Compreender os impactos das mudanças climáticas e das mudanças no uso da terra é essencial para antecipar os riscos ambientais na Amazônia, uma região que desempenha um papel fundamental na regulação do clima global. Este estudo teve como objetivo investigar os impactos individuais e combinados do aumento das concentrações de gases de efeito estufa (GEE) e do desmatamento sobre os extremos de temperatura na região amazônica. Foram realizados experimentos numéricos utilizando o modelo climático regional Eta, forçado por condições iniciais e de contorno do modelo global HadGEM2-ES. O cenário de aumento de GEE seguiu as projeções do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), sob o Cenário Representativo de Concentração (RCP8.5). O impacto do desmatamento foi avaliado por meio de um experimento no qual toda a floresta amazônica foi removida. O cenário combinado representa a integração do RCP8.5 com o desmatamento total. Todos os experimentos revelaram aumentos anômalos na temperatura máxima anual (TXx), temperatura mínima anual (TNx), na porcentagem de dias em que a temperatura máxima (TX) excedeu o percentil 90 (TX90p) e em que a temperatura mínima (TN) excedeu o percentil 90 (TN90p). Notavelmente, o desmatamento causou mudanças mais significativas nos índices climáticos relacionados à temperatura do que o cenário RCP8.5, com aumentos extremos de aproximadamente 6 °C a 7 °C observados em até 60% do ano. Em contraste, o cenário combinado apresentou os impactos anômalos mais intensos, com elevações de temperatura chegando a 9 °C em até 90% do ano. Em resumo, tanto o aumento de GEE quanto o desmatamento intensificam a magnitude e a frequência dos extremos de temperatura na Amazônia.
Palavras-chave:
extremos climáticos; índices de temperatura; modelo Eta; modelo global HadGEM2-ES
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