Open-access Calidad y duración del sueño en usuarios del sistema de salud pública

ape Acta Paulista de Enfermagem Acta Paul Enferm 0103-2100 1982-0194 Escola Paulista de Enfermagem, Universidade Federal de São Paulo Resumen Objetivo evaluar la calidad y tiempo de sueño en usuarios del sistema de salud pública y factores asociados. Métodos estudio transversal, realizado con 775 individuos de ambos sexos, en un municipio de la región Centro-Oeste de Brasil. Se aplicó un cuestionario semiestructurado para evaluar las características sociodemográficas, los hábitos de vida, las condiciones de salud, el binge drinking y la calidad y duración del sueño, evaluadas mediante el Índice de Calidad del Sueño de Pittsburgh. Se aplicó la regresión de Poisson para identificar los factores asociados a la mala calidad del sueño y a la duración del sueño (corta o larga). Resultados en el análisis múltiple, los factores asociados a una mala calidad del sueño fueron sexo femenino (razón de prevalencia: 1,10; intervalo de confianza de 95% − IC95% 1,05-1,16; p<0,00), binge drinking (razón de prevalencia: 1,08; IC95% 1,03-1,13; p<0,01), uso de sustancias ilícitas (razón de prevalencia: 1.06, IC95% 1.00-1.12; p=0.03), angina (razón de prevalencia: 1,10;, IC95% 1,03-1,18; p<0,01) y depresión (razón de prevalencia: 1,07 IC95% 1,00-1,14; p=0,02). La obesidad se asoció a una corta duración del sueño (razón de prevalencia: 1,10 IC95% 1,02-1,17; p<0,01). La edad > 55 años se asoció a una larga duración del sueño (razón de prevalencia: 1,39, IC95% 1,00-1,92; p=0,04). Conclusión ser mujer, tener >55 años, consumir bebida alcohólica, usar sustancias ilícitas, angina, obesidad y depresión fueron factores de riesgo para alteraciones en la calidad y duración del sueño. Los resultados del presente estudio refuerzan la necesidad de desarrollar acciones orientadas hacia la prevención de los perjuicios relacionados con las alteraciones del sueño en la población estudiada. Introdução Estima-se que a qualidade e duração de sono tenham sofrido prejuízos nas últimas décadas, em razão das demandas da vida moderna, sendo frequentemente observado na população mundial a curta duração (menor que 8 horas) e sono de má qualidade.1A literatura tem apontado que ao longo de um período de 20 anos, metade dos adultos não apresentaram duração de sono satisfatória, e um sexto manifestou hipersonia.2O sono insatisfatório interfere negativamente na saúde humana e, se não tratado, pode resultar em doenças graves.3 Diversos estudos têm revelado os mecanismos fisiológicos do sono e suas alterações.4,5 Distúrbios advindos do sono acontecem quando sua duração e qualidade são alterados, o que tem sido associado a doenças crônicas e à morbimortalidade, além de ser fator influenciador nas relações sociais.6,7 A qualidade de sono, na contemporaneidade, decorre de rápidas transformações econômicas e sociais, e expõe o indivíduo a um sono de má qualidade. São elas: eventos de estresse, trabalhos em horários prolongados, refeição irregular, carência de exercícios físicos, hábitos de fumar, ingestão de bebida alcoólica e doenças crônicas.4,8 Ao mesmo tempo, a qualidade do sono dos indivíduos sofre influências de cunho sociocultural,9,10tendo como fatores de risco distúrbios emocionais, comorbidades e idade, sendo mais prevalente em mulheres.11 Assim, prejuízos qualidade do sono têm sido associados a: ausência de atividade física, tabagismo e consumo de álcool, comportamento sedentário e sofrimento psicológico.11 Embora o sono seja frequentemente investigado na população,1,2,4 ações dos serviços de saúde voltadas seu cuidado muitas vezes são negligenciadas. Neste sentido, os distúrbios do sono têm merecido atenção no âmbito da saúde pública, uma vez que a boa qualidade do sono propicia melhor saúde e bem-estar, e representa um processo biológico primordial para a saúde física e mental.12 Diante do exposto, e pela relevância do tema para a promoção e prevenção de agravos crônicos à saúde, o presente estudo objetivou avaliar a qualidade e duração de sono entre usuários da rede pública de saúde e fatores associados. Métodos Estudo transversal, realizado com usuários de dispositivos de saúde em um município de médio porte, referência na atenção à saúde para 11 outros municípios, localizado na região Centro-Oeste do Brasil. Os dados foram coletados entre os meses de março a outubro de 2016, na Atenção Primária à Saúde em três unidades de saúde da família (ESF), duas unidades básicas de saúde (UBS) e uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA 24h); na Atenção de Média Complexidade à saúde abarcou-se dois hospitais gerais e um hospital Materno-Infantil. Para o cálculo amostral, considerou-se a população de 67 mil habitantes no município da investigação dentro da faixa etária escolhida, conforme os critérios de inclusão, a prevalência antecipada de qualidade de sono ruim de 38%,13 o poder estatístico de 80% (β= 20%), o grau de significância de 5% (α= 0,05) e o efeito de desenho de 3,0, 10% de acréscimo para possíveis perdas e totalizando uma amostra probabilística de 777 indivíduos. Incluíram-se pacientes com idade ≥18 anos, de ambos os sexos, residentes no município, usuários do sistema de saúde pública local e sem diagnóstico médico prévio de distúrbio de sono. Excluíram-se os indivíduos em estado aparente de confusão mental, após a realização de breve exame físico. Antecedendo a coleta de dados, realizou-se o teste piloto com dez indivíduos que estavam nos serviços de saúde, porém não residentes no município. A coleta de dados foi conduzida por entrevista face a face em ambiente privativo cedido pelos gestores dos serviços de saúde. Aplicou-se instrumento semiestruturado, que contemplava informações sociodemográficas, hábitos de vida e condições de saúde. A qualidade do sono foi avaliada pelo Índice de Qualidade de Sono de Pittsburgh, validado no Brasil em 2011. Este índice avalia a qualidade do sono no último mês, sendo composto por 19 perguntas autoavaliadas e cinco direcionadas aos cônjuges ou parceiros de quarto. As 19 questões iniciais classificam-se em sete componentes, que recebem a pontuação de zero a 3: qualidade do sono subjetiva, latência do sono, duração do sono, sono habitual, distúrbios do sono, uso de medicação para dormir e disfunção diurna. Sua pontuação final oscila de zero a 21 pontos. Escore >5 indica qualidade de sono ruim.14 Foram consideradas três variáveis dependentes provenientes do Índice de Qualidade de Sono de Pittsburgh: “qualidade do sono ruim”, com escore >5; “curta duração do sono”, definida como 6 ou menos horas de sono diária; e “longa duração do sono”, entendida como mais de 8 horas de sono diárias.14 Consideraram-se como variáveis independentes: sexo (masculino e feminino); idade (≤55 e >55 anos); estado marital (sem companheiro e com companheiro); escolaridade (>8 e ≤8 anos); renda familiar categorizada em estratos econômicos: C1=R$2.705,00 (>2.705.00 e ≤ 2.705,00), entre os demais (A=R$20.888,00, B1=R$9.254,00, B2=R$4.852,00, C2=R$1.625,00, D-E=R$768,00);15ter filhos (não e sim); cor da pele (branca e não branca); emprego (formal e informal); morar com amigos (não e sim); morar somente com filhos (não e sim); atendimento na Unidade de Atenção Secundária à Saúde (não e sim); e relato de binge drinking (não e sim). O binge drinking refere-se ao consumo excessivo de álcool, sendo, para o sexo feminino, ≥4 doses de álcool e, para o masculino, ≥5 em uma mesma ocasião,16 além do uso de drogas ilícitas (não e sim) e presença de condições e os agravos crônicos não transmissíveis (angina, colesterol aumentado e hipertensão arterial sistêmica autoreferida). A obesidade foi verificada pelo cálculo do índice de massa corporal. Foram considerados obesos indivíduos com índice de massa corporal >30kg/m2.17O peso foi mensurado por meio de uma balança digital e a altura foi identificada através do estadiômetro. A variável ter ansiedade foi obtida por meio da pergunta “você já fez tratamento ou recebeu o diagnóstico médico de ansiedade? E depressão, você já fez tratamento ou recebeu o diagnóstico médico de depressão?” Os dados foram digitados em planilha eletrônica em dupla entrada e, posteriormente, analisados com apoio do software STATA versão 12.0. As variáveis quantitativas foram analisadas por média, intervalo de confiança de 95% (IC95%) e desvio padrão; as categóricas, em números absolutos, prevalências e IC95%. Nas análises bivariada e múltipla, aplicou-se regressão de Poisson, e a medida de efeito foi a razão de prevalência. O teste do qui-quadrado verificou as diferenças entre as proporções na análise bivariada. As variáveis independentes que apresentaram na análise bruta p<0,10 foram submetidas ao modelo de múltiplo. Nele, as variáveis com p<0,05 foram considerados associadas. A pesquisa faz parte de um projeto matricial intitulado: Doenças relacionadas ao coração e outros agravos à saúde entre fumantes no sudeste goiano e foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Goiás, sob o parecer 2.331.604 e respeitou os princípios éticos da Resolução do Conselho Nacional de Saúde nº 466/2012. Resultados Participaram da presente investigação 775 indivíduos. Houve a perda de dois indivíduos, sem impacto, pois isso estava dentro da possibilidade das perdas amostrais. Mais da metade da amostra (53,9%; IC95% 50,1-57,6) era do sexo feminino. Em relação à idade dos participantes, a média foi de 39,7 anos (IC95% 38,61-40,77; desvio padrão de 14,8). A escolaridade média foi de 9,7 anos (IC95% 9.40-10.06; desvio padrão de 4,5). A renda média encontrada foi de R$2.777,33 (IC95% 2.559,49-3.024,97; desvio padrão R$2.947,64). A prevalência para a qualidade de sono ruim, pelo escore do Índice de Qualidade de Sono de Pittsburgh, foi de 57,4% (IC95% 53,8-60,9). A prevalência para curta duração de sono foi de 9,3% (IC95% 7,4-11,1) e a de longa duração de sono foi 24,9% (IC95% 21,8-28,4). Os fatores associados às variáveis dependentes do estudo, na análise bivariada, são evidenciados na tabela 1. Tabela 1 Análise bivariada das variáveis dependentes relativas ao qualidade e duração de sono com variáveis independentes sociodemográficos, hábitos de vida e condição de saúde Variáveis Todos* Qualidade do sono ruim p-value Curta duração do sono Valor de p Longa duração do sono p-value n(%) RP (IC95%) n(%) RP (IC95%) n(%) RP (IC95%) Sexo Masculino 359 178 (49,6) 1,0 89 (24,8) 1,0 96 (26,7) 1,0 Feminino 416 267 (64,2) 1,10 (1,05-11,16) 0,00 104 (25,0) 1,01 (0,97-1,05) 0,40 109 (26,2) 0,97 (0,77-1,23) 0,86 Idade, anos ≤55 650 380 (58,5) 1,0 176 (27,1) 1,0 155 (23,9) 1,0 >55 125 65 (52,0) 0,95 (0,90-1,02) 0,19 17 (13,5) 0,89 (0,84-0,94) 0,00 50 (39,7) 1,66 (1,28-2,14) 0,00 Estado marital Sem parceiro 395 224 (56,7) 1,0 104 (26,3) 1,0 110 (27,8) 1,0 Com parceiro 377 220 (58,4) 1,01 (0,96-1,05) 0,64 88 (23,4) 0,97 (0,93-1,02) 0,35 93 (24,7) 0,89 (0,70-1,19) 0,33 Escolaridade, anos >8 478 264 (55,2) 1,0 134 (28,0) 1,0 111 (23,2) 1,0 ≤8 297 181 (60,9) 1,03 (0,99-1,08) 0,11 59 (19,9) 0,93 (0,89-0,98) 0,00 94 (31,6) 1,36 (1,07-1,72) 0,00 Renda familiar, R$ >2.705,00 315 192 (60,9) 1,0 87 (27,6) 1,0 69 (21,9) 1,0 ≤2.705,00 460 253 (55,0) 0,96 (0,92-1,00) 0,09 106 (23,0) 0,96 (0,91-1,01) 0,15 136 (29,6) 1,34 (1,04-1,73) 0,02 Filhos Não 257 139 (54,1) 1,0 77 (30,0) 1,0 58 (22,6) 1,0 Sim 518 306 (59,1) 1,03 (0,98-1,08) 0,19 116 (22,4) 0,94 (0,89-0,99) 0,02 147 (28,4) 1,25 (0,96-1,63) 0,09 Cor da pele Não branca 541 305 (56,4) 1,0 128 (23,7) 1,0 154 (28,5) 1,0 Branca 234 140 (59,8) 1,02 (0,97-1,07) 0,36 65 (27,7) 1,03 (0,97- 1,08) 0,24 51 (21,7) 0,76 (0,57-1,00) 0,05 Emprego Formal 318 194 (61,0) 1,0 82 (23,8) 1,0 81 (25,5) 1,0 Informal 457 251 (54,9) 0,96 (0,92-1,00) 0,09 111 (24,3) 0,98 (0,94-1,03) 0,63 124 (27,1) 1,06 (0,83-1,35) 0,60 Mora com amigos Não 743 432 (58,1) 1,0 187 (25,1) 1,0 200 (26,9) 1,0 Sim 32 13 (40,6) 0,88 (0,78-1,00) 0,06 6 (18,7) 0,94 (0,84-1,06) 0,37 5 (25,6) 0,58 (0,25-1,31) 0,19 Mora com crianças Não 711 401 (56,4) 1,0 174 (24,5) 1,0 191 (26,9) 1,0 Sim 64 44 (68,7) 1,07 (1,00-1,15) 0,03 19 (29,7) 1,04 (0,95-1,14) 0,37 14 (21,9) 0,81 (0,50-1,31) 0,40 Atendimento na UASS Não 432 236 (54,9) 1,0 115 (26,5) 1,0 113 (26,1) 1,0 Sim 343 209 (61,0) 1,04 (0,99-1,08) 0,07 78 (22,8) 0,97 (0,92-1,01) 0,22 92 (26,9) 1,03 (0,81-1,30) 0,80 Binge drinking Não 423 221 (55,2) 1,0 100 (23,6) 1,0 121 (28,6) 1,0 Sim 352 224 (63,6) 1,07 (1,02-1,12) 0,00 93 (26,4) 102 (0,97-1,07) 0,37 84 (23,9) 0,83 (0,65-1,06) 0,13 Uso de substância ilícita Não 671 375 (55,9) 1,0 161 (24,0) 1,0 180 (26,8) 1,0 Sim 104 70 (67,3) 1,07 (1,01-1,12) 0,00 32 (30,8) 1,05 (0,98-1,13) 0,15 25 (24,0) 0,89 (0,62-1,28) 0,55 Angina Não 723 404 (55,9) 1,0 175 (24,2) 1,0 193 (26,7) 1,0 Sim 52 41 (78,8) 1,14 (1,07-1,22) 0,00 18 (34,6) 1,08 (0,98-1,19) 0,11 12 (23,1) 0,86 (0,51-1,44) 0,57 Colesterol aumentado Não 699 394 (56,4) 1,0 175 (25,1) 1,0 185 (26,5) 1,0 Sim 76 51 (67,1) 1,06 (0,99-1,14) 0,05 18 (23,4) 0,98 (0,90-1,06) 0,74 20 (26,0) 0,97 (0,65-1,45) 0,92 Hipertensão arterial sistêmica Não 525 348 (55,7) 1,0 160 (25,6) 1,0 149 (23,9) 1,0 Sim 150 97 (64,7) 1,05 (1,00-1,11) 0,03 33 (21,8) 0,96 (0,91-1,03) 0,32 56 (37,1) 1,55 (1,20-1,99) 0,00 Obesidade† Não 645 363 (56,3) 1,0 149 (23,1) 1,0 178 (27,6) 1,0 Sim 121 78 (64,5) 1,05 (0,99-1,11) 0,08 42 (34,7) 1,09 (1,02-1,17) 0,01 27 (22,3) 0,80 (0,56-1,15) 0,24 Depressão Não 697 384 (55,1) 1,0 178 (25,6) 1,0 177 (25,4) 1,0 Sim 78 61 (78,2) 1,14 (1,08-1,21) 0,00 15 (19,0) 0,94 (0,87-1,02) 0,17 28 (35,4) 1,39 (1,00-1,92) 0,04 Ansiedade Não 718 406 (56,5) 1,0 180 (25,0) 1,0 192 (26,7) 1,0 Sim 57 39 (68,4) 1,07 (0,99-1,16) 0,05 13 (22,8) 0,98 (0,89-1,07) 0,69 13 (22,8) 0,85 (0,52-1,39) 0,52 * Número de respostas válidas; † indivíduos com índice de massa corporal >30kg/m2. RP – razão de prevalência; IC95% − intervalo de confiança de 95%; UASS − unidade de atenção secundária à saúde Na análise bivariada, as variáveis associadas ao desfecho qualidade de sono ruim foram sexo feminino; morar com crianças; binge drinking; uso de substância ilícita; angina; colesterol aumentado; hipertensão arterial sistêmica; depressão e ansiedade. Quanto à variável desfecho curta duração de sono, associaram-se idade >55 anos; escolaridade ≤ 8 anos; ter filhos e obesidade. Idade >55 anos; escolaridade ≤8 anos; renda ≤R$2.705,00; cor da pele branca; hipertensão arterial sistêmica e depressão associaram-se à variável longa duração de sono. A tabela 2 apresenta a análise múltipla dos fatores associados às variáveis dependentes deste estudo. Tabela 2 Análise múltipla dos fatores associados às variáveis dependentes de qualidade e duração de sono alteradas Variáveis RP ajustada (IC95%)* p-value Qualidade do sono ruim Sexo 1,10 (1,05-1,16) 0,00 Renda familiar 0,96 (0,92-1,01) 0,13 Trabalho 0,96 (0,92-1,00) 0,08 Mora com amigos 0,90 (0,80-1,02) 0,11 Mora com filhos 1,02 (0,95-1,10) 0,53 Atendimento na UASS 1,02 (0,98-1,07) 0,28 Binge drinking 1,08 (1,03-1,13) 0,00 Uso de substâncias ilícitas 1,06 (1,00-1,12) 0,03 Angina 1,10 (1,03-1,18) 0,00 Colesterol total aumentado 1,01 (0,94-1,08) 0,76 Hipertensão arterial sistêmica 1,02 (0,97-1,09) 0,34 Obesidade 1,03 (0,97-1,09) 0,27 Depressão 1,07 (1,00-1,14) 0,02 nsiedade 1,01 (0,93-1,09) 0,74 Curta duração do sono Idade, anos 0,96 (0,91-1,01) 0,19 Mora somente com os filhos 0,96 (0,91-1,01) 0,18 Obesidade 1,10 (1,02-1,17) 0,00 Longa duração do sono Idade, anos 1,39 (1,00-1,92) 0,04 Escolaridade 1,09 (0,83-1,42) 0,52 Renda familiar 1,27 (0,98-1,63) 0,06 Mora somente com os filhos 0,99 (0,73-1,33) 0,95 Cor da pele 0,81 (0,61-1,07) 0,15 Hipertensão arterial sistêmica 1,29 (0,98-1,70) 0,06 Depressão 0,85 (0,52-1,39) 0,52 * RP – razão de prevalência; IC95% − intervalo de confiança de 95%; UASS − unidade de atenção secundária à saúde Na análise múltipla, os fatores associados à qualidade de sono ruim foram sexo feminino, binge drinking, uso de substâncias ilícitas, angina e depressão. Curta duração do sono associou-se à obesidade. A idade foi associada à longa duração do sono. Discussão O presente estudo avaliou a qualidade e duração de sono por meio da mensuração de sua qualidade e da duração de sono por dia, com apontamentos de fatores associados, testando variáveis sociodemográficas, comportamentais e histórico de processo saúde-doença, em uma população de usuários de dispositivos de saúde, que compõem a rede de atenção à saúde de um município da Região Central do Brasil. Embora apresente algumas limitações, como em seu delineamento que impossibilita a relação causa-efeito, essa investigação inovou ao se considerar o espaço geográfico da região e ao revelar dados sobre os fatores intrínsecos e extrínsecos, que predispõem o indivíduo aos distúrbios do sono. Também, inova ao avaliar variáveis comportamentais de uso de substâncias psicoativas da população atendida na rede pública da Região Central do Brasil, que podem interferir negativamente a qualidade e duração de sono. A prevalência da má qualidade de sono da presente investigação foi de 57,4%. As prevalências de sono ruim são variadas e divergentes da apontada neste estudo, e muito se deve à localidade e à população investigada. Em estudo realizado em São Paulo, a qualidade de sono ruim foi de 46,7%;18em outros dois estudos de coorte oriundos da Alemanha, a porcentagem encontrada foi de 38%13e, em Helsinque, de 72,9%.19Contudo, as variáveis associadas foram semelhantes: obesidade, sexo feminino e idade igual ou acima de 60 anos,18 bem como sintomas depressivos e alteração do humor.13,19 Considerando o sexo, verificou-se que o feminino esteve mais propenso à má qualidade de sono (razão de prevalência 1,08; IC95% 1,03-1,14; p=0,00). Em relação a esses achados, as mulheres apresentam maior probabilidade de problemas na qualidade de sono, o que é explicado por fatores sociodemográficos, como culturais, raciais e sociais.9,18 Elas se tornam mais vulneráveis também por fatores genéticos e fisiológicos, como alterações fisiológicas hormonais, desde a menstruação e a menopausa, com o eventual declínio nos estrogênios, bem como do estradiol ovariano, que interfere na disposição e na capacidade de manter suas atividades diárias, com implicações na má qualidade do sono.20,21Essa propensão se potencializa quando a mulher tem como estilo de vida ser tabagista, o uso frequentes de medicamentos e o abuso de drogas.9 Nesta pesquisa, o binge drinking foi fator de risco para a qualidade do sono ruim. Esse comportamento compulsivo pelo álcool pode ser adotado por algumas pessoas com dificuldades para adormecer; observa-se, então, o uso da substância para sanar tal limitação.22Por outro lado, a bebida alcoólica pode alterar o funcionamento do sistema de temporização circadiana, com alteração das ondas cerebrais, redução do tempo de sono na fase denominada Rapid Eyes Movement (REM) e aparecimento de episódios de insônia, além de se perturbar o período latente do sono. Do mesmo modo, ocorrem outros efeitos relacionados ao uso álcool, como comprometimento da memória, além do efeito diurético da substância, o que também provoca interrupções do sono, tornando-o fragmentado.23 Neste contexto, o consumo de álcool e o uso de substâncias ilícitas igualmente afetam o sistema de temporização circadiana, já que a maioria dos zeitgebers conhecidos (sincronizadores externos) do ritmo circadiano são prejudicados durante o uso agudo ou crônico destas substâncias psicoativas.24 Estudo realizado na China evidenciou prevalência de 68,5% para a qualidade do sono ruim em indivíduos que faziam uso de drogas ilícitas.25 A substância ilícita atua no sistema nervoso central e, consequentemente, altera a liberação de neurotransmissores que controlam o ciclo sono-vigília.4,25 Tal achado corrobora resultado desta investigação, uma vez que o uso de substâncias ilícitas associou-se à variável qualidade de sono ruim. A associação entre angina e qualidade de sono ruim, verificada na presente pesquisa, está de acordo os achados de outros estudos. Canadenses com alto escore para angina tiveram chance de 3,27 vezes maior de apresentarem qualidade do sono ruim.26Além disso, uma coorte apontou que indivíduos com duração do sono curto ou má qualidade do sono têm mais predisposição para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares (angina: 1,62% na Holanda, 8,11% Suriname no sul asiático, 5,4%na África, 5,14% em ganenses, 10,1% na Turquia e 7,35% em Marrocos; além de claudicação intermitente e infarto do miocárdio), dentre outros achados que acompanharam outras situações de saúde-doença como: obesidade, alterações hormonais e estresses, apontados como fatores de risco para o sono irregular.27 No âmbito da dimensão psíquica, a associação encontrada neste estudo tem sido apontada como fator de risco para alterações no padrão de sono. Estudo transversal realizado em Portugal, Espanha e Brasil verificou associações entre má qualidade sono e estresse, ansiedade e depressão.28A qualidade de sono pode estar relacionada com fatores socioeconômicos e culturais da população.28Quanto ao mecanismo da relação existente entre a alteração do sono e depressão, alguns estudos sugerem que as alterações psicológicas e comportamentais agravam o sono,13,29 tais como a depressão.8,30 Nesta mesma perspectiva, salientou-se que a intrínseca afinidade entre o sono e os distúrbios depressivos, juntando-se ao estresse, ou seja, a dificuldade para dormir origina períodos de vigília noturna, propensos a pensamentos intrusivos. Logo, evidenciou-se que a incapacidade de adaptação a eventos estressantes e os efeitos da excitação cognitiva e alteração da vigília noturna são responsáveis pelo aparecimento da depressão.30 Tal eventualidade relaciona-se também aos fatores hormonais, sobretudo à melatonina, responsável pelo sistema de temporização circadiana do ciclo sono-vigília. Alterações nos níveis deste hormônio associam-se aos sintomas depressivos, visto que as pessoas que apresentam distúrbios psicológicos estão mais propensas a apresentaram diminuição da necessidade do sono, hipersonia ou mesmo insônia.5 A variável obesidade associou-se à variável dependente sono curto. Corroborando os achados desta pesquisa, diversos estudos18,31 evidenciam a associação entre menor tempo de sono (<6 horas), índice de massa corporal elevado, obesidade e doenças crônicas.32,33 Sugere-se que os hormônios responsáveis pelo balanço energético durante o sono, como a leptina, a insulina, a glicose, a adiponectina, o cortisol e a grelina, apresentam níveis alterados em indivíduos com curta duração do sono, estimulando as regiões corticais a desejarem alimentos com alto teor calórico e má qualidade nutricional, predispondo-os à obesidade.34 Em relação à idade, indivíduos com idade superior a 55 anos estão mais propensos em apresentar duração de sono longa. Corroborando esse achado em investigação transversal realizada na Filadélfia, indivíduos mais velhos apresentaram maior satisfação em relação à longa duração do sono. As justificativas podem ocorrer em razão de terem mais tempo para dormir, menos filhos em casa, trabalhar menos e ter menos estresse. Entretanto, fisiologicamente, na proporção que os indivíduos envelhecem, seu organismo passa a exigir menor tempo de sono, para sua satisfação e qualidade.21,35 Ademais, faz-se necessário mencionar algumas limitações do presente estudo, conforme já mencionado, delineamento transversal, impediu estimar a relação causa-efeito entre as ocorrências e o recrutamento por conveniência, de modo que os dados fornecidos pelos indivíduos podem ter o viés da memória durante o autorrelato nas entrevistas. As perguntas direcionadas aos companheiros de cama/quarto do Índice de Qualidade de Sono de Pittsburgh deixaram de ser aplicadas, visto que, na maioria das vezes, estes não se encontravam no momento da entrevista. Além disso, a literatura carece de investigações21 que analisaram as variáveis estudadas no presente estudo como fatores associados, fato que limitou as inferências dos achados, levando a uma discussão análoga quanto aos fatores associados. Conclusão A irregularidade nas características do sono relacionaram-se intimamente à sua qualidade, ao tempo de duração do sono diário, bem como a outros fatores associados, como sexo feminino, binge drinking, uso de substâncias ilícitas, angina, depressão, obesidade e idade. Tal irregularidade do sono, juntamente dos fatores associados, retroalimentam-se e potencializam-se; assim, ampliam a vulnerabilidade de danos crônicos à saúde dos indivíduos que, cotidianamente, apresentam-se nas demandas de atendimentos dos serviços de saúde. Por fim, é preciso que os trabalhadores do setor se atentem para esse fenômeno na atenção às necessidades de saúde dos usuários. Referências 1 1. Youngstedt SD, Goff EE, Reynolds AM, Kripke DF, Irwin MR, Bootzin RR, et al. Has adult sleep duration declined over the last 50+ years? Sleep Med Rev. 2016;28:69–85. Youngstedt SD Goff EE Reynolds AM Kripke DF Irwin MR Bootzin RR et al Has adult sleep duration declined over the last 50+ years? 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Fox EC Wang K Aquino M Grandner MA Xie D Branas CC et al Sleep debt at the community level: impact of age, sex, race/ethnicity and health Sleep Health 2018 4 4 317 324 Original Article Quality and sleep duration among public health network users Simões Naiane Dias 1 Monteiro Luiz Henrique Batista 2 Lucchese Roselma 1 Amorim Thiago Aquino de 1 Denardi Tainara Cartozzi 1 Vera Ivânia 1 0000-0003-1108-306X Silva Graciele Cristina 1 Sverzut Carolina 1 1 Brazil Universidade Federal de Goiás, Regional Catalão, Catalão, GO, Brazil. 2 Brazil Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, Diamantina, MG, Brazil. Corresponding author Graciele Cristina Silva https://orcid.org/0000-0003-1108-306X Email: gcsilvanut@gmail.com Conflicts of interest: nothing to declare. Collaborations All authors, Simões ND, Monteiro LHB, Lucchese R, Amorim, TA, Denardi, TC, Vera, I, Silva, GC, Sverzut, declare that they contributed to the study design, data analysis and interpretation, article writing and approval of the final version to be published. Abstract Objective To assess the quality and sleep time between public health network users and associated factors. Methods A cross-sectional study of 775 individuals of both genders in a city in the Center-West region of Brazil. A semi-structured questionnaire was used to assess the sociodemographic characteristics, life habits, health conditions, binge drinking, and quality and sleep duration assessed by the Pittsburgh Sleep Quality Index. Poisson regression was used to identify the factors associated with poor sleep quality and sleep duration (short and long). Results In the multiple analysis, the factors associated with poor sleep quality were female gender (prevalence ratio: 1.10, 95% Confidence Interval and 95%CI 1.05-1.16, p <0.00), binge drinking (prevalence ratio: 1.08; 95%CI 1.03-1.13; p <0.01), illegal drug use (prevalence ratio: 1.06, 95%CI 1.00-1.12, p=0.03), angina (prevalence ratio: 1.07, 95%CI 1.03-1.18, p <0.01) and depression (prevalence ratio: 1.07 95%CI 1.00-1.14, p=0.02). Obesity was associated with short sleep duration (prevalence ratio: 1.10 95%CI 1.02-1.17, p <0.01). Age> 55 years was associated with long sleep duration (prevalence ratio: 1.39; 95%CI: 1.00-1.92; p=0.04). Conclusion Being a woman, being over 55 years old, consuming alcoholic beverages, using illegal substances, angina, obesity and depression were risk factors for changes in quality and sleep duration. The results of the present study reinforce the need for the development of actions aimed at the prevention of diseases related to sleep disorders in the study population. Alcoholism Antipsychotic Agents Sleep Wake Disorders Obesity Sleep Introduction It is estimated that the quality and sleep duration have suffered losses in the last decades due to the demands of modern life, with a short duration (less than 8 hours) and poor sleep.1Literature has pointed out that over a period of 20 years, half of adults did not present satisfactory sleep duration, and one sixth showed hypersomnia.2Unsatisfactory sleep adversely affects human health and, if untreated, can result in serious illness.3 Several studies have revealed the physiological mechanisms of sleep and its alterations.4,5 Disorders arising from sleep occur when its duration and quality are altered, which has been associated with chronic diseases and morbidity and mortality, besides being an influencing factor in social relations.6,7 Sleep quality, in contemporaneity, stems from rapid economic and social transformations, and exposes the individual to a poor quality sleep. These are: stress events, work at long hours, irregular meals, lack of physical exercise, smoking habits, alcoholic beverage intake and chronic diseases.4,8 At the same time, quality sleep of individuals who suffers socio-cultural influences,9,10 having as risk factors emotional disorders, comorbidities and age, is more prevalent in women.11 Thus, sleep quality impairments have been associated with: absence of physical activity, smoking and alcohol consumption, sedentary behavior and psychological distress.11 Although sleep is often investigated in the population,1,2,4 actions of health care services focused on their care are often neglected. In this sense, sleep disorders have received attention in the field of public health, since good sleep quality provides better health and well-being, and represents a primordial biological process for physical and mental health.12 Given the above, and the relevance of the theme for the promotion and prevention of chronic health problems, the present study aimed to assess the quality and sleep duration among public health network users and associated factors. Methods This is a cross-sectional study with health devices uses carried out in a medium-sized municipality, reference in health care for 11 other municipalities, located in the Center-West region of Brazil. Data were collected between March and October of 2016, in Primary Health Care in three Family Health Units (FHU), two Basic Health Units (BHU) and one Emergency Care Unit (ECU 24h); in the Attention of Medium Complexity to the health it was comprised two general hospitals and a Maternal and Child hospital. For sample calculation, it was considered the population of 67 thousand inhabitants in the municipality of the investigation within the chosen age range, according to the inclusion criteria, the anticipated prevalence of poor sleep quality of 38%,13 the statistical power of 80% (β=20%), the significance level of 5% (α=0.05) and the design effect of 3.0, 10% increase for possible losses and totaling a probabilistic sample of 777 individuals. Patients aged ≥18 years of age, of both genders, living in the municipality, local public health system users, and without previous medical diagnosis of sleep disorder were included. Individuals in an apparent state of mental confusion were excluded after a brief physical examination. Prior to data collection, the pilot test was performed with ten individuals who were in the health services, but not residents in the city. Data collection was conducted by face-to-face interview in a private environment provided by the health services managers. A semi-structured tool was applied, which included sociodemographic information, life habits and health conditions. Sleep quality was assessed by the Pittsburgh Sleep Quality Index, validated in Brazil in 2011. This index assesses sleep quality in the last month, consisting of 19 self-rated questions and five questions directed to spouses or room partners. The initial 19 questions are classified into seven components, which score from zero to three: subjective sleep quality, sleep latency, sleep duration, habitual sleep, sleep disorders, sleeping medication use, and daytime dysfunction. The final score ranges from zero to 21 points. Score> 5 indicates poor sleep quality.14 Three dependent variables from the Pittsburgh Sleep Quality Index were considered: “poor sleep quality”, with a score of> 5; “Short sleep duration”, defined as 6 or fewer hours of daily sleep; and “long sleep duration”, understood as more than 8 hours of sleep per day.14 The following variables were considered as independent variables: gender (male and female); age (≤55 and> 55 years); marital status (without partner and companion); schooling (> 8 and ≤8 years); family income classified in economic strata: C1= R$ 2,705.00 (R$ refers to “reais”, the Brazilian currency) (> 2,705.00 and ≤ 2,705.00), among others (A= R$ 20,888.00, B1= R$ 9,254.00, B2= R$ 4,852.00, C2= R$ 1,625.00, DE= R$ 768.00);15have children (not yes); skin color (white rather than white); employment (formal and informal); live with friends (no yes); live only with children (no and yes); attendance at the Secondary Health Care Unit (no and yes); and report of binge drinking (no and yes). Binge drinking refers to excessive alcohol consumption, being ≥4 doses of alcohol for females and, for males, ≥5 on the same occasion,16besides illegal drug use (no and yes) and the presence of non-transmissible chronic conditions and conditions (angina, increased cholesterol and self-reported hypertension). Obesity was verified by the calculation of body mass index. Individuals with a Body Mass Index >30kg/m2.17The weight was measured by means of a digital scale and the height was identified through the stadiometer. Having anxiety variable was obtained through the question “Have you ever had treatment or received the medical diagnosis of anxiety? And depression, have you ever had treatment or been diagnosed with depression?” The data were typed in spreadsheet in double entry and later analyzed with support of STATA software version 12.0. Quantitative variables were analyzed by mean, 95% Confidence Interval (95%CI) and standard deviation; the categorical variables, in absolute numbers, prevalence and 95%CI. In the bivariate and multiple analyzes, Poisson regression was applied, and the measure of effect was the prevalence ratio. The chi-square test verified the differences between the proportions in the bivariate analysis. The independent variables that presented in the crude analysis p <0.10 were submitted to the multiple model. In this study, the variables with p <0.05 were considered associated. The research is part of a matrix project entitled “Doenças relacionadas ao coração e outros agravos à saúde entre fumantes no sudeste goiano”, and was approved by the Research Ethics Committee of the Universidade Federal de Goiás, under Opinion 2,331,604 and respected the ethical principles of Resolution 466/2012 of the Brazilian Health Board (Conselho Nacional de Saúde). Results 775 individuals participated in the study. There was a loss of two individuals, with no impact, as this was within the possibility of sample losses. More than half of the sample (53.9%; 95%CI 50.1-57.6) was female. Regarding participants’ age, the mean was 39.7 years (95%CI, 38.61-40.77, standard deviation of 14.8). The mean educational level was 9.7 years (95%CI: 9.40-10.06, standard deviation of 4.5). The average income found was R$ 2,777.33 (95%CI 2,559.49-3,024.97, standard deviation R$ 2,947.64). The prevalence of poor sleep quality by the Pittsburgh Sleep Quality Index score was 57.4% (95%CI: 53.8-60.9). The prevalence for short sleep duration was 9.3% (95%CI 7.4-11.1) and long sleep duration was 24.9% (95%CI 21.8-28.4). Factors associated with the study-dependent variables in the bivariate analysis are shown in table 1. Table 1 Bivariate analysis of dependent variables related to sleep quality and duration with independent sociodemographic variables, life habits and health condition Variables All* Poor sleep quality p-value Short sleep duration p-value Long sleep duration p-value n(%) PR (95%CI) n(%) PR (95%CI) n(%) PR (95%CI) Gender Male 359 178 (49,6) 1.0 89 (24.8) 1.0 96 (26.7) 1.0 Female 416 267 (64.2) 1.10 (1.05-11.16) 0.00 104 (25.0) 1.01 (0.97-1.05) 0.40 109 (26.2) 0.97 (0.77-1.23) 0.86 Age, years ≤55 650 380 (58.5) 1.0 176 (27.1) 1.0 155 (23.9) 1.0 >55 125 65 (52.0) 0.95 (0.90-1.02) 0.19 17 (13.5) 0.89 (0.84-0.94) 0.00 50 (39.7) 1.66 (1.28-2.14) 0.00 Marital status Without partner 395 224 (56.7) 1.0 104 (26.3) 1.0 110 (27.8) 1.0 With partner 377 220 (58.4) 1.01 (0.96-1.05) 0.64 88 (23.4) 0.97 (0.93-1.02) 0.35 93 (24.7) 0.89 (0.70-1.19) 0.33 Schooling, years >8 478 264 (55.2) 1.0 134 (28.0) 1.0 111 (23.2) 1.0 ≤8 297 181 (60.9) 1.03 (0.99-1.08) 0.11 59 (19.9) 0.93 (0.89-0.98) 0.00 94 (31.6) 1.36 (1.07-1.72) 0.00 Family income, R$ >2,705.00 315 192 (60.9) 1.0 87 (27.6) 1.0 69 (21.9) 1.0 ≤2,705.00 460 253 (55,0) 0.96 (0.92-1.00) 0.09 106 (23.0) 0.96 (0.91-1.01) 0.15 136 (29.6) 1.34 (1.04-1.73) 0.02 Children No 257 139 (54.1) 1.0 77 (30.0) 1.0 58 (22.6) 1.0 Yes 518 306 (59.1) 1.03 (0.98-1.08) 0.19 116 (22.4) 0.94 (0.89-0.99) 0.02 147 (28.4) 1.25 (0.96-1.63) 0.09 Skin color Not White 541 305 (56.4) 1.0 128 (23.7) 1.0 154 (28.5) 1.0 White 234 140 (59.8) 1.02 (0.97-1.07) 0.36 65 (27.7) 1.03 (0.97- 1.08) 0.24 51 (21.7) 0.76 (0.57-1.00) 0.05 Employment Formal 318 194 (61.0) 1.0 82 (23.8) 1.0 81 (25.5) 1.0 Informal 457 251 (54.9) 0.96 (0.92-1.00) 0.09 111 (24.3) 0.98 (0.94-1.03) 0.63 124 (27.1) 1.06 (0.83-1.35) 0.60 Living with friends No 743 432 (58.1) 1.0 187 (25.1) 1.0 200 (26.9) 1.0 Yes 32 13 (40.6) 0.88 (0.78-1.00) 0.06 6 (18.7) 0.94 (0.84-1.06) 0.37 5 (25.6) 0.58 (0.25-1.31) 0.19 Living with children No 711 401 (56.4) 1.0 174 (24.5) 1.0 191 (26.9) 1.0 Yes 64 44 (68.7) 1.07 (1.00-1.15) 0.03 19 (29.7) 1.04 (0.95-1.14) 0.37 14 (21.9) 0.81 (0.50-1.31) 0.40 SHCU service No 432 236 (54.9) 1.0 115 (26.5) 1.0 113 (26.1) 1.0 Yes 343 209 (61.0) 1.04 (0.99-1.08) 0.07 78 (22.8) 0.97 (0.92-1.01) 0.22 92 (26.9) 1.03 (0.81-1.30) 0.80 Binge drinking No 423 221 (55.2) 1.0 100 (23.6) 1.0 121 (28.6) 1.0 Yes 352 224 (63.6) 1.07 (1.02-1.12) 0.00 93 (26.4) 102 (0.97-1.07) 0.37 84 (23.9) 0.83 (0.65-1.06) 0.13 Illegal drug use No 671 375 (55.9) 1.0 161 (24.0) 1.0 180 (26.8) 1.0 Yes 104 70 (67.3) 1.07 (1.01-1.12) 0.00 32 (30.8) 1.05 (0.98-1.13) 0.15 25 (24.0) 0.89 (0.62-1.28) 0.55 Angina No 723 404 (55.9) 1.0 175 (24.2) 1.0 193 (26.7) 1.0 Yes 52 41 (78.8) 1.14 (1.07-1.22) 0.00 18 (34.6) 1.08 (0.98-1.19) 0.11 12 (23.1) 0.86 (0.51-1.44) 0.57 High cholesterol rates No 699 394 (56.4) 1.0 175 (25.1) 1.0 185 (26.5) 1.0 Yes 76 51 (67.1) 1.06 (0.99-1.14) 0.05 18 (23.4) 0.98 (0.90-1.06) 0.74 20 (26.0) 0.97 (0.65-1.45) 0.92 Hypertension No 525 348 (55.7) 1.0 160 (25.6) 1.0 149 (23.9) 1.0 Yes 150 97 (64.7) 1.05 (1.00-1.11) 0.03 33 (21.8) 0.96 (0.91-1.03) 0.32 56 (37.1) 1.55 (1.20-1.99) 0.00 Obesity† No 645 363 (56.3) 1.0 149 (23.1) 1.0 178 (27.6) 1.0 Yes 121 78 (64.5) 1.05 (0.99-1.11) 0.08 42 (34.7) 1.09 (1.02-1.17) 0.01 27 (22.3) 0.80 (0.56-1.15) 0.24 Depression No 697 384 (55.1) 1.0 178 (25.6) 1.0 177 (25.4) 1.0 Yes 78 61 (78.2) 1.14 (1.08-1.21) 0.00 15 (19.0) 0.94 (0.87-1.02) 0.17 28 (35.4) 1.39 (1.00-1.92) 0.04 Anxiety No 718 406 (56.5) 1.0 180 (25.0) 1.0 192 (26.7) 1.0 Yes 57 39 (68.4) 1.07 (0.99-1.16) 0.05 13 (22.8) 0.98 (0.89-1.07) 0.69 13 (22.8) 0.85 (0.52-1.39) 0.52 * Number of valid answers; † individuals with a body mass index> 30kg m2. PR - Prevalence Ratio; 95%CI - 95% Confidence Interval; SHCU - Secondary Health Care Unit In bivariate analysis, variables associated with outcome of poor sleep quality were female; live with children; binge drinking; illegal drug use; angina; increased cholesterol; hypertension; depression and anxiety. As for the variable outcome short sleep duration, they were associated with age> 55 years; schooling ≤ 8 years; have children and obesity. Age> 55 years; schooling ≤8 years; income ≤ R$ 2,705.00; white skin color; hypertension and depression were associated with the variable long sleep duration. Table 2 presents the multiple analysis of the factors associated with the dependent variables of this study. Table 2 Multiple analysis of factors associated with quality-dependent variables and altered sleep duration Variables Adjusted PR (95%CI)* p-value Poor sleep quality Gender 1.10 (1.05-1.16) 0.00 Family income 0.96 (0.92-1.01) 0.13 Work 0.96 (0.92-1.00) 0.08 Living with friends 0.90 (0.80-1.02) 0.11 Living with children 1.02 (0.95-1.10) 0.53 SHCU service 1.02 (0.98-1.07) 0.28 Binge drinking 1.08 (1.03-1.13) 0.00 Illegal drug use 1.06 (1.00-1.12) 0.03 Angina 1.10 (1.03-1.18) 0.00 High total cholesterol rates 1.01 (0.94-1.08) 0.76 Hypertension 1.02 (0.97-1.09) 0.34 Obesity 1.03 (0.97-1.09) 0.27 Depression 1.07 (1.00-1.14) 0.02 Anxiety 1.01 (0.93-1.09) 0.74 Short sleep duration Age, years 0.96 (0.91-1.01) 0.19 Living with children only 0.96 (0.91-1.01) 0.18 Obesity 1.10 (1.02-1.17) 0.00 Long sleep duration Age, years 1.39 (1.00-1.92) 0.04 Schooling 1.09 (0.83-1.42) 0.52 Family income 1.27 (0.98-1.63) 0.06 Living with children only 0.99 (0.73-1.33) 0.95 Skin color 0.81 (0.61-1.07) 0.15 Hypertension 1.29 (0.98-1.70) 0.06 Depression 0.85 (0.52-1.39) 0.52 * PR - Prevalence Ratio; 95% CI - 95% Confidence Interval; SHCU - Secondary Health Care Unit In multiple analysis, factors associated with poor sleep quality were female gender, binge drinking, illegal drug use, angina, and depression. Short sleep duration was associated with obesity. Age was associated with long sleep duration. Discussion This study assessed the quality and sleep duration by measuring its quality and sleep duration per day, with notes of associated factors, testing sociodemographic, behavioral variables and health-disease process history in a population of devices users, which make up the health care network of a municipality in the Central Region of Brazil. Although it presents some limitations, as in its delineation that precludes the cause-effect relation, this investigation innovated when considering the geographic space of the region and when revealing data on the intrinsic and extrinsic factors, that predisposes the individual to sleep disturbances. Also, it innovates when assessing behavioral variables of psychoactive substances use of the population served in the public network of the Central Region of Brazil, that can interfere negatively the quality and sleep duration. The prevalence of poor sleep quality of the present study was 57.4%. The prevalence of poor sleep is varied and divergent from that pointed out in this study, and much is due to the locality and population investigated. In a study carried out in the city of São Paulo, poor sleep quality was 46.7%;18in two other cohort studies from Germany, the percentage found was 38%13 and in Helsinki, 72.9%.19However, associated variables were similar: obesity, female gender and age equal to or above 60 years,18as well as depressive symptoms and mood alteration.13,19 Considering gender, it was verified that the female was more prone to poor sleep quality (prevalence ratio 1.08, 95%CI 1.03-1.14, p=0.00). Regarding these findings, women are more likely to have problems with sleep quality, which is explained by sociodemographic factors such as cultural, racial and social factors.9,18 They are also made more vulnerable by genetic and physiological factors such as hormonal physiological changes, from menstruation and menopause, to the eventual decline in estrogens, as well as ovarian estradiol, which interferes with the disposition and ability to maintain daily activities, with implications for poor sleep quality.20,21This propensity is potentiated when a woman has as a lifestyle to be a smoker, frequent drug use and abuse.9 In this research, binge drinking was a risk factor for poor sleep quality. This compulsive behavior by alcohol can be adopted by some people with difficulties to fall asleep; substance use is then observed to remedy such limitation.22On the other hand, alcoholic beverages can alter the functioning of the circadian timing system, with altered brain waves, reduced sleep time in the Rapid Eyes Movement (REM) phase and the onset of episodes of insomnia, as well as disrupting the latent period of sleep. Likewise, there are other effects related to alcohol use, such as impairment of memory, in addition to the diuretic effect of the substance, which also causes sleep interruptions, making it fragmented.23 In this context, alcohol consumption and illegal drug use also affect the circadian timing system, since most known zeitgebers (external synchronizers) of the circadian rhythm are impaired during the acute or chronic use of these psychoactive substances.24 A study conducted in China showed a prevalence of 68.5% for poor sleep quality in individuals who used illegal drugs.25 The illegal substance acts on the central nervous system and therefore alters the release of neurotransmitters that control the sleep-wake cycle.4,25 This finding corroborates the results of this investigation, since the illegal drug use was associated to the variable poor sleep quality. Association between angina and poor sleep quality, verified in the present study, is in agreement with the findings of other studies. Canadians with high angina scores had a 3.27-fold higher chance of poor sleep quality.26In addition, a cohort pointed out that individuals with short sleep duration or poor sleep quality are more likely to develop cardiovascular disease (angina: 1.62% in the Netherlands, 8.11% Suriname in South Asia, 5.4% in Africa, 5.14% in Ghanaians, 10.1% in Turkey and 7.35% in Morocco, as well as intermittent claudication and myocardial infarction), among other findings that accompanied other health-disease situations such as obesity, hormonal changes and stresses, identified as risk factors for irregular sleep.27 In the psychic dimension, the association found in this study has been identified as a risk factor for changes in sleep patterns. A cross-sectional study conducted in Portugal, Spain and Brazil found associations between poor sleep quality and stress, anxiety and depression.28Sleep quality may be related to socioeconomic and cultural factors of the population.28As for the mechanism of the relationship between sleep disturbance and depression, some studies suggest that psychological and behavioral changes aggravate sleep,13,29 such as depression.8,30 In this same perspective, it was pointed out that the intrinsic affinity between sleep and depressive disorders, coupled with stress, ie difficulty sleeping, leads to nocturnal wakefulness, prone to intrusive thoughts. Therefore, it has been shown that the inability to adapt to stressful events and the effects of cognitive excitation and altered nocturnal wakefulness are responsible for the onset of depression.30 This eventuality is also related to hormonal factors, especially to melatonin, responsible for the circadian timing system of the sleep-wake cycle. Changes in the levels of this hormone are associated with depressive symptoms, since people with psychological disorders are more likely to have decreased sleepiness, hypersomnia or even insomnia.5 The obesity variable was associated with the sleep dependent variable short. Corroborating the findings of this research, several studies18,31 evidence the association between lower sleep time (<6 hours), high body mass index, obesity and chronic diseases.32,33 It is suggested that hormones responsible for energy balance during sleep, such as leptin, insulin, glucose, adiponectin, cortisol and ghrelin, present altered levels in individuals with short sleep duration, stimulating the cortical regions to desire foods with high caloric content and poor nutritional quality, predisposing them to obesity.34 In relation to age, individuals over 55 years of age are more likely to present long sleep duration. Corroborating this finding in cross-sectional research conducted in Philadelphia, older individuals presented greater satisfaction regarding the long sleep duration. Justifications can occur because they have more time to sleep, fewer children at home, work less and have less stress. However, physiologically, as individuals age, their bodies will require less sleep time for their satisfaction and quality.21,35 Furthermore, it is necessary to mention some limitations of the present study, as already mentioned, cross-sectional design, prevented estimating the cause-effect relationship between occurrences and recruitment for convenience, so that data provided by individuals may have memory bias during the self-report in interviews. The questions directed to bed/room mates of the Pittsburgh Sleep Quality Index were no longer applied, since most of the time they were not in the interview. In addition, literature lacks research21 that analyzed the variables studied in the present study as associated factors, a fact that limited the inferences of the findings, leading to a similar discussion regarding associated factors. Conclusion Irregularities in sleep characteristics were closely related to their quality, duration of daily sleep, as well as other associated factors, such as female gender, binge drinking, illegal drug use, angina, depression, obesity, and age. Such irregularity of sleep, along with associated factors, are fed back and potentiated. Thus, they increase the vulnerability of chronic damage to the health of individuals who, daily, present themselves in the demands of health services. Finally, it is necessary that the workers of the sector attend to this phenomenon in the attention to the health needs of users.
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