, com alguns dados já publicados por Martinelli & Vaz (1986-88) relacionados com os padrões fitogeográficos em Bromeliaceae. Uma maior continuidade de serras encontra-se ao longo da Cadeia do Espinhaço, nos Estados de Minas Gerais e Bahia. Compreende uma área de ca. de 1.000 km de comprimento e 50-100 km de largura onde se estabelece um mosaico de comunidades dependentes da topografia local, declividade, influências micro-climáticas e natureza do substrato. Encontra-se normalmente um estrato contínuo de herbáceas, incluindo especialmente Gramineae, Eriocaulaceae, Cyperaceae e Xyridaceae, entremeado por arbustos de diversas famílias, produzindo uma grande diversidade de gêneros e espécies, muitos destes endêmicos. Os estudos nos campos rupestres estão sendo desenvolvidos por vários grupos, especialmente da Universidade de São Paulo, Universidade Federal de Minas Gerais e Royai Botanic Gardens de Kew. Vários dados já estão disponíveis ligados a grupos taxonómicos como por exemplo as floras da Serra do Cipó, MG (Giulietti et ai. 1987) e a flora de Mucugê, BA (Harley & Simmons 1986), ou a padrões de distribuição geográfica (Giulietti & Pirani 1988). Nestes trabalhos os autores referem a presença de gêneros endêmicos desse tipo de vegetação, como Pseudotrimezia (Iridaceae), com 6 espécies de Minas Gerais, Barbacenia (Velloziaceae), com 40 espécies restritas a Minas Gerais e Bahia, além de Raylea (Sterculiaceae) e Morithamnus (Compositae) só encontrados em Mucugê na Bahia. Ao nível específico, Giulietti et aí. (1987) referem que na região da Serra do Cipó em Minas Gerais, são endêmicas mais de 30% das espécies de Xyrídaceae e 45% das espécies de Velloziaceae. Este alto grau de endemismo pode ser considerado, com certa ressalva, pois à medida que novas serras são exploradas, existe a possibilidade de tais espécies terem uma distribuição mais ampla. Apesar disso, certamente, devido às condições especiais de solo e clima, ocorre nessa região uma vegetação autóctone e muito característica, com alto índice de diversidade, como mostrado por Meguro et al. (1991), que encontraram para duas áreas em Pedra Menina, município de Rio Vermelho - Minas Gerais, um índice de diversidade, H = 4.3302 (índice de Shannon).

Além dos ecossistemas mencionados, vários outros podem ser encontrados ao longo do território brasileiro e em cada um deles, problemas interessantes podem ser detectados e devem ser estudados. Os exemplos aqui apresentados mostram a grande diversidade das Angiospermas no Brasil, constituindo um recurso global e que, portanto, deve ser catalogado, usado e sobretudo preservado. Segundo Wilson (1988), três circunstâncias conspiram para dar a esses pontos uma urgência sem precedentes: a) a explosão da população humana, que está degradando o ambiente em uma taxa muito acelerada; b) a perda da diversidade pela destruição dos habitats naturais e; c) a descoberta pela ciência de novos usos para a diversidade biológica.

Desse modo, estamos em uma corrida, em busca do conhecimento e contra a destruição. Para vencermos essa batalha é imprescindível uma política de conservação e desenvolvimento, que garanta o nosso futuro e os das gerações vindouras.

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Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    14 Jun 2011
  • Data do Fascículo
    Jul 1990
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