fp
Fisioterapia e Pesquisa
Fisioter. Pesqui.
2316-9117
Universidade de São Paulo
RESUMEN
La práctica de judo integra situaciones variadas de contacto físico y exigencias específicas, tornándole una modalidad competitiva y con alto índice de lesiones músculo-esqueléticas (LME). Este estudio transversal tuvo por objectivo describir la epidemiología de LME y analizar la relación entre diferentes características y la aparición de lesión en judocas. La casuística integró 111 participantes de ambos los sexos. Para tomar informaciones sobre lesiones, se utilizó una investigación de morbilidad referida. Para análisis estadística, fue empleada la prueba de Goodman de proporciones multinomiales. La relación entre factores asociados con LME fue evaluada por medio de regresión logística. Fueron relatados 135 LME, con prevalencia de 65% (72 deportistas), totalizando 1,22 LME/atleta. La mayoría de los relatos fue constituida por lesiones articulares derivadas de traumas (n=50 casos, 37%), considerándose que esquince de tobillo (25,2%) y luxación de hombro (17,8%) fueron los casos con mayor frecuencia. Entre las lesiones óseas, se verificó mayor proporción de casos graves (25 casos; 18,5%). Sexo y carga horária semanal se constituyeron como las principales características predictivas para aparición de LME en el judo (p<0,001). Se concluye que las lesiones articulares traumaticas en tobillo y hombro fueron las principales LME en el judo. Sexo masculino y mayor carga horária semanal se constituyeron como las principales características preditivas de lesión entre judocas.
INTRODUÇÃO
Classicamente, o judô é uma das modalidades esportivas mais praticadas no mundo, constituída por um grande número de técnicas e bases filosóficas de grande valor na formação do indivíduo1), (2. Entretanto, a prática sistemática de judô integra situações variadas de contato físico e exigências técnicas específicas de agilidade, velocidade, coordenação motora, potência e, sobretudo, força física para execução de golpes, com alta competitividade2. Quando conjugadas ao contínuo requerimento por aprimoramento físico e técnico comum ao treinamento físico competitivo, essas demandas podem se constituir em fatores predisponentes à instalação de lesões musculoesqueléticas (LME)3), (4.
No contexto fisiopatológico, além de demandas específicas da modalidade, a ocorrência de LME tem natureza multifatorial e está associada a diferentes características, incluindo-se atributos intrínsecos, como sexo, características antropométricas, condição física, histórico de treinamento, entre outros3), (4. Embora diferentes fatores possam modular a susceptibilidade à instalação de LME, sua identificação isolada possui potencial impreciso ao não se considerar a possível interação entre diferentes agentes de natureza extrínseca e/ou intrínseca3), (4. Nesse aspecto, poucos trabalhos mostraram a relação entre essas características e a ocorrência de LME no judô1), (5), (6), (7. Levando-se em conta a revisão de Pocecco et al.6, grande parte desses estudos são relatos transversais breves, integrando participantes de competições5), (6), (7. Além disso, embora as lesões articulares sejam altamente prevalentes5, não foram encontrados estudos que tenham descrito a relação entre características extrínsecas e/ou intrínsecas e a ocorrência de agravos específicos derivados da prática competitiva de judô.
Este trabalho foi proposto para caracterizar a ocorrência de LME e analisar a relação entre diferentes características e a instalação de agravos em esportistas praticantes de judô. Como hipótese inicial, espera-se que as lesões articulares em membros inferiores e decorrentes de traumas sejam as mais prevalentes entre os judocas. Na perspectiva fisiopatológica, admite-se que sexo e massa corporal7 configurem-se como os principais fatores relacionados à instalação de lesões na modalidade de judô.
METODOLOGIA
Natureza e casuística do estudo
Este estudo é predominantemente descritivo e tem natureza transversal retrospectiva. A casuística foi constituída de forma intencional e abrangeu 111 praticantes de judô de Campo Grande (MS), com registro na Federação de Judô de Mato Grosso do Sul (FJMS). Para determinação do tamanho amostral sob nível de significância de 95%, foi estipulada prevalência mínima de 98,7%, conforme documentado em estudo prévio1, que integrou público-alvo com descrição similar à casuística deste trabalho. Assim, tendo por base a população de atletas confederados e residentes em Campo Grande (MS), que é constituída por aproximadamente 1.640 judocas, obteve-se amostragem mínima de 95 sujeitos para serem incluídos no estudo.
Sobre faixa etária, foram considerados somente esportistas com idade igual ou superior a 12 anos completos. Não foram incluídos no estudo voluntários com histórico de prática esportiva menor do que um ano ou sob recuperação de LME, ou outra condição inflamatória. Os participantes e/ou seus responsáveis foram informados sobre os objetivos da pesquisa e do caráter voluntário de participação. Todos os sujeitos ou seus responsáveis assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido. Esta pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), com parecer número 575.782/2014.
Procedimentos de registro e caracterização de LME
Os procedimentos de coleta de informações foram feitos no início da temporada de 2015 para minimizar os efeitos de atividades de treino e eventuais competições. As informações sobre peso e estatura foram obtidas por meio de entrevistas. A obtenção de dados se iniciou com a abordagem do participante e/ou de seu responsável, seguida por solicitação e registro de anotações. Para caracterização geral dos voluntários, além de dados antropométricos, foram tomadas informações sobre histórico de prática de judô, dominância lateral e categoria.
A coleta de informações sobre LME foi realizada por inquérito de morbidade referida, ferramenta muito utilizada para registro de agravos à saúde em geral, não demandando avaliação clínica ou exame complementar8. Todos os procedimentos de coleta foram realizados por um único pesquisador, treinado no manejo do inquérito de morbidade, desde a abordagem ao participante até as anotações protocolares e de procedimentos clínicos. Vale ressaltar que a casuística foi constituída por esportistas confederados, com histórico de prática competitiva igual ou maior a um ano. Variados autores3), (9), (10), (11 utilizaram instrumento semelhante, com a justificativa da importância da LME para o atleta de competição, para coletar informações retroagindo a períodos longos desde a instalação do agravo até o momento da entrevista.
Para efeito de estudo, as LME foram definidas como qualquer condição associada à vigência de dor e/ou disfunção musculoesquelética derivada de circunstâncias de treinamento ou competições, causando alteração e/ou interrupção da prática de atividades esportivas integradas ao treinamento da modalidade, seja em forma, duração, intensidade ou frequência12. O conceito de lesão esportiva utilizado neste trabalho foi esclarecido a cada participante do estudo na ocasião de abordagem prévia à entrevista para tomada de informações. Foram consideradas as lesões vigentes em até 10 anos de prática regular de judô. O presente período integra a atuação regular da maioria dos participantes como atletas inscritos na FJMS.
Para caracterização das LME, foram obtidos dados sobre ocorrência, natureza, frequência, localização anatômica e condição causadora de lesão. Quanto à natureza, foram consideradas lesões miotendíneas, articulares e ósseas; para a definição de localização anatômica, foram descritos segmentos de cabeça e pescoço, tronco, membros superiores e membros inferiores. Em relação à condição causadora, optou-se pelo registro de circunstâncias de treino físico, que integraram atividades de aquecimento e treinamento resistido em academia, treino técnico, constituído por gestual específico do judô sem combate, ou traumas de luta, essencialmente ligadas a lutas em treinos e/ou competições.
Os participantes foram também inqueridos sobre a eventual necessidade de requisição por abordagem médico-terapêutica para cada caso de LME. Isso foi considerado nas ocasiões em que a LME repercutiu em abordagem e tratamento por algum profissional da Saúde13. Já o regresso às atividades esportivas foi classificado como sintomático ou assintomático, levando-se em conta persistência de dor e disfunção ao retorno, como também retomada de atividades esportivas. Em relação ao tempo de afastamento, a severidade das LME catalogadas foi descrita segundo três categorias: leve (até 7 dias de afastamento), moderada (8 a 28 dias) e grave (acima de 28 dias)1), (14), (15.
Análise estatística
Os resultados de ocorrência de LME foram expressos no formato descritivo. A taxa de lesão por 1000 horas de exposição foi obtida a partir da relação entre número de lesões e horas de exposição multiplicada por 100016. Para análise dos dados de proporção, foi utilizado o teste de Goodman para contrastes entre e dentro de populações multinomiais17. Para investigar a relação entre fatores associados com lesão e ocorrência de LME, foi construído modelo de regressão logística com desfecho binário.
Com base na associação entre fatores associados e agravos no judô, foi realizada análise de ocorrência de lesões, segundo carga horária de exposição e sexo. Para tanto, a variável carga horária foi categorizada em duas classes ordinais, adotando-se a mediana como medida dicotômica. Para comparar a taxa de ocorrência de lesões por 1000 horas de exposição segundo carga horária e sexo, foi utilizado teste t de Student. Todas as conclusões foram discutidas para 5% de significância estatística.
RESULTADOS
A casuística foi constituída por 71 homens e 40 mulheres. No contexto demográfico e antropométrico, possuíam 22,0±7,9 anos de idade, 70,6±13,1 kg de massa corporal, 171±10 cm de estatura e 79,7±57,5 meses de prática de judô. A carga horária semanal de prática de treinamento de judô totalizou 7,54±1,67 horas.
No aspecto epidemiológico, foram registrados 135 casos retrospectivos de LME derivados da prática de judô, com prevalência de acometimentos equivalente a 64,8% (72 participantes). A taxa de ocorrência totalizou 1,22 LME/atleta, 1,90 LME/atleta lesionado e 1,36±0,87 LME/1000 horas de exposição. Todas as ocorrências se deram em período competitivo de treinamento.
Considerando-se a distribuição de LME segundo natureza e mecanismo causal, a maioria dos relatos foi constituída por lesões articulares traumáticas (n=50 casos, 37%; Tabela 1).
Tabela 1
Distribuição relativa (%) e absoluta de lesões musculoesqueléticas no judô segundo natureza e condição etiológica
Natureza
Condição etiológica
Total
Treino físico (%)
Trauma (%)
Treino técnico (%)
Miotendínea
14,6 (7)
81,3 (39)*
4,2 (2)#
100,0 (48)
Articular
7,4 (4)
92,6 (50)*
0,0 (0)#
100,0 (54)
Óssea
0,0 (0)†
93,9 (31)*
6,1 (2)#
100,0 (33)
Total
11
120
4
135
*p<0,05 versus treino físico; #p<0,05 versus trauma; †p<0,05 versus miotendínea. Teste de Goodman para contraste entre e dentro de populações multinomiais.
Entre as lesões articulares derivadas de traumas, no Gráfico 1, pode-se comprovar que entorse de tornozelo (17 casos, 34%) e luxação de ombro (12 casos, 24%) foram as principais ocorrências notificadas.
Gráfico 1
Proporção de LME de natureza articular segundo local e mecanismo de instalação
Ademais, a distribuição de LME segundo natureza e região anatômica é apresentada na Tabela 2. As lesões ósseas foram as mais frequentes nos membros superiores (27 casos; 20,0%), enquanto as miotendíneas (24 casos; 17,8%) e as articulares (25 casos; 18,5%) se destacaram nos membros inferiores. Em termos absolutos e relativos, as lesões articulares em membros superiores (26 casos; 19,3%) e inferiores (25 casos; 18,5%) configuraram-se como os principais registros.
Tabela 2
Distribuição relativa (%) e absoluta de LME no judô segundo natureza e região anatômica de instalação
Natureza
Localização
Total
Cab/Cerv (%)
MMSS (%)
Tronco (%)
MMII (%)
Miotendínea
0,0 (0)
41,7 (20)*
8,3 (4)#
50,0 (24)*$
100,0 (48)
Articular
1,9 (1)
48,1 (26)*
3,7 (2)#
46,3 (25)*$
100,0 (54)
Óssea
3,0 (1)
81,8 (27)*†
3,0 (1)#
12,1 (4)#†£
100,0 (33)
Total
2
73
7
53
135
Cab/Cerv: cabeça e região cervical; MMSS: membros superiores; MMII: membros inferiores. *p<0,05 versus Cab/Cerv; #p<0,05 versus MMSS; $p<0,05 versus tronco; †p<0,05 versus miotendínea; £p<0,05 versus articular. Teste de Goodman para contraste entre e dentro de populações multinomiais
A proporção de LME segundo natureza e severidade é exposta na Tabela 3. Constata-se que a maioria dos relatos integrou lesões articulares de moderada severidade (28 casos; 20,7%) e ósseas graves (25 casos; 18,5%).
Tabela 3
Distribuição relativa (%) e absoluta de LME no judô, segundo natureza e severidade
Natureza
Severidade
Total
Leve (%)
Moderada (%)
Grave (%)
Miotendínea
25,0 (12)
41,7 (20)
33,3 (16)
100,0 (48)
Articular
18,5 (10)
51,9 (28)*
29,6 (16)
100,0 (54)
Óssea
12,1 (4)
12,1 (4)†£
75,8 (25)*#†£
100,0 (33)
Total
26
52
57
135
*p<0,05 versus leve; #p<0,05 versus moderada; †p<0,05 versus miotendínea; £p<0,05 versus articular. Teste de Goodman para contraste entre e dentro de populações multinomiais
A maioria das lesões (97 casos, 72%) repercutiu em necessidade de abordagem médico-terapêutica. Contudo, constatou-se que 76 casos (56%) se relacionaram com manifestação sintomática de dor/disfunção ao retorno das atividades.
Sobre a relação entre fatores associados a lesão e ocorrência de LME no judô, a análise de regressão logística mostrou que o risco de lesão é menor no sexo feminino (p=0,008; OR=0,18; IC 95%, 0,05-0,63). Em contraste, as chances de lesão aumentam em mais de 60% a cada incremento de 50% na carga horária semanal de treinamentos (p=0,009; OR=1,64; IC 95% 1,13-2,38). O modelo de regressão obtido mostrou ajuste estatisticamente significativo (p<0,001).
Tabela 4
Coeficientes de regressão logística binária para os fatores associados a LME no judô
Fator de Risco
Regressão logística
Coeficiente
OR
IC (95%)
p-value
Linf
Lsup
Constante
3,664
-
-
-
0,522
Sexo feminino
-1,738
0,176
0,049
0,629
0,008*
Idade
0,043
1,044
0,956
1,140
0,336
Estatura
-4,900
0,007
0,000
29,716
0,247
MC
-0,010
0,990
0,927
1,057
0,763
HT
-0,008
0,992
0,978
1,007
0,314
CHsem
0,496
1,642
1,130
2,384
0,009 *
MdomD
0,407
1,503
0,422
5,344
0,529
Categoria (faixa)
Branca
37,778
2,552 × 1016
0,000
-
1,000
Cinza
38,416
4,828 × 1016
0,000
-
1,000
Azul
1,856
6,397
0,620
66,034
0,119
Amarela
1,611
5,006
0,452
55,447
0,189
Laranja
0,726
2,068
0,204
20,979
0,539
Verde
0,262
1,300
0,163
10,391
0,805
Roxa
1,469
4,343
0,629
29,968
0,136
Marrom
-0,204
0,815
0,126
5,279
0,830
OR: odds ratio; IC: intervalo de confiança; Linf: limite inferior; Lsup: limite superior; MC: massa corporal; HT: histórico de treinamento; CHsem: carga horária de treinamento semanal; MdomD: membro dominante direito. *p<0,05
Neste estudo, a maioria dos casos de lesão foi documentada por judocas do sexo masculino (82 casos; 60,7% do total), o que resultou em 2 LME/atleta lesionado, comparado a 1,71 LME/atleta lesionado do sexo feminino. Apesar disso, a amostra de judocas mulheres revelou maiores taxas de prevalência (77,5% versus 56,3% dos homens), ocorrência de lesões por atleta (1,33 versus 1,15 LME/atleta nos homens) e por 1000 horas de exposição (1,40±0,16 versus 1,26±0,14 LME/1000 horas nos homens; p>0,05), em comparação aos participantes masculinos.
No grupo feminino, o maior número de casos se concentrou entre judocas com exposição semanal maior ou superior a 7 horas de treino (34 casos de LME; 65,4% do total). Além disso, as participantes com exposição semanal maior do que 7 horas de treino mostraram maiores resultados de prevalência (51,6% versus 45,2%) e taxa de ocorrência de agravos (2,13 LME/atleta versus 1,29 LME/atleta), em comparação ao grupo de menor exposição, com até 7 horas de carga horária. Entre os homens, a taxa de ocorrência foi ampliada no grupo com carga horária superior a 7 horas de treinamento semanal (2,71 LME/atleta versus 1,63 LME/atleta).
DISCUSSÃO
Este estudo teve por finalidade analisar as LME e investigar a relação entre diferentes características e a instalação de lesões em judocas. As lesões articulares derivadas de condições traumáticas afetando regiões segmentares de membros superiores e inferiores constituíram os principais registros. Sexo e carga horária semanal de treinamento foram os principais fatores associados à ocorrência de LME, corroborando-se, portanto, grande parte das hipóteses iniciais. Porém, a relação entre atributos antropométricos e ocorrência de LME não se materializou neste trabalho.
O judô, assim como outras modalidades de luta e esportes de contato, apresenta importante número de LME entre praticantes5), (18. Neste estudo, foram documentados 135 LME derivadas da prática sistemática de judô e que envolveram a maioria dos participantes (65%), um valor semelhante às taxas recentemente vistas em atletas de elite19), (20), (21. O índice de ocorrência de 1,22 LME/atleta foi muito próximo ao valor obtido por Souza et al.21, de 1,18 LME/atleta, analisando judocas brasileiros de alto rendimento. É importante esclarecer que nossa casuística foi integralmente constituída por esportistas federados e com experiência competitiva em diferentes torneios nacionais. Aproximadamente 45% da amostra (52 participantes) integravam as três categorias de maior nível técnico do judô: faixas roxa (n=13), marrom (n=21) e preta (n=18).
Nessa perspectiva, independente da natureza, a ocorrência de LME se associou a situações de trauma/contato. No contexto extrínseco, lesões comuns ao judô são muito relacionadas a movimentos específicos, que incluem ações de puxar, empurrar, arremessar e estrangular2. A prática da modalidade é caracterizada por intenso contato corporal e movimentos em cadeia cinética fechada1), (2), (5), (6, o que repercute em importante sobrecarga articular, seja em posição ortostática ou em combate solo. Quedas decorrentes de arremessos e/ou projeções por ação do oponente têm constituído a principal causa de lesões, respondendo por 70% dos casos de LME22), (23. O ippon, considerado o golpe perfeito, ocorre devido à projeção do adversário em queda com as costas por completo no tatame, o que contribui para numerosas situações de trauma2.
Diferentemente, a ocorrência de lesões miotendinosas superou a instalação de agravos articulares em circunstâncias de treinamento físico (Tabela 1), integradas por atividades de aquecimento, treinamento físico resistido ou treino técnico. Tais condições são essencialmente ligadas a demandas de força, potência e flexibilidade, executadas em cadeia cinética aberta, e com importante sobrecarga miotendínea1), (2), (11.
Os casos de entorse de tornozelo e luxação de ombro constituíram-se como os principais registros de lesão articular traumática (Gráfico 1). Diferentes autores1), (7 relatam que LME no ombro são associadas a técnica inadequada, combinada a quedas e/ou contato direto com adversário de maior porte físico. No combate, ocorrem mudanças dinâmicas de posição devido à movimentação, requerendo do judoca combinações de força e resistência para controlar a distância entre ele e o oponente1), (2. No gestual de ataque, são verificadas importantes demandas de potência muscular de membros inferiores2, o que também confere sobrecarga em joelhos e tornozelos.
Levando-se em conta a severidade das lesões, constatou-se maior ocorrência de lesões classificadas como grave (afastamento superior a 28 dias), destacando-se os casos de natureza óssea. De fato, os intervalos de tempo necessários para o processo de recuperação e consolidação do tecido ósseo após ocorrência de fraturas totalizam, em média, 28 a 30 dias de afastamento24. Por sua vez, as lesões articulares de moderada severidade (8 a 28 dias de afastamento) tiveram maior frequência absoluta. Em revisão sistemática, Pocecco et al.5 concluíram que luxações e entorses articulares são mais prevalentes entre atletas adultos e competidores de elite, os quais têm maiores níveis de força muscular25. Como já referido, a casuística deste trabalho tinha grande parcela de atletas de nível competitivo, sendo 75 adultos (68%) e com importante histórico de prática.
Ainda, sexo e carga horária semanal emergiram como os principais fatores preditivos para ocorrência de LME. Há relatos conflitantes sobre diferenças na predisposição de homens e mulheres a LME no judô26), (27. Enquanto autores mostraram semelhanças26, há também evidência de maior risco de LME para homens27. Na perspectiva biomecânica, esportistas de elite de ambos os sexos utilizam técnicas similares em combates olímpicos28. Nesse sentido, é provável que a maior susceptibilidade de judocas masculinos esteja ligada à maior competitividade e/ou diferenças de categoria. Com razão, os homens concentraram a maior parte dos casos de lesão neste trabalho. Outros autores constataram maior ocorrência de LME com a evolução técnica no processo de graduação por faixas29.
Combinado ao sexo, a carga horária semanal constituiu outro fator associado com a ocorrência de LME. Para a melhora do desempenho atlético, as sobrecargas de treino devem ser acompanhadas por discreta fadiga e reduções agudas no desempenho, alternadas com períodos apropriados de recuperação30. Quando a sobrecarga excessiva de treinamento é combinada com recuperação inadequada, há instalação do estado de supratreinamento (overtraining)30. De fato, a exposição semanal maior do que 7 horas de treino culminou em altas taxas de ocorrência de lesões no sexo feminino (2,13 LME/atleta) e masculino (2,71 LME/atleta). Com a maior demanda, portanto, tem-se a ampliação da susceptibilidade do judoca à ocorrência de LME.
Por fim, cabe esclarecer que o treinamento de judô em nossa realidade caracteriza-se pela sistemática repetição de técnicas ofensivas e defensivas e, sobretudo, o sparring, baseado no duelo livre entre dois ou mais lutadores. Tem-se, portanto, que o exaustivo aprimoramento de combate, requisitado na prática competitiva de judô, aliado à carência de preparação física decorrente da não sistematização do treinamento, podem ter colaborado para a maior ocorrência de LME traumáticas, majoritariamente ligadas a ocasiões de combate. Possivelmente, essas características contribuíram para o papel minoritário de outras condições etiológicas e específicas do treinamento físico e técnico de judô, incluindo-se solicitações biomecânicas e fisiológicas, como mecanismos causadores de LME, neste estudo.
Além dessas limitações relacionadas à conveniência amostral, não se pode descartar o possível viés de memória retrospectiva dos participantes, considerando-se o delineamento transversal desta investigação. Portanto, futuros estudos necessitam ser conduzidos para confirmar se os achados deste trabalho são também observados em análises longitudinais e entre atletas de judô de outras localidades e centros de treinamento. Da mesma forma, é importante que o potencial de intervenções preventivas, como treinamento proprioceptivo segmentar, seja investigado na busca da instituição de medidas profiláticas para tratamento e preservação da saúde do atleta de judô.
CONCLUSÃO
As lesões articulares traumáticas com localização em ombro e no tornozelo ou pé foram as principais LME no judô. Sexo masculino e maior carga horária semanal constituíram os principais fatores associados com a instalação de LME entre judocas.
REFERÊNCIAS
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Sena
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Melo
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Taciro
C
Carregaro
RL
Oliveira
SA
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Análise da flexibilidade segmentar e prevalência de lesões no futebol segundo faixa etária
Fisioter Pesqui
2013
20
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Ruedl
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Gutiérrez-Garcia
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2013
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Burini
FHP
Oliveira
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Burini RC Adaptações metabólicas ao treinamento contínuo: concepções não consensuais de terminologia e diagnóstico
Rev Bras Med
Esporte
2010
10
5
388
392
10.1590/S1517-86922010000500014
Fonte de financiamento: Recursos próprios
3
Aprovado pelo Comitê de Ética: parecer nº 575.782. CAAE 26918914.2.0000.0021.
ORIGINAL RESEARCH
Musculoskeletal injuries in judo practitioners
Manzato
Ana Laura Gil
1
Camargo
Hugo Parra de
1
Graças
Dayana das
2
Martinez
Paula Felippe
2
Oliveira
Silvio Assis de
Júnior
2
1
Student of Physical Therapy from the Instituto Integrado de Saúde (INISA) at Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) - Campo Grande (MS), Brazil.
2
Professor of Physical Therapy from the Instituto Integrado de Saúde (INISA) at Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Campo Grande (MS), Brazil.
Corresponding address: Silvio A. Oliveira Júnior - School of Physical Therapy, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, no number, Universitário, Cidade Universitária - Campo Grande, MS, Brazil - Zip Code: 79070-900 - Email: oliveirajr.ufms@gmail.com
Conflict of interests: No conflict
ABSTRACT
Practice of judo integrates varied situations of physical contact and specific requirements, which makes it a competitive modality with a high rate of musculoskeletal injuries (MSI). This cross-sectional study aimed to describe MSI epidemiology and analyze the relationship among different characteristics and injury occurrence in judo practitioners. Casuistry was formed by 111 participants of both sexes. To gather information about injuries, a morbidity survey was used. For statistical analysis, Goodman’s test of multinomial proportions was taken. Relationship among factors associated with MSI was assessed through logistic regression. We reported 135 MSI, with 65% prevalence (72 subjects), totaling 1.22 MSI/athlete. Most reports consisted of joint lesions resulting from trauma (n=50 cases, 37%); ankle sprain (25.2%) and shoulder dislocation (17.8%) were the cases with the highest frequency. Regarding bone lesions, there was higher proportion of serious cases (25 cases; 18.5%). Sex and weekly workload constituted the main predictive characteristics for MSI occurrence in Judo (p<0.001). The conclusion was that joint traumatic lesions on ankle and shoulder were the main MSI in Judo. The male sex and bigger weekly workload constituted the main predictive characteristics for lesion in Judo practitioners (p<0.001).
Keywords:
Martial Arts
Athletic Injuries
Epidemiology
INTRODUCTION
Classically, Judo is one of the most practiced sports in the world, consisting of a large number of technical and philosophical bases, with great value in development of individuals1), (2. However, the systematic practice of judo integrates varied situations of physical contact and specific technical requirements of agility, speed, motor coordination, potency and, especially, physical strength to execute the techniques, with high competitivity2. When combined with continuous requirement for physical and technical improvement that are common in competitive physical training, these demands can constitute predisposition factors for musculoskeletal injuries (MSI)3), (4.
In the physiopathological context, in addition to specific demands of the modality, MSI occurrence has multifactorial nature and is associated with different characteristics, including intrinsic attributes such as sex, anthropometric characteristics, physical condition, training history and others3), (4. Although different factors can modulate susceptibility to MSI, their isolated identification has inaccurate potential if we do not consider a possible interaction between different agents of extrinsic and/or intrinsic nature3), (4. In this respect, few studies have shown relationship between these characteristics and occurrence of MSI on judo1), (5), (6), (7; considering the revision by Pocecco et al.6, most of these studies are cross-sectional brief reports that integrated competition participants5), (6), (7. In addition, although joint injuries are highly prevalent5, we found no studies describing relationship between extrinsic and/or intrinsic characteristics and occurrence of specific health problems derived from the competitive Judo practice.
This study was proposed to characterize MSI occurrence and analyze relationship among different characteristics and injuries in Judo practitioners. As the initial hypothesis, it is expected that joint injuries in lower limbs caused by traumas are the most prevalent among judo sportspeople. In the physiopathological perspective, it is assumed that sex and body mass7) configure the main factors associated with injuries related to the Judo practice.
METHODOLOGY
Nature and casuistry of the study
This study is mainly descriptive, cross-sectional and retrospective. To determine the sample size under a 95% significance level, a 98.7% minimum prevalence was stipulated, as documented in a previous study1, which integrated audience with a description similar to the casuistry of this work. Therefore, based on the population of confederate athletes who live in Campo Grande, MS, which is approximately 1,640 judo practitioners, the minimum sampling with 95 individuals was obtained for the study.
Regarding the age group, only athletes aged 12 or older were considered. In the study, we did not include volunteers with sport practice history shorter than a year or under MSI recovery or another inflammatory condition. Participants and/or their guardians were informed about the research objectives and about its participation voluntary character. All individuals or their guardians signed the informed consent form. This research was approved by the UFMS Research Ethics Committee, under protocol number 575,782/2014.
Registration procedures and characterization of MSI
Information collection procedures were carried out at the beginning of the 2015 season, to minimize effects of training activities and possible competitions. Information about weight and height were obtained through interviews. Data collection began with the approach of participants and/or their guardians, followed by request and registry of notes. For general characterization of volunteers, in addition to anthropometric data, information on Judo practice history, lateral dominance and category were obtained.
Information collection on MSI was accomplished through a referred morbidity survey. This tool is widely used for registration of health problems in general and does not demand clinical evaluation or complementary examination8. All collection procedures were conducted by one researcher, trained in the morbidity survey handling, since approaching of participants until protocol and clinical procedure notes. It is worth mentioning that casuistry consisted of confederate sportspeople, with competitive practice history of exactly one year or more. Several authors3), (9), (10), (11 used similar tools, using MSI importance for competition athletes as a justification, to collect retroactive information to long periods since the injury beginning up to the moment of the interview.
For the study’s purpose, MSI was defined as any condition associated with pain and/or musculoskeletal dysfunction derived from training or competition circumstances, which causes alteration and/or interruption of sports activities’ practice and training, whether in the form, duration, intensity or frequency12. The concept of sports injury used in this study was clarified for all participants at the time of the approach before interviews for information collection. Existent injuries from up to ten years of judo’s regular practice were considered. Such period integrates regular activity of most participants as athletes enrolled in the Judo State Federation.
For the MSI characterization, data on occurrence, nature, frequency, anatomical location and causing condition of the injury were obtained. Regarding nature, we considered myotendinous, bone and joint injuries; for anatomical location definition, segments of the head, neck, trunk, upper and lower limbs were described. Concerning the causing condition, we chose registry of physical training circumstances, which integrated warm up activities and resistance training at a gym, technical training, which consists of specific judo gestures without combat, or fight traumas, essentially connected to fights in training and/or competitions.
Participants were also asked about possible need of a medical-therapeutic approach request for each MSI case. This was considered on occasions which MSI reverberated in approach and treatment by a health professional13. Return to sporting activities was classified as symptomatic or asymptomatic, taking into account persistence of pain and dysfunction when returning and restarting sporting activities. Regarding sick leave duration, MSI severity was described according to three categories: mild (up to 7 days of sick leave), moderate (8-28 days) and severe (over 28 days)1), (14), (15.
Statistical analysis
Results of MSI occurrence were expressed in the descriptive format. Injury rate for 1000 hours of exposure was obtained from the relationship between number of injuries and hours of exposure multiplied by 100016. For analysis of proportion data, Goodman’s test was used for contrasts between and within multinomial populations17. To investigate the relationship of factors associated with injury and MSI occurrence, a logistic regression model with binary outcome was built.
Based on the association between associated factors and Judo health issues, an analysis of injury occurrence was conducted, according to exposure workload and sex. To do it so, the variable workload was categorized into two ordinal classes, adopting the median as dichotomous measure. To compare the occurrence rate of injuries for 1000 hours of exposure according to workload and sex, the Student’s t test was used. All conclusions were discussed for 5% statistical significance.
RESULTS
Casuistry consisted of 71 men and 40 women. In the demographic and anthropometric contexts, they were aged 22.0±7.9, had 70.6±13.1 kg body mass, 171±10 cm height and 79.7±57.5 months of judo practice. The weekly workload of judo training practice totalized 7.54±1.67 hours.
In the epidemiological aspect, 135 retrospective MSI cases resulting from judo practice were registered, with occurrence prevalence equivalent to 64.8% (72 participants). Occurrence rate totalized 1.22 MSI/athlete, 1.90 MSI/injured athlete and 1.36±0.87 MSI/1000 hours of exposure. All occurrences happened during competitive training periods.
Considering MSI distribution according to nature and causal mechanism, most reports consisted of joint traumatic injuries (n=50 cases, 37%; Table 1).
Table 1
Relative (%), and absolute distribution of musculoskeletal injuries in Judo, according to nature and etiological condition
Nature
Etiological condition
Total
Physical training
Trauma (%)
Technical training
Myotendinous
14.6 (7)
81.3 (39)*
4.2 (2)#
100.0 (48)
Joint
7.4 (4)
92.6 (50)*
0.0 (0)#
100.0 (54)
Bone
0.0 (0)†
93.9 (31)*
6.1 (2)
100.0 (33)
Total
11
120
4
135
*p<0.05 versus physical training; #p<0.05 versis Trauma; †p<0.05 Myotendinous. Goodman’s test for contrasts between and within multinomial populations
Among joint injuries derived from trauma, in Graph 1, we can see that ankle sprain (17 cases, 34%) and shoulder dislocation (12 cases, 24%) were the main reported occurrences.
Graph 1
Proportion of MSI of joint nature, according to location and occurrence mechanism
Furthermore, MSI distribution according to nature and anatomical region is presented in Table 2. Bone injuries were more frequent on the upper limbs (27 cases; 20%), while the myotendinous injuries (24 cases; 17.8%) along with joint injuries (25 cases; 18.5%) were more frequent on the lower limbs. In absolute and relative terms, joint injuries on the upper limbs (26 cases; 19.3%) and lower limbs (25 cases; 18.5%) presented the main records.
Table 2
Relative (%) and absolute distribution of musculoskeletal injuries in Judo, according to nature and occurrence anatomical region
Nature
Location
Total
Head/Cerv (%)
UL (%)
Trunk (%)
LL (%)
Myotendinous
0.0 (0)
41.7 (20)*
8.3 (4)#
50.0 (24)*$
100.0 (48)
Joint
1,9 (1)
48.1 (26)*
3.7 (2)#
46.3 (25)*$
100.0 (54)
Bone
3.0 (1)
81.8 (27)*†
3.0 (1)#
12.1 (4)#†£
100.0 (33)
Total
2
73
7
53
135
Head/Cerv: head and cervical region; UL: upper limbs; LL: lower limbs; *p<0.05 versus Head/Cerv; #p<0.05 versus UL; $p<0.05 versus Trunk; †p<0.05 versus Myotendinous; £p<0.05 versus Joint. Goodman’s test for contrasts between and within multinomial populations
MSI proportion according to nature and severity is presented in Table 3. We noticed that most reports integrated joint injuries of moderate severity (28 cases; 20.7%); and severe bone injuries (25 cases; 18.5%).
Table 3
Relative (%), and absolute distribution of musculoskeletal injuries in Judo, according to nature and severity
Nature
Severity
Total
Mild (%)
Moderate (%)
Severe (%)
Myotendinous
25.0 (12)
41.7 (20)
33.3 (16)
100.0 (48)
Joint
18.5 (10)
51.9 (28)*
29.6 (16)
100.0 (54)
Bone
12.1 (4)
12.1 (4)†£
75.8 (25)*#†£
100.0 (33)
Total
26
52
57
135
*p<0.05 vs. Mild; #p<0.05 vs. Moderate; †p<0.05 vs. Myotendinous; £p<0.05 versus Joint. Goodman’s test for contrasts between and within multinomial populations
Most injuries (97 cases; 72%) reflected the need for medical-therapeutic treatment. However, we found that 76 cases (56%) related with symptomatic manifestation of pain/dysfunction when returning to the activities.
Regarding the relationship between factors associated with injury and occurrence of MSI in Judo, logistic regression analysis showed that risk of injury is lower in females (p=0.008; OR=0.18; 95%CI 0.05-0.63). In contrast, chances of injury raise by more than 60% at each increase of 50% on weekly training hours (p=0.009; OR=1.64; 95%CI 1.13-2.38). Regression model obtained presented a statistically significant adjustment (p<0.001).
Table 4
Binary logistic regression coefficients for factors associated with musculoskeletal injury in Judo
Risk factor
Logistic regression
Coefficient
OR
95%CI
p-value
Inf. L.
Sup. L.
Constant
3.664
-
-
-
0.522
Female
-1.738
0.176
0.049
0.629
0.008*
Age
0.043
1.044
0.956
1.140
0.336
Height
-4.900
0.007
0.000
29.716
0.247
B. M.
-0.010
0.990
0.927
1.057
0.763
T. H.
-0.008
0.992
0.978
1.007
0.314
W. T. WL.
0.496
1.642
1.130
2.384
0.009*
R. dom L.
0.407
1.503
0.422
5.344
0.529
Category (Belt)
White
37.778
2.552 × 1016
0.000
-
1.000
Gray
38.416
4.828 × 1016
0.000
-
1.000
Blue
1.856
6.397
0.620
66.034
0.119
Yellow
1.611
5.006
0.452
55.447
0.189
Orange
0.726
2.068
0.204
20.979
0.539
Green
0.262
1.300
0.163
10.391
0.805
Purple
1.469
4.343
0.629
29.968
0.136
Brown
-0.204
0.815
0.126
5.279
0.830
OR: odds ratio; CI: confidence interval; Inf. L.: inferior limit; Sup. L.: superior limit; B.M.: body mass; T. H.: training history; W. T. WL.: weekly training workload; R. dom L.: right dominant limb. *p<0.05
In this study, most injury cases were documented by male judo practitioners (82 cases; 60.7% out of total), which resulted in 2 MSI/injured athlete, compared with 1.71 MSI/injured athlete among females. Despite this, sample of judo sportswomen revealed higher prevalence rates (77.5% vs. 56.3% among men), higher occurrence of injuries per athlete (1.33 vs. 1.15 MSI/athlete in men) and for 1000 hours of exposure (1.40±0.16 vs. 1.26±0.14 MSI/1000 hours in men; p>0.05) compared with male participants.
In the women’s group, the largest number of cases was concentrated among judo practitioners with a weekly exposure higher than 7 hours of training (34 MSI cases; 65.4% out of total). In addition, participants with weekly exposure higher than 7 hours of training showed higher prevalence results (51.6% vs. 45.2%) and occurrence rate of health issues (2.13 MSI/athlete vs. 1.29 MSI/athlete), compared to the group with lower exposure, with up to 7 hours of workload. Among men, occurrence rate was expanded in the group with weekly training workload higher than 7 hours (2.71 MSI/athlete vs. 1.63 MSI/athlete).
DISCUSSION
This study aimed to analyze MSI and investigate the relationship among different characteristics and occurrence of injuries in judo practitioners. Joint injuries resulting from traumatic conditions that affect segmental regions of upper and lower limbs were the main records. Sex and training weekly hours were the main factors associated with MSI occurrence, therefore corroborating many of the initial hypotheses. However, the relationship between anthropometric attributes and MSI occurrence did not materialize in this study.
As well as other forms of fight and contact sports, Judo presents an important number of MSI among practitioners5), (18. In this study, 135 MSI were documented derived from the systematic practice of judo and that involved the majority of participants (65%), a value similar to the rates recently seen in elite athletes19), (20), (21. Occurrence index of 1.22 MSI/athlete was very close to the value obtained by Souza et al.21, which was 1.18 MSI/athlete, analyzing high efficiency Brazilian Judo sportspeople. It is important to clarify that our casuistry fully consisted of federated sportspeople with competitive experience in several national tournaments. Approximately 45% of the sample (52 participants) belonged to the three categories of judo higher technical level: purple belt (n=13), brown belt (n=21) and black belt (n=18).
In this perspective, regardless of nature, MSI occurrence was associated with situations of trauma/contact. In the extrinsic context, judo common injuries are very related to specific movements, which include pulling, pushing, throwing, strangling and attacking techniques on the joints2. The practice of this modality is characterized by intense body contact and closed kinetic chain movements1), (2), (5), (6, which results in important joint overload, whether in orthostatic position or in solo combat. Falls resulting from throwing and/or projections by action of the opponent have been constituting the main cause of injuries, being 70% of MSI cases22), (23. Considered the perfect hit, the Ippon occurs due to the opponent’s projection during the fall, with their back completely on the tatami, which contributes to numerous trauma situations2.
In contrast, occurrence of myotendinous injuries exceeded occurrence of joint aggravations in physical training circumstances (Table 1), integrated by warm up activities, resistance physical training or technical training. Such conditions are essentially linked to demands for strength, potency and flexibility, performed in open kinetic chain with important myotendinous overload1), (2), (11.
Cases of ankle sprains and shoulder dislocation constituted the main records of traumatic joint lesion (Graph 1). Different authors1), (7 report that MSI on the shoulder are associated with inadequate technique, combined with falls and/or direct contact with a bigger physical shape opponent. In combat, position dynamic changes happen due to movement, requiring from the judo practitioner combinations of strength and resistance to control distance between them and the opponent1), (2. In the attack gesture, we see important muscle potency demands of lower limbs2, which also overloads knees and ankles.
Considering severity of injuries, there was a higher incidence of injuries classified as severe (sick leave longer than 28 days), highlighting bone nature cases. In fact, time periods required for the recovery process and bone tissue consolidation after occurrence of fractures are on average 28 to 30 days24. Joint injuries with moderate severity (8-28 days of sick leave) had higher absolute frequency. In a systematic review, Pocecco et al.5 concluded that dislocations and joint sprains are more prevalent among adult athletes and elite competitors, which have higher levels of muscular strength25. As already mentioned, casuistry of this study had many competitive level athletes, being 75 adults (68%) with important history practice.
Moreover, sex and weekly hours emerged as the major associated factors with MSI occurrence. There are conflicting reports about differences in men’s and women’s predisposition to MSI in Judo26), (27. While authors showed similarities26, there is also evidence of increased risk of MSI for men27. In the biomechanical perspective, elite sportsmen and sportswomen use similar techniques in Olympic fights28. In this sense, it is likely that the greater susceptibility of male judo practitioners is linked to greater competitiveness and/or category differences. For a reason, most cases of injury were concentrated in men in this study. Other authors found higher incidence of MSI along with technical development in the graduation process by belts29.
For improvement of athletic performance, training overloads must come along with a minor fatigue and acute reductions in performance, alternating with appropriate recovering periods30. When excessive training overload is combined with inadequate recovery, the overtraining state happens30. In fact, weekly exposure higher than 7 hours of training culminated in high occurrence rates of injuries in females (2.13 MSI/athlete) and males (2.71 MSI/athlete). With a bigger demand, therefore, there is the expansion of judo practitioners susceptibility to MSI.
Finally, we must clarify that Judo training in our reality is characterized by the systematic repetition of offensive and defensive techniques and, above all, “sparring”, which is based on a free fight between two or more fighters. Therefore, exhausting combat enhancement, requested in competitive Judo practice, combined with the lack of physical preparation resulting from a non systematic training, may have cooperated to higher occurrence of traumatic MSI, mostly linked to combat occasions. Possibly, these characteristics contributed to the minority role of other etiological and specific conditions of the judo physical and technical training, including biomechanical and physiological requests as MSI causing mechanisms in this study.
In addition to these limitations related to convenience sampling, we cannot reject the possible retrospective memory bias of the participants, considering the cross-sectional design of this investigation. Therefore, further studies need to be conducted to confirm whether findings of this study are also observed in longitudinal analyses, and among athletes from other places and judo training centers. Similarly, it is important to investigate the potential of preventive interventions, such as segmental proprioceptive training, with the aim of applying preventive measures for treatment and preservation of athletes’ health.
CONCLUSION
Joint traumatic lesions on the ankle/foot and shoulder were the main MSI in Judo. Male sex and higher weekly workload were the main factors associated with MSI occurrence in Judo athletes.
Funding source: own resources
6
Approved by the Research Ethics Committee protocol no. 575.782. CAAE 26918914.2.0000.0021.
Autoría
Ana Laura Gil Manzato
Discente do curso de Fisioterapia no Instituto Integrado de Saúde (INISA) da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) - Campo Grande (MS), Brasil.Universidade Federal de Mato Grosso do SulBrazilCampo Grande, MS, BrazilDiscente do curso de Fisioterapia no Instituto Integrado de Saúde (INISA) da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) - Campo Grande (MS), Brasil.
Hugo Parra de Camargo
Discente do curso de Fisioterapia no Instituto Integrado de Saúde (INISA) da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) - Campo Grande (MS), Brasil.Universidade Federal de Mato Grosso do SulBrazilCampo Grande, MS, BrazilDiscente do curso de Fisioterapia no Instituto Integrado de Saúde (INISA) da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) - Campo Grande (MS), Brasil.
Dayana das Graças
Docente do curso de Fisioterapia no Instituto Integrado de Saúde (INISA) da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) - Campo Grande (MS), Brasil.Universidade Federal de Mato Grosso do SulBrazilCampo Grande, MS, BrazilDocente do curso de Fisioterapia no Instituto Integrado de Saúde (INISA) da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) - Campo Grande (MS), Brasil.
Paula Felippe Martinez
Docente do curso de Fisioterapia no Instituto Integrado de Saúde (INISA) da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) - Campo Grande (MS), Brasil.Universidade Federal de Mato Grosso do SulBrazilCampo Grande, MS, BrazilDocente do curso de Fisioterapia no Instituto Integrado de Saúde (INISA) da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) - Campo Grande (MS), Brasil.
Silvio Assis de Oliveira Júnior
Docente do curso de Fisioterapia no Instituto Integrado de Saúde (INISA) da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) - Campo Grande (MS), Brasil.Universidade Federal de Mato Grosso do SulBrazilCampo Grande, MS, BrazilDocente do curso de Fisioterapia no Instituto Integrado de Saúde (INISA) da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) - Campo Grande (MS), Brasil.
Endereço para correspondência: Silvio A. Oliveira Júnior - Curso de Fisioterapia, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), s/n, Universitário - Cidade Universitária - Campo Grande (MS), Brasil - CEP: 79070-900 - Telefone: (67) 3345-7966 - E-mail: oliveirajr.ufms@gmail.com
Conflito de interesses: Não há
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Discente do curso de Fisioterapia no Instituto Integrado de Saúde (INISA) da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) - Campo Grande (MS), Brasil.Universidade Federal de Mato Grosso do SulBrazilCampo Grande, MS, BrazilDiscente do curso de Fisioterapia no Instituto Integrado de Saúde (INISA) da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) - Campo Grande (MS), Brasil.
Docente do curso de Fisioterapia no Instituto Integrado de Saúde (INISA) da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) - Campo Grande (MS), Brasil.Universidade Federal de Mato Grosso do SulBrazilCampo Grande, MS, BrazilDocente do curso de Fisioterapia no Instituto Integrado de Saúde (INISA) da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) - Campo Grande (MS), Brasil.
Tabela 4
Coeficientes de regressão logística binária para os fatores associados a LME no judô
imageGráfico 1
Proporção de LME de natureza articular segundo local e mecanismo de instalação
open_in_new
table_chartTabela 1
Distribuição relativa (%) e absoluta de lesões musculoesqueléticas no judô segundo natureza e condição etiológica
Natureza
Condição etiológica
Total
Treino físico (%)
Trauma (%)
Treino técnico (%)
Miotendínea
14,6 (7)
81,3 (39)*
4,2 (2)#
100,0 (48)
Articular
7,4 (4)
92,6 (50)*
0,0 (0)#
100,0 (54)
Óssea
0,0 (0)†
93,9 (31)*
6,1 (2)#
100,0 (33)
Total
11
120
4
135
table_chartTabela 2
Distribuição relativa (%) e absoluta de LME no judô segundo natureza e região anatômica de instalação
Natureza
Localização
Total
Cab/Cerv (%)
MMSS (%)
Tronco (%)
MMII (%)
Miotendínea
0,0 (0)
41,7 (20)*
8,3 (4)#
50,0 (24)*$
100,0 (48)
Articular
1,9 (1)
48,1 (26)*
3,7 (2)#
46,3 (25)*$
100,0 (54)
Óssea
3,0 (1)
81,8 (27)*†
3,0 (1)#
12,1 (4)#†£
100,0 (33)
Total
2
73
7
53
135
table_chartTabela 3
Distribuição relativa (%) e absoluta de LME no judô, segundo natureza e severidade
Natureza
Severidade
Total
Leve (%)
Moderada (%)
Grave (%)
Miotendínea
25,0 (12)
41,7 (20)
33,3 (16)
100,0 (48)
Articular
18,5 (10)
51,9 (28)*
29,6 (16)
100,0 (54)
Óssea
12,1 (4)
12,1 (4)†£
75,8 (25)*#†£
100,0 (33)
Total
26
52
57
135
table_chartTabela 4
Coeficientes de regressão logística binária para os fatores associados a LME no judô
Fator de Risco
Regressão logística
Coeficiente
OR
IC (95%)
p-value
Linf
Lsup
Constante
3,664
-
-
-
0,522
Sexo feminino
-1,738
0,176
0,049
0,629
0,008*
Idade
0,043
1,044
0,956
1,140
0,336
Estatura
-4,900
0,007
0,000
29,716
0,247
MC
-0,010
0,990
0,927
1,057
0,763
HT
-0,008
0,992
0,978
1,007
0,314
CHsem
0,496
1,642
1,130
2,384
0,009 *
MdomD
0,407
1,503
0,422
5,344
0,529
Categoria (faixa)
Branca
37,778
2,552 × 1016
0,000
-
1,000
Cinza
38,416
4,828 × 1016
0,000
-
1,000
Azul
1,856
6,397
0,620
66,034
0,119
Amarela
1,611
5,006
0,452
55,447
0,189
Laranja
0,726
2,068
0,204
20,979
0,539
Verde
0,262
1,300
0,163
10,391
0,805
Roxa
1,469
4,343
0,629
29,968
0,136
Marrom
-0,204
0,815
0,126
5,279
0,830
Como citar
Manzato, Ana Laura Gil et al. Lesiones músculo-esqueléticas en practicantes de judo. Fisioterapia e Pesquisa [online]. 2017, v. 24, n. 2 [Accedido 3 Abril 2025], pp. 127-134. Disponible en: <https://doi.org/10.1590/1809-2950/16325024022017>. Epub Apr-Jun 2017. ISSN 2316-9117. https://doi.org/10.1590/1809-2950/16325024022017.
Universidade de São PauloRua Ovídio Pires de Campos, 225 2° andar. , 05403-010 São Paulo SP / Brasil, Tel: 55 11 2661-7703, Fax 55 11 3743-7462 -
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Brazil E-mail: revfisio@usp.br
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