Estamos entrando na contagem regressiva para o início da terceira década de existência da Revista Eletrônica de Administração. A partir de Janeiro de 2025, a REAd inaugura um capítulo muito importante para a sua trajetória, com a publicação de artigos em volume único anual e em fluxo contínuo. Esta é uma nova página da nossa história recente, que se segue à adoção das normas da American Psychological Association (APA) para citações, referência e estilo. Temos muito a comemorar e mais ainda a ser fortalecido. Em meio à afluência das incertezas trazidas pelas mudanças aceleradas (do clima, das tecnologias, do trabalho, do perfil das sociedades), que nos demandam resiliência e capacidade de rápida resposta, a REAd passa a formalizar diversos protocolos e práticas para intensificar sua adesão aos princípios da ciência aberta.
Mas já não estaríamos adotando essas práticas? Sim e não. Explicamos. Parece ter sido ontem o tímido começo de uma mobilização para divulgar à comunidade acadêmica da área de Ciências Administrativas os melhores trabalhos que recebemos, fruto de colaboração entre pesquisadores das diversas regiões brasileiras e da troca internacional de conhecimentos e experiências. Neste sentido, desde o seu primeiro número, em Setembro de 1995, a revista já incorporava em seu DNA as parcerias de publicação entre professores, pesquisadores e gestores/profissionais do Brasil e do Exterior. Abria-se ao conhecimento do mundo e às trocas de saberes para disseminar conhecimento interdisciplinar. Desde sua etapa como periódico bimestral, em 1995, a quadrimestral, a partir de 2007, a REAd atravessou muitos desafios até chegar à coleção SciELO, em 2011.
Com a consolidação da periodicidade quadrimestral, introduzimos o padrão de publicação para resumos em Português e Inglês. Uma nova mudança ocorreu a partir de 2009 (edição 63, volume 15, número 2, Maio-Agosto), com a publicação, em cada artigo, do nome do editor-chefe, nome e ISSN da revista (versão online), 1413-2311, e numeração contínua por volume. Na época, o formato padrão era PDF. Eram também publicados os endereços de DOI, mas então sem link para um repositório digital de base de dados indexada, o que prejudicava a nossa rastreabilidade. A partir de 2017, a revista mudou seu layout, incluindo metadados em notas de rodapé, com títulos e resumos em três línguas (Português, Espanhol e Inglês). Em 2018, passou a incorporar o seu logotipo em cada artigo publicado e a utilizar o selo Creative Commons (CC), reforçando seu compromisso com os princípios da ciência aberta. Sim, já estávamos com esse norteamento, mas cientes de que nos faltavam recursos para chegar à open science.
Estamos avançando aos poucos para que nossos leitores recebam artigos relevantes e bem referenciados, com capacidade de fácil acesso e reprodutibilidade. Também para que autores e avaliadores possam, sempre que desejarem, trocar informações entre si, oferecendo-lhes a opção de abertura de pareceres e de diálogo transparente para o aprimoramento dos artigos publicados. Desde a segunda edição de 2024, detalhamos a cronologia de submissão e avaliação de cada artigo. Nossos próximos passos incluem a adoção da taxonomia CRedIT - que permitirá tornar detalhada e transparente a contribuição de cada autor para o estudo, desde a sua concepção, elaboração da metodologia, formas e práticas de investigação, aquisição, análise formal e curadoria de dados, informações sobre uso de softwares, validação de dados, escrita, revisão e edição, bem como gestão do projeto de publicação e informações sobre financiamento à pesquisa. Reforçamos nossa adesão à Declaração de São Francisco sobre Avaliação de Pesquisa (DORA), que considera princípios de inclusão, equidade e diversidade no meio editorial. Ratificamos nossa adesão aos princípios éticos em todo o processo de publicação sem desconsiderar o avanço da inteligência artificial e a clareza quanto às possibilidades de aplicação da IA em nossos processos e nas entregas de nossos autores e pareceristas.
Com a convicção de que o conhecimento deve ser livre e aberto aos cidadãos, sendo um direito humano seu uso e disseminação (Albagli, Clinio, & Raychtock, 2014), reiteramos o compromisso de aprimorar a divulgação do conhecimento que publicamos, por meio de artigos, ensaios e editoriais, nas redes sociais de nossa comunidade acadêmica e da Escola de Administração da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Para encerrar o nosso editorial, não poderíamos nos abster de sumarizar o conteúdo de nossa última edição “pacote”. Abrimos o número 3 de 2024 com Antecedentes do aprendizado a partir do erro no local de trabalho. Neste artigo, Elaine Cristina da Costa Carreira Sbrissa, Diógenes de Souza Bido e Almir Martins Vieira testam um modelo de aprendizado a partir do erro na perspectiva da segurança psicológica e da eficácia. No segundo estudo desta edição, Teletrabalho compulsório: reorganização e desorganização do trabalho docente, Juliane de Oliveira e José Henrique de Faria discorrem sobre a desorganização e a reorganização do trabalho docente em consequência do teletrabalho compulsório. Na sequência, Edilene Darley Soares, Alyce Cardoso Campos, Caissa Veloso e Souza e Alyne Luysa Rodrigues Duarte Oliveira questionam os impasses de conciliação da vida pessoal e profissional em Como fica a saúde física e mental? Uma pesquisa com estudantes que conciliam trabalho e mestrado acadêmico.
No quarto artigo desta edição, Sistema de avaliação de desempenho e inovação: uma revisão da literatura, os Sistemas de Avaliação e Desempenho de performance organizacional e a inovação recebem uma revisão crítica por Andreia Dulce Martins, Sandra Rolim Ensslin e Carlos Eduardo Facin Lavarda. Também em modo de revisão da literatura, Gabriela Figueiredo Dias, Anatália Saraiva Martins Ramos, Evangelina de Mello Bastos e Ana Eliza Galvão Cortez oferecem aos leitores o trabalho Descarte responsável de lixo eletrônico e comportamento do consumidor: uma revisão sistemática da literatura, no qual se destacam a consciência ambiental e a influência da obsolescência programada para se atingir um nível adequado de logística reversa de eletroeletrônicos.
A covid-19 desafiou intensamente a programação de aulas no ensino superior. Rita Maria Paraiso, Gissélida do Prado Siqueira, Victor Eduardo de Mello Valerio e Dionatas Alex Garcia partem desta premissa para buscar soluções em Criação de mini business intelligence para reestruturação curricular em instituição federal no pós-covid-19. O sétimo artigo, Determinantes do comportamento de compra de produtos fair trade por grupos de residentes nos Estados Unidos, de Enmily Bhárbara Martins dos Santos e Layon Carlos Cezar traz um framework e uma análise dos fatores determinantes do consumo de produtos Fair Trade por grupos de consumidores residentes nos Estados Unidos. Na sequência, o estudo A evolução das tendências de pesquisa em gestão da informação e gestão do conhecimento: uma análise de 1993 a 2023, de Rafael Gutierres Castanha e Ana Lívia Cazane, entrega uma investigação sobre a evolução das tendências de pesquisa em Gestão da Informação e Gestão do Conhecimento, valendo-se da identificação de coocorrências de palavras-chave que marcam a GI e a GC.
O nono artigo desta edição colabora com um novo insight no tema da inteligência antecipatória. Isto porque Luccas Martins da Rosa, Raquel Janissek-Muniz e Felipe Fonseca Salerno comprovam, quantitativamente, a relação direta entre foresight e transformação digital nas organizações em O impacto do foresight nas estratégias de transformação digital. No décimo artigo, Antecedentes e consequências da governança relacional na cadeia de suprimentos do agronegócio, Juliana Froner de Oliveira e Décio Bittencourt Dolci esmiuçam as questões de relacionamento na cadeia de suprimentos de máquinas para o setor do agronegócio, destacando o efeito positivo da confiança interorganizacional na cooperação interfirmas.
Os dois últimos artigos são ensaios teóricos. Karina Francine Marcelino e Mário César Barreto Moraes apontam as contribuições das epistemologias do Sul para as pesquisas do campo das políticas públicas de ações afirmativas em Decolonizando o conhecimento: perspectivas das epistemologias do sul no campo das políticas de ações afirmativas. Já os autores Renato Máximo Sátiro, Marcos de Moraes Sousa e Pedro Miguel Alves Ribeiro Correia apresentam e discutem as complexidades e contradições das formas de se avaliar a gestão da justiça em Administração da justiça: um ensaio sobre as dimensões e as variáveis explicativas do desempenho judicial. Desejamos aos leitores o melhor proveito de leitura dessa última edição “fechada” enquanto aguardamos submissões de artigos adaptados às mudanças que estão em curso.
