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RAM. Revista de administração Mackenzie
Rev. Adm. Mackenzie
1518-6776
1678-6971
Programa de Pós-Graduação em Administração do Centro de Ciências Sociais
e Aplicadas (CCSA) da Universidade Presbiteriana Mackenzie
En este artículo se presentan los principales resultados de una investigación acerca
de los constructos explicativos de las relaciones de cooperación entre empresas que
integran el arreglo productivo local (APL), ubicado en la ciudad de Santa Rita do
Sapucaí, Minas Gerais. Inicialmente, se recuperaron algunos aspectos de la génesis,
desarrollo y configuración actual de ese acuerdo. Posteriormente, fue elaborada una
propuesta teórica y metodológica utilizada como referencia para explicar las
relaciones entre los constructos de cooperación, confianza y beneficios, entre otros.
Para testar y validar esa propuesta se aplicaron dos técnicas de análisis
multivariados, el análisis factorial y la regresión polinomial. El análisis de los
resultados indicó la existencia de correlaciones que sugieren la percepción positiva
de los dirigentes con relación a la gobernanza del arreglo productivo y los
beneficios de la cooperación. Los dirigentes perciben las ventajas individuales y
colectivas de los beneficios para las empresas participantes de la investigación.
Finalmente, los resultados contradicen algunas de las formulaciones de la propuesta
teórico-metodológica utilizada para explicar las relaciones de confianza construidas
entre las empresas que operan en el mismo territorio. Los resultados sugieren también
que el APL Santa Rita sería un buen ejemplo de la importancia de dos elementos
institucionales: la gobernanza (en este caso, el Sindicato de la Industria de
Aparatos Eléctricos y Electrónicos del Vale da Eletrônica – Sindvel – y el gobierno
local) y de la intervención de las entidades educativas que no solamente proporcionan
la calificación de la fuerza de trabajo, sino también desempeñan el papel de
incubadoras de negocios. Parece apropiado atribuir la creación del APL y aun su
desarrollo al papel desempeñado por las entidades educativas, juntamente con las
acciones de las personas visionarias que estuvieron a cargo de su gestión. Así como
cualquier otra investigación, este estudio tiene sus limitaciones. Entre otras, está
el corte transversal de los datos mientras se admite la importancia de la dinámica
histórica, se presenta un análisis puntual.
1 INTRODUÇÃO
Desde que Porter (1998) chamou a atenção para os
clusters de vinho na Califórnia (Estados Unidos) e de artigos de
moda de couro na Itália, os arranjos produtivos locais (APL) e os sistemas locais de
inovação vêm gradativamente emergindo como solução interessante para alavancar
resultados de pequenas e médias empresas.
Na presente pesquisa, lidou-se com cooperação em um APL. Em linha com Porter (1998), recepcionado por Lastres, Cassiolato e Marciel (2003), entende-se APL
como uma aglomeração geográfica de empresas interconectadas que atuam em um determinado
campo, suportadas por um conjunto de entidades compreendendo fornecedores de insumos e
de máquinas, fabricantes de produtos complementares, distribuidores, provedores de
infraestrutura, bem como escolas técnicas e centros tecnológicos, agências de fomento e
associações comerciais e industriais que fornecem treinamento especializado, informação,
pesquisa e suporte técnico. Uma vez que o APL de eletroeletrônica de Santa Rita de
Sapucaí, em Minas Gerais, apresenta tais características, descritas com maiores detalhes
na seção 3 deste trabalho, ele foi considerado como objeto do estudo apropriado à
pesquisa, em consonância com Matos e Quelhas
(2007, 2008), Botelho, Carrijo e Kamasaki (2007), Vilela, Perreira e Adriano (2008), Carvalho
(2009), Tavares (2011), Lopes, Muÿlder e Judice (2011), Santos e Paula (2012) e Martins e Souza (2013), que também consideraram a aglomeração de
empresas daquele município como APL.
Já a cooperação foi admitida como um processo social que se encontra enraizado no
contexto histórico-social das redes organizacionais ou vinculado a ele, consistindo em
uma prática vivenciada por organizações interessadas no desenvolvimento de interesses
coletivos. Nesse sentido, considerou-se a cooperação como ação coletiva que permite ou
induz a ação em rede e não como uma disposição psicológica coletiva (Pesämaa & Hair, 2008).
Especificamente, pretendeu-se responder à seguinte questão de pesquisa: “Quais seriam os
construtos teóricos que poderiam explicar as relações de cooperação estabelecidas entre
as empresas do APL de Santa Rita do Sapucaí?”.
Para tanto, buscou-se construir um modelo inicial derivado da literatura sobre APL e
sobre cooperação baseado na teoria institucional e, mais especificamente, na teoria de
redes. Em seguida, procurou-se evidenciar aspectos descritivos da formação e da
estrutura social do arranjo objeto do estudo, aproximando a teoria das constatações
empíricas. Daí, foi proposta uma escala de mensuração dos elementos explicativos das
relações de cooperação estabelecidas entre as organizações pertencentes ao referido
arranjo, para culminar em um segundo modelo, dito explicativo, das relações de
cooperação.
Os dados empíricos iniciais foram coletados de documentos e de entrevistas que: 1.
permitiram explicitar o contexto histórico-social no qual os atores (basicamente, donos
ou dirigentes de empresa) percebem as variáveis indutoras da cooperação e praticam a sua
ação e 2. subsidiaram a elaboração de um questionário idealizado também a partir do
modelo. Assim, gerou-se um banco de dados que foi refinado pela análise fatorial e,
finalmente, submetido às análises de correlação e polinomial.
O modelo teórico ligava cooperação à confiança, à governança e aos benefícios percebidos
pela atuação na rede. Ao final, constatou-se que o modelo teórico, com uma adaptação,
sobreviveu, em parte, ao teste proposto, tal como descrito nas páginas finais do artigo
que, antes, apresenta o referencial teórico que embasou o modelo teórico, seguido por
uma breve descrição histórica e social do APL de Santa Rita. A descrição mais detalhada
dos procedimentos metodológicos da pesquisa é encontrada na quarta seção, que precede a
parte final, reservada para a apresentação e a discussão das análises empreendidas, bem
como as considerações finais.
2 FUNDAMENTAÇÃO
O modelo teórico de partida da pesquisa derivou de considerações sobre os APL, com foco
nas relações de cooperação e de confiança, e, ainda, nos antecedentes e nos benefícios
da cooperação na rede. Nesta seção, apresenta-se uma breve síntese do que foi
estudado.
2.1 APL
A expressão “redes organizacionais” tem sido empregada na tentativa de explicar
alguns fenômenos que dão origem a novos formatos organizacionais que contemplam
diversos tipos de relação entre as organizações. Como as espécies de redes são
variadas, foi necessário criar uma tipologia, como a de Grandori e Soda (1995) que as classificaram em: 1. redes
burocráticas – como os consórcios de pesquisa e desenvolvimento (P&D), as
associações comerciais e industriais, os cartéis, as redes produtor-distribuidor, as
relações de licenciamento e as franquias; 2. redes proprietárias – no caso,
joint-ventures e as capital-ventures; e 3. redes
sociais – incluindo distritos industriais, sistemas de beneficiamento por terceiros,
subcontratação e redes de relacionamento. Nessa classificação, o APL apareceria como
uma rede social, mas propõe-se que seria admissível admitir nuanças de burocracia
intermediando as empresas, com seus contratos, e na atuação do sindicato que será
apresentada ao longo do artigo.
As redes são investigadas em diversos aspectos, como inovação, recursos, confiança,
oportunismo e legitimidade, o que permite o emprego das mais variadas óticas da
ciência administrativa, como economia organizacional e industrial, evolucionismo
histórico, teoria da negociação, teoria da dependência de recursos,
institucionalismo, competências essenciais, psicologia social e outras (Araújo, 2011). Aqui se voltou para a cooperação
em rede primordialmente social, sob a perspectiva do institucionalismo.
As redes podem ser vistas como uma resposta às necessidades de maior flexibilidade e
de redefinição das fronteiras competitivas. Tais arranjos contribuem para a redução
das incertezas do mercado e para o compartilhamento de informações. Além de gerar
benefícios socioeconômicos, também potencializam a construção de relacionamentos
sólidos entre organizações, fortalecendo a capacidade de investimentos, viabilizando
ganhos de produtividade e possibilitando a obtenção de vantagem competitiva (Dyer & Singh, 1998). Particularmente, essas
capacidades poderiam ser alcançadas por meio de aglomeração de empresas em um
determinado território, com implicações significativas sobre os processos de
cooperação e de competição, bem como sobre os benefícios advindos do ambiente
institucional formado nesse tipo de aglomeração (Vasconcelos, Goldszmidt, & Ferreira, 2005). Já se tem produzido um
volume significativo de pesquisa sobre esses arranjos (Brusco, 1990; Ciccone &
Cingano, 2003; Lastres & Cassiolato,
2003; Marshall, 1966; Parrilli, 2007; Porter, 1998, 1999; Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas
Empresas, 2003), mas ainda seriam relevantes outros trabalhos que
investigassem os fatores que facilitam a criação e o dinamismo dessas redes, mesmo
porque elas têm um caráter histórico-geográfico próprio e incomunicável.
Há razoável consenso em adotar a caracterização de Porter (2000) de cluster para apontar as propriedades
esperadas de um APL. Para Porter (1998, 2000), um cluster tem as
seguintes características:
Um grupo de empresas e instituições geograficamente próximas, incluindo, com
frequência, fornecedores especializados de componentes, máquinas, serviços e
infraestrutura, distribuidores, indústrias complementares, escolas técnicas,
centros de pesquisa, associações industriais e comerciais, e agências públicas
de apoio.
Empresas e instituições conectadas entre si por aspectos comuns ou
complementares.
Empresas e instituições voltadas para um campo econômico particular.
Empresas e instituições que trocam entre si bens, serviços, informação e
incentivos, e que compartilham vantagens, como aumento de produtividade, da
ocorrência de inovações e de novos negócios, advindas de
spillovers (extravasamentos, externalidades) entre suas
entidades, bem como necessidades, oportunidades, obstáculos e restrições.
Grupos de empresas próximas geograficamente, com laços fracos e/ou de uma única
indústria, não deveriam receber o status de APL, por tal definição.
Mas ressalta-se que mesmo Porter (2000) admite
que a delimitação apropriada do cluster pode variar, dependendo da
localização, do segmento econômico e do nível de agregação.
A vantagem em identificar corretamente um cluster estaria em
entender as ligações, competências, complementaridades e externalidades, o que
favoreceria o empreendimento de ações coletivas, canalizaria a rivalidade, aumentaria
a competitividade (pelo acesso à mão de obra, suprimentos especializados e
informação, pela complementaridade de produtos e de marketing e pelo
acesso aos bens e às instituições públicas, por exemplo), estimularia a inovação e
apontaria um papel para o governo, que poderia agir e beneficiar simultaneamente
várias empresas e uma região.
A proximidade geográfica, cultural e institucional confere às empresas do APL acesso
diferenciado a melhores informações, relacionamentos mais próximos e maiores
oportunidades de formação de novos negócios, o que é crucial para a competitividade
baseada em conhecimento (Porter, 1998), como
na indústria de eletroeletrônica, e aumenta a competitividade de seus participantes.
Trabalhos empíricos, como o de Baptista e Swann
(1998), corroboram os de Porter
(1998, 2000) e indicam que as
empresas em APL são mais inovadoras devido aos efeitos do spillover
de novos conhecimentos tecnológicos, que tenderiam a ser localizados geograficamente
– ainda que, em alguns casos, como aqueles encontrados por Pouder e John (1996), em cluster de firmas
concorrentes, de alto crescimento depois de usufruírem as vantagens da aglomeração,
das forças institucionais e dos modelos mentais dos gerentes que criam um ambiente
inovador, são mais suscetíveis às crises a partir do momento que as mesmas forças
uniformizam a “macrocultura”, podendo deprimir o movimento inovador.
Outro aspecto que merece atenção é como se daria a inserção competitiva do APL na
cadeia de valor em escala global, principalmente de produtos tecnológicos (como
eletroeletrônicos), e em cadeias coordenadas como “quase hierarquia”, em um mercado
assimétrico dominado por grandes compradores. Para Humphrey e Schmitz (2002), em tais estruturas, há maior facilidade para
exportar, e as empresas do APL conseguem rápida ampliação das suas competências de
processo (em termos de eficiência) e de desenvolvimento de produto para um padrão
mais sofisticado. Contudo, são inibidas em utilizar suas competências para
diversificar seus produtos (combiná-las de outras formas e criar outros produtos) e
entrar em novos mercados, bem como encontram barreiras para buscar novos clientes, o
que configura uma relação de subordinação e não de interdependência, até que o APL,
de alguma forma, ultrapasse tais barreiras e um novo equilíbrio seja
estabelecido.
Cassiolato e Szapiro (2003) chamam a atenção
para os vínculos sólidos entre as entidades do APL – empresas, sindicatos, escolas,
prefeitura –, voltados para a cooperação, a interação e o aprendizado. Um aspecto
característico dos APL seriam tais laços das empresas com os agentes institucionais
locais, que suprem as condições para a realização da produção social e a estabilidade
da aglomeração (Amaral, 2011), bem como o
suporte, inclusive financeiro, de agências e dos organismos públicos voltados para o
desenvolvimento regional e ao apoio a pequenas empresas, frequentes nessas
aglomerações.
Se os laços são essenciais e as ligações no APL são desenvolvidas ao longo do tempo,
então, o entendimento de um APL requer a análise de sua historiografia conectada ao
condicionante geográfico, associando as trajetórias históricas de construção de
identidades e de formação de vínculos territoriais, a partir de uma base social,
cultural, política e econômica comum. Assim, ambientes favoráveis à interação,
cooperação e confiança entre os atores permitem o desenvolvimento dos APL e daí
decorreria a vantagem do arranjo: sua capacidade de criar e manter vantagem
competitiva para as organizações inseridas no APL, ante aquelas que estão dispersas
no território (Lastres et al.,
2003).
Sintetizando com o auxílio de Lastres et
al. (2003), seriam características dos APL: a proximidade
geográfica, a especialização setorial, a participação de pequenas e médias empresas,
a colaboração intensiva, o processo competitivo baseado em inovação, a confiança como
fator social e cultural, o apoio de organizações para serviços comuns e o apoio
financeiro e de capital de agências locais e regionais.
O APL de Santa Rita vem sido investigado há algum tempo, entre outros, por Matos e Quelhas (2007, 2008), Santos e Paula
(2012), Martins e Souza (2013) e
Prado e Costa (2013) – mas ainda não se
esgotaram todas as possibilidades para o entendimento das relações de cooperação na
rede, como empreendido nesta pesquisa, que partiu de algumas contribuições teóricas
sobre o fenômeno.
2.2 RELAÇÕES DE COOPERAÇÃO E CONFIANÇA NAS REDES ORGANIZACIONAIS
A cooperação tem sido apontada como um construto central para a compreensão das
relações entre empresas (Eriksson & Pesämaa,
2007; Pesämaa & Hair, 2007,
2008). Mas o termo é polissêmico, visto que
a pesquisa sobre a natureza e os pressupostos que orientam a cooperação tem sido
marcada pela pluralidade ontológica e epistemológica, não se obrigando ao limite de
um único conceito universal.
Enfrentando a dificuldade de sistematizar e construir consensos teóricos sobre
cooperação e as suas distintas formas de manifestação nos mais variados arranjos
organizacionais cooperativos, observa-se que a pesquisa em administração tem
contribuído para a produção de novos conhecimentos sobre a cooperação
interorganizacional, como em Balestrin e Vargas
(2004), Williams (2005), Bercovitz, Jap e Nickerson (2006), Medlin (2006), Edelenbos e Klijn (2007), Hanna e Walsh
(2008) e Verschoore e Balestrin
(2008).
Considera-se que a formação das redes organizacionais tem por princípio
institucionalizar a ação coletiva organizada. Tais redes reuniriam algumas
especificidades estruturais e relacionais que permitiriam a obtenção de ganhos a
partir da construção de relações de cooperação orientada para a competição (Baiardi, 2008). Para Baiardi (2008, p. 49), “a propensão a cooperar no âmbito
empresarial sugere que a organização, sem renunciar à competição no mercado, entenda
que a cooperação pode levar todo o tecido produtivo a se tornar mais
competitivo”.
Reitera-se que a cooperação pode ser abordada como um processo social, cujas raízes
estão atreladas ao contexto sócio-histórico em que se encontram inseridas, incluindo
aquele inerente às redes organizacionais. Nesse caso, a cooperação seria concebida
como uma prática vivenciada por organizações interessadas no desenvolvimento de
interesses coletivos. Ao mesmo tempo, é reconhecido que as experiências e as
competências das pessoas que agem em nome das organizações são fundamentais para a
construção de consensos e do comprometimento com os objetivos da rede (Pesämaa & Hair, 2008).
De tal forma, a cooperação interorganizacional pressuporia a convergência de
interesses visando à concretização de ações que beneficiam a coletividade de
organizações. Destaca-se que uma rede organizacional tem dupla vocação: social e
econômica. Por um lado, ela deve contribuir para a obtenção de resultados econômicos,
o que pressupõe a busca da eficácia e da eficiência; por outro, ela cumpre uma função
social e agrega também crenças, ideologias e valores, como ajuda mútua,
solidariedade, democracia e participação (Verschoore
& Balestrin, 2008).
Para Verschoore e Balestrin (2008), a
cooperação permite a constituição de relações estruturadas (social, cultural e
economicamente) em rede com o propósito de atender aos objetivos individuais e
coletivos dos seus participantes. Contudo, a obtenção e a manutenção desses
benefícios derivados da cooperação dependeriam, por exemplo, da cultura local e da
existência de parceiros de negócios comprometidos e com objetivos semelhantes (Hanna & Walsh, 2008).
Lundin (2007) relaciona cooperação
interorganizacional à confiança, tratando a última como um antecedente da primeira: a
cooperação dependeria da existência da confiança mútua, bem como da congruência entre
os objetivos. A confiança contribuiria para a criação e manutenção da interação e da
ordem social (Inkpen & Curral, 2004),
especialmente nas situações desconhecidas e de consequências imprevisíveis, em
condições de incerteza relativa às interações sociais em que prevalece a dialética do
controle informal (Sydow & Windeler,
2003). Por sua vez, a desconfiança impactaria de forma negativa a cooperação,
reduzindo a capacidade de os gestores assumirem riscos e deprimindo a propensão deles
ao compartilhamento de informações e conhecimentos (McEvily, Perrone, & Zaheer, 2003; Bijlsma-Frankema, 2004).
A confiança teria três gêneses diferentes: calculativa, cognitiva e normativa. De
acordo com Lane (1998, p. 4), confiança
calculativa “envolve expectativa sobre o outro, com base no custo-benefício de certos
cursos de ação do confiador ou do confiante”. Nesse caso, a confiança seria
sustentada pela racionalidade no sentido utilitarista e maximizador. Já a confiança
cognitiva ou baseada no conhecimento (knowledge-based trust), como
foi denominada por Lewicki e Bunker (1996),
seria fundamentada na previsibilidade do outro, ou seja, no fato de conhecer e
compreender o outro. Quanto à confiança do tipo normativo, entende-se como aquela
dependente do compartilhamento de valores comuns entre os parceiros, considerando,
inclusive, normas de obrigação que podem ser desenvolvidas, caso a relação exista há
algum tempo (Lane, 1998). Para Lewicki e Bunker (1996), esse tipo de confiança
seria decorrente do fato de as partes compreenderem o desejo inerente a cada uma
delas e apreciarem tais desejos. Assim, existiria uma boa chance de laços de amizade
se desenvolverem ao longo do tempo, o que levaria uma parte a sentir e pensar como a
outra.
Quando tomadas em conjunto, as indicações de Lewicki
e Bunker (1996), Lane (1998), McEvily et al. (2003), Bijlsma-Frankema (2004), Lundin (2007) e Verschoore e
Balestrin (2008) parecem indicar que haveria uma relação positiva entre a
confiança existente entre os agentes de um arranjo e a propensão a cooperar desses
sujeitos para a consecução de seus objetivos empresarias individuais e coletivos e/ou
para aceitação e legitimação social de suas ações. Essa relação foi incorporada no
meio do modelo teórico da subseção 4.1, como hipótese H2. As hipóteses H1 e H3 foram
derivadas como exposto a seguir.
2.3 ANTECEDENTES E BENEFÍCIOS DA COOPERAÇÃO EM REDE
Para Verschoore e Balestrin (2008 p. 1046),
“os fatores relevantes para o estabelecimento de redes de cooperação se relacionam
aos ganhos de competitividade obtidos pelas empresas associadas” a uma rede. As
empresas cooperariam e ganhariam com isso; seriam mais competitivas e gozariam da
redução das incertezas e dos riscos inerentes aos negócios (Williams, 2005); aproveitariam do acesso a soluções, da escala e
do poder de mercado da rede; lucrariam com o maior acesso às informações e ao
aprendizado, tendo maiores chances de sucesso em seu processo de inovação ao
aglutinarem competências e outros recursos, múltiplos e acumulativos (Stallivieri, Guimarães, & Souza, 2008; Verschoore & Balestrin, 2008).
Os benefícios, reais ou meramente percebidos, advindos das ações cooperadas serviram
de reforço à construção de novos esforços cooperativos, em um encadeamento positivo,
tanto quando persistam os cálculos dessa ordem feitos pelos empreendedores, desde que
o oportunismo (apropriação dos recursos da rede não referendada socialmente) seja
contido. A relação positiva entre benefícios e a cooperação é perquirida no trabalho
sob a denominação de hipótese H3.
Contudo, a construção de uma relação de interdependência entre a cooperação e os
benefícios da ação em rede não pode ser descrita ou operacionalizada tão facilmente,
pois ela seria entremeada com alguns fatores intervenientes. Entre esses fatores,
destacam-se os padrões culturais compartilhados entre as organizações, a convergência
de interesses, as especificidades territoriais e a estrutura de governança.
Para esta pesquisa, a governança foi definida como o processo de coordenação do
conjunto de atividades de interesse coletivo desenvolvidas no âmbito de uma rede
organizacional, em suas várias esferas de ação estratégica (Schmitter & Streeck, 1985). Seria um processo de regulação
das diferentes dimensões (política e estratégica) da ação coletiva, visando à
construção de acordos que viabilizem os interesses das organizações constitutivas da
rede. Daí, a governança em redes implicaria a elaboração e implementação de ações
direcionadas ao coletivo, o que pressupõe a inclusão de diversas organizações em um
processo de coordenação e gestão que seja capaz de fortalecer as relações de
confiança e cooperação.
Suzigan, Garcia e Furtado (2007) defendem que
a existência de uma estrutura de governança dependeria: 1. da distribuição espacial
das organizações e das formas de divisão do trabalho entre elas; 2. da existência de
atividades econômica e de base tecnológica que possibilitem a cooperação; 3. da
lógica coletiva de organização da produção; 4. de mecanismos coletivos de inserção
mercadológica; 5. da presença de instituições locais que tenham interação com o setor
produtivo; e 6. do contexto sociocultural e político local que estimule a confiança e
a cooperação, tal como discorrido até aqui.
Para Humphrey e Schmitz (2002), a governança
pode ser assumida por um agente privado local (associações de classe, agências locais
privadas de desenvolvimento ou por sindicatos empresariais, que atuariam como agentes
catalisadores da atuação em redes entre as organizações de uma mesma base
territorial), por um agente público (na forma de agências de desenvolvimento local,
programas de incentivos fiscais, incubadoras de empresas e entes encarregados da
manutenção de uma estrutura de serviços públicos, como a qualificação da força de
trabalho) ou por organizações líderes (responsáveis pela coordenação vertical das
interações e das ações coletivas articuladas entre o conjunto das organizações
constitutivas da rede). É evidente que mais de um tipo de governança pode se fazer
presente em um APL. Desse modo, seria adequado ter uma definição clara dos papéis de
cada agente no processo de governança coletiva, preservando as identidades e as
vocações de cada agente quando, ao mesmo tempo, as suas competências e recursos
seriam empregados de forma complementar. Exemplo da governança coletiva pode se
encontrado em Baiardi e Laniado (2000, p.
49):
[...] no ambiente de redes ou entorno empresarial com definição no território,
associações industriais ali localizadas prestam assistência administrativa e, até
mesmo, financeira, enquanto os governos locais propiciam a infraestrutura e os
serviços sociais indispensáveis, como treinamento profissional, informação sobre
mercados de exportação e tendência mundial, etc.
Destaca-se que a governança estará sempre inserida em um dado contexto sociocultural
e político local multifacetado (Suzigan et
al., 2007). Assim, ela seria, em parte, decorrente da história
das relações entre os diferentes atores da rede organizacional. A história das
interações e suas especificidades poderiam ou deveriam ser vistas como construto
antecedente da cooperação, reconhecendo que a cooperação pode ser ampliada à medida
que a história das relações entre as organizações for, ao longo do tempo, construída
– enquanto, concomitantemente, o fortalecimento dos laços de cooperação e confiança
contribuiria para a perpetuação da história do relacionamento entre as organizações
(Gulati & Sytch, 2008).
Por fim, é necessário salientar que, além da confiança, outros fatores interferem na
cooperação e, portanto, na aplicação da governança nas redes. Para Williams (2005), 1. a formalização das relações
poderá, em determinadas circunstâncias, impactar de forma negativa a cooperação – as
definições formais de direitos e obrigações podem se revelar contrárias ou
substitutivas da confiança e da cooperação entre as organizações; 2. a frequência e a
densidade dos contatos entre as organizações podem ampliar a cooperação e a confiança
entre elas; 3. a centralização da rede, o que implica a existência de uma periferia
mais descompromissada, reduziria a propensão à cooperação do conjunto; e 4. a
permanência ou a estabilidade que terá impacto positivo na cooperação.
Outro fundamento interessante para a leitura dos APL remete à economia dos custos de
transação (Coase, 1937; Williamson, 1996), que trabalha com conceitos como oportunismo,
reputação, especificidade de ativos, frequência e incerteza das transações. Por essa
ótica, as relações cooperadas interfirmas sofreriam com a propensão ao oportunismo
(os agentes buscariam o seu autointeresse utilizando informações privilegiadas,
rompendo contratos e ferindo códigos de ética) e são favorecidas pela frequência das
transações – transações repetitivas inibem o oportunismo ao aumentarem o custo de se
perder a reputação (o indivíduo não rompe o contrato, mesmo informal, quando avalia
que, se o fizer, o custo do rompimento irá superar os benefícios, pelo prejuízo em
sua reputação).
A partir de todos esses trabalhos citados previamente, admitiu-se, como ponto de
partida, haver uma relação positiva entre a percepção da atuação da governança da
rede e a propensão a cooperar, representada pela linha H1 no modelo teórico da
subseção 4.1.
Todo este conjunto – cooperação, confiança, governança (em especial, poder local e
agência privada) e benefícios da ação cooperada – demandou espaço nesta pesquisa, em
um esforço mediado pelos procedimentos descritos na seção 4, precedida pela
caracterização do campo escolhido para a pesquisa, a seguir.
3 CONTEXTO SÓCIO-HISTÓRICO DO APL
A Escola Técnica de Eletrônica (ETE) “Francisco Moreira da Costa” foi criada em Santa
Rita do Sapucaí em 1959. Ela precedeu à criação de outras entidades de ensino, como o
Instituto Nacional de Telecomunicações de Santa Rita do Sapucaí (Inatel), em 1965, e a
Faculdade de Administração e Informática (FAI), fundada em 1971. Tais escolas
desenvolveram papel significativo no desenvolvimento da cidade, acelerado no final da
década de 1970, respondendo, em parte, pela instalação de empresas de tecnologia na
região suplementada pela atuação de duas iniciativas: a Incubadora de Empresas e
Projetos do Inatel em 1985 e o Programa Municipal de Incubação Avançada de Empresas de
Base Tecnológica (Prointec). A incubadora do Inatel tem projeção nacional, com uma
escala que pode ser estimada pelos seus recursos, sabendo-se que ela dispôs, em 2009, de
nove milhões de reais (oriundos da Financiadora de Estudos e Projetos – Finep) para
apoiar até 75 empresas nascentes com produtos inovadores. Essa incubadora já tinha
graduado, no momento da pesquisa, 43 empresas, 33 das quais em Santa Rita. O Prointec
conta com uma incubadora de empresas (IME) para empreendimentos nascentes e inovadores e
com o condomínio de empresas (CME) para companhias de maior porte (Matos & Quelhas, 2007, 2008; Santos & Paula, 2012; Martins & Souza, 2013).
Concomitantemente com o desenvolvimento institucional da cidade, foram sendo criadas
empresas com base tecnológica, já na década de 1970. À medida que novas empresas iam se
instalando, foi sendo concebida, com a liderança do poder público local e a participação
dos empresários, a ideia de caracterizar o cluster emergente e a região
como “Vale da Eletrônica”, em uma iniciativa de marketing regional
(Matos & Quelhas, 2007, 2008).
Por meio de esforços conjuntos dos entes empresariais, educacionais e públicos, passaram
a ocorrer feiras industriais e feiras tecnológicas nas escolas locais. Nesse ínterim, a
prefeitura criou um curso noturno de montagem de circuitos eletroeletrônicos para
treinar mão de obra para as empresas. Além disso, começaram a ser constituídos programas
acadêmicos e não acadêmicos de apoio às empresas iniciantes, de maneira que o Vale da
Eletrônica foi gradativamente apresentando resultados. Em 1988, surgiram os primeiros
efeitos econômicos: aumento da arrecadação municipal, elevação do padrão salarial da
cidade, aumento no nível de emprego, entre outros (Matos
& Quelhas, 2007, 2008; Santos & Paula, 2012; Martins & Souza, 2013).
De acordo com a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais – Fiemg (2007), o APL contaria com mais de uma centena
de firmas, constituindo um polo tecnológico que oferece quase dez mil empregos, produz e
comercializa cerca de 12 mil produtos diferentes: telecomunicações (quase 22% das
empresas), eletroeletrônica (mais de 18%), segurança (mais de 12%) e tecnologias de
informação e automação (11% cada), incluindo softwares, hardwares,
centrais de alarmes, sensores, câmeras de vídeo, equipamentos para promoção agrícola e
outros.
O polo, acrescido das demais entidades locais, deteria as características apresentadas
para ser qualificado como APL e é reconhecido como tal, inclusive por organismos
públicos, como o governo estadual. Tipicamente, é composto por empresas de capital
nacional e de pequeno porte (Fiemg, 2004). Por
atuar no ramo de produtos com base tecnológica, o APL de Santa Rita se destaca pela
contribuição ativa dos seguintes agentes de ensino: Inatel, FAI, Escola Técnica de
Eletrônica (ETE) “Francisco Moreira da Costa” e Serviço Nacional de Aprendizagem
Industrial (Senai), provedores de capacitação tecnológica e pesquisa, em relação
estreita com as empresas (Fiemg, 2004, 2007), com a interveniência substantiva do Sindicato
das Indústrias de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares do Vale da Eletrônica
(Sindvel) e da prefeitura, articulando organismos externos de apoio e assistência a
ações de capacitação, pesquisa tecnológica e inovações – como a Finep, a Fundação de
Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), o Banco de Desenvolvimento do
Estado de Minas Gerais (BDMG), o Instituto Euvaldo Lodi (IEL) e o Conselho Nacional de
Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Prado &
Costa, 2013).
Dos dados da pesquisa que congregaram um subconjunto de 82 empresas entre aquelas
associadas ao Sindvel, 53 são microempresas (de um a 20 funcionários), 20 pequenas
empresas (de 21 a 100 funcionários), oito empresas de médio porte (de 101 a 500
funcionários) e apenas uma é de grande porte (acima de 500 funcionários). Do
subconjunto, 30% afirmaram ter faturamento médio anual menor que R$ 100 mil; 33% na
faixa de R$ 100 mil a R$ 500 mil; 10% de R$ 501 mil a R$ 1 milhão; 15% de R$ 1,001
milhão a R$ 5 milhões e 12% acima de R$ 5 milhões. A maioria dessas companhias (66%)
trabalha com produção própria, mas 51% delas terceirizam alguma parte do processo de
produção, sendo “desenvolvimento” e “compra” as principais formas de terceirização.
Entre aquelas que terceirizam, metade o faz, principalmente, com outras empresas do
próprio APL. Uma minoria procura parceiros fora do Estado e menos ainda (seis empresas)
trabalha usando firmas de outros países. Por fim, quase metade (46%) das organizações da
amostra afirmou atuar em conjunto, em feiras ou stands compartilhados e
participando de missões internacionais.
Basicamente, o Vale da Eletrônica reúne todos os ingredientes preditos/prescritos pela
literatura de APL, como componente geográfico, componente histórico-social (sedimentando
as relações), exploração de um setor econômico, multiplicidade de firmas concorrentes e
complementares inter-relacionadas e em destaque, base educacional e elementos de
coordenação, como confiança, atuação do poder local (prefeitura) e do sindicato das
empresas (Sindvel).
4 MÉTODO DE PESQUISA E RESULTADOS PRELIMINARES
4.1 CONCEPÇÃO DA PESQUISA E MODELO TEÓRICO
Esta investigação pode ser enquadrada como uma pesquisa descritiva de natureza
quantitativa (Marconi & Lakatos, 2003),
próxima ao método hipotético-dedutivo, que parte de um conjunto de hipóteses para
submetê-la a um teste de validade, buscando a sua refutação, de acordo com Popper (1994). Entretanto, o teste de hipótese
aqui foi proposto como meio, ou melhor, um roteiro e não como um fim em si mesmo. A
ênfase está na compreensão do fenômeno em estudo – a cooperação interfirmas. Cabe
ainda ressaltar que, mesmo utilizando métodos quantitativos mais próximos à
epistemologia objetivista, não se perdeu de vista que as informações coletadas dos
sujeitos são relativas à percepção de tais indivíduos sobre os fatos
questionados.
As considerações teóricas motivaram a concepção do modelo, relacionando os construtos
(conceito teórico não observável diretamente) “cooperação”, “confiança”, “benefícios”
e “governança”. O modelo e as relações hipotéticas de interesse (H1, H2 e H3) podem
ser vistos na Figura 1.
Figura 1
MODELO INICIAL INDICANDO AS RELAÇÕES HIPOTÉTICAS DE INTERESSE,
CORRELACIONANDO TRÊS CONSTRUTOS – GOVERNANÇA, CONFIANÇA E BENEFÍCIOS – COM O
CONSTRUTO COOPERAÇÃO
A variável “Outros” representa a parcela da variação da “Cooperação” não
explicada pelos outros construtos.
Fonte: Elaborada pelos autores.
4.2 COLETA DE DADOS
De posse do modelo, foi elaborado um extenso questionário, com duas partes. A
primeira com questões demográficas e a segunda constituída por 52 afirmativas. As
assertivas originaram-se da fundamentação, em particular dos autores citados nas
subseções 2.2 e 2.3, acrescida de entrevistas não estruturadas com representantes de
empresas do APL – entre elas, o Sindvel –, de documentos públicos disponíveis,
incluindo os Diagnósticos do Arranjo Produtivo da Indústria do Vale da Eletrônica dos
anos de 2004 e 2007 e os acervos relativos à história do município de Santa Rita do
Sapucaí e de seu APL.
Os respondentes foram solicitados a apontar seu grau de concordância em relação a
cada afirmação, em uma escala do tipo Likert de 5 pontos (de concordo totalmente a
discordo totalmente, portanto com ponto neutro). A opção por essa escala levou em
consideração a natureza da variável a ser medida, a habilidade dos respondentes de
fazer julgamentos e o tipo de análise a ser desenvolvida, em acordo com Oliveira (2001a). Foi realizado um pré-teste com
cinco elementos da população-alvo com a presença de um dos pesquisadores, com o
objetivo de encontrar os pontos que pudessem gerar dificuldades de compreensão. Isso
levou à adequação da redação de cinco itens do questionário. Apesar de a escala
Likert ser uma escala ordinal, ela conduziu a dados que foram tratados como advindos
de escala intervalar, prática usual em pesquisas tanto em marketing
quanto em psicologia (Churchill, 1994), mas
que deve sofrer essa ressalva.
O universo da pesquisa foi constituído das 115 empresas, então filiadas ao Sindvel,
consideradas como o cerne “produtivo” do APL. Todas elas, na figura de seus
dirigentes (proprietários ou gerentes), foram contatadas em setembro de 2008.
Retornaram 85 questionários, dos quais três foram descartados devido à falta de
preenchimento da maioria das questões. Obteve-se, assim, uma amostra não
probabilística de 82/115 = 71% (= número de questionários válidos sobre o universo
considerado). Mesmo com tal proporção, seria inadequado fazer qualquer extrapolação
de características da amostra para a população, pois, para tanto, se requer que a
amostra seja aleatória e, assim, seja permitida a inferência estatística (Hair, Babin, Money, & Samouel, 2005; Maroco, 2007), principalmente por não se poder
assegurar a ausência de vieses relacionados a “não resposta” (Oliveira, 2001b). Daí, todas as análises apresentadas doravante
reportam exclusivamente à amostra (nomeada AAPL).
O desenho da pesquisa resultou em uma proporção afirmações/respondentes baixa,
inferior a 2, portanto distante da recomendação de 5 a 10 feita por Hair et al. (2005), por
considerar a oportunidade como única e que deveria ser aproveitada da forma mais
abrangente possível, confiando-se à análise fatorial a tarefa de reduzir as
variáveis.
4.3 TRATAMENTO INICIAL DOS DADOS VIA ANÁLISE FATORIAL
Tal como recomendado em Hair et al.
(2005) e Malhotra (2001), a análise
fatorial foi empregada para: reduzir o conjunto de variáveis, facilitar a sumarização
dos dados e prepará-los para a operação posterior – no caso, a regressão
polinomial.
O nível de adequação da matriz de dados foi avaliado por meio da medida
Kaiser-Meyer-Olkin (KMO). Computaram-se e estudaram-se também o nível de
significância do teste de esfericidade de Bartlett, a matriz de anti-imagem (medida
de adequacidade amostral), as comunalidades, os autovalores
(eingenvalues) e, por fim, a confiabilidade de coerência interna
(alfa de Cronbach). O método de extração de componentes principais, a rotação Varimax
e a normalização de Kaiser foram as opções empregadas na análise fatorial. Das
alternativas oferecidas por Malhotra (2001)
para determinar o número de fatores, optou-se a priori por fazê-lo
com base ao gráfico de declive (autovalores x número de fatores), identificando o
ponto quando o declive toma a forma de uma “rampa mais suave”. O pacote estatístico
SPSS respondeu pelos cálculos, que se prestaram como base para discutir a validade da
escala empregada para caracterizar os construtos empregados no modelo.
As variáveis (questões submetidas aos respondentes) que acabaram por ser incluídas
nos construtos providos pela análise fatorial foram:
V1: As relações de cooperação existentes entre as empresas têm contribuído para
a ampliação da vantagem competitiva em relação aos concorrentes locais.
V2: A cooperação entre empresas traz benefícios mútuos que dificilmente seriam
alcançados sem a referida relação.
V3: A contratação conjunta de serviços de consultorias especializadas tem sido
considerada por nossa empresa como uma fonte de inovação relevante.
V4: O conhecimento transferido por outras empresas tem contribuído de forma
significativa para que nossa empresa obtenha vantagens competitivas no
mercado.
V5: Posso confiar nas empresas com quais mantemos relações porque elas são
transparentes e verdadeiras em seus propósitos.
V6: Confio nas empresas com as quais me relaciono, porque conheço pessoalmente
os seus dirigentes.
V7: Posso confiar no comportamento ético e moral das empresas com as quais
mantenho relacionamentos.
V8: O Sindvel tem atuado de forma eficiente na coordenação das relações das
empresas do arranjo produtivo de Santa Rita do Sapucaí.
V9: O Sindvel tem um papel relevante na construção de uma visão coletiva que
favorece o desempenho e crescimento do conjunto das empresas do Vale da
Eletrônica.
V10: As empresas de Santa Rita com as quais mantenho relações estão
comprometidas com o compartilhamento de recursos tecnológicos, conhecimentos e
informações de mercado.
V11: As relações estabelecidas entre as empresas de Santa Rita do Sapucaí têm
permitido a troca de informações sobre preços praticados por nossos
parceiros.
V12: As relações estabelecidas pela empresa por mim dirigida com outras
empresas de Santa Rita do Sapucaí ampliaram os nossos canais de
distribuição.
V13: As relações estabelecidas entre as empresas de Santa Rita do Sapucaí têm
permitido a troca de informações sobre preços praticados por nossos
concorrentes.
V14: As informações sobre o mercado são trocadas com facilidade entre as
empresas de Santa Rita do Sapucaí.
V15: As relações estabelecidas com outras empresas têm permitido inovações
incrementais (melhorias) em nossos produtos e processos tecnológicos.
V16: O poder público de Santa Rita do Sapucaí tem formulado e implementado
políticas públicas que favorecem o desenvolvimento empresarial.
V17: O poder público local tem concedido incentivos fiscais que favorecem a
sobrevivência da nossa empresa.
V18: O poder público local tem criado um ambiente institucional que favorece a
inovação de produtos e processos tecnológicos.
A Tabela 1 apresenta a medida de adequacidade
amostral (MSA) e comunalidade encontrada para as variáveis que, em conjunto,
reportaram KMO = 0,663, significância < 0,001% e variância explicada de
50,45%.
TABELA 1
MSA E COMUNALIDADE
VARIÁVEL
MSA
COMUNALIDADE
VARIÁVEL
MSA
COMUNALIDADE
V1
0,526
0,646
V10
0,785
0,642
V2
0,806
0,743
V11
0,638
0,734
V3
0,675
0,615
V12
0,783
0,735
V4
0,711
0,701
V13
0,637
0,670
V5
0,698
0,725
V14
0,810
0,726
V6
0,624
0,624
V15
0,800
0,674
V7
0,582
0,797
V16
0,423
0,797
V8
0,732
0,663
V17
0,412
0,794
V9
0,704
0,790
V18
0,425
0,747
Nota: MSA = Medida de Adequação Amostral.
Fonte: Elaborada pelos autores.
A adequação da amostra à análise fatorial foi satisfatória com base nas comunalidades
superiores a 0,60, de acordo com as recomendações de Guadagnoli e Velicer (1988) e de MacCallun, Widaman, Zhang e Hong (1999).
A análise fatorial apontou para uma escala com cinco fatores (denominados, via
análise semântica, de “cooperação”, “confiança”, “governança em rede”, “benefícios da
ação em rede” e “poder local”), derivados das variáveis originais, com as respectivas
cargas fatoriais e o Coeficiente Alfa de Cronbach (α) apresentados na Tabela 2.
TABELA 2
MATRIZ FATORIAL
CONSTRUTO
α
VARIÁVEL
CARGAS FATORIAIS
Cooperação
0,63
V1
0,681
V2
0,818
V3
0,616
V4
0,681
Confiança
0,77
V5
0,897
V6
0,724
V7
0,785
Governança em rede
0,77
V8
0,872
V9
0,868
Benefícios da ação em rede
0,82
V10
0,716
V11
0,746
V12
0,705
V13
0,686
V14
0,667
V15
0,641
Poder local
0,71
V16
0,802
V17
0,832
V18
0,724
Nota: α = Coeficiente Alfa de Cronbach.
Fonte: Elaborada pelos autores.
A Tabela 2 reporta índices de confiabilidade
de coerência interna significativos (α do fator) e cargas fatoriais acima de
0,60. Atesta-se ainda que os cinco construtos apresentaram KMO entre 0,542 e 0,760
(portanto, KMO ≥ 0,500).
As comunalidades indicaram um razoável poder explicativo do modelo: a variável menos
explicativa, com 61% de explicação por meio dos fatores extraídos em conjunto do
fator cooperação, foi a V3. Os autovalores apontaram para uma explicação conjunta dos
cinco fatores de 50,45%. Nisso, destaca-se a “cooperação” com maior poder de
explicação, de 29,55%.
A análise fatorial retornou com cinco construtos, nomeados: cooperação (COOP),
confiança (CONF), governança em rede (GOV’), benefícios da ação em rede (BENEF) e
poder local (PLOC), respectivamente, compostos de 4, 3, 2, 6 e 3 afirmações –
portanto, total de 18 (ante as 52 iniciais) capazes de explicar 50% da variação dos
dados. Observa-se que, ante o modelo inicial, a análise fatorial dividiu a governança
em duas: o poder local e a remanescente, no caso, a atuação do Sindvel. Excetuando-se
esta particularidade, houve boa concordância entre o agrupamento da análise fatorial
e os blocos de afirmações de partida, decorrente do modelo.
4.4 APLICAÇÃO DA ANÁLISE POLINOMIAL
As novas variáveis (representando os construtos) foram computadas usando como
ponderação os escores fatoriais das variáveis (afirmações) originais em cada
construto.
Daí, tais variáveis foram conduzidas para a análise de modelos polinomiais por meio
de regressão múltipla a 5% de probabilidade (critério arbitrário, comum em amostras
aleatórias e extrapolado para AAPL), a fim de compreender o comportamento (relação
positiva/negativa) entre tais construtos e adequar o modelo. Para a determinação do
grau do polinômio, foi realizada a análise de variância dos modelos de regressão
polinomial por meio do estudo da significância estatística do modelo (com o senão de
a AAPL não ser aleatória). Para o tratamento dos dados, utilizou-se o
software XLSTAT.
O modelo de regressão polinomial de k-ésimo grau pode ser representado da seguinte
forma (Gujarati, 2006):
em que:
Y = variável dependente;
β0 = intercepto;
βK = parâmetros do modelo (k = 1, 2, 3 ...);
Xi = variáveis do modelo (i = 1, 2, 3 ...);
K = grau do polinômio;
ui = resíduo do modelo.
Na Figura 2, apresenta-se um novo modelo,
aperfeiçoado do modelo original em função da indicação da análise fatorial. Na Figura 1, a governança foi dividida em dois
construtos: PLOC (atuação do poder local) e GOV’ (atuação do Sindvel). Observa-se que
existem outras possibilidades de relação, agora, por exemplo, entre PLOC e GOV’, que
foram desconsideradas no estudo pela sua não relevância teórica.
Figura 2
MODELO DE ANÁLISE POLINOMIAL APLICADO
Variáveis BENEF = benefícios; CONF = confiança; PLOC = atuação do poder
local; GOV’= atuação do Sindvel; COOP = cooperação; H1A, H1B, H2 E H3 = relações
incorporadas ao modelo.
Fonte: Elaborada pelos autores.
Antes da apresentação dos resultados do tratamento estatístico, considera-se
interessante oferecer sua contextualização, descrevendo mais amiúde o APL objeto da
análise.
5 ANÁLISE DOS RESULTADOS
Obedecendo aos procedimentos apresentados na subseção 4.4 e alimentando o
software estatístico escolhido com as variáveis obtidas da análise
fatorial, obteve-se a Equação 1.
A Equação 1, em que YCOOP = f (GOV’, BENEF, PLOC, CONF), com os coeficientes
de suas variáveis dotados de níveis de significância entre 0,00 e 0,05 (limite tomado
como aceitável), atingiu um coeficiente de determinação R2 = 0,59, ou seja,
as variáveis independentes se ajustaram ao modelo do construto cooperação em 59%. O
software empregado retornou com as seguintes estatísticas da bondade
de ajuste, para as 82 observações: grau de liberdade (GL) de 52, soma dos quadrados do
erro (SQE) de 134,031, erro quadrático médio (EQM) de 2,062 e raiz quadrada do erro
médio (RQEM) de 1,436.
Os pesos (coeficientes) indicam que a propensão à cooperação aumenta quanto maior é (em
ordem) a percepção positiva do trabalho do Sindvel (GOV’) e da atuação do poder local
(PLOC), cabendo à percepção dos benefícios auferidos, por se estar no APL, um papel
secundário – com os dados corroborando as expectativas iniciais. Contudo, a Equação 1
traz um ponto intrigante: por ela, uma elevação na percepção de confiança reduziria a
propensão a cooperar no âmbito do APL.
Admitindo a adequação dos procedimentos apresentados e a inexistência de alguma outra
variável interveniente (oculta, no caso), seria aceitável apontar alguns pontos
decorrentes da Equação 1. O primeiro deles é a importância percebida sobre a atuação do
Sindvel, seguido, em menor escala, pela atuação do poder local. Quanto mais bem-visto o
Sindvel e, em menor escala, o poder local – ainda mais se ambas as avaliações forem
positivas – maior foi a propensão a cooperar encontrada entre as empresas da AAPL. Isso
poderia decorrer de fatores como:
O Sindvel é o ente responsável pela integração e realização de ações conjuntas
entre as empresas (cursos, palestras, treinamentos, assistência jurídica e
promoção de eventos e missões nacionais e internacionais).
O papel da prefeitura na facilitação de espaços para as empresas (criação e
manutenção de distritos industriais) e sua atuação direta no apoio às empresas,
por meio da IME e do CME (ações do Prointec).
A atuação combinada do Sindvel e da prefeitura, em ações para captar recursos
externos a serem canalizados para as empresas incubadas e do condomínio, bem como
na caracterização aglutinadora do APL como “Vale da Eletrônica” (remetendo ao Vale
do Silício, na Califórnia), interessante para atrair novos negócios.
Os benefícios listados no questionário foram relativos à troca de informação (de
mercado, inclusive preços praticados pelos concorrentes e parceiros) e compartilhamento
de recursos tecnológicos e comerciais (canais de distribuição). Uma percepção de maiores
oportunidades de ganho nessas áreas se relacionou positivamente, mas fracamente, com
maior propensão à cooperação (e variável naqueles que se dizem mais confiantes nas
relações do APL, daí não seria razoável dizer que a percepção de benefícios aumenta a
confiança relacional, no contexto do arranjo e no momento histórico atual).
O construto confiança derivou das respostas dos entrevistados às afirmações: 1. posso
confiar nas empresas com quais mantemos relações porque elas são transparentes e
verdadeiras em seus propósitos; 2. confio nas empresas com as quais me relaciono porque
conheço pessoalmente os seus dirigentes; e 3. posso confiar no comportamento ético e
moral das empresas com as quais mantenho relacionamentos. A maior parte dos respondentes
foi neutra (20%) ou favorável (70%) a essas afirmações, portanto a confiança está
presente entre as empresas da AAPL, pois as indicações negativas foram inferiores a 10%
do total, mas, infelizmente, não há padrões de comparação, sendo somente possível
obtê-los a partir da aplicação das mesmas perguntas em outros APL. Mesmo assim, parece
razoável supor que a maioria das empresas confia nos outros membros do APL, quer por
proximidade (conhecimento pessoal), quer porque as relações são transparentes e/ou pela
crença no comportamento ético dos parceiros.
O construto cooperação derivou das respostas às afirmações: 1. as relações de cooperação
existentes entre as empresas têm contribuído para a ampliação da vantagem competitiva em
relação aos concorrentes locais; 2. a cooperação entre empresas traz benefícios mútuos
que dificilmente seriam alcançados sem a referida relação; 3. a contratação conjunta de
serviços de consultorias especializadas tem sido considerada por nossa empresa como uma
fonte de inovação relevante; 4. o conhecimento transferido por outras empresas tem
contribuído de forma significativa para que nossa empresa obtenha vantagens competitivas
no mercado – esta última listada originalmente como benefício e reposicionada pela
análise fatorial. As respostas tiveram perfil semelhante ao daquelas apresentadas pelo
construto confiança, com um pequeno aumento de opiniões neutras (de 20% para 30%), com
redução em igual extensão nas opiniões favoráveis. Os dirigentes das empresas reconhecem
os benefícios do esforço cooperativo na criação e extração de valor de competências e na
redução de custo (no caso, de consultorias).
Seria razoável considerar que, à medida que um projeto é concebido, a empresa é
constituída, incubada (quando já se espera um plano de negócios), depois “graduada” e
passa a crescer; ela passa a ser demandada e a demandar cada vez mais formalização das
relações em contratos, incluindo os de trabalho, os comerciais e aqueles celebrados com
o poder público, até mesmo por imperativo legal dentro do horizonte burocrático do
ordenamento nacional. Portanto, quando mais avançada se encontrar a consolidação do APL,
maior será a propensão de as relações receberem intermediação por contratos, ainda mais
se o poder público se fizer em evidência.
Adicional e tipicamente, a atuação no setor de tecnologia envolve inovações tecnológicas
que trazem consigo considerações na órbita do direito de propriedade, mesmo de patente,
que precisam ser observadas e resolvidas, o que envolve novamente a tradução de acordos
em contratos formais.
Admitindo que o APL de Santa Rita já se encontra amadurecido, contando inclusive com
empresas de portes médio e grande, considerando a interveniência decisiva do poder
público e apontando a vocação tecnológica do arranjo, seria também plausível aceitar que
os contratos são elementos presentes intermediando as relações no Vale da Eletrônica.
Isso não dispensa a confiança. Ela continuaria a exercer um papel significativo,
permitindo reduzir as salvaguardas dos contratos, o que reduz os custos das transações
e, assim, facilita ajustes competitivos na cadeia de valor, favorecendo a especialização
e a exploração das competências de cada firma, que confia, encontra parceiros,
estabelece parcerias, formaliza-as e volta-se para o seu nicho. Essa proposição difere
daquela de Williams (2005), para quem a
formalização das relações poderia, em determinadas circunstâncias, impactar de forma
negativa a cooperação (quando as definições formais de direitos e obrigações seriam
contrárias ou substitutivas da confiança e da cooperação entre as organizações). A
cooperação continuaria a acontecer, mesmo que formalizada e não dispensando o concurso
da confiança. Adotando o viés da racionalidade utilitarista e elementos da economia dos
custos de transação (Coase, 1937; Williamson, 1996), seria concebível apontar que a
intensidade e a frequência das relações interfirmas no Vale da Eletrônica restringem o
comportamento oportunista, valorizam a reputação e favorecem as relações interfirmas,
ainda mais quando se observa a atuação de mais um elemento de governança: o Sindvel, que
cria oportunidades para a consolidação do modelo. Disfuncionalidades, como
descumprimento de contratos (formalizados ou informais), não passariam despercebidas
nesse universo, mesmo porque estão circunscritas a uma área geográfica e com várias
iniciativas em comum (feiras e missões) que favorecem os contatos e a circulação de
informações.
No objeto em estudo, a confiança foi relegada a segundo plano, não porque ela esteja
ausente, pelo contrário, por já estar instituída, é desconsiderada. Admita-se o oposto:
se proliferasse o caráter oportunista e a perda de reputação fosse elemento desprezível,
como explicar a intensidade das relações entre fir-mas em um sistema geograficamente
restrito, no qual não há barreiras à troca de informações?
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O APL de Santa Rita de Sapucaí demonstrou constituir um interessante objeto de pesquisa
na medida em que foi encontrado dispondo dos elementos característicos dessa forma de
rede, tal como preconizado por Porter (1998),
Dyer e Singh, (1998), Lastres et al. (2003), como fator geográfico,
atuação setorial (no caso, produto de base tecnológica), interdependência de empresas em
relações de competição e de colaboração, interveniência de um conjunto de entidades
provedoras de infraestrutura (prefeitura) e de serviços educacionais (ETE, FAI, Inatel),
atuação de sindicato industrial (Sindvel) e do poder público na governança do sistema e
geração de benefícios decorrentes do arranjo e apropriados pelas firmas. Ademais, seu
estado de maturação e a produção tecnológica são outros atrativos consideráveis.
Outros trabalhos já intentaram entender a cooperação em ambientes de rede, tal como
proposto aqui. Este é apenas mais um passo no entendimento de um fenômeno complexo,
contemporâneo e dialético (cooperar e competir; rival e parceiro). Estudar a cooperação
ambientada ao APL do Vale da Eletrônica rendeu alguns frutos.
O primeiro foi a comprovação da necessidade de trazer à coleta e à análise de dados a
contextualização social e histórica, bem como reconhecer que as ações organizacionais
são produzidas por pessoas que representam a organização. Tal como defendido por Ritter e Gemunden (2003) e Pesämaa e Hair (2008), quem confia e age são as pessoas operando em
nome de suas organizações. Portanto, as entrevistas e o questionário respondido pelos
dirigentes teriam tido endereço certo. E evitou-se a armadilha da análise puramente
estatística, sem significado real, combatida por Hair
et al. (2005), que colocaria em risco qualquer pretensão
de validade do trabalho.
O segundo avanço adveio do trabalho estatístico. O modelo inicial foi sendo aprimorado
ao longo da pesquisa, e aquele final, no atual estágio de vida do APL, teria de reservar
maior espaço ainda para os elementos de governança e representar a linha
cooperação-confiança (H5) de forma descontínua: para um dado status de
confiança institucionalizada, mais confiança pode não render mais cooperação, tal como
encontrado por Williams (2005), ainda que por
motivo diverso. Quanto às outras relações hipotéticas, é admissível afirmar que o teste
a que elas foram submetidas falhou em refutá-las; portanto, elas permanecem, em especial
aquelas emanadas da governança (H1 e H2), quer para confiança ou cooperação, bem como a
ligação H4 entre benefícios e cooperação. Já a relação H3 entre benefícios e confiança
restou inconclusa.
O APL de Santa Rita exemplificaria bem a importância de dois elementos institucionais: a
governança (no caso, Sindvel e poder público local) e a interveniência de entidades
educacionais que, além de assegurarem a qualificação da mão de obra, assumiram a tarefa
de incubar empresas. Não parece inapropriado afirmar que o APL deve a sua criação e,
mesmo, o seu desenvolvimento à atuação desses entes, conjuminada com a ação de pessoas
visionárias, que ocuparam cargos diretivos nessas entidades, e também, obviamente, aos
empresários, que assumiram os riscos.
Concluindo, é admissível assumir que os empresários estejam cônscios dos benefícios de
serem tidos como integrantes do Vale de Eletrônica. Além de gozarem da proximidade
geográfica, a indicação de um endereço em Santa Rita do Sapucaí pode ser entendida com
outro diferencial, até mesmo para financiamento, como evidenciado com edital público
específico para esse APL.
Como qualquer outra pesquisa, esta investigação sofreu com limitações. Entre outras,
está o corte transversal dos dados do questionário: enquanto se admite a importância da
dinâmica histórica, apresenta-se uma análise pontual. Assim sendo, o questionário deve
ser reaplicado ao final de um período, cinco anos, quando será interessante observar as
alterações das percepções dos empresários ao longo do tempo.
REFERÊNCIAS
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Williamson, O. E. (1996). The mechanisms of governance.
New York: Oxford University Press.
Williamson
O. E.
1996
The mechanisms of governance
New York
Oxford University Press
Autoría
ANA ROSA DE SOUSA
Mestra em Administração pelo Programa de
Pós-Graduação em Administração da Universidade Federal de Lavras (Ufla). Coordenadora
e professora do Departamento de Administração do Centro Universitário de Lavras
(Unilavras). Rua Padre José Poggel, 506, Centenário, Lavras – MG – Brasil – CEP
37200-000 E-mail: anarosa@unilavras.edu.brCentro Universitário de LavrasBrasilLavras, MG, BrasilMestra em Administração pelo Programa de
Pós-Graduação em Administração da Universidade Federal de Lavras (Ufla). Coordenadora
e professora do Departamento de Administração do Centro Universitário de Lavras
(Unilavras). Rua Padre José Poggel, 506, Centenário, Lavras – MG – Brasil – CEP
37200-000 E-mail: anarosa@unilavras.edu.br
MOZAR JOSÉ DE BRITO
Doutor em Administração pela Faculdade de
Administração e Economia da Universidade de São Paulo (USP). Professor associado IV
do Departamento de Administração e Economia da Universidade Federal de Lavras (Ufla).
DAE/Ufla, Campus Universitário, Lavras – MG – Brasil – CEP 37200-000 E-mail:
mozarbrito@gmail.comUniversidade Federal de LavrasBrasilLavras, MG, BrasilDoutor em Administração pela Faculdade de
Administração e Economia da Universidade de São Paulo (USP). Professor associado IV
do Departamento de Administração e Economia da Universidade Federal de Lavras (Ufla).
DAE/Ufla, Campus Universitário, Lavras – MG – Brasil – CEP 37200-000 E-mail:
mozarbrito@gmail.com
PAULO JOSÉ SILVA
Doutor em Administração pelo Departamento de
Administração e Economia da Universidade Federal de Lavras (Ufla). Professor do
Departamento de Engenharia Civil do Centro Universitário de Formiga (Unifor). Avenida
Doutor Arnaldo Sena, 328, Campus Universitário, Água Vermelha, Formiga – MG – Brasil
– CEP 35570-000 E-mail: paulojoses@uol.com.brCentro Universitário de FormigaBrasilÁgua Vermelha, MG, BrasilDoutor em Administração pelo Departamento de
Administração e Economia da Universidade Federal de Lavras (Ufla). Professor do
Departamento de Engenharia Civil do Centro Universitário de Formiga (Unifor). Avenida
Doutor Arnaldo Sena, 328, Campus Universitário, Água Vermelha, Formiga – MG – Brasil
– CEP 35570-000 E-mail: paulojoses@uol.com.br
UAJARÁ PESSOA ARAÚJO
Doutor em Engenharia de Produção pela Escola de
Engenharia de São Carlos da Universidade de São Paulo (USP). Professor adjunto do
Departamento de Ciências Sociais Aplicadas do Centro Federal de Educação Tecnológica
de Minas Gerais (Cefet-MG). Avenida Amazonas, 7.675, Campus II, Cefet-MG, Nova
Gameleira, Belo Horizonte – MG – Brasil – CEP 30510-000 E-mail:
uajara@dcsa.cefetmg.brCentro Federal de Educação Tecnológica de Minas
GeraisBrasilBelo Horizonte, MG, BrasilDoutor em Engenharia de Produção pela Escola de
Engenharia de São Carlos da Universidade de São Paulo (USP). Professor adjunto do
Departamento de Ciências Sociais Aplicadas do Centro Federal de Educação Tecnológica
de Minas Gerais (Cefet-MG). Avenida Amazonas, 7.675, Campus II, Cefet-MG, Nova
Gameleira, Belo Horizonte – MG – Brasil – CEP 30510-000 E-mail:
uajara@dcsa.cefetmg.br
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Esta pesquisa foi financiada com recursos do Conselho Nacional de Desenvolvimento
Científico e Tecnológico (CNPq).
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Mestra em Administração pelo Programa de
Pós-Graduação em Administração da Universidade Federal de Lavras (Ufla). Coordenadora
e professora do Departamento de Administração do Centro Universitário de Lavras
(Unilavras). Rua Padre José Poggel, 506, Centenário, Lavras – MG – Brasil – CEP
37200-000 E-mail: anarosa@unilavras.edu.brCentro Universitário de LavrasBrasilLavras, MG, BrasilMestra em Administração pelo Programa de
Pós-Graduação em Administração da Universidade Federal de Lavras (Ufla). Coordenadora
e professora do Departamento de Administração do Centro Universitário de Lavras
(Unilavras). Rua Padre José Poggel, 506, Centenário, Lavras – MG – Brasil – CEP
37200-000 E-mail: anarosa@unilavras.edu.br
Doutor em Administração pela Faculdade de
Administração e Economia da Universidade de São Paulo (USP). Professor associado IV
do Departamento de Administração e Economia da Universidade Federal de Lavras (Ufla).
DAE/Ufla, Campus Universitário, Lavras – MG – Brasil – CEP 37200-000 E-mail:
mozarbrito@gmail.comUniversidade Federal de LavrasBrasilLavras, MG, BrasilDoutor em Administração pela Faculdade de
Administração e Economia da Universidade de São Paulo (USP). Professor associado IV
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Doutor em Administração pelo Departamento de
Administração e Economia da Universidade Federal de Lavras (Ufla). Professor do
Departamento de Engenharia Civil do Centro Universitário de Formiga (Unifor). Avenida
Doutor Arnaldo Sena, 328, Campus Universitário, Água Vermelha, Formiga – MG – Brasil
– CEP 35570-000 E-mail: paulojoses@uol.com.brCentro Universitário de FormigaBrasilÁgua Vermelha, MG, BrasilDoutor em Administração pelo Departamento de
Administração e Economia da Universidade Federal de Lavras (Ufla). Professor do
Departamento de Engenharia Civil do Centro Universitário de Formiga (Unifor). Avenida
Doutor Arnaldo Sena, 328, Campus Universitário, Água Vermelha, Formiga – MG – Brasil
– CEP 35570-000 E-mail: paulojoses@uol.com.br
Doutor em Engenharia de Produção pela Escola de
Engenharia de São Carlos da Universidade de São Paulo (USP). Professor adjunto do
Departamento de Ciências Sociais Aplicadas do Centro Federal de Educação Tecnológica
de Minas Gerais (Cefet-MG). Avenida Amazonas, 7.675, Campus II, Cefet-MG, Nova
Gameleira, Belo Horizonte – MG – Brasil – CEP 30510-000 E-mail:
uajara@dcsa.cefetmg.brCentro Federal de Educação Tecnológica de Minas
GeraisBrasilBelo Horizonte, MG, BrasilDoutor em Engenharia de Produção pela Escola de
Engenharia de São Carlos da Universidade de São Paulo (USP). Professor adjunto do
Departamento de Ciências Sociais Aplicadas do Centro Federal de Educação Tecnológica
de Minas Gerais (Cefet-MG). Avenida Amazonas, 7.675, Campus II, Cefet-MG, Nova
Gameleira, Belo Horizonte – MG – Brasil – CEP 30510-000 E-mail:
uajara@dcsa.cefetmg.br
Figura 1
MODELO INICIAL INDICANDO AS RELAÇÕES HIPOTÉTICAS DE INTERESSE,
CORRELACIONANDO TRÊS CONSTRUTOS – GOVERNANÇA, CONFIANÇA E BENEFÍCIOS – COM O
CONSTRUTO COOPERAÇÃO
imageFigura 1
MODELO INICIAL INDICANDO AS RELAÇÕES HIPOTÉTICAS DE INTERESSE,
CORRELACIONANDO TRÊS CONSTRUTOS – GOVERNANÇA, CONFIANÇA E BENEFÍCIOS – COM O
CONSTRUTO COOPERAÇÃO
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A variável “Outros” representa a parcela da variação da “Cooperação” não
explicada pelos outros construtos.Fonte: Elaborada pelos autores.
imageFigura 2
MODELO DE ANÁLISE POLINOMIAL APLICADO
open_in_new
Variáveis BENEF = benefícios; CONF = confiança; PLOC = atuação do poder
local; GOV’= atuação do Sindvel; COOP = cooperação; H1A, H1B, H2 E H3 = relações
incorporadas ao modelo.Fonte: Elaborada pelos autores.
table_chartTABELA 1
MSA E COMUNALIDADE
VARIÁVEL
MSA
COMUNALIDADE
VARIÁVEL
MSA
COMUNALIDADE
V1
0,526
0,646
V10
0,785
0,642
V2
0,806
0,743
V11
0,638
0,734
V3
0,675
0,615
V12
0,783
0,735
V4
0,711
0,701
V13
0,637
0,670
V5
0,698
0,725
V14
0,810
0,726
V6
0,624
0,624
V15
0,800
0,674
V7
0,582
0,797
V16
0,423
0,797
V8
0,732
0,663
V17
0,412
0,794
V9
0,704
0,790
V18
0,425
0,747
table_chartTABELA 2
MATRIZ FATORIAL
CONSTRUTO
α
VARIÁVEL
CARGAS FATORIAIS
Cooperação
0,63
V1
0,681
V2
0,818
V3
0,616
V4
0,681
Confiança
0,77
V5
0,897
V6
0,724
V7
0,785
Governança em rede
0,77
V8
0,872
V9
0,868
Benefícios da ação em rede
0,82
V10
0,716
V11
0,746
V12
0,705
V13
0,686
V14
0,667
V15
0,641
Poder local
0,71
V16
0,802
V17
0,832
V18
0,724
Como citar
SOUSA, ANA ROSA DE et al. COOPERACIÓN EN APL DE SANTA RITA DO SAPUCAÍ. RAM. Revista de administração Mackenzie [online]. 2015, v. 16, n. 1 [Accedido 3 Abril 2025], pp. 157-187. Disponible en: <https://doi.org/10.1590/1678-69712015/administracao.v16n1p157-187>. ISSN 1678-6971. https://doi.org/10.1590/1678-69712015/administracao.v16n1p157-187.
Editora Mackenzie; Universidade Presbiteriana MackenzieRua da Consolação, 896, Edifício Rev. Modesto Carvalhosa, Térreo - Coordenação da RAM, Consolação - São Paulo - SP - Brasil - cep 01302-907 -
São Paulo -
SP -
Brazil E-mail: revista.adm@mackenzie.br
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