Open-access Autocuidado de pessoas com feridas de difícil cicatrização nos membros inferioresa

Autocuidado para personas con heridas de lenta cicatrización en las extremidades inferiores

Resumo

Objetivo  analisar o autocuidado de pessoas com feridas de difícil cicatrização nos membros inferiores acompanhadas nas Estratégias Saúde da Família

Método  estudo qualitativo, descritivo e exploratório. Participaram 21 pessoas de um município de Minas Gerais com feridas de difícil cicatrização nos membros inferiores. Dados coletados em 2025, por entrevistas semiestruturadas com formulário de caracterização sociodemográfica e clínica e questões norteadoras, gravadas, transcritas, fundamentadas pela Análise Temática de Minayo e interpretadas pela Teoria do Déficit de Autocuidado de Dorothea Orem, diário de campo e observação.

Resultados  construídas quatro categorias: “Autocuidado comprometido: reflexo das marcas visíveis e invisíveis da ferida de difícil cicatrização”; “A busca pela competência para o manejo da ferida: uma trajetória solitária para o autocuidado”; “Potencialidades do sistema de enfermagem como suporte para promoção do autocuidado de pessoas com feridas”, “Autocuidado de pessoas com feridas: desafios à equidade no processo terapêutico”.

Considerações finais e implicações para a prática  o autocuidado constitui processo complexo, que perpassa pela agência da pessoa, coexiste com déficits de autocuidado influenciados por fatores biopsicossociais, espirituais e sistêmicos. Contribui para o processo de trabalho do enfermeiro, na construção de um projeto terapêutico singular que integra a escuta qualificada, dialogicidade e o planejamento participativo.

Palavras-chave:
Autocuidado; Ferida; Enfermagem; Doença Crônica; Estratégia Saúde da Família

Abstract

Objective  To analyze self-care among people with hard-to-heal lower limb wounds receiving care from Family Health Strategy teams.

Method  We conducted a qualitative, descriptive, exploratory study with 21 participants who had hard-to-heal lower limb wounds in a municipality in Minas Gerais, Brazil. Data were collected in 2025 through semi-structured interviews, participant observation, and field notes. We used a sociodemographic and clinical data collection form and interview prompts; the interviews were audio-recorded and transcribed, and the data was analyzed using thematic analysis as described by Minayo and interpreted the findings in light of Orem’s Self-Care Deficit Nursing Theory.

Results  The analysis yielded four thematic categories: “Compromised self-care: the visible and invisible marks left by a hard-to-heal wound”; “Seeking competence in wound management: a solitary path toward self-care”; “The nursing system’s potential to support self-care among people with wounds”; and “Self-care among people with wounds: challenges to equity in the care process.”

Final considerations and implications for practice  Self-care is a complex process involving both self-care agency and self-care deficits influenced by biopsychosocial, spiritual, and systemic factors. The findings can inform nurses’ practice by supporting the development of an individualized, shared care plan integrating attentive listening, dialogic communication, and participatory planning.

Keywords:
Self Care; Wounds and Injuries; Nursing; Chronic Disease; Family Health Strategy

Resumen

Objetivo  analizar el autocuidado de personas con heridas de difícil cicatrización en los miembros inferiores acompañadas en las Estrategias de Salud de la Familia.

Método  estudio cualitativo, descriptivo y exploratorio. Participaron 21 personas de un municipio de Minas Gerais con heridas de difícil cicatrización en los miembros inferiores. Los datos fueron recolectados en 2025 mediante entrevistas semiestructuradas con un formulario de caracterización sociodemográfica y clínica y preguntas orientadoras, grabadas y transcritas, fundamentadas en el Análisis Temático de Minayo e interpretadas desde la Teoría del Déficit de Autocuidado de Dorothea Orem, con diario de campo y observación.

Resultados  se construyeron cuatro categorías: "Autocuidado comprometido: reflejo de las marcas visibles e invisibles de la herida de difícil cicatrización"; "La búsqueda de competencia para el manejo de la herida: una trayectoria solitaria hacia el autocuidado"; "Potencialidades del sistema de enfermería como apoyo para la promoción del autocuidado en personas con heridas"; "Autocuidado de personas con heridas: desafíos a la equidad en el proceso terapéutico".

Consideraciones finales e implicaciones para la práctica  el autocuidado constituye un proceso complejo que atraviesa la agencia del individuo, coexistiendo con déficits de autocuidado influenciados por factores biopsicosociales, espirituales y sistémicos. Contribuye al proceso de trabajo del enfermero en la construcción de un proyecto terapéutico singular que integra la escucha calificada, la dialogicidad y la planificación participativa.

Palabras clave:
Autocuidado; Heridas y Lesiones; Enfermería; Enfermedad Crónica; Estrategia de Salud Familiar

INTRODUÇÃO

As feridas de difícil cicatrização nos membros inferiores constituem um dos principais problemas de saúde pública, uma vez que mais de 50 milhões de pessoas poderão ter feridas até 2050 e ainda, estima-se que 2 a 6% da população mundial apresente lesões relacionadas ao envelhecimento populacional.1

O termo "ferida de difícil cicatrização" é empregado para aquelas lesões que não respondem aos cuidados baseados em evidências específicos para a sua etiologia, com comprometimento das fases normais do reparo tecidual, inflamatória, proliferativa e de remodelação, ocasionado por fatores como angiogênese deficiente, inervação inadequada, migração celular prejudicada ou desordens metabólicas.2 Consideram-se ainda, aquelas lesões que não há fechamento completo após três meses de tratamento adequado.3

A cronicidade dessas lesões afeta as diversas dimensões do ser humano, quais sejam: biopsicossocial e espiritual, pois a pessoa sofre em decorrência das alterações da imagem corporal, da dor, das limitações nas suas atividades da vida diária, do afastamento laboral e da instabilidade financeira, consequências que são frequentemente observadas. A presença de exsudato e odor pode levar ao isolamento e à exclusão social, impactando negativamente a qualidade de vida e o bem-estar da pessoa acometida.4

Na Estratégia Saúde da Família (ESF), o tratamento das pessoas com essas feridas é conduzido pelos integrantes da equipe de saúde, especialmente pelo enfermeiro e técnicos de enfermagem, trabalhando, portanto, na promoção, prevenção e recuperação da saúde. Desta maneira, os cuidados prestados pela enfermagem podem auxiliar a pessoa a assumir e gerir recursos voltados à saúde e ao seu autocuidado.5 Cabe destacar que o cenário em estudo tem carência de recursos humanos e materiais, a infraestrutura é inadequada e soma-se a esses fatores a multiplicidade de ações desenvolvidas pelo enfermeiro e o conhecimento incipiente a respeito da temática. Esta realidade aponta para um contexto de vulnerabilidade, que compromete a equidade e a integralidade do cuidado.

Esta situação impacta no autocuidado das pessoas com feridas de difícil cicatrização, uma vez que o autocuidado é essencial para a sobrevivência e a qualidade de vida do ser humano, pois se constitui como uma ação que a pessoa realiza em seu próprio benefício para manter a sua vida, a sua saúde e o seu bem-estar.6 Assim, ao atender as necessidades humanas, o enfermeiro deve estimular o autocuidado e para tanto, é preciso acolhimento, escuta qualificada, estabelecimento de vínculo, práticas da Clínica Ampliada, para um Projeto Terapêutico Singular (PTS).7

A Teoria do Déficit de Autocuidado de Dorothea Orem oferece um referencial robusto para essa abordagem, ao postular que o cuidado de enfermagem se torna necessário quando a demanda por autocuidado terapêutico excede a capacidade do indivíduo de realizá-lo. A compreensão da agência de autocuidado, dos déficits existentes e dos fatores condicionantes básicos, de desenvolvimento e de desvio de saúde, é fundamental para que a equipe de enfermagem, especialmente na ESF possa planejar intervenções eficazes e que promovam a autonomia. Entende-se por agência de autocuidado a capacidade da pessoa se autocuidar.8

Como enfermeiro, no decorrer de seis anos de atuação na ESF, o primeiro autor deste artigo tem lidado na sua prática com os desafios referentes ao cuidado à pessoa com feridas de difícil cicatrização nos membros inferiores. Tal vivência, despertou o interesse em aprofundar o conhecimento sobre o autocuidado dessas pessoas, a partir deste contexto, com o propósito de conhecer mais de perto a realidade e contribuir para o fortalecimento das práticas de cuidado, fundamentadas em uma teoria de Enfermagem que favoreça o autocuidado, bem-estar e a autonomia do ser humano. Embora a literatura tenha sido vasta na temática, não há estudos atuais, sobre o autocuidado, desenvolvidos neste contexto, o que contribui para subsidiar as políticas públicas municipais de saúde.

Posto isso, surgiram as seguintes inquietações: como é para o ser humano lidar no seu cotidiano de vida com uma ferida de difícil cicatrização nos membros inferiores? Como a pessoa com ferida de difícil cicatrização nos membros inferiores realiza o seu autocuidado?

Ressalta-se que este estudo coaduna com os propósitos do Plano Estratégico da Organização Pan-Americana da Saúde 2026-2031, especialmente ao objetivo estratégico 3 “melhor atenção às pessoas com Doenças Crônicas Não Transmissíveis e problemas de saúde mental e às pessoas sobreviventes de violência e lesões não intencionais”.9

Diante deste contexto, desenvolveu-se este estudo com o objetivo de analisar o autocuidado de pessoas com feridas de difícil cicatrização nos membros inferiores acompanhadas nas Estratégias Saúde da Família.

MÉTODO

Estudo de abordagem qualitativa, do tipo descritivo e exploratório, realizado nas ESF de um município do Sul de Minas Gerais. O referido município é de médio porte, constituído por 19 ESF. Os participantes do estudo foram 21 pessoas com feridas de difícil cicatrização nos membros inferiores, acompanhadas pelas ESF.

Este estudo foi desenvolvido em consonância com as recomendações do Consolidated Criteria for Reporting Qualitative Research (COREQ).10

Os critérios de inclusão foram: pessoas de ambos os sexos, com idade igual ou superior a 18 anos, acompanhadas pela ESF de um município do Sul de Minas Gerais que apresentassem ferida de difícil cicatrização nos membros inferiores há pelo menos seis meses. Foram excluídas as pessoas que durante o período de coleta de dados se encontravam hospitalizadas ou em situação de debilidade física (acamados, com dificuldade de comunicação) e também aquelas que não foram localizadas após três tentativas de visitas pré-agendadas. Os participantes foram selecionados por conveniência, a partir da identificação dos casos pelos integrantes das equipes de enfermagem das ESF do município.

A coleta de dados foi realizada no período de março a julho de 2025, no domicílio, pelo primeiro autor, mestrando, treinado pela orientadora, por meio de coletas de dados simuladas, sendo que esse não tinha vínculo com os participantes. Utilizou-se um formulário de caracterização sociodemográfica e clínica, elaborado pelos pesquisadores, com dados relacionados ao sexo, idade, grau de escolaridade, profissão, situação conjugal, se possui filhos ou cuidador, comorbidades, medicamentos em uso, atividade física, tabagismo, etilismo, etiologia da ferida nos membros inferiores e tempo de ferida. As questões norteadoras para entrevista foram: Como você se sente com esta ferida? Como você tem se cuidado com esta ferida? Como é para você realizar o seu tratamento na Estratégia Saúde da Família? A observação participante foi realizada durante as visitas domiciliares permitindo a apreensão de aspectos não verbalizados e do contexto domiciliar. O diário de campo realizado após as entrevistas, possibilitou o registro das impressões, reflexões e observações do pesquisador.

As entrevistas foram gravadas, com a permissão do participante, usando o aplicativo Gravador de Voz em um celular e, em seguida, transcritas com auxílio de um software Zapia AI, para análise posterior, com conferência de fidedignidade entre o texto transcrito e a gravação da entrevista. Com cada participante foi realizada apenas uma entrevista com duração média dez minutos, sem inclusão do tempo necessário para dar as respostas aos dados de caracterização sociodemográfica, estando presentes apenas o participante e o pesquisador. O texto transcrito não foi submetido ao procedimento de validação do participante.

No decorrer da coleta de dados, observou-se a recorrência das informações e a ausência de novos elementos que pudessem alterar ou complementar significativamente o entendimento do autocuidado de pessoas com ferida de difícil cicatrização. Assim, considerou-se que a lógica interna do objeto de estudo foi apreendida, tornando a inclusão de novos participantes desnecessária para o alcance dos objetivos da pesquisa.11 E ainda, os dados foram discutidos no grupo de pesquisa, processo que contribuiu para a definição do número de participantes e a reflexividade dos autores.

Os dados de caracterização sociodemográfica e clínica foram submetidos à análise estatística descritiva simples, com apresentação de frequências absolutas e percentuais.

Os dados qualitativos provenientes das entrevistas, da observação participante e do diário de campo, foram organizados e analisados segundo a Análise Temática11 a saber:1) Ordenação dos dados: realizou-se a transcrição das entrevistas e dos diários de campo; leitura horizontal e transversal anotando-se as primeiras impressões dos pesquisadores; organização dos dados em determinada ordem. 2) Classificação dos dados: procedeu-se a leitura dos dados para identificar as ideias recorrentes, a constituição das unidades de registro por meio do recorte dos fragmentos do texto, construção dos temas a partir das unidades de registro semelhantes agrupando-as em categorias. 3) Análise e interpretação dos dados: relacionou-se os temas com o referencial da Teoria do Déficit de Autocuidado de Dorothea Orem, o que permitiu identificar os núcleos de sentido a fim de analisar as múltiplas facetas que envolvem a vivência, ou seja, a experiência reinterpretada.

O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Alfenas, sob o parecer nº7.448.594, de 18 de março de 2025, respeitando os princípios éticos das pesquisas com seres humanos. Todos os participantes assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido - TCLE antes do início da coleta de dados. Utilizou-se nomes fictícios, a escolha do primeiro autor, para preservar o anonimato dos participantes.

RESULTADOS

Foram convidadas 21 pessoas com feridas de difícil cicatrização acompanhadas nas ESF do município, sendo que todas aceitaram o convite e não houve desistência quando iniciada a coleta de dados.

Houve o predomínio de participantes do sexo feminino 12 (57,1%), com idades entre 47 e 86 anos, renda mensal de um salário mínimo 14 (66%), 16 (76,19%) aposentados e 14 (66%) católicos. Quanto ao estado civil, 10 (47%) eram viúvos; 11 cursaram o ensino fundamental incompleto (52,38%) e cinco se declararam sem escolaridade (23,81%).

As comorbidades mais prevalentes foram hipertensão arterial sistêmica em 11 (52,38%) e diabetes mellitus em 10 (47,62%). Quanto aos hábitos, negaram tabagismo 15 (71,43%) e seis eram tabagistas (28,57%); 20 afirmaram não fazer uso de álcool (95,24%). O uso de medicamentos contínuos foi relatado por 20 (95,24%), sendo os anti-hipertensivos os mais comuns (11; 55%), seguidos por hipoglicemiantes orais (7; 35%) e insulina (4; 20%). O tempo médio de convivência com a ferida foi de 15 anos.

Da análise qualitativa construiu-se quatro categorias a serem apresentadas a seguir:

Autocuidado comprometido: reflexo das marcas visíveis e invisíveis da ferida de difícil cicatrização

Esta categoria temática apresenta os sentimentos da vivência com a ferida de difícil cicatrização e revela o seu reflexo na vida de cada participante.

A ferida é frequentemente percebida como um símbolo de perda, seja da identidade, da feminilidade, como no desejo de usar sandálias, mencionado pela participante Elisângela, e ainda, da incapacidade de desempenhar o trabalho ou da convivência social.

[...] Ah, eu sinto vontade de calçar um sapatinho bem bonitinho (olha em direção ao pé esquerdo e continua olhando) [...]. Calçar um calçadinho bonitinho, que eu gostava tanto (abaixa a cabeça e olha para a perna esquerda). Ele incha aqui tudo (aponta para o pé esquerdo) [...] (Elisângela).

A ferida de difícil cicatrização, ao impor limitações físicas severas, afeta diretamente a percepção que a pessoa tem de si como um ser autônomo e funcional. A seguir, as falas dos participantes revelaram sentimentos de incapacidade e impotência.

[...] A gente sente um... como se diz (pausa longa) Meio impotente, não é? [...] (Eliane).

[...] Para falar bem a verdade, eu me sinto como uma incapaz... Não posso fazer nada. Não posso pisar, não posso [...] Não posso fazer as coisas que eu estou acostumada a fazer, então (pausa longa) uma incapaz, porque (olha para ferida) [...] (Fátima).

O desânimo gerado pela longa duração da ferida e pela percepção de um tratamento lento e, por vezes, ineficaz em decorrência da realização diária dos cuidados, sem uma melhora visível, pode levar a um estado de frustração e cansaço emocional.

[...] Péssima, não é? Ah, eu sinto péssima (pausa longa) Eu tenho a vontade de livrar dessa (direciona o olhar para a perna esquerda) [...] dessa faixa, nosso Deus! [...] (Elisângela).

[...] Ah, eu me sinto meio pra baixo, não é? (pausa longa) você pensa que não vai sarar (pausa longa) [...] (Raimundo).

Dentro do universo de sentimentos, a exclusão social emerge como uma dor silenciosa, mas extremamente impactante.

[...] Ah, a gente se sente assim, meio excluído. Porque tem que ficar mais parado, não é? Igual eu, acostumado a trabalhar direto e ficar parado assim... Isso aí fica meio recluso. [...] A gente mesmo não poder fazer as coisas, sabe? Tipo assim, ser acostumado a sair cedo, voltar de tarde de serviço... Você tem que ficar praticamente parado, trancado, não é? Sem fazer nada, porque não tem jeito, não é? [...] (Joel).

[...] Na igreja não tem jeito de ir, por causa do problema (refere-se à ferida como um problema), não é? Olha aí pra você ver (pausa longa) Aí, cheirando forte, não é? Como que eu vou na igreja desse jeito? [...] Cheira forte! [...] (Wagner).

Reitera-se que esta categoria revela a singularidade da pessoa com ferida de difícil cicatrização nos membros inferiores, as marcas visíveis da lesão que produzem impacto sobre os sentimentos do ser humano.

A busca pela competência para o manejo da ferida: uma trajetória solitária para o autocuidado

Esta categoria foca nas ações práticas e nos comportamentos dos participantes em relação ao cuidado com a ferida e à saúde geral.

[...] Se der uma intercorrência no final de semana, aí eu mesmo faço aqui (refere-se a sua casa), faço sozinho. [...] Pego os materiais que eu tenho ali, os materiais eu pego no postinho aqui em cima [...] E aí eu deixo aqui, e caso aconteça isso, eu mesmo faço aqui [...] (Anderson).

[...] jogo o soro fisiológico, depois eu molho a gaze e passo em volta a gaze, depois pego outra gaze, molho e ponho essa pomadinha (aponta para a pomada em cima do balcão), esses dias eu mesmo estou fazendo [...] (João).

As rotinas domésticas de autocuidado demonstram uma tentativa de manter o controle para a cicatrização da ferida.

[...] Eu vou tomar banho, sempre coloco um plástico bem arrumadinho assim (aponta para o pé esquerdo). Aí, olha, estou sequinho (aponta para a ferida) [...] (Sebastião).

[...] Eu, às vezes, eu ponho uma sacolinha, um saco plástico no pé para não deixar molhar, sabe? E aí, eu tenho um banheiro ali no fundo, que ele é menor. Aí eu ponho, eu sento numa cadeira, sabe? E ponho o pé no vaso. Aí não molha o pé [...] (Eliane).

A ausência de uma orientação dialógica e com linguagem clara e objetiva contribui para ações prejudiciais e déficit de autocuidado. Isso fica claro na fala a seguir:

[...] Estou lavando com o sabão, sabão em barra, sabão Ypê, sabe o que é? Porque o sabão Ypê achei mais forte, tem soda nele [...] Só que amolece mais, vai limpando, acabando [...] (Diego).

Este é um exemplo de um déficit de autocuidado que se transforma em uma rotina de autocuidado perigosa.

Ainda nesse sentido, o déficit de autocuidado ocorre também quando o participante não aprendeu acerca do cuidado com a lesão, não tem a habilidade prática ou os recursos materiais para executar o cuidado corretamente:

[...] Aí depois eu mesmo aprendi, aí eu mesmo comecei a fazer sozinho [...] Aí depois o pé zangou um pouco, que eu acho que é devido (pausa longa) Eu não ter muita prática [...] (Anderson).

[...] eu estava fazendo em casa, parece que não estava dando certo, né? [...] Eu tinha maior cuidado, mas só que, sei lá, eu enchia muito de pomada, não sei a quantidade que tem que colocar, eu enchia de pomada [...] E tampava, sabe? Com a gazinha e tudo [...] (Aline).

A fala da participante Aline, ilustra o conhecimento incipiente para realizar o autocuidado. Em suma, esta categoria apresenta a forma pela qual os participantes buscam o manejo da ferida para o seu autocuidado.

Potencialidades do sistema de enfermagem como suporte para promoção do autocuidado de pessoas com feridas

Esta categoria apresenta como sistemas de apoio, a ESF, principalmente a enfermagem e a rede de apoio familiar, que atuam para compensar os déficits de autocuidado dos participantes.

[...] Eles são muito bons (refere-se aos profissionais da ESF), o pessoal ali. Nossa, ali eles ajudam, sabe? Dá material, tudo certinho. Aí quando é um feriado mais prolongado, eles dão mais material pra gente [...] Olha lá o soro (aponta para a estante), está vendo? Eu ponho lá [...] Agora os curativos como faixa, gazinha, está tudo lá dentro, no quarto [...] (Marlene).

[...] Eu quase não ia lá (ESF) Fiquei admirado [...] Muito bem tratado (pausa longa) Trata muito bem [...] Vou falar pra você, não esperava que o tratamento era tão bom [...] Trata muito bem lá, viu! Gostei, viu [...] Gostei, viu [...] (Raimundo).

Essa confiança é reforçada quando a pessoa vê resultados concretos, atribuindo-os diretamente à competência da equipe, como citado na fala do participante Jésus.

[...] Então, ela (cita nome da técnica de enfermagem) é [...] Ela é [...] Competência fora de série [...] Tanto é que ela que (olhou em direção à ferida) Médico não (risos) não fechava [...] Com os remédios não fechava [...] Duas semanas, já fechou a metade [...] Agora olha o tamanho, você viu? [...] Do tamanho que estava [...] A mulher (se referiu a técnica de enfermagem) é fera [...] (Jésus).

[...] Ah, estou achando bom, né? Eu estou achando bom, sim [...] Porque eu estava fazendo em casa, parece que não estava dando certo [...] (Aline).

Além do cuidado técnico, a equipe de enfermagem atua no sistema de apoio-educação, orientando e capacitando a pessoa com ferida de difícil cicatrização nos membros inferiores e suas famílias, para garantir a continuidade do cuidado, mesmo quando o serviço de saúde não esteja disponível.

[...] É a minha mulher que faz (curativo) do jeito que a enfermeira ensinou ela lá. Porque a enfermeira ensinou ela [...] (Severino).

[...] Nos feriados eu mesma faço os curativos, com todo cuidado, tem as trocas, não é? Não deixo contaminar nem nada, só isso [...] (Marlene).

Essas falas dos participantes podem demonstrar a eficácia do sistema de apoio-educação, visto que enfermeiro não apenas realizou o procedimento, mas a educação para a saúde à esposa do participante, garantindo a continuidade do cuidado no ambiente domiciliar e fortalecendo o sistema de apoio familiar.

As falas dos participantes revelaram as potencialidades da agência de enfermagem para o alcance do autocuidado.

Autocuidado de pessoas com feridas: desafios à equidade no processo terapêutico

Na presente categoria, estão descritos trecho de diário de campo e alguns dos fatores condicionantes básicos encontrados diante das falas dos participantes, sendo estes, elementos capazes de influenciar e afetar a capacidade de autocuidado de cada pessoa com ferida de difícil cicatrização, criando um cenário de vulnerabilidade.

As condições da moradia de Wagner, a convivência familiar conturbada e a falta de estabilidade habitacional parecem influenciar diretamente a sua capacidade de realizar o autocuidado. Mesmo assim, ele demonstrou interesse em compartilhar suas dificuldades, o que evidenciou o quanto o cuidado com a ferida é influenciado pelos problemas do contexto (Nota de diário de campo, 7 abr. 2025).

[...] eu não consigo fazer compra (pausa longa) compro uma cesta no portão, ela fica em 700 reais. Porque o meu dinheiro não dá [...] Bom, eu não consigo me alimentar das coisas que eu precisava e que eu queria [...] Então, fica difícil [...] (Elizângela).

[...] Eu gasto, quer ver (ergue a cabeça buscando um raciocínio), com essas pomadas que eu estou usando agora, são oitenta reais, trinta gramas. Às vezes lá (ESF) não tem faixa, falta, eu tenho que comprar de meu bolso, não é? (pausa longa) (Raimundo).

[...] Você chama o carro, fizeram a folha lá da (pausa longa buscando raciocínío) ESF que agora o carro de lá é para me levar e buscar, mas não resolve! Você liga lá, bota o recado, caixa de mensagem, não atende [...] (Wagner).

[...] É igual aconteceu comigo, negócio do carro da prefeitura [...] Ficava esperando o carro aqui, passando raiva, passando nervoso, não vinha me buscar, liguei lá para a mulher da prefeitura, ela falou para mim que não tinha obrigação [...] (Joel).

A dor crônica e a dificuldade de deambulação são barreiras físicas diretas que limitam a capacidade de realizar o autocuidado e de acessar os serviços de saúde.

[...] Quase não estou saindo, porque se fica muito tempo em pé, dói demais [...] Tem dia que nem dá vontade de ir, porque só de eu subir até ali já começa a doer, mas eu chego lá, sento um pouco né?[...] Aí eles fazem o curativo e eu venho devagarinho [...] (Marlene).

Em meio a um cenário de tantas vulnerabilidades, a fé e a religiosidade emergem como o mais poderoso fator condicionante positivo. Para muitos, é a principal fonte de força, conforto e esperança.

[...] Ando bem, graças a Deus [...] para Deus nada é impossível! Não é, meu filho? Eu sou católica [...] (Sandra).[...] Eu tenho o hábito de rezar em casa [...] Sou católico [...] Então, olha lá (aponta para um altar improvisado, com uma luz acesa) [...] Meu Deus! [...] Eu tenho muita fé [...] (Jésus).

A presente categoria revelou que o autocuidado de pessoas com feridas de difícil cicatrização nos membros inferiores é intrinsecamente moldado por um conjunto de fatores condicionantes básicos, que criam um cenário de vulnerabilidade e impactam diretamente a capacidade de autocuidado e a autonomia.

DISCUSSÃO

A vivência com uma ferida de difícil cicatrização impõe marcas que transcendem a dimensão física, alcançando esferas visíveis e invisíveis da existência ao impor um fardo psicossocial profundo que afeta a própria essência do ser humano.12

Constatou-se que sentimentos de desânimo, frustração e perda da autonomia são recorrentes, uma vez que a cronicidade da lesão e a percepção de um tratamento estagnado geram um desgaste emocional significativo. Esse ciclo de desesperança pode, por conseguinte, impactar negativamente a motivação necessária para o engajamento no autocuidado.

Percebeu-se, ademais, que a ferida se converte em um símbolo de múltiplas perdas, envolvendo a identidade profissional, a feminilidade, a autonomia e a participação social. Compreender essa dimensão subjetiva do sofrimento é o passo primordial para o planejamento de uma assistência de enfermagem que se pretenda verdadeiramente integral, singular e eficaz.13 Ademais, a dor persistente, as alterações na imagem corporal, as limitações nas atividades cotidianas e o isolamento social configuram-se como fatores que repercutem diretamente nos requisitos de autocuidado universal e de desenvolvimento.8

Outros elementos corroboram para o déficit de autocuidado, tais como a fragmentação dos serviços de saúde, a dificuldade de acesso às tecnologias e coberturas adequadas, a escassez de profissionais especialistas e a descontinuidade da assistência entre os níveis de atenção. Tal cenário cria um ambiente desfavorável ao processo cicatricial, sobrecarregando tanto a pessoa com a ferida quanto seus cuidadores.8,13,14

Apesar dessas inúmeras adversidades, os participantes demonstraram busca pela agência de autocuidado em diversos aspectos, revelando habilidade e, sobretudo, resiliência. Muitos desenvolveram rotinas próprias para o manejo da lesão, especialmente diante da indisponibilidade dos serviços de saúde ou da escassez de recursos materiais.

Nesse contexto, as pessoas criam suas próprias tecnologias de baixo custo, utilizando materiais como plásticos, sacolas ou toalhas e adaptam o ambiente domiciliar para viabilizar o cuidado. Essas ações demonstram uma operação complexa de autocuidado, que envolve desde a análise do problema até a elaboração de soluções criativas. Por outro lado, frequentemente devido à lacuna de conhecimento, seja por falta de orientações ou pela baixa escolaridade, adotam condutas empíricas prejudiciais para dar resolutividade a um processo crônico, como o uso de sabão em barra para a limpeza da ferida. A soda, componente deste produto, atua como um agente químico que provoca destruição tecidual, comprometendo severamente a cicatrização.

Verificou-se ainda que, embora alguns participantes reconheçam a importância do uso de pomadas e gazes, desconhecem a técnica correta de aplicação, especialmente quanto à quantidade ideal de produto. Apreende-se que, embora a intenção seja de oferecer um "cuidado maior", o resultado prático pode ser deletério à lesão. Constatou-se, portanto, que o autocuidado de pessoas com baixa escolaridade, com feridas de difícil cicatrização é comprometido, pois trata-se de um processo de tentativa e erro, fortemente influenciado por crenças, pela criatividade individual e pelas ações de educação em saúde.

Desse modo, as rotinas domésticas de autocuidado constituem uma resposta adaptativa e refletem a tentativa de manter o controle sobre a própria saúde. Isso se manifesta de forma positiva quando o participante replica o conhecimento técnico compartilhado pela equipe de enfermagem; ao observar, aprender e reaplicar a técnica no domicílio, a pessoa transforma a educação em saúde em habilidade prática, assumindo plenamente sua agência de autocuidado.8 Por outro lado, a persistência de práticas inadequadas evidencia o déficit de autocuidado, indicando a necessidade de intervenções de enfermagem. Esses déficits manifestam-se de formas distintas e demandam diferentes sistemas de enfermagem, ocorrendo especialmente quando o participante não apreende as orientações de forma segura, resultando em práticas potencialmente perigosas.8

Na perspectiva da Teoria do Déficit de Autocuidado de Orem, os estados emocionais e as percepções negativas não são meras consequências, mas fatores condicionantes básicos que atuam como barreiras diretas à agência de autocuidado. Soma-se a isso a vulnerabilidade socioeconômica, em que a limitação de renda restringe o acesso a recursos essenciais, como nutrição adequada e materiais de curativo, transporte, reforçando escolhas difíceis que podem retardar a recuperação.14 A dor persistente e a mobilidade reduzida, por sua vez, operam como barreiras físicas e psicológicas que limitam o acesso aos serviços e a integração social, associando-se a desfechos clínicos desfavoráveis e ao declínio da qualidade de vida.5,15,16

Para superar tais desafios, o sistema de enfermagem deve atuar no fortalecimento da agência de autocuidado. Torna-se fundamental investir em políticas públicas que assegurem o fornecimento de insumos, a acessibilidade aos serviços e a capacitação permanente dos profissionais, focando em tecnologias atualizadas para o tratamento de feridas. Assim, para o alcance do autocuidado efetivo, é imperativo compreender as singularidades de cada pessoa, proporcionando projetos terapêuticos mais resolutivos. Portanto, a abordagem de enfermagem deve ser planejada como um sistema de apoio-educação, focando não apenas na lesão, mas na validação dos sentimentos, no resgate da autoestima e no fortalecimento da identidade do indivíduo, para além de sua condição patológica.6,8

Entende-se que a função primordial da enfermagem, como componente da equipe da ESF, no manejo dessas feridas é atuar como um sistema parcialmente compensatório.8 Essa atuação é vital para minimizar o déficit de autocuidado, promover a autonomia e garantir a continuidade do tratamento no domicílio, fortalecendo a capacidade de gerenciamento da própria saúde. A ESF constitui, assim, um suporte indispensável para o provimento de recursos e educação.11,12

Ao executar cuidados técnicos com competência e estabelecer vínculos de confiança, a equipe de enfermagem potencializa a adesão e a segurança do paciente. Por meio de uma interação qualificada, a enfermagem na ESF realiza, sob demanda, o acompanhamento das pessoas com feridas de difícil cicatrização por meio de ações assistenciais e de educação, com vistas ao estímulo da resiliência e do autocuidado.

Em meio a tais adversidades, a fé e a espiritualidade emergem como poderosos fatores condicionantes positivos, oferecendo força, conforto e esperança. Os achados deste estudo revelam que muitos pacientes encontram na espiritualidade um sentido para a continuidade da vida e um mecanismo de enfrentamento para o sofrimento. Essa dimensão influencia diretamente a disposição para o autocuidado, provendo a motivação que, por vezes, o tratamento clínico isolado não consegue gerar.17 A espiritualidade constitui, portanto, um dos pilares do cuidado, permitindo que as pessoas atribuam significado à dor e mantenham a esperança frente a prognósticos incertos e tratamentos prolongados, o que impacta positivamente na longitudinalidade do cuidado, na qualidade de vida e no bem-estar geral.

CONSIDERAÇÕES FINAIS E IMPLICAÇÕES PARA A PRÁTICA

Este estudo evidenciou que o autocuidado de pessoas com feridas de difícil cicatrização nos membros inferiores constitui um processo complexo, uma vez que perpassa pela agência da pessoa, coexiste com déficits de autocuidado influenciados por fatores biopsicossociais, espirituais e sistêmicos. Esta pesquisa contribui para o processo de trabalho do enfermeiro, na construção de um Projeto Terapêutico Singular que integra a escuta qualificada, dialogicidade e o planejamento participativo com vistas à motivação para o autocuidado e autonomia, conforme preconiza a Teoria de Orem.

Como limitação deste estudo, destaca-se o recorte temporal restrito, condicionado ao cronograma acadêmico do curso. Essa característica inviabilizou a realização de um acompanhamento longitudinal, o que permitiria uma avaliação da sustentabilidade das práticas de autocuidado com a ferida no ambiente domiciliar ao longo do tempo. Embora o pesquisador tenha procurado estabelecer uma relação cordial e amigável durante a coleta de dados o tempo médio de duração das entrevistas foi de 10 minutos. Acredita-se que investigar o cuidado que a pessoa realiza no seu cotidiano pode comprometer o diálogo pelo receio de ser avaliada a sua prática de autocuidado. Em vista disso, foi utilizado também como técnica de coleta o diário de campo e a observação.

Sugere-se, para pesquisas futuras, o desenvolvimento de estudos que realizem o acompanhamento longitudinal das práticas de autocuidado com a ferida no domicílio, o que poderá oferecer dados que possibilitem o aprimoramento das ações de educação para a saúde.

Ademais, os resultados deste estudo reforçam que é premente se repensar o modelo de cuidado à pessoa com ferida de difícil cicatrização na Estratégia Saúde da Família, movendo o foco do simples oferecimento de materiais para curativos e execução de procedimentos para a construção de um sistema de enfermagem que desenvolva um cuidado em parceria com os demais membros da equipe de saúde, que busque a dialogicidade e a integralidade centradas nas necessidades e potencialidades de cada pessoa.

Como o autocuidado é influenciado por diversos aspectos, é fundamental que as políticas públicas favoreçam o cuidado dessas pessoas, que a gestão dos serviços de saúde, garantam número adequado de profissionais para atuarem na área adscrita da Estratégia Saúde da Família, bem como a capacitação periódica, espaço físico adequado e o fornecimento dos materiais e insumos necessários ao tratamento.

Para o ensino, destaca-se a necessidade de formar enfermeiros com uma visão ampliada do cuidado e autocuidado, que apliquem o processo de enfermagem fundamentado em uma teoria e sejam capazes de lidar com a complexidade humana frente a uma ferida de difícil cicatrização nos membros inferiores, especialmente quando existem lacunas entre as demandas de autocuidado e sua capacidade de realizá-la.

AGRADECIMENTOS

Expressamos nossa profunda gratidão a todos aqueles que, de maneira direta ou indireta, contribuíram para a concretização desta pesquisa e a elaboração deste manuscrito, produto da Dissertação de Mestrado.

Um agradecimento especial e ético é dedicado a todos os participantes da pesquisa, pessoas com feridas de difícil cicatrização nos membros inferiores, que generosamente compartilharam suas experiências e vivências, tornando este estudo possível. Sua colaboração é a essência deste trabalho.

Estendemos nosso agradecimento à Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL-MG), em particular aos docentes do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem, por compartilharem seus conhecimentos e por proporcionarem um ambiente acadêmico de excelência, que contribuiu significativamente para a formação profissional e o aprimoramento científico.

Por fim, manifestamos nossa gratidão a todos os autores e pesquisadores cujas obras foram incluídas e serviram de base para a fundamentação teórica deste trabalho, enriquecendo a discussão e a análise dos resultados.

DISPONIBILIDADE DE DADOS DA PESQUISA

Os dados estarão disponíveis sob demanda ao autor correspondente, por e-mail, devido ao risco de identificação dos participantes.

  • a
    Extraído da dissertação – Autocuidado de Pessoas com Feridas de Difícil Cicatrização nos Membros Inferiores Acompanhadas nas Estratégias Saúde da Família de um Município do Sul de Minas Gerais, apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Enfermagem, da Universidade Federal de Alfenas - UNIFAL, em 2025.
  • FINANCIAMENTO
    O presente trabalho foi realizado com o apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – Brasil (CAPES) – Código de Financiamento 001.

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Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    18 Set 2026
  • Data do Fascículo
    2026

Histórico

  • Recebido
    13 Nov 2025
  • Aceito
    30 Jul 2026
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