A partir da ideia de esgarçamento da causalidade, característica presente em narrativas do século XX em diante, em que a lei de causa e efeito entre os acontecimentos se dissolve, o presente artigo analisa “Então, adeus!”, crônica de Lygia Fagundes Telles (2007), sob a ótica da fragmentação da linguagem como recurso narrativo, bem como os efeitos de sentido que dela decorrem. Diante disso, ganha relevância a maneira como o funcionamento da materialidade da língua engendra acontecimentos quase inexistentes e trivialidades, bem como demais elementos narrativos, como narrador, personagens e espaço, fazendo com que se articulem nas dobras das palavras. Com base nesses aspectos e valendo-se de pressupostos da análise de discurso materialista, o trabalho visa examinar ainda de que modo a enunciação da narrativa se relaciona com a constituição do sujeito, formações discursivas e interdiscursos presentes na dimensão simbólica que a palavra traz consigo.
Palavras-chave:
análise de discurso; materialidade; enunciação; fragmento