Resumo
Objetivo Avaliar uma multiplataforma de simulação clínica em saúde que reproduz um hospital virtual.
Métodos Estudo transversal realizado entre 2023 e 2024, em três momentos distintos, com turmas de Enfermagem de uma universidade do sul do Brasil. A coleta de dados envolveu alunos do 7º e 8º semestres da graduação, no segundo semestre de 2023(2023/2) e primeiro e segundo semestre de 2024 (2024/1 e 2024/2). Foram analisados dados sociodemográficos e aspectos da plataforma, incluindo interatividade, usabilidade, layout, agilidade e conteúdo, avaliados por meio de escala Likert. Os dados foram submetidos a análises estatísticas com os testes de McNemar e qui-quadrado. O estudo respeitou as Diretrizes e Normas Regulamentadoras de Pesquisas Envolvendo Seres Humanos, conforme a Resolução 466/2021.
Resultados A amostra de 61 alunos realizou 82 avaliações da plataforma em 2023/2 (29), 2024/1 (23) e 2024/2 (30). Os resultados foram maioritariamente positivos, com melhora significativa na interatividade (p = 0,029) em 2024/2 em comparação com 2024/1 (mais avaliações “ótimo”). As demais categorias também apresentaram avaliações predominantemente positivas (“bom”, “muito bom” e “ótimo”).
Conclusão A plataforma demonstrou resultados positivos e consistentes, com melhorias progressivas. Os achados sugerem que a tecnologia empregada tem potencial para proporcionar um ambiente de simulação mais envolvente e interativo para a formação em saúde.
Descritores
Treinamento por simulação; Realidade virtual; Ensino de enfermagem; Tecnologia educacional; Simulação por computador
Abstract
Objective To evaluate a multiplatform for clinical simulation that replicates a virtual hospital.
Methods This cross-sectional study was conducted between 2023 and 2024, in three distinct phases, with nursing students from a university in southern Brazil. The data collection involved students in their 7th and 8th semesters of undergraduate studies, in the second semester of 2023 (2023/2) and the first and second semesters of 2024 (2024/1 and 2024/2). Sociodemographic data and platform aspects were analyzed, including interactivity, usability, layout, speed, and content, and were evaluated using a Likert scale. The data were statistically analyzed using McNemar’s and chi-square tests. The study complied with the Guidelines and Regulatory Standards for Research Involving Human Subjects (Resolution 466/2021).
Results The sample of 61 students performed 82 evaluations of the platform in 2023/2 (29), 2024/1 (23), and 2024/2 (30). The results were mostly positive, with a significant improvement in interactivity (p=0.029) in 2024/2 compared to 2024/1 (more “excellent” ratings). The other categories also presented predominantly positive evaluations (“good”, “very good”, and “excellent”).
Conclusion The platform showed positive and consistent results, with progressive improvements. The findings suggest that the technology employed has the potential to provide a more engaging and interactive simulation environment for health education.
Keywords
Simulation training; Virtual reality; Education nursing; Educational technology; Computer simulation
Resumen
Objetivo Evaluar una plataforma múltiple de simulación clínica en salud que reproduce un hospital virtual.
Métodos Estudio transversal realizado entre 2023 y 2024, en tres momentos distintos, con alumnos de enfermería de una universidad del sur de Brasil. La recopilación de datos incluyó estudiantes del 7º y 8º semestre de la licenciatura, en el segundo semestre de 2023 (2023/2) y en el primer y segundo semestre de 2024 (2024/1 y 2024/2). Se analizaron datos sociodemográficos y aspectos de la plataforma, entre ellos la interactividad, la usabilidad, el diseño, la agilidad y el contenido, evaluados mediante una escala Likert. Los datos se sometieron a análisis estadísticos con las pruebas de McNemar y ji cuadrado. El estudio siguió las Directrices y Normas Reguladoras de Investigaciones con Seres Humanos, en conformidad con la Resolución 466/2021.
Resultados La muestra estuvo compuesta por 61 estudiantes, que realizaron 82 evaluaciones de la plataforma en 2023/2 (29), 2024/1 (23) y 2024/2 (30). Los resultados fueron en su mayoría positivos, con una mejora significativa en la interactividad (p = 0,029) en 2024/2 en comparación con 2024/1 (más evaluaciones “excelentes”). Las demás categorías también presentaron evaluaciones predominantemente positivas (“buena”, “muy buena” y “excelente”).
Conclusión La plataforma demostró resultados positivos y consistentes, con mejoras progresivas. Los hallazgos sugieren que la tecnología empleada tiene el potencial de proporcionar un entorno de simulación más atractivo e interactivo para la formación en salud.
Descriptores
Entrenamiento simulado; Realidad virtual; Educación en enfermería; Tecnología educacional; Simulación por computador
Introdução
A área da saúde é caracterizada por demandas constantes de simulação e atualização de conhecimentos, dado o rápido avanço da ciência e a evolução das práticas clínicas. Profissionais de saúde, como enfermeiros, médicos, fisioterapeutas e técnicos na área da saúde, precisam estar preparados para lidar com situações complexas e desafiadoras. Portanto, a qualidade da simulação que esses profissionais recebem desempenha um papel fundamental na prestação de cuidados de saúde com segurança.(1)
A tecnologia da realidade virtual (RV) tem se destacado como uma ferramenta promissora em diversos setores, desde entretenimento à educação em saúde. No campo da saúde, a RV oferece oportunidades sem precedentes para inovações em simulação, reabilitação, diagnóstico e terapia.(2)
A RV oferece uma abordagem inovadora para a simulação em saúde, permitindo simulações interativas e imersivas que podem replicar com precisão cenários clínicos da vida real. A utilização de óculos de imersão e computador nesse contexto promete elevar ainda mais a experiência de simulação, proporcionando uma sensação de presença e realismo sem precedentes. Isso pode resultar em uma simulação mais envolvente e eficaz, que prepara os profissionais de saúde para lidar com situações críticas de maneira mais competente e confiante.(3)
A formação de enfermeiros é uma jornada complexa que exige um equilíbrio entre teoria e prática. Os estudantes de enfermagem precisam adquirir conhecimentos sólidos, bem como desenvolver habilidades práticas para prestar cuidados seguros e eficazes aos pacientes.(3) A simulação de cenários clínicos tem sido uma abordagem valiosa para complementar a aprendizagem em sala de aula e proporcionar aos estudantes a oportunidade de praticar habilidades em um ambiente controlado.(4,5)
O estudo proposto se justifica pela necessidade de abordagens inovadoras na educação em saúde que preparem os estudantes de forma mais eficaz para a complexidade do ambiente clínico. A simulação de cenários clínicos em RV oferece vantagens substanciais, como a repetição ilimitada de exercícios práticos, a criação de cenários de alta fidelidade e a oportunidade de desenvolver habilidades de resolução de problemas em um ambiente seguro e sem riscos para os pacientes.(6)
Além disso, a RV pode ajudar a superar algumas das limitações tradicionais da educação em saúde, como a disponibilidade de locais de simulação e a variabilidade dos cenários clínicos reais. Isso é especialmente relevante considerando a infraestrutura limitada das instituições, quando o acesso a ambientes clínicos e a unidades pode ser restrito ou pode receber um número limitado de alunos.(7)Embora a utilização de tecnologias imersivas venha crescendo no ensino em saúde, ainda há escassez de evidências empíricas que avaliem, de forma sistematizada, a usabilidade, a aceitação e o impacto pedagógico de plataformas virtuais de simulação desenvolvidas no contexto brasileiro. Essa lacuna dificulta a consolidação da RV como estratégia curricular efetiva e adaptada às necessidades dos cursos de Enfermagem. Assim, o presente estudo justifica-se pela necessidade de gerar evidências sobre a aplicabilidade e o potencial educativo de uma multiplataforma de simulação clínica em saúde — Simula Health® — que reproduz um hospital virtual.(8) Para isso, o objetivo do estudo é avaliar uma multiplataforma de simulação clínica em saúde que reproduz um hospital virtual.
Métodos
Trata-se de um estudo transversal, conduzido conforme as diretrizes do STROBE (Strengthening the Reporting of Observational Studies in Epidemiology).(9) O cenário da pesquisa foi uma universidade federal do sul do Brasil. O estudo foi desenvolvido em três etapas sequenciais: a primeira consistiu na avaliação da plataforma virtual de simulação em saúde Simula Health® em workshop; a segunda compreendeu a análise do feedback dos alunos quanto à usabilidade da plataforma; e a terceira envolveu a implementação de melhorias pela equipe de tecnologia da empresa responsável.
A população-alvo foi composta por estudantes do curso de Bacharelado em Enfermagem, matriculados nas disciplinas Gerenciamento em Enfermagem I e II. A amostra foi de conveniência, incluindo todos os alunos convidados a participar da atividade durante o horário regular das aulas, conforme o cronograma das disciplinas. Não foi realizado cálculo amostral, uma vez que se buscou incluir toda a população disponível em cada turma.
A coleta de dados ocorreu em três momentos distintos: segundo semestre de dezembro de 2023 (2023/2), primeiro semestre de 2024 (2024/1) e segundo semestre de 2024 (2024/2). O total de alunos matriculados foi de 37 em 2023/2, 29 em 2024/1 e 32 em 2024/2. Os alunos que não aceitaram participar assistiram a aula normalmente. Foram consideradas perdas os estudantes ausentes no dia da coleta ou que não completaram a experiência conforme as instruções, além daqueles que enfrentaram problemas técnicos impeditivos.
Entre os participantes, alguns responderam ao instrumento em mais de um momento, e, para esses casos, foram utilizados testes estatísticos adequados para amostras pareadas, possibilitando a comparação dos resultados ao longo do tempo.
Os dados foram coletados por meio de um formulário eletrônico estruturado, elaborado pelos pesquisadores para avaliar a aceitação e a usabilidade da plataforma virtual de simulação Simula Health®. O instrumento baseou-se em princípios de avaliação da experiência do usuário, contendo escalas Likert de 1 a 5 para aspectos técnicos (hardware, interatividade, usabilidade, layout e agilidade) e de 1 a 3 para o conteúdo (de difícil a fácil compreensão). Incluiu ainda perguntas sobre os módulos Metas Internacionais de Segurança do Paciente, Apresentação dos Setores Hospitalares e Simulação de Técnicas e Procedimentos. O conteúdo foi revisado por especialistas das áreas de Enfermagem e Tecnologia Educacional quanto à clareza e relevância.
Os participantes acessaram integralmente a plataforma Simula Health®, desenvolvida em Unity® e compatível com computadores e óculos de realidade virtual (Oculus Meta Quest 2 e 3). O ambiente oferece cenários tridimensionais realistas e interativos para o treinamento de habilidades técnicas e comportamentais, com feedback visual imediato. Devido à limitação de equipamentos, parte dos alunos utilizou a versão para computador, que manteve as mesmas condições de interação.
Após cada coleta, as respostas e sugestões dos alunos foram analisadas e convertidas em tarefas de desenvolvimento incluídas no plano de ação da plataforma, resultando em ajustes técnicos, maior usabilidade e correção de erros. Nas duas primeiras coletas, foram mantidos os módulos originais com pequenas melhorias; na última, implementaram-se aprimoramentos significativos de desempenho e um novo módulo de procedimentos clínicos, com simulações de Sondagem Vesical de Alívio, Sondagem Nasogástrica, Sondagem Nasoenteral, Sondagem Vesical de Demora e Acesso Venoso Periférico, elaboradas com base em protocolos operacionais.
Para minimizar vieses, adotaram-se critérios padronizados de seleção, aplicação em condições semelhantes entre turmas e orientação aos alunos sobre a importância de feedbacks imparciais. A análise estatística seguiu métodos adequados, garantindo rigor e confiabilidade aos resultados.
Os dados foram analisados utilizando o software Statistical Package for the Social Sciences (SPSS®) versão 21.0, por meio de estatística descritiva e distributiva. Para comparar as turmas de 2023/2 com 2024/1 e 2024/2, foi aplicado o teste Qui-quadrado para amostras independentes. Para comparar os resultados dos alunos que participaram em 2024/1 e 2024/2, foi utilizado o teste de McNemar para amostras pareadas.
O estudo respeitou as Diretrizes e Normas Regulamentadoras de Pesquisas Envolvendo Seres Humanos conforme Resolução 466/2021 da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (CONEP).(10) Ainda, foram consideradas as determinações do Ofício Circular n° 1 de 2021, que dispõe sobre procedimentos em pesquisas com qualquer etapa em ambiente virtual.(11) O presente estudo foi submetido e avaliado quanto a seus aspectos éticos e metodológicos pelo Comitê de Ética e Pesquisa (CEP) da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), submetido via Plataforma Brasil, Certificado de Apresentação de Apreciação Ética nº 74544223.0.0000.5345 (Parcer: 6.438.199).
Resultados
A amostra totalizou 61 participantes distintos entre 2023/2 e 2024/2: sendo 29 alunos da turma 2023 e 32 das turmas de 2024. Neste último ano, dois alunos avaliaram apenas 2024/1, nove apenas 2024/2 e 21 avaliaram ambos os semestres. A média de idade foi de 24 ± 3,1 anos e 55 (90,2%) eram mulheres. Em relação ao total de alunos matriculados, que foram 37 em 2023/2, 29 em 2024/1 e 32 em 2024/2, 29, 23 e 30 estudantes responderam, respectivamente, resultando em perdas de (8) 21,6%, (6) 20,7% e (2) 6,3% alunos, por ausência ou não conclusão da atividade conforme as instruções. Houve um total de cinco usuários que avaliaram a plataforma com óculos de imersão. A comparação contemplou as diferentes plataformas de forma similar, de acordo com a tabela 1, demonstrando a frequência absoluta e relativa das notas e comparando as amostras independentes.
Teste do Qui-quadrado comparando as coletas de 2023 e 2024, nas categorias de adesão à plataforma
A tabela 1 revela estabilidade nas categorias de adesão à plataforma entre 2023 e 2024, sem diferenças estatisticamente significativas. Na Interatividade, houve aumento percentual nas avaliações “Ótimo” em 2024/02 (53,3%) comparado a 2023/02 (31,0%). Na usabilidade, cresceram as avaliações “bom” e “ótimo”. O layout manteve estabilidade em “ótimo”, com discreto aumento em “bom”. Na agilidade, observou-se pequena redução em “muito bom” e “ótimo”. Por fim, no conteúdo, a avaliação “bom” predominou em todas as coletas, evidenciando consistência na percepção positiva. Para a análise dos dados pareados dos alunos comuns às turmas de 2024/1 e 2024/2, foi realizado teste de McNemar. Os resultados da tabela 2 mostram diferenças significativas na categoria interatividade (p=0,029), com aumento das avaliações “ótimo” e redução em “muito bom” da primeira para a segunda de 2024. Nas demais categorias (usabilidade, layout, agilidade e conteúdo), não houve diferenças estatisticamente significativas, apesar de pequenas variações nas avaliações positivas, destacando a predominância de avaliações “bom”, “muito bom” e “ótimo”.
Teste de McNemar comparando as coletas de 2024, nas categorias de adesão à plataforma - Brasil - 2025.
Os resultados apresentados refletem a percepção geral positiva dos participantes em relação à plataforma virtual de simulação Simula Health®, com estabilidade nas avaliações ao longo do período analisado. A maioria dos participantes foi composta por mulheres jovens, o que reflete um perfil homogêneo entre as turmas. Embora o uso dos óculos de imersão tenha sido limitado, os dados obtidos sugerem que a interação por computador foi suficiente para gerar avaliações consistentes entre as coletas. A análise independente das turmas destacou aumento significativo na avaliação “ótimo” para interatividade em 2024/02, enquanto as demais categorias permaneceram estáveis, evidenciando que melhorias na plataforma podem ter impactado positivamente essa dimensão específica. Já a análise pareada de 2024/1 e 2024/2 identificou diferenças significativas apenas na categoria interatividade, com redistribuição das avaliações de “muito bom” para “ótimo”, indicando progresso na experiência de uso ao longo do tempo. Nas demais categorias, as avaliações se mantiveram predominantemente em níveis altos (“bom”, “muito bom” e “ótimo”), sugerindo que a plataforma atendeu de maneira consistente às expectativas dos participantes, mesmo sem diferenças estatisticamente significativas. Esse padrão aponta para a robustez da experiência proporcionada pela plataforma, ainda que haja espaço para melhorias em aspectos específicos, como o aprimoramento da interatividade e a adoção mais ampla de mecânicas de jogo imersivas.
Discussão
Os resultados deste estudo corroboram a literatura existente sobre o impacto positivo da realidade virtual (RV) no aprendizado de alunos e profissionais de saúde. Estudos anteriores indicam que a RV amplia o engajamento dos alunos no processo de aprendizagem, permitindo vivências que simulam a realidade e contribuem para pontuações elevadas de conhecimento.(12,13) Em nosso estudo, as avaliações consistentes e majoritariamente positivas sobre a plataforma Simula Health® reforçam essa tendência, demonstrando que mesmo com uso limitado de óculos de imersão, a interação pelo computador foi suficiente para promover um ambiente de aprendizado satisfatório.(13)
O aumento significativo na avaliação “ótimo” para interatividade ao longo do tempo pode estar relacionado às melhorias implementadas na plataforma, alinhando-se às evidências de que a RV facilita a compreensão de procedimentos complexos e promove um aprendizado ativo e envolvente. Além disso, a presença de suporte técnico foi valorizada, o que também está em consonância com estudos que apontam a necessidade de suporte para otimizar a experiência do usuário.(14) A interação intuitiva e o potencial da gamificação também foram destacados como elementos que contribuem para um aprendizado mais atrativo e realista.(15)
A estabilidade das avaliações ao longo das coletas reforça a robustez da experiência proporcionada pela plataforma, indicando que a simulação virtual pode servir como extensão natural do treinamento clínico, permitindo a exposição repetida a cenários realistas sem riscos ao paciente. Outro estudo também destaca que essa possibilidade contribui para o aprimoramento da confiança, competência e tomada de decisão dos estudantes, o que pode justificar a percepção positiva e a estabilidade das avaliações encontradas.(4)
No entanto, o nível de familiaridade com a tecnologia influencia sua aceitação e usabilidade. Estudos apontam que profissionais de saúde, em comparação com estudantes, tendem a ter menor contato prévio com dispositivos de RV, o que pode impactar seu desempenho e engajamento na experiência de simulação.(16,17) No presente estudo, o perfil homogêneo dos participantes pode ter favorecido uma adaptação mais rápida à plataforma, contribuindo para a consistência das avaliações.
Estudos reforçam que a segurança e controle oferecidos pela simulação virtual são elementos altamente valorizados pelos usuários, permitindo a aplicação de habilidades sem riscos reais para o paciente.(18,19) Esse aspecto também se reflete nos achados do presente estudo, que indicam altos níveis de satisfação e percepção positiva da plataforma, independentemente da adoção ampla de mecânicas imersivas. Além disso, a tecnologia reduz a dependência de recursos como o uso de cadáveres e cobaias, ampliando as possibilidades de aprendizado em cenários que não são facilmente reproduzidos em ambientes tradicionais.(18,19)
A inclusão da descrição da plataforma utilizada em nosso estudo se faz relevante para contextualizar suas funcionalidades e potencial inovador frente às tecnologias digitais atualmente descritas na literatura. Um dos estudos revisados destaca que o uso de recursos digitais no ensino em saúde, destacando o curso de enfermagem, como ambientes virtuais de aprendizagem, aplicativos móveis e plataformas de videoaulas, contribui para a motivação e o engajamento dos estudantes, embora apresente limitações quanto à interatividade e à simulação realística de situações clínicas complexas.(20) Em contrapartida, revisão sistemática com meta-análise aponta que plataformas baseadas em realidade virtual apresentam resultados significativamente superiores na aquisição de conhecimento, habilidades clínicas e autoconfiança dos alunos em comparação a métodos tradicionais.(21) Nesse sentido, a plataforma adotada em nosso estudo se diferencia por integrar elementos de realidade virtual imersiva, avaliação formativa em tempo real e cenários interativos baseados em protocolos clínicos, alinhando-se às evidências que apontam para boa aceitação das tecnologias de simulação digital no ensino em saúde.
Apesar das limitações inerentes à tecnologia, a humanização do cuidado – essencial na formação em enfermagem – também pode ser trabalhada por meio de simuladores modernos. Estudos sugerem que programas computacionais, modelos e manequins ajudam a aproximar os alunos das respostas anatômicas e fisiológicas, enriquecendo o aprendizado.(3,22) No presente estudo, a estabilidade das avaliações sugere que a plataforma conseguiu suprir, em alguma medida, essas necessidades formativas, demonstrando sua relevância no ensino de Enfermagem.
A aceitação da simulação digital entre estudantes de enfermagem é um fator amplamente documentado na literatura, estando associada a maior prontidão para a prática clínica e maior satisfação no aprendizado.(23) Os achados do presente estudo reforçam essa tendência, com avaliações predominantemente positivas sobre a experiência de uso da Simula Health®. No entanto, também se observa que os alunos ainda demonstram preferência por abordagens tradicionais, embora reconheçam o valor das novas tecnologias como ferramentas complementares ao ensino.(16,24) Isso reforça a necessidade de um equilíbrio entre inovação e métodos convencionais, garantindo uma transição eficaz para o ensino mediado por tecnologias digitais.
Assim, os resultados obtidos neste estudo corroboram e ampliam os achados da literatura, evidenciando o potencial da simulação virtual como uma estratégia de aprendizado para alunos de enfermagem. A estabilidade das avaliações e o impacto positivo na interatividade reforçam que plataformas como a Simula Health® têm potencial para transformar o ensino da saúde, desde que alinhadas às necessidades dos estudantes e integradas a abordagens pedagógicas adequadas.
Apesar dos achados positivos, o estudo apresenta limitações que reduzem a generalização dos resultados: a amostra restrita a estudantes de enfermagem, o número reduzido de participantes que utilizaram óculos de realidade virtual — o que limitou a análise dos efeitos da imersão total e a comparação com o uso exclusivamente por computador — e a ausência de grupo controle ou comparativo, que impossibilitou avaliar de forma isolada o impacto da plataforma frente a outros métodos de ensino ou diferentes dispositivos. Além disso, o estudo não incluiu um grupo de alunos que não utilizou a plataforma para fins de comparação. Essas restrições reforçam a necessidade de pesquisas futuras com amostras mais diversificadas, diferentes perfis de alunos, variados níveis de exposição tecnológica e comparações diretas entre modalidades de simulação virtual e abordagens tradicionais, a fim de ampliar a compreensão sobre seu impacto na educação em saúde.
Conclusão
O estudo evidenciou boa aceitação da simulação virtual como estratégia inovadora e engajante no ensino de Enfermagem. A plataforma Simula Health® proporcionou uma experiência interativa e bem avaliada, com estabilidade nas respostas ao longo do tempo, demonstrando seu potencial como recurso complementar ao ensino tradicional, mesmo com uso limitado de óculos de realidade virtual. Esses resultados reforçam o papel da simulação digital como ferramenta eficaz e segura na formação em saúde. A interatividade foi o aspecto mais valorizado pelos estudantes, corroborando a literatura que destaca a realidade virtual como meio dinâmico e realista para o desenvolvimento de competências. A possibilidade de repetir procedimentos sem riscos ao paciente favoreceu a reflexão sobre a prática clínica e o aprendizado seguro. A boa receptividade às melhorias técnicas implementadas ao longo das coletas demonstrou a importância da adaptação contínua das tecnologias às demandas educacionais. Contudo, identificou-se a necessidade de suporte técnico constante, fator essencial para garantir a efetividade e a otimização da experiência de uso. Recomenda-se que futuras pesquisas ampliem a aplicação da simulação virtual em diferentes contextos e a combinem com métodos tradicionais, buscando modelos híbridos de aprendizagem. Pretende-se ainda comparar os efeitos da simulação imersiva e não imersiva, avaliando o impacto de diferentes dispositivos — como óculos de realidade virtual e computador — na formação em saúde. Em síntese, a simulação virtual se confirma como uma ferramenta promissora para o ensino e a prática assistencial, com potencial para aprimorar a qualificação profissional e a segurança do paciente.
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