O presente estudo é de caráter qualitativo e objetiva refletir sobre a utilização da interseccionalidade como horizonte primordial à psicologia social. A posição tomada neste trabalho é favorável a uma ética comprometida com a justiça e transformação social, e evidencia que os saberes interseccionais ampliam nossas ferramentas analíticas sobre a realidade de desigualdades sociais produzidas historicamente. Sugerimos que uma epistemologia “interseccionafricana” em psicologia social poderá partir de proposições que potencializam o aprendizado sobre nossas raízes históricas, por meio de um movimento de apropriação dos processos de desumanização perpetrados contra populações atravessadas por diferentes marcadores sociais da diferença: de raça, gênero, classe, deficiências, sexualidades, geracionais, etc., além de afirmar que esses movimentos só se tornarão inteligíveis a partir da subversão de uma organização epistêmica, que pode viabilizar a consciência sobre a existência dessas experiências e o aprendizado com e a partir de . A discussão, portanto, toca em aspectos de ordem epistemológica da psicologia social brasileira, contribuindo com tensionamentos acerca da produção do conhecimento científico e seu papel na luta política em direção à transformação social.
Palavras-Chave:
Psicologia Social; Conhecimento; Enquadramento Interseccional; Decolonialidade