RESUMO
Objetivo: analisar a utilidade de “filtros de qualidade” pré-estabelecidos para a identificação de oportunidades de melhora no atendimento ao idoso traumatizado.
Método: análise prospectiva dos dados coletados entre 2014-2015 e armazenados em software iTreg (Ecossistemas). Foram revisados vítimas de trauma maiores de 60 anos e filtros de qualidade propostos, baseados naqueles idealizados pela SBAIT em 2013: (F1) Drenagem de hematoma subdural agudo após 4 horas da admissão em pacientes com ECG<9; (F2) transferência da sala de emergência sem via aérea definitiva e ECG<9; (F3) Reintubação em até 48 horas da extubação; (F4) Tempo admissão-laparotomia exploradora maior que 60 min. em pacientes instáveis com foco abdominal; (F5) Reoperação não programada; (F6) Laparotomia após 4 horas da admissão; (F7) Fratura de diáfise de fémur não fixada; (F8) Tratamento não operatório de ferimento abdominal por PAF; (F9) Tempo admissão-tratamento de fraturas expostas de tíbia superior a 6 horas; (F10) Operação após 24 horas da admissão. Foi analisada relação dos filtros com tratamentos, complicações e óbitos, pelo software SPSS, utilizando-se o teste qui-quadrado e Fisher para calcular a relevância estatística.
Resultados: dos 92 casos, 36 (39,1%) tiveram complicações e 15 (16,3%) morreram. A frequência da quebra dos filtros foi de 12% em pacientes que sobreviveram e 55,6% nos entre os que faleceram (p=0,005). A incidência de complicações foi de 77,8% (7/9) nos doentes com FQ comprometido, contra 34,9% (28/83) nos não comprometidos (p=0,017).
Conclusões: o comprometimento dos filtros de qualidade se relaciona diretamente com a ocorrência de complicações e óbitos em idosos traumatizados.