RESUMO
Introdução: Os profissionais da área da saúde tendem a ter uma sobrecarga de estresse, principalmente na oncologia, em razão dos atravessamentos da área de atuação com uma alta carga emocional e laboral. A síndrome de burnout é considerada uma síndrome tridimensional que abrange a exaustão emocional, a realização pessoal e a despersonalização. O coping tem sido descrito como o conjunto das estratégias utilizadas para adaptação às circunstâncias adversas ou estressantes.
Objetivo: Analisar a incidência da síndrome de burnout e as estratégias de coping utilizadas pelos residentes do segundo ano de um programa de residência multiprofissional.
Método: Estudo com delineamento transversal quantitativo exploratório e descritivo. Utilizaram-se instrumentos para coleta dos dados: um questionário sociodemográfico, laboral, hábitos de vida e condições de saúde; e os instrumentos do Maslach Burnout Inventory e do Inventário de Estratégias de Coping de Folkman e Lazarus.
Resultados: A pesquisa foi conduzida com 38 participantes provenientes de 9 categorias profissionais. Os resultados obtidos não indicaram a presença de burnout entre os participantes. Contudo, a amostra revelou um predomínio de altos níveis de exaustão emocional, baixos índices de despersonalização e níveis moderados de realização profissional. A estratégia de coping mais prevalente foi a aceitação de responsabilidade associada ao suporte social, enquanto a menos utilizada foi a estratégia de confronto.
Conclusão: Os participantes demonstraram preferência pelo suporte social e aceitação de responsabilidade, evitaram o confronto, refletindo um coping reflexivo e colaborativo, essencial ao bem-estar e à eficácia no trabalho em saúde.
Palavras-chave:
Estresse Ocupacional; Esgotamento Psicológico; Habilidades de Enfrentamento
ABSTRACT
Introduction: Health professionals are often exposed to overload and stress, especially in oncology, due to the high emotional and work-related demands of the field. Burnout Syndrome is considered a three-dimensional syndrome comprising emotional exhaustion, personal accomplishment, and depersonalization. Coping has been described as the set of strategies used to adapt to adverse or stressful circumstances.
Objective: To analyze the incidence of burnout syndrome and the coping strategies used by second-year residents in a multiprofessional residency program.
Method: A cross-sectional, quantitative, exploratory, and descriptive study. Data was collected using a sociodemographic and work-related questionnaire addressing lifestyle habits and health conditions, as well as the Maslach Burnout Inventory and the Folkman and Lazarus Coping Strategies Inventory.
Results: The study included 38 participants from nine professional categories. The results did not indicate burnout among participants; however, the sample showed a predominance of high levels of emotional exhaustion, low levels of depersonalization, and moderate levels of professional accomplishment. The most prevalent coping strategy was accepting responsibility combined with social support, whereas confrontive coping was the least used.
Conclusion: Participants preferred social support and accepting responsibility and avoided confrontation, reflecting a reflexive and collaborative coping style, which is essential for well-being and effectiveness in healthcare work.
Key words:
Occupational Stress; Burnout, Psychological; Coping Skills
RESUMEN
Introducción: Los profesionales de la salud tienden a experimentar una sobrecarga de estrés, especialmente en oncología, debido a la alta demanda emocional y laboral del área. El síndrome de burnout se considera un síndrome tridimensional que abarca el agotamiento emocional, la realización personal y la despersonalización. El coping se ha descrito como el conjunto de estrategias utilizadas para adaptarse a circunstancias adversas o estresantes.
Objetivo: Analizar la incidencia del síndrome de burnout y las estrategias de coping utilizadas por residentes de segundo año de un programa de residencia multiprofesional.
Método: Estudio transversal, cuantitativo, exploratorio y descriptivo. Se utilizaron para la recolección de datos un cuestionario sociodemográfico y laboral sobre hábitos de vida y condiciones de salud, además del Maslach Burnout Inventory y el Inventario de Estrategias de Coping de Folkman y Lazarus.
Resultados: Participaron 38 residentes provenientes de nueve categorías profesionales. Los resultados no indicaron la presencia de burnout en los participantes; sin embargo, la muestra reveló un predominio de altos niveles de agotamiento emocional, bajos índices de despersonalización y niveles moderados de realización profesional. La estrategia de coping más prevalente fue la aceptación de responsabilidad asociada al apoyo social, mientras que la menos utilizada fue la estrategia de confrontación.
Conclusión: Los participantes mostraron preferencia por el apoyo social y la aceptación de responsabilidad y evitaron la confrontación, lo que refleja un coping reflexivo y colaborativo, esencial para el bienestar y la eficacia en el trabajo en salud.
Palabras clave:
Estrés Laboral; Agotamiento Psicológico; Habilidades de Afrontamiento
INTRODUÇÃO
A síndrome de burnout, ou síndrome do esgotamento profissional, tem se tornado um tema central nas discussões sobre saúde mental no ambiente de trabalho, especialmente em profissões que lidam diretamente com o sofrimento humano1. Essa condição resulta da exposição crônica a fatores estressores não enfrentados de forma eficaz, provocando desgaste físico e emocional progressivo2. O conceito, desenvolvido por Maslach e Jackson em 1981, é multidimensional, englobando exaustão emocional, despersonalização e redução da realização pessoal no trabalho3.
Na área da saúde, e particularmente na oncologia, a carga emocional do cuidado a pacientes em situações críticas, somada à rotina intensa, torna os profissionais especialmente vulneráveis ao adoecimento psíquico4. Essa vulnerabilidade se intensifica nos programas de residência, nos quais os profissionais, além de enfrentarem uma jornada de trabalho extenuante, vivenciam a pressão de aprender e executar com excelência5. A dualidade entre ser aprendiz e responsável direto pelo cuidado pode gerar um ambiente propício ao desenvolvimento da síndrome de burnout5.
O estresse, componente central da síndrome de burnout, é descrito por Selye como uma resposta fisiológica e psicológica a estímulos percebidos como ameaçadores, podendo evoluir para fases de exaustão, com prejuízos significativos à saúde6. Estratégias de enfrentamento, conhecidas como coping, descritas por Lazarus e Folkman, são fundamentais para mediar essa resposta ao estresse, sendo adaptáveis às situações e determinantes na manutenção do equilíbrio emocional7. A forma como os indivíduos lidam com o estresse pode influenciar diretamente a intensidade dos sintomas de burnout7.
No contexto da oncologia, o enfrentamento diário de situações de sofrimento e morte, aliado à sobrecarga de trabalho, favorece o aparecimento de sintomas psicossomáticos e transtornos emocionais1. Quando inseridos nesse cenário, os residentes se deparam com um sistema rígido, de baixa autonomia e exigências elevadas, o que pode ampliar os fatores de risco psicossocial5. Além disso, as condições laborais da residência muitas vezes limitam o tempo e o espaço para a recuperação emocional, intensificando os efeitos do estresse crônico5.
Diante dessa realidade, o presente estudo tem como objetivo analisar a incidência da síndrome de burnout e identificar as estratégias de coping utilizadas por residentes do segundo ano de um Programa de Residência Multiprofissional em Oncologia e de Física Médica de um hospital público do Rio de Janeiro. Ao investigar o perfil sociodemográfico, os níveis de burnout e os mecanismos de enfrentamento utilizados, pretende-se compreender como esses profissionais estão lidando com os desafios emocionais e estruturais do processo de formação, contribuindo para reflexões sobre saúde mental no ambiente de trabalho.
MÉTODO
Estudo com delineamento transversal quantitativo exploratório descritivo. A amostra foi composta por 38 participantes, com vínculo ativo no programa de residência do ano de 2023, durante seu segundo ano da especialização na Residência Multiprofissional em Oncologia do Instituto Nacional de Câncer (INCA). A coleta de dados foi realizada no mês de julho de 2024, por meio de questionários autoaplicáveis disponibilizados on-line e enviados por e-mail aos participantes. As variáveis foram organizadas em três eixos: perfil sociodemográfico, síndrome de burnout e estratégias de enfrentamento (coping).
Foi elaborado pela autora um questionário para caracterização do perfil sociodemográfico, laboral, hábitos de vida e condições de saúde dos participantes. As variáveis foram categorizadas tendo em conta três eixos, sendo eles: um questionário para traçar o perfil sociodemográfico, laboral, hábitos de vida e condições de saúde dos residentes; o Maslach Burnout Inventory (MBI)8 e o Inventário de Estratégias de Coping (IEC)9 de Folkman e Lazarus.
A síndrome de burnout foi avaliada por meio do MBI, um instrumento de autorrelato composto de 22 itens distribuídos em 3 subescalas: exaustão emocional (9 itens), despersonalização (5 itens) e baixa realização profissional (8 itens). A presença de burnout foi definida com base nos pontos de corte, de forma concomitante10, para as 3 dimensões: Exaustão Emocional (9 questões), Realização Profissional (8 questões) e Despersonalização (5 questões). Desse modo, o questionário possui 22 questões com 5 possibilidades de respostas, que recebem a pontuação da seguinte forma: "Nunca" – 1 ponto, "Algumas vezes no ano" – 2 pontos, "Algumas vezes no mês" – 3 pontos, "Algumas vezes na semana" – 4 pontos e "Diariamente" – 5 pontos. Portanto, o escore atribuído a cada indivíduo variou entre as dimensões de acordo com o número de questões e a pontuação atribuída por cada entrevistado às perguntas: Exaustão Emocional (9 a 45); Realização Profissional (8 a 40) e Despersonalização (5 a 25)11.
O IEC é um questionário de 66 itens que abrange ideias e comportamentos que as pessoas usam para lidar com necessidades internas ou externas em eventos estressantes específicos. Esse inventário se divide em 8 fatores, sendo eles estratégias de: confronto, afastamento, autocontrole, suporte social, aceitação de responsabilidade, fuga e esquiva, resolução de problemas e reavaliação positiva. O instrumento possui quatro opções de respostas, com valores variáveis de zero a três, em uma escala de Likert: zero – "não uso da estratégia"; um – "usei um pouco"; dois – "usei bastante"; e três – "usei em grande quantidade". O inventário é organizado em oito fatores, quais sejam: confronto (6 itens: 6, 7, 17, 28, 34, 46) afastamento (6 itens: 12, 13, 15, 21, 41, 44), autocontrole (7 itens: 10, 14, 35, 43, 54, 62, 63), suporte social (6 itens: 8, 18, 22, 31, 42, 45), aceitação de responsabilidade (4 itens: 9, 25, 29, 51), fuga e esquiva (8 itens: 11, 16, 33, 40, 47, 50, 58, 59), resolução de problemas (6 itens: 1, 26, 39, 48, 49, 52) e reavaliação positiva (7 itens: 20, 23, 30, 36, 38, 56, 60)12.
Os dados foram coletados a partir de questionários autoaplicáveis de forma on-line, distribuídos por e-mail, juntamente com a concordância do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), durante o mês de julho do ano de 2024. A tabulação dos dados ocorreu a partir de uma planilha no programa Microsoft Office Excel® 365 com os campos descritos, objetivando traçar o perfil de cada participante da pesquisa. O processamento dos dados coletados utilizando o questionário do perfil sociodemográfico, MBI e IEC foi realizado a partir da codificação, tabulação, organização e tratamento estatístico, utilizou-se o software R13 versão 4.3.3 para as análises estatísticas.
O estudo seguiu as normas do Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) do INCA, sob o número de parecer 6.935.007 (CAAE: 79410124.4.0000.5274), e foram respeitados os princípios da Resolução 466/12 do Conselho Nacional de Saúde (CNS)14 que dispõe sobre as diretrizes e normas regulamentadoras de pesquisa envolvendo seres humanos.
RESULTADOS
A amostra foi composta por 38 residentes, sendo eles: 11 enfermeiros, 9 farmacêuticos, 5 fisioterapeutas, 4 nutricionistas, 3 físicos médicos especialistas em radioterapia, 2 odontólogas, 2 psicólogas, 1 físico médico especialista em imagens e 1 assistente social, com predominância de jovens, a maioria entre 25 e 29 anos, 28 (74%) residentes do sexo feminino e 27 (71%), a maior parte, do Rio de Janeiro. Quanto à raça/cor, 21 (55%) se identificam como brancos, 9 (24%) como pretos e 8 (21%) como pardos. Em relação ao estado civil, 35 (92%) são solteiros e 37 (97%) não têm filhos. Sobre a religião, 11 (29%) são católicos, 10 (26%) não têm religião, e as demais crenças são representadas por proporções menores.
De acordo com os dados da pesquisa, a maioria possui entre 16 e 24 meses (média de 18 meses) de experiência profissional e 22 (58%) não residem no alojamento. Um total de 27 (71%) participantes realizou atividades extracurriculares entre 18h e 0h e 28 (74%) participantes praticam atividade física regurlarmente. No que se refere ao sono, 16 (42%) dormem 6 horas por noite, seguidos por 10 (26%) participantes que dormem 5 horas e 29 (76%) dos participantes da pesquisa em questão relataram que não utilizam medicamentos regularmente.
Os dados obtidos a partir das subescalas do MBI foram apresentados em mediana, uma vez que o questionário avalia o burnout com base em sua unidade de medida e foram demonstrados na Tabela 1, e indicam diferentes níveis de envolvimento emocional e profissional entre os participantes. No que diz respeito à despersonalização, observou-se uma mediana de 6,0, com intervalo interquartil entre 2,3 e 9,0, o que revela que a maioria dos indivíduos apresenta baixos níveis desse aspecto, indicando não demonstrar sentimentos marcantes de distanciamento ou indiferença em relação a outras pessoas. Por outro lado, a exaustão emocional apresentou uma mediana de 33, com um intervalo interquartil de 23 a 39, refletindo altos níveis de cansaço emocional entre os participantes, o que sugere que muitos deles estão vivenciando esgotamento relacionado ao trabalho — um dos principais indicativos da síndrome de burnout. Já em relação à realização profissional, a mediana foi de 34,0, com intervalo interquartil entre 29,3 e 37,0, apontando que a maioria dos indivíduos possui uma percepção moderada de eficácia e satisfação no desempenho de suas funções. Isso sugere que, embora os participantes não estejam completamente insatisfeitos, também não atingem níveis elevados de realização no ambiente profissional. Considerando-se os critérios propostos em pesquisa anteriormente15, a combinação de altos níveis de exaustão emocional e despersonalização com baixos níveis de realização profissional não configura neste estudo um quadro de burnout, indicando a necessidade de atenção a esses indicadores no contexto analisado.
Caracterização das subescalas do Maslach Burnout Inventory dos residentes de um programa de residência multiprofissional em oncologia do município do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro/RJ, Brasil, 2024 (n=38)
As medianas das dimensões do IEC evidenciadas na Tabela 2 variam de 1,00 a 1,75, com a maioria das categorias concentradas em torno de valores próximos a 1,00, indicando uma tendência geral para respostas mais baixas. As categorias "Aceitação de responsabilidade" e "Suporte social" destacam-se com medianas mais altas (1,75), enquanto "Confronto" e "Fuga e esquiva" têm as medianas mais baixas (1,00 e 1,13, respectivamente). Optou-se pela utilização da mediana como medida de tendência central, em detrimento da média, por apresentar maior robustez com a presença de valores extremos (outliers), observados em diversas variáveis do questionário, permitindo assim uma representação mais fidedigna da distribuição dos dados.
Caracterização das medianas das dimensões do Inventário de Estratégias de Coping dos residentes de um programa de residência multiprofissional em oncologia do município do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro/RJ, Brasil, 2024 (n=38)
DISCUSSÃO
Os resultados sociodemográficos deste estudo indicaram média de idade de 27 anos entre os participantes entrevistados, situando-se na faixa etária predominante descrita na literatura para residentes da área da saúde (25 a 29 anos). Esse achado sugere que a maioria dos participantes é composta por profissionais recém-graduados16. Além disso, a média de tempo de atuação foi de 18 meses. A amostra foi composta principalmente por 28 (74%) mulheres, solteiras e sem filhos, o que reflete uma tendência crescente da presença feminina na força de trabalho da saúde, conforme apontado em outras pesquisas3,17,18. Esse perfil feminino também é observado em estudos sobre burnout entre profissionais da saúde, especialmente entre enfermeiros, que destacam a predominância de mulheres solteiras e sem filhos19.
Quanto ao estilo de vida, 28 (74%) dos participantes praticam atividade física regularmente, o que pode ser uma estratégia eficaz para combater o burnout, pois há evidência na literatura que indica que a atividade física contribui para a saúde geral e o desempenho no trabalho20. O estudo em pauta também encontrou que a maioria dos participantes, 29 (76%), não faz uso de medicamentos, o que corrobora os achados de outra pesquisa que indica um baixo uso de medicamentos entre residentes sem sintomas de burnout21. Além disso, a pesquisa identificou que 16 (42%) dos participantes residem no alojamento, o que pode contribuir para a ausência de burnout, dado que um estudo sugere que residentes que vivem sozinhos têm maior propensão a desenvolver a síndrome21.
Um estudo aponta que os profissionais de saúde, especialmente residentes, estão entre os mais afetados pela síndrome de burnout, por fatores profissionais, pessoais e relacionais22. No entanto, os resultados do presente estudo não apontam a presença de burnout, apesar da alta exaustão emocional observada, diferindo de outros estudos que identificam a síndrome em residentes23. A discrepância pode ser explicada pela natureza da residência, com diferentes categorias de profissionais, incluindo especialização em oncologia, o que pode influenciar o impacto do burnout24. A alta exaustão emocional, embora não indique burnout definitivo, é um sinal importante que exige monitoramento, pois está frequentemente associada ao desenvolvimento da síndrome22. Pesquisas anteriores com residentes multiprofissionais também destacam altos níveis de exaustão emocional3,17. A oncologia, área de atuação dos participantes, é particularmente desafiadora, exigindo habilidades técnicas e emocionais para lidar com o sofrimento dos pacientes e suas famílias, o que pode contribuir para o desgaste físico e mental25.
Além disso, o modelo de Residência Multiprofissional em Saúde no Brasil impõe desafios como carga de trabalho excessiva, instabilidade e baixo reconhecimento26. Apesar disso, os participantes demonstram uma realização profissional moderada, possivelmente pela ausência de dúvidas sobre sua escolha profissional e pela qualidade das tarefas desempenhadas, que estão alinhadas com suas competências17. A formação prática e as vivências no campo contribuem para a realização profissional, apesar das dificuldades enfrentadas ao longo do percurso17.
Os resultados deste estudo sobre as estratégias de coping revelam três abordagens predominantes entre os participantes, conforme descrito pelo IEC de Folkman e Lazarus. Primeiramente, o suporte social foi a estratégia mais utilizada, alinhando-se com estudos anteriores27,28, indicando que os participantes buscam apoio emocional e informativo no ambiente de trabalho, seja de colegas, preceptores ou familiares. Esse apoio emocional fortalece a resiliência, melhora a autoestima e contribui para o bem-estar geral, ajudando a reduzir a sobrecarga emocional e aumentar a satisfação no trabalho, além de facilitar o trabalho em equipe, essencial em ambientes de saúde27. O suporte social, portanto, se mostra crucial no enfrentamento das demandas profissionais, promovendo um ambiente de cuidado mútuo e colaboração, o que impacta positivamente na qualidade do atendimento27.
Em segundo lugar, a aceitação de responsabilidade foi uma estratégia amplamente utilizada, embora com implicações emocionais, como a sensação de culpa, que pode prejudicar a resolução de problemas e a adaptação emocional27. Este modo de enfrentamento reflete a tendência ao autoconhecimento, mas pode resultar em frustração se não for acompanhado de uma abordagem mais construtiva. Apesar disso, essa estratégia também demonstra a responsabilidade dos participantes em aprender com os erros e melhorar em futuras situações29.
Por fim, em terceiro lugar, a estratégia de confronto foi a menos utilizada, sugerindo que os participantes preferem abordagens mais reflexivas e comedidas, evitando confrontos diretos ou impulsivos, como observado em estudos anteriores16. Esse comportamento reflete uma tendência dos profissionais de saúde em adotar estratégias racionais e objetivas, fundamentais para tomar decisões rápidas e precisas em ambientes de alta pressão, como hospitais30. Em situações de estresse prolongado, o uso do confronto pode ser ineficaz, sendo mais eficaz uma abordagem colaborativa e focada na solução prática dos problemas, o que ajuda a manter o equilíbrio emocional e a qualidade do atendimento26.
CONCLUSÃO
Em síntese, os participantes demonstraram uma clara preferência pelo suporte social e aceitação de responsabilidade, enquanto evitaram o confronto, o que reflete um padrão de coping mais reflexivo e colaborativo, essencial para o bem-estar e eficácia no ambiente de trabalho em saúde.
A ausência de síndrome de burnout entre mulheres brancas, solteiras, sem filhos e com até 18 meses de experiência sugere que o menor tempo de atuação e a escassez de compromissos familiares podem reduzir a exposição ao estresse acumulado, fator-chave para o desenvolvimento da síndrome. Isso indica que o burnout pode ser atenuado por fatores pessoais e profissionais específicos, embora mais pesquisas sejam necessárias para entender outras influências.
Embora não haja indícios elevados de burnout entre os participantes, a pesquisa sugere a necessidade de políticas públicas para aprimorar os programas de residência multiprofissional em saúde, visando à saúde física e mental dos participantes, com o objetivo de criar um ambiente acolhedor e humanizado, onde o trabalho seja distribuído conforme a aptidão profissional, evitando sobrecarga. A elevada carga horária nos programas de residência tem sido um fator crítico para a exaustão emocional, afetando tanto a saúde mental quanto o desempenho profissional dos participantes. Dessa forma, evidencia-se a necessidade de revisão das políticas e práticas institucionais, a fim de promover o equilíbrio entre a formação de excelência e o bem-estar dos profissionais.
Quanto às estratégias de enfrentamento, os participantes adotaram abordagens reflexivas e cautelosas, focando no autocontrole e na moderação, com predominância do suporte social e da aceitação de responsabilidade. Isso facilita a adaptação ao ambiente de trabalho e mantém o equilíbrio emocional. A baixa utilização de estratégias de confronto sugere uma preferência por abordagens mais colaborativas e menos agressivas no enfrentamento das adversidades.
Embora os achados tenham sido valiosos, a limitação temporal do estudo impede a observação de mudanças no longo prazo. Futuros estudos com acompanhamento mais extenso poderiam identificar padrões mais amplos e fornecer dados para intervenções eficazes na prevenção e gestão do burnout, especialmente em contextos de alta demanda emocional e profissional.
FONTES DE FINANCIAMENTO
DECLARAÇÃO DE DISPONIBILIDADE DE DADOS
Todos os conteúdos subjacentes ao texto do artigo estão contidos no manuscrito.
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