Rev Esc Enferm USP
reeusp
Revista da Escola de Enfermagem da USP
Rev. esc. enferm. USP
0080-6234
1980-220X
Universidade de São Paulo, Escola de Enfermagem
RESUMEN
Objetivo:
Comprobar la asociación entre sobrepeso, obesidad y presión arterial alta en escolares brasileños con edad comprendida entre 6 y 10 años incompletos.
Método:
Se trata de un estudio seccional realizado en el municipio de Macaé, Río de Janeiro, en el que se recogió masa corporal, estatura y presión arterial. El índice de masa corporal se calculó con el software Anthro Plus y se clasificó conforme SISVAN. Se estima como presión arterial sistólica/diastólica alta ≥ 90 percentil por edad, sexo y percentil de estatura/ edad (7ª Directiva Brasileña de Hipertensión). El análisis se realizó por regresión logística con intervalo de confianza del 95% mediante el software SPSS.
Resultados:
Se evaluó un total de 911 niños y, tras la estratificación por estado nutricional, se excluyeron los delgados. Entre los 888 niños restantes, la prevalencia del sobrepeso era del 17,7% y la obesidad, del 16,2%. La prevalencia de la hipertensión arterial fue del 34%, sin diferencia entre géneros (p=0,57). El sobrepeso estaba asociado significativamente a la hipertensión arterial en el grupo de 8-9 años (OR 1,99; p=0,004), y la obesidad, a ambos grupos (6-7 años OR 2,50; p=0,004 y 8-9 años OR 4,21 p=0,001).
Conclusión:
Los resultados demuestran que el sobrepeso y la obesidad de niños entre 6 y 10 años incompletos aumentan expresivamente la posibilidad de padecer hipertensión.
INTRODUÇÃO
O excesso de peso infantil, representado pelo sobrepeso e pela obesidade somados, aumentou expressivamente nas últimas 4 décadas. Em 2016, cerca de 340 milhões de crianças e adolescentes entre 5 e 19 anos foram classificados com sobrepeso ou obesidade, enfatizando essa pandemia global(1–2). A Organização Mundial de Saúde (OMS) é taxativa ao afirmar que, durante a infância, sobrepeso e/ou obesidade são agravos que podem interferir na qualidade de vida(2), os quais estão relacionados com a ocorrência precoce de fatores de risco cardiovasculares (FRC). A curto prazo, pode ocorrer, por exemplo, a elevação dos níveis pressóricos, dislipidemia, hiperglicemia(3) e, a longo prazo, hipertrofia ventricular e espessamento da camada íntima das artérias coronárias(4). Quando os FRC estão presentes na infância, tendem a perdurar na adolescência e na vida adulta, estando associados às doenças cardiovasculares, acidente vascular cerebral e, consequentemente, à morte prematura(5).
Associada à pandemia da obesidade, a temática da pressão arterial elevada durante a infância vem ganhando evidência há alguns anos(6). Anteriormente, falava-se apenas em hipertensão arterial secundária ou subjacente a alguma desordem, entretanto, já se sabe que as alterações nos níveis pressóricos em crianças também podem representar o início da hipertensão essencial observada no adulto(5).
A pressão arterial (PA) elevada em criança ocorre quando os níveis de pressão arterial sistólica e/ou diastólica estão acima do percentil 90 para idade, sexo e percentil de estatura/idade, incluindo os pontos de corte de PA limítrofe e de hipertensão arterial sistêmica (HAS). Destaca-se que PA limítrofe frequentemente precede a HAS(7).
No estudo International Childhood Cardiovascular Cohort Consortium(8), ao compilarem dados prospectivos de quatro grandes estudos longitudinais iniciados em crianças, Bogalusa Heart Study(9), Muscatine Study(10), Young Finns Study(11) e CDAH(12), os autores observaram que tanto os indivíduos que apresentaram PA persistentemente elevada durante a infância quanto os indivíduos com PA normal na infância, porém com PA elevada na vida adulta, apresentaram maior risco de aumento na espessura íntima-média da carótida em comparação aos indivíduos com PA normal desde criança até a fase adulta.
Apesar do aumento das pesquisas acerca desse tema, o Brasil ainda não apresenta dados populacionais de abrangência nacional relatando a prevalência de PA limítrofe e HAS na população pediátrica. Um estudo de revisão acerca da prevalência de hipertensão arterial em escolares brasileiros encontrou prevalência de PA elevada variando entre 2,3% e 40,6% em diferentes regiões do país(6). Mais recentemente, uma pesquisa realizada com crianças entre 7 e 10 anos das escolas públicas do Espírito Santo encontrou 25% de prevalência de valores elevados na PA(13), demonstrando que estudos brasileiros realizados exclusivamente com crianças em idade escolar e com intenção de rastreio das alterações pressóricas ainda são pontuais e pouco frequentes.
Considerando o atual cenário de obesidade infantil e suas consequências sobre a elevação pressórica, o presente estudo objetivou verificar associação entre sobrepeso, obesidade e pressão arterial elevada em escolares brasileiros com idade entre 6 e 10 anos incompletos.
MÉTODO
Desenho do estudo
Estudo seccional.
Cenário
O estudo foi realizado entre março de 2013 e novembro de 2014, em escolas públicas municipais de ensino fundamental da zona urbana da cidade de Macaé, Rio de Janeiro. A cidade possuía nove setores administrativos, e uma escola pertencente a cada setor foi elencada de maneira não probabilística. A listagem total de alunos continha 1779 crianças. Destas, 224 estavam fora da faixa etária investigada, 1 apresentava nanismo e duas foram citadas repetidamente, restando 1552 crianças elegíveis.
O cálculo amostral foi realizado por seleção de amostra aleatória simples (AAS), que teve como base a prevalência de 15% de PA elevada para crianças e adolescentes(7). Foram considerados confiabilidade de 95% para o Intervalo de Confiança (IC), erro máximo entre a estimativa da PA elevada não superior a 1,5%, bem como o tamanho da população (1552 escolares). A fórmula utilizada refere-se a uma AAS para populações infinitas. Posteriormente, corrigiu-se o resultado encontrado, considerando o tamanho da população de crianças distribuídas entre as nove escolas participantes do estudo e dentro da faixa etária de seis a 10 anos incompletos. Assim, o tamanho final da amostra foi de 911 crianças escolares.
Coleta de dados
Foram coletados dados demográficos (idade, sexo), de PA sistólica e diastólica e antropométricos (massa corporal, estatura), por dois membros treinados da equipe do Laboratório Integrado de Pesquisa e inovação em Ciências do Esporte (Lapice) – UFRJ – Campus Macaé.
Pressão arterial
As crianças permaneceram sentadas e recostadas na cadeira, com as pernas descruzadas, em repouso durante 5 minutos, e não praticaram exercício físico antes da mensuração. A obtenção da PA sistólica e diastólica ocorreu em duplicata com intervalo de 2 minutos entre as medidas. Foi utilizado equipamento digital OMRON HEM-705 CP® (G-Tech International Republicano da Coréia) e o manguito foi ajustado ao tamanho do perímetro do braço. Normotensão arterial sistólica e/ou diastólica foi classificada quando o valor médio da PA era < percentil 90, e PA elevada quando esse valor era ≥ percentil 90 conforme idade, sexo e percentil da estatura/idade, como preconizado pela 7ª Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial(7).
Antropometria
A massa corporal e a estatura foram mensuradas em duplicata. Utilizou-se balança plataforma portátil Tanita® (Illinois, EUA) com capacidade de 150 kg e variação de 50g, e estadiômetro Altura Exata® (Minas Gerais, Brasil) com variação de 0,1 cm. As crianças estavam com roupas leves, sem calçados e sem adornos na cabeça. A partir do valor médio das medidas de massa corporal e estatura e com auxílio do software Anthro Plus, foi calculado o IMC-para-idade (IMC/I), cujos valores foram transformados em escore-z e categorizados em magreza (Escore-Z< −2), eutrofia (> Escore-z −2 e < Escore-z +1), sobrepeso (> Escore-z +1 e < Escore-z +2) e obesidade (≥ Escore-z +2), de acordo com o Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN)(14).
Análise e tratamento dos dados
A normalidade da amostra foi analisada pelo teste Kolmogorov-Smirnov. Foram calculadas as médias e os desvios padrão das variáveis contínuas e frequências das variáveis categóricas (sexo, estado nutricional, PA). Foi utilizada a análise de variância (ANOVA) para as médias da PA e o teste chi-quadrado para a frequência da PA elevada segundo estado nutricional. A variável idade foi estratificada a fim de evitar inferência equivocada, sendo os escolares agrupados em 6-7 anos e 8-9 anos. A regressão logística ajustada por sexo foi utilizada para verificar associação entre a variável exposição (sobrepeso/obesidade) e o desfecho (PA elevada). Os resultados foram expressos em Odds Ratio (OR) e intervalo de confiança 95%. Em todas as análises, foi adotado o valor de p < 0,05 para significância estatística. Utilizou-se o Statistical Program for the Social Sciences, versão 21,0 (SPSS, Chicago, IL).
Aspectos éticos
Esta pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Veiga de Almeida, sob o Parecer n. 876333, de 2013. Todos os procedimentos realizados em estudos envolvendo participantes humanos estavam de acordo com os padrões éticos da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa, segundo as normas da Resolução n. 466/2012, do Conselho Nacional de Saúde. Todos os responsáveis pelas crianças consentiram a participação no estudo. A pesquisa foi autorizada pela Secretaria Municipal de Educação da cidade de Macaé, Rio de Janeiro, e pela direção de cada escola participante.
RESULTADOS
Foram avaliadas 911 crianças com média de idade de 7,7 anos, sendo 39,52% (n=351) entre 6-7 anos e 60,47% (n=537%) entre 8-9 anos de idade, com 51,7% (n=459) do sexo feminino e as demais do masculino. Não foi encontrada diferença significante segundo o sexo para as variáveis analisadas, conforme apresentado na Tabela 1.
Tabela 1
Caracterização da amostra total de escolares de 6 a 10 anos incompletos, segundo sexo e classificação do z-score do índice de massa corporal – Macaé, RJ, Brasil, 2013/2014.
Total (n = 911) Média ± DP
Meninos (n = 439) Média ± DP
Meninas (n = 472) Média ± DP
p-valor
Eutrofia (n = 587)
Sobrepeso (n = 157)
Obesidade (n = 144)
p-valor
Idade (anos)
7,74 ± 1,03
7,75 ± 1,0
7,74 ± 1,0
0,15
7,73 ± 1,0
7,76±1,0
7,75±1,0
0,89
Peso (kg)
29,7 ± 8,2
30,1 ± 8,3
29,4 ± 7,9
0,39
26,1±4,2
33,0±5,7
42,48±8,4
<0,001
Estatura (cm)
129,7± 8,5
130,1 ± 8,6
129,4± 8,5
0,81
128,2±7,8
131,0±9,0
134,6±8,7
<0,001
IMC (kg/m2)
17,4 ±3,2
17,5 ± 3,2
17,3 ± 3,2
0,57
15,7±1,17
19,0±1,2
23,3±2,8
<0,001
PAS (mmHg)
107,0 ± 9,1
107,5 ± 9,5
106,5 ± 8,8
0,07
105,1±8,4
110,1±8,5
112,4±9,6
<0,001
PAD (mmHg)
67,5 ± 7,5
67,6 ± 7,4
67,4 ± 7,6
0,64
66,16±7,3
69,32±6,7
72,0±7,4
<0,001
Teste t-student para sexo; ANOVA para estado nutricional; IMC= Índice de massa corporal; PAS= Pressão arterial sistólica; PAD= Pressão arterial diastólica.
Nota: (n=911).
A magreza foi prevalente em 2,5% (n=23) da amostra inicial, sendo esses escolares excluídos das análises subsequentes, o que totalizou 888 crianças. Entre estas, a prevalência total de excesso de peso (sobrepeso e obesidade) foi de 34% (n=302), sendo 17,7% (n=157) sobrepeso e 16,2% (n=144) obesidade. As variáveis antropométricas e de pressão arterial diferiram significativamente quando o estado nutricional foi considerado (Tabela 1).
Quando agrupados por idade, os escolares do grupo 6-7 anos apresentaram prevalência de 17,9% (n=63) para sobrepeso e 15,7% (n=55) para obesidade (Tabela 2). A prevalência foi de 17,5% (n=94) para sobrepeso e 16,6% (n=89) para obesidade no grupo 8-9 anos.
Tabela 2
Prevalência de normotensão e pressão arterial elevada em escolares de 6-7 anos e 8-9 anos - Macaé, RJ, Brasil, 2013/2014.
Pressão arterial
6-7 anos
8-9 anos
Estado nutricional
p-valor
Estado nutricional
p-valor
Eutrofia (n = 233) % (n)
Sobrepeso (n = 63) % (n)
Obesidade (n = 55) % (n)
Eutrofia (n =354) % (n)
Sobrepeso (n =94) % (n)
Obesidade (n = 89) % (n)
Normotensão (< percentil 90)
76,4 (178)
63,5 (40)
56,4 (31)
0,005
71,2 (252)
55,3 (52)
37,1 (33)
0,001
PA elevada (≥ Percentil 90)
23,6 (55)
36,5 (23)
43,6 (24)
28,8 (102)
44,7 (42)
62,9 (56)
Teste Qui-Quadrado para estado nutricional, p <0,05.
Nota: (n=888).
Alteração na pressão arterial sistólica e/ou diastólica foi prevalente em 34% (n=302) da amostra, não havendo diferença estatisticamente significante entre os sexos (meninos 35% e meninas 33,1%; p=0,57). Nos grupos 6-7 e 8-9 anos, a prevalência de PA sistólica e/ou diastólica elevada foi 29,1% (n=102) e 37,2% (n=200), respectivamente. Esses dados não estão apresentados na Tabela 2.
Para os dois grupos etários, observou-se diferença significativa entre o estado nutricional, a prevalência de normotensão e de PA elevada. Também foi observada maior prevalência de crianças eutróficas com normotensão. Em contrapartida, a prevalência de crianças com obesidade e PA elevada foi de 43,6% (n=24) no grupo 6-7 anos e de 62,9% (n=56) no grupo 8-9 anos, conforme Tabela 2. A Figura 1 apresenta a distribuição do valor médio da PA sistólica e diastólica segundo sexo e classificação do IMC.
Figura 1
Distribuição do valor médio da pressão arterial sistólica e diastólica segundo sexo e classificação do índice de massa corporal.
De modo geral, o excesso de peso associou-se positivamente à PA elevada. O sobrepeso foi significativamente associado à PA elevada apenas no grupo de 8-9 anos, enquanto a obesidade foi associada à PA elevada em ambos os grupos (6-7 anos OR 2,50; p=0,004 e 8-9 anos OR 4,21 p=0,001), quando comparados aos eutróficos, conforme Tabela 3. A associação permaneceu significativa após ajuste para sexo.
Tabela 3
Regressão logística binária ajustada e não ajustada por sexo para associação entre IMC/idade e pressão arterial elevada em escolares de 6-7 anos e 8-9 anos – Macaé, RJ, Brasil, 2013/2014.
IMC por idade
6-7 ANOS
8-9 ANOS
OR (IC 95%) não ajustado
OR (IC 95%) ajustado
OR (IC 95%) não ajustado
OR (IC 95%) ajustado
Eutrofia
-
-
-
-
Sobrepeso
1,86 (1,02 – 3,37)#
1,85 (1,02 – 3,37)#
1,99 (1,25 – 3,18) **
1,99 (1,25 – 3,18) **
Obesidade
2,50 (1,35 – 4,62) *
2,50 (1,35 – 4,62) *
4,19 (2,57 – 6,82) ***
4,21 (2,58 – 6,87) ***
IMC = índice de massa corporal; OR = odds ratios; IC = intervalo de confiança;
*
P=0,003
**
P=0,004;
***
P=0,001;
#
P=0,41.
Nota: (n=888).
DISCUSSÃO
Este estudo seccional demonstrou associação entre excesso de peso e PA elevada na amostra investigada. A presença de obesidade aumentou em duas vezes a chance de PA elevada entre as crianças com 6-7 anos. Nas crianças entre 8-9 anos, o sobrepeso dobrou a chance de PA elevada, enquanto a obesidade quadriplicou essa chance. Os resultados aqui encontrados são importantes no contexto da triagem de risco cardiovascular na população infantil no âmbito da atenção primária, dada a epidemia da obesidade e suas comorbidades associadas, dentre as quais constam as alterações dos níveis pressóricos como HAS.
Nas últimas quatro décadas, inquéritos nacionais têm ressaltado a modificação no perfil nutricional das crianças brasileiras acima de cinco anos, demonstrando redução da desnutrição e aumento da incidência de excesso de peso(15). Em nosso estudo, cerca de um terço das crianças avaliadas apresentou essa condição, não diferindo da referência nacional brasileira, a Pesquisa de Orçamento Familiar (POF, 2008/2009)(16). Esta também faz interface com vários trabalhos nacionais e internacionais mais recentes, sendo que o excesso de peso foi encontrado em proporção semelhante nas crianças investigadas em diferentes regiões do Brasil(17). Nos EUA, um terço das crianças apresentou sobrepeso ou obesidade(18). Além disso, o excesso de peso foi prevalente em 41,8% das crianças mexicanas, 22% das indianas, 19,3% das argentinas(19) e em 38,3% das crianças espanholas(20).
O sobrepeso e a obesidade infantil são agravos de etiologia complexa e se relacionam às variáveis comportamentais, socioeconômicas e demográficas(2,5,21). Fatores ambientais costumam ser os principais determinantes do estado nutricional de crianças, contribuindo para o aumento da massa corporal. Mudanças nos hábitos alimentares, como a ingestão excessiva de ultraprocessados ricos em açúcares, sódio e gorduras saturadas, juntamente com o comportamento fisicamente inativo, podem favorecer o aumento expressivo do percentual de crianças com peso acima do recomendado(22). Crianças com sobrepeso ou obesidade costumam apresentar maiores níveis de pressão arterial sistólica e diastólica, além de maiores prevalências de dislipidemia e resistência à insulina(17), favorecendo o risco de desenvolver doença cardiovascular (DCV)(3). Em nossa pesquisa, a prevalência de PA elevada foi de 34%, não diferindo por sexo. Assim como observado em estudo realizado com adolescentes entre 11 e 16 anos(23), nossos resultados demonstraram que tanto a PA sistólica quanto a diastólica aumentou significativamente entre os estudantes com sobrepeso e obesidade, em ambos os grupos etários (6-7 anos e 8-9 anos). Em estudo realizado com crianças e adolescentes da China, entre 7 e 18 anos, também foram encontradas altas prevalências de PA elevada entre os que tinham sobrepeso e obesidade, de 19% e 23,2%, respectivamente(24). Ainda que esse estudo tenha apresentado prevalências menores do que as observadas nesta pesquisa, a proporção também é elevada. A comparabilidade dos resultados se torna limitada devido à menor frequência de estudos realizados exclusivamente com crianças na faixa etária entre 6 e 10 anos incompletos. Uma revisão sistemática sobre PA em escolares brasileiros apontou grande divergência na prevalência de PA elevada entre os estudos, de acordo com métodos aplicados (número de visitas, número de medidas por visita, tempo de repouso) e região do país, o que poderia explicar a grande variabilidade entre nossos achados e outras pesquisas com mesma temática(6).
Hipertensão arterial relacionada ao excesso de peso pode ser observada em crianças a partir de 8 anos de idade (meninos e meninas com sobrepeso OR 3,3 e OR 3,5, respectivamente; meninos e meninas com obesidade OR 10,7 e OR 13,5, respectivamente)(25). Na presente pesquisa, a obesidade apresentou-se associada à PA elevada nos dois grupos etários. As crianças obesas com idade entre 6-7 anos apresentam 150% maior chance de ter PA elevada quando comparadas com as crianças eutróficas (OR 2,5 p=0,003), sendo que o percentual aumentou para mais de 300% no grupo com 8-9 anos (OR 4,21 p=0,001). Em estudo nacional realizado com escolares entre 6 e 11 anos no estado do Paraná, foi encontrada chance ainda maior que a encontrada aqui para crianças obesas (OR 5,4 IC 95%: 4,23–6,89)(26).
A PA elevada na infância pode predizer alterações metabólicas e estruturais ainda em idade precoce, conforme demonstrado nos clássicos estudos longitudinais iniciados em crianças - Bogalusa Heart Study(9), Muscatine Study(10), Young Finns Study(11) e CDAH(12). Da mesma forma, existem evidências de que crianças com PA elevada possuem risco sustentado de se tornarem adultos hipertensos devido aos danos permanentes que podem acometer órgãos alvos(5,9–12). De acordo com a American Academy of Pediatrics(27), adotar a estratégia da prevenção primária da HAS é fundamental para reduzir o risco de doença cardiovascular na juventude. Um componente essencial dessa estratégia é a triagem da PA em crianças. A 7ª Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial recomenda a medição anual da PA a partir dos 3 anos, sendo que, em caso de PA elevada, deve ser confirmada com medições repetidas(7). Dessa forma, a atuação do profissional de enfermagem pediátrica no âmbito da atenção básica é primordial, sobretudo quando se considera a infância como uma fase de potencialidades e vulnerabilidade a doenças e agravos(28).
É importante enfatizar que todas as crianças devem ser rastreadas para alterações nos níveis tensionais, pois a PA elevada não parece ser uma condição incomum, mesmo em crianças com peso adequado. Em nosso estudo, encontramos prevalência de 23,6% de PA elevada nas crianças eutróficas de 6-7 anos e 28,8% nas de 8-9 anos. Outro estudo brasileiro identificou 18,5% dos estudantes eutróficos, entre 7 e 17 anos, com PA elevada, sugerindo que esta pode, também, ser influenciada por outras variáveis além do peso(29). Fatores como etnia, baixo peso ao nascer, inflamação, estilo de vida e hábitos alimentares inadequados são mencionados como influenciadores na gênese da HAS(2,6,22). Entretanto, alguns deles, como hábitos alimentares e estilo de vida saudável, parecem ser determinantes para alterações na PA no período de transição da infância para a vida adulta(2). Recentemente, o Ministério da Saúde lançou o documento intitulado “Alimentação Cardioprotetora: Manual de orientações para profissionais de Saúde da Atenção Básica”, que visa subsidiar os profissionais de saúde da atenção básica a fim de promover saúde e melhorar a segurança alimentar e nutricional do brasileiro, contribuindo para a redução do desenvolvimento de doenças cardiovasculares(30).
Os resultados apresentados nesta pesquisa são relevantes, mas devem ser consideradas as limitações inerentes aos estudos seccionais, entre elas a menor força no estabelecimento de relação de causalidade entre sobrepeso, obesidade e PA elevada, além da ausência de outras variáveis que poderiam exercer relação com a pressão arterial. Destaca-se, também, que a medição da PA realizada em apenas um encontro não configura diagnóstico. Assim, as crianças identificadas com PA elevada foram orientadas a buscar a unidade básica de saúde localizada na região mais próxima da sua residência.
CONCLUSÃO
Os resultados mostraram que a presença de sobrepeso e obesidade aumentou a chance de PA elevada entre as crianças de 6 a 10 anos incompletos. Além disso, independentemente do peso, observou-se também níveis pressóricos elevados em crianças eutróficas. Sendo assim, sinalizamos a necessidade de maior atenção no que tange à saúde cardiovascular da população pediátrica, uma vez que a PA elevada na infância pode relacionar-se à HAS em idade adulta. Ressalta-se também a necessidade de que programas de prevenção e intervenção sejam eficientemente aplicados no ambiente escolar, considerando que este facilita o maior alcance da população infantil. Sugerimos que novas investigações sejam realizadas incluindo outras variáveis relacionadas à elevação tensional e que não foram aqui abordadas.
*
Extraído da dissertação: “Associação entre excesso de peso e pressão arterial elevada em escolares do município de Macaé – Rio de Janeiro”, Instituto de Nutrição, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, 2017.
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Original Article
Overweight and obesity associated with high blood pressure: a cross-sectional study in Brazilian students*
0000-0002-9462-9875
Pereira
Flávia Erika Felix
1
0000-0002-9227-0598
Teixeira
Fabiana da Costa
1
0000-0001-8603-9077
Kac
Gilberto
2
0000-0002-1312-733X
Soares
Eliane de Abreu
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Ribeiro
Beatriz Gonçalves
1
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Rio de Janeiro
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Universidade Federal do Rio de Janeiro, Instituto de Nutrição Josué de Castro, Programa de Pós-Graduação em Nutrição, Rio de Janeiro, RJ, Brazil.
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Rio de Janeiro
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3
Rio de Janeiro
RJ
Brazil
Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Instituto de Nutrição, Programa de Pós-Graduação em Alimentação, Nutrição e Saúde, Rio de Janeiro, RJ, Brazil.
Corresponding author: Flávia Erika Felix Pereira, Rua João Alves Jobim Saldanha, 320, Bairro da Glória CEP 27933-065 – Macaé, RJ, Brazil pereirafef@gmail.com
ABSTRACT
Objective:
To verify the association among overweight, obesity and high blood pressure in Brazilian students aged between 6 and 10 years old.
Method:
Cross-sectional study carried out in the city of Macaé, RJ, in which body mass, height and blood pressure were collected. The body mass index was calculated using the Anthro Plus software and classified according to SISVAN. High systolic/diastolic blood pressure when ≥ 90th percentile by age, gender and height/age percentile (7th Brazilian Guideline on Hypertension). Logistic regression with a 95% confidence interval, using SPSS software were done.
Results:
A total of 911 children were evaluated and, after stratification by nutritional status, the underweight were excluded. Among the remaining 888 children, the prevalence of overweight was 17.7% and obesity 16.2%. The prevalence of high blood pressure was 34%, with no statistical difference between gender (p=0.57). Overweight was significantly associated with high blood pressure in the 8-9 year old group (OR 1.99; p=004), while obesity was associated in both groups (6-7 year old OR 2.50; p=0.004 and 8-9 year old OR 4.21 p=0.001).
Conclusion:
The results showed that overweight and obesity significantly increased the chance of high blood pressure among children aged 6 to 10 years old.
DESCRIPTORS
Child
Overweight
Obesity
Arterial Pressure
Primary Prevention
Child Health
INTRODUCTION
Child overweight and obesity combined has increased significantly over the past 4 decades. In 2016, approximately 340 million children and adolescents aged between 5 and 19 years old were classified as overweight or obese, emphasizing this global pandemic(1–2). The World Health Organization (WHO) is categorical when stating that, during childhood, overweight and/or obesity are diseases that can interfere with quality of life(2), which are related to the early occurrence of cardiovascular risk factors (CRF). For example, in the short term, elevated blood pressure levels, dyslipidemia, hyperglycemia can occur(3) and, in the long term, ventricular hypertrophy and thickening of the intimal layer of the coronary arteries(4). When CRF are present in childhood, they tend to last in adolescence and adulthood, being associated with cardiovascular diseases, stroke and, consequently, premature death(5).
Associated with the obesity pandemic, the theme of high blood pressure during childhood has been gaining evidence for some years(6). Previously, there was only secondary hypertension or underlying to some disorder, however, it is already known that changes in blood pressure levels in children can also represent the onset of essential hypertension observed in adults(5).
High blood pressure (HBP) in children occurs when the systolic and/or diastolic blood pressure levels are above the 90th percentile for age, gender and height/age percentile, including the cutoff points for borderline HBP and systemic hypertension (SH). It is noteworthy that borderline HBP often precedes SH(7).
In the International Childhood Cardiovascular Cohort Consortium study(8), when compiling prospective data from four large longitudinal studies initiated in children, Bogalusa Heart Study(9), Muscatine Study(10), Young Finns Study(11) and CDAH(12), authors observed that both individuals who had persistently HBP during childhood and individuals with normal BP, but with HBP in adulthood, had a higher risk of increased intima-media thickness of the carotid compared to individuals with normal BP from child to adulthood.
Despite the increase in studies on this topic, Brazil still does not have populational data of national scope reporting the prevalence of borderline HBP and SH in the pediatric population. A review study on the prevalence of hypertension in Brazilian students found a prevalence of HBP ranging between 2.3% and 40.6% in different regions of the country(6). More recently, a study carried out with children aged between 7 and 10 years old in public schools in Espírito Santo state found a 25% prevalence of HBP values(13), demonstrating that Brazilian studies carried out exclusively with school-age children and with the intention of screening for changes in blood pressure are still occasional and infrequent.
Considering the current scenario of childhood obesity and its consequences on high blood pressure, this study aimed to verify the association between overweight, obesity and high blood pressure in Brazilian students aged between 6 and 10 years old.
METHOD
Study Design
Cross-sectional study.
Scenario
The study was carried out between March 2013 and November 2014, in municipal public elementary schools in the urban area of the city of Macaé, Rio de Janeiro state. The city had a total of nine administrative sectors, and a school belonging to each sector was listed in a non-probabilistic manner. The total student list had 1779 children. Of these, 224 were outside the investigated age group, one had dwarfism and two were cited repeatedly, totaling 1552 eligible children.
The sample size calculation was performed by selecting a simple random sample (SRS), which was based on the prevalence of 15% HBP for children and adolescents(7). 95% reliability was considered for the Confidence Interval (CI), maximum error between the HBP estimate not exceeding 1.5%, as well as the population size (1552 students). The formula used refers to an SRS for infinite populations. Subsequently, the result found was corrected, considering the size of the population of children distributed among the nine schools participating in the study and within the age range of six to 10 years old. Thus, the final sample size was 911 school children.
Data collection
Demographic data (age, gender), systolic and diastolic BP and anthropometric data (body mass, height) were collected by two trained members of the Integrated Laboratory for Research and Innovation in Sport Sciences (Lapice) team – UFRJ - Campus Macaé.
Blood pressure
The children remained seated and reclined in the chair, with their legs uncrossed, at rest for 5 minutes, and did not practice physical exercise before the measurement. Systolic and diastolic BP was obtained in duplicate with a 2-minute interval between measurements. The digital equipment OMRON HEM-705 CP® (G-Tech International Republican of Korea) was used and the cuff was adjusted to the size of the arm perimeter. Systolic and/or diastolic arterial normotension was classified when the mean BP value was <90th percentile, and HBP when this value was ≥ 90th percentile according to age, gender and height/age percentile, as recommended by the 7th Brazilian Guideline on Hypertension(7).
Anthropometry
Body mass and height were measured in duplicate. One used a Tanita® portable platform scale (Illinois, USA) with a capacity of 150 kg and a variation of 50g, and a Altura Exata® stadiometer (Minas Gerais, Brazil) with a variation of 0.1 cm. The children were wearing light clothes, without shoes and without ornaments on their heads. From the average value of body mass and height measurements and with the help of the Anthro Plus software, BMI-for-age (BMI/A) was calculated, whose values were transformed into z-score and categorized into underweight (Z-score<-2), eutrophy (> z-score −2 and < z-score +1), overweight (> z-score +1 and < z-score +2) and obesity (≥ z-score +2), according to the Food and Nutritional Surveillance System (In Portuguese: SISVAN)(14).
Data analysis
The normality of the sample was analyzed by the Kolmogorov-Smirnov test. Means and standard deviations of continuous variables and frequencies of categorical variables (gender, nutritional status, BP) were calculated. Analysis of variance (ANOVA) was used for BP means and the chi-square test for the frequency of HBP according to nutritional status. The age variable was stratified to avoid mistaken inference, with students grouped into 6-7 and 8-9 years old. Logistic regression adjusted for gender was used to verify the association between the exposure variable (overweight/obesity) and the outcome (HBP). The results were expressed in Odds Ratio (OR) and 95% confidence interval. In all analyzes, a value of p <0.05 was adopted for statistical significance. The Statistical Program for the Social Sciences, version 21.0 (SPSS, Chicago, IL) was used.
Ethical aspects
This study was approved by the Research Ethics Committee of the Veiga de Almeida University, protocol 876333, 2013. All procedures performed in studies involving human participants were in accordance with the ethical standards of the National Research Ethics Commission, according to the Resolution 466/2012 of the National Health Council. All those responsible for the children consented to participate in the study. The study was authorized by the Municipal Education Secretariat of the city of Macaé, Rio de Janeiro, and by the direction of each participating school.
RESULTS
A total of 911 children with an average age of 7.7 years old were evaluated, with 39.52% (n=351) aged between 6-7 years old and 60.47% (n=537) between 8-9 years old, 51.7% (n=459) were female and the others were male. No significant difference was found according to gender for the analyzed variables, as shown in Table 1.
Table 1
Characterization of the total sample of students aged 6 to 10 years old, according to gender and classification of the z-score of the body mass index – Macaé, RJ, Brazil, 2013/2014.
Total (n = 911) Mean ± SD
Boys (n = 439) Mean ± SD
Girls (n = 472) Mean ± SD
p-value
Eutrophy (n = 587)
Overweight (n = 157)
Obesity (n = 144)
p-value
Age
7.74 ± 1.03
7.75 ± 1.0
7.74 ± 1.0
0.15
7.73 ± 1.0
7.76±1.0
7.75±1.0
0.89
Weight (kg)
29.7 ± 8.2
30.1 ± 8.3
29.4 ± 7.9
0.39
26.1±4.2
33.0±5.7
42.48±8.4
<0.001
Height (cm)
129.7± 8.5
130.1 ± 8.6
129.4± 8.5
0.81
128.2±7.8
131.0±9.0
134.6±8.7
<0.001
BMI (kg/m2)
17.4 ±3.2
17.5 ± 3.2
17.3 ± 3.2
0.57
15.7±1.17
19.0±1.2
23.3±2.8
<0.001
SBP (mmHg)
107.0 ± 9.1
107.5 ± 9.5
106.5 ± 8.8
0.07
105.1±8.4
110.1±8.5
112.4±9.6
<0.001
DBP (mmHg)
67.5 ± 7.5
67.6 ± 7.4
67.4 ± 7.6
0.64
66.16±7.3
69.32±6.7
72.0±7.4
<0.001
Student t-test for gender; ANOVA for nutritional status; BMI = body mass index; SBP = systolic blood pressure; DBP = diastolic blood pressure.
Note: (n=911).
Underweight was prevalent in 2.5% (n=23) of the initial sample, and these students were excluded from subsequent analyzes, which totaled 888 children. Among these, the total prevalence of overweight and obesity together was 34% (n=302), with 17.7% (n=157) overweight and 16.2% (n=144) obesity. Anthropometric and blood pressure variables differed significantly when nutritional status was considered (Table 1).
When grouped by age, students in the 6-7-year-old group had a prevalence of 17.9% (n=63) for overweight and 15.7% (n=55) for obesity (Table 2). The prevalence was 17.5% (n=94) for overweight and 16.6% (n=89) for obesity in the 8-9-year-old group.
Table 2
Prevalence of normotension and high blood pressure in students aged between 6-7 and 8-9 years old – Macaé, RJ, Brazil, 2013/2014.
Blood pressure
6-7 years old
8-9 years old
Nutritional status
p-value
Nutritional status
p-value
Eutrophy (n = 233) % (n)
Overweight (n = 63) % (n)
Obesity (n = 55) % (n)
Eutrophy (n =354) % (n)
Overweight (n =94) % (n)
Obesity (n = 89) % (n)
Normotension (< 90th percentile)
76.4 (178)
63.5 (40)
56.4 (31)
0.005
71.2 (252)
55.3 (52)
37.1 (33)
0.001
High BP (≥ 90th percentile)
23.6 (55)
36.5 (23)
43.6 (24)
28.8 (102)
44.7 (42)
62.9 (56)
Chi-square test for nutritional status, p <0.05.
Note: (n=888).
Changes in systolic and/or diastolic blood pressure were prevalent in 34% (n=302) of the sample, with no statistically significant difference between genders (boys 35% and girls 33.1%; p=0.57). In groups 6-7 and 8-9 years old, the prevalence of high systolic and/or diastolic BP was 29.1% (n=102) and 37.2% (n=200), respectively. These data are not shown in Table 2.
For both age groups, there was a significant difference among nutritional status, the prevalence of normotension and HBP. A higher prevalence of eutrophic children with normotension was also observed. In contrast, the prevalence of children with obesity and HBP was 43.6% (n=24) in the group 6-7 years old and 62.9% (n=56) in the group 8-9 years old, as shown in Table 2. Figure 1 shows the distribution of the mean systolic and diastolic BP values according to gender and BMI classification.
Figure 1
Distribution of systolic and diastolic blood pressure mean value according to gender and classification of body mass index.
In general, overweight was positively associated with HBP. Overweight was significantly associated with HBP only in the 8-9 year old group, while obesity was associated with high BP in both groups (6-7 years old OR 2.50; p=0.004 and 8-9 years old OR 4.21 p=0.001), when compared to eutrophic, as shown in Table 3. The association remained significant after adjusting for gender.
Table 3
Adjusted and unadjusted binary logistic regression by gender for an association between BMI/age and high blood pressure in students aged between 6-7 and 8-9 years old – Macaé, RJ, Brazil, 2013/2014.
BMI by age
6-7 YEARS OLD
8-9 YEARS OLD
OR (95%CI) not adjusted
OR (95%CI) adjusted
OR (95%CI) not adjusted
OR (95%CI) adjusted
Eutrophy
-
-
-
-
Overweight
1.86 (1.02 – 3.37)#
1.85 (1.02 – 3.37)#
1.99 (1.25 – 3.18) **
1.99 (1.25 – 3.18) **
Obesity
2.50 (1.35 – 4.62) *
2.50 (1.35 – 4.62) *
4.19 (2.57 – 6.82) ***
4.21 (2.58 – 6.87) ***
BMI = body mass index; OR = odds ratios; CI = confidence interval;
*
P=0.003
**
P=0.004;
***
P=0.001;
#
P=0.41.
Note: (n=888).
DISCUSSION
This cross-sectional study demonstrated an association between overweight and HBP in the investigated sample. The obesity increased the chance of HBP among children aged 6-7 years old twice. In children aged 8-9 years old, overweight doubled the chance of HBP, while obesity quadrupled that chance. The results found here are important in the context of screening for cardiovascular risk in the child population in primary care, due to the obesity epidemic and its associated comorbidities, including changes in blood pressure levels such as SH.
In the last four decades, national surveys have highlighted the change in the nutritional profile of Brazilian children over the age of five, demonstrating a reduction in malnutrition and an increased incidence of overweight(15). In our study, about one third of the children assessed had this condition, not differing from the Brazilian national reference, the Family Budget Survey (POF, 2008/2009)(16). It also interfaces with several more recent national and international studies, and overweight was found in a similar proportion in the children investigated in different regions of Brazil(17). In the USA, one third of the children had overweight or obesity(18). In addition, overweight was prevalent in 41.8% of Mexican children, 22% of Indian children, 19.3% of Argentine children(19) and 38.3% of Spanish children(20).
Childhood overweight and obesity are complex diseases and are related to behavioral, socioeconomic and demographic variables(2,5,21). Environmental factors are usually the main determinants of children's nutritional status, contributing to the increase in body mass. Changes in eating habits, such as excessive intake of ultra-processed foods rich in sugars, sodium and saturated fats, along with physically inactive behavior, can favor a significant increase in the percentage of children overweight(22). Overweight or obese children usually have higher levels of systolic and diastolic blood pressure, in addition to higher prevalence of dyslipidemia and insulin resistance(17), favoring the risk of developing cardiovascular disease (CVD)(3). In this study, the prevalence of HBP was 34%, not differing by gender. As observed in a study conducted with adolescents aged between 11 and 16 years old(23), the present results showed that both systolic and diastolic BP increased significantly among overweight and obese students, in both age groups (6-7 and 8-9 years old). In a study conducted with children and adolescents in China, aged between 7 and 18 years old, high prevalence of HBP was also found among those who had overweight and obesity, of 19% and 23.2%, respectively(24). Although this study had lower prevalence than those observed in the present research, the proportion is also high. The comparability of results is limited due to the lower frequency of studies conducted exclusively with children aged between 6 and 10 years old. A systematic review of BP among Brazilian students showed a great divergence in the prevalence of HBP among the studies, according to the applied methods (number of visits, number of measures per visit, time of rest) and region of the country, which could explain the great variability between the present findings and other studies on the same topic(6).
Hypertension related to overweight can be observed in children from 8 years old onwards (overweight boys and girls OR 3.3 and OR 3.5, respectively; boys and girls with obesity OR 10.7 and OR 13, 5, respectively)(25). In this study, obesity was associated with HBP in both age groups. Obese children aged 6-7 years old are 150% more likely to have HBP when compared to normal weight children (OR 2.5 p=0.003), with the percentage increasing to more than 300% in the 8- 9 year old group (OR 4.21 p=0.001). In a national study carried out with students aged between 6 to 11 years old in the state of Paraná, an even greater chance was found there for obese children (OR 5.4 95% CI: 4.23–6.89)(26).
HBP in childhood can predict metabolic and structural changes at an early age, as demonstrated in the classic longitudinal studies initiated in children - Bogalusa Heart Study(9), Muscatine Study(10), Young Finns Study(11) and CDAH(12). Likewise, there is evidence that children with high BP have a sustained risk of becoming hypertensive adults due to the permanent damage that can affect target organs(5,9–12). Acording to the American Academy of Pediatrics(27), adopting the strategy of primary prevention of SH is essential to reduce the risk of cardiovascular disease in youth. An essential component of this strategy is the screening of BP in children. The 7th Brazilian Guideline on Hypertension recommends annual BP measurement from 3 years old onwards, and in case of HBP, it must be confirmed with repeated measurements(7). Thus, the performance of pediatric nursing professionals in primary care is very important, especially when considering childhood as a phase of potentials and vulnerability to diseases and conditions(28).
It is important to emphasize that all children should be screened for changes in blood pressure levels, as HBP does not seem to be an uncommon condition, even in children with appropriate weight. In this study, one found a prevalence of 23.6% of HBP in eutrophic children aged 6-7 years old and 28.8% in those aged 8-9 years old. Another Brazilian study identified 18.5% of eutrophic students, between 7 and 17 years old, with HBP, suggesting that this may also be influenced by other variables besides weight(29). Factors such as ethnicity, low birth weight, inflammation, lifestyle and inappropriate eating habits are mentioned as influencing the genesis of SH(2,6,22). However, some of them, such as eating habits and a healthy lifestyle, seem to be determinant for changes in BP during the transition from childhood to adulthood(2). Recently, the Ministry of Health provided the document entitled “Cardioprotective Food: Guidance Manual for Primary Health Care Professionals”, which aims to subsidize primary care health professionals in order to promote health and improve Brazilian food and nutritional security, contributing to the reduction of the development of cardiovascular diseases(30).
The results presented in this study are relevant, but the limitations inherent in sectional studies must be considered, among them the lesser strength in establishing a causal relationship among overweight, obesity and HBP, in addition to the absence of other variables that could have an association with blood pressure. It is also noteworthy that the BP measurement performed in just one meeting does not constitute a diagnosis. Thus, children identified with HBP were instructed to seek the primary health center located in the region closest to their house.
CONCLUSION
The results showed that overweight and obesity increased the chance of HBP among children aged 6 to 10 years old. In addition, regardless of weight, high blood pressure levels were also observed in eutrophic children. Thus, one signals the need for greater attention about the cardiovascular health of the pediatric population since HBP in childhood can be related to SH in adulthood. It is also emphasized the need for prevention and intervention programs to be efficiently applied in the school environment, considering that it facilitates the greater reach of the child population. One suggests that further investigations be carried out including other variables related to tension changes and which were not addressed here.
*
Extracted from the dissertation: “Associação entre excesso de peso e pressão arterial elevada em escolares do município de Macaé – Rio de Janeiro”, Instituto de Nutrição, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, 2017.
Autoría
Flávia Erika Felix Pereira Autor correspondente: Flávia Erika Felix Pereira, Rua João Alves Jobim Saldanha, 320, Bairro da Glória CEP 27933-065 – Macaé, RJ, Brasil pereirafef@gmail.com
Universidade Federal do Rio de Janeiro, Instituto de Nutrição Josué de Castro, Programa de Pós-Graduação em Nutrição, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.Universidade Federal do Rio de JaneiroBrasilRio de Janeiro, RJ, BrasilUniversidade Federal do Rio de Janeiro, Instituto de Nutrição Josué de Castro, Programa de Pós-Graduação em Nutrição, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.
Universidade Federal do Rio de Janeiro, Instituto de Nutrição Josué de Castro, Programa de Pós-Graduação em Nutrição, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.Universidade Federal do Rio de JaneiroBrasilRio de Janeiro, RJ, BrasilUniversidade Federal do Rio de Janeiro, Instituto de Nutrição Josué de Castro, Programa de Pós-Graduação em Nutrição, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.
Universidade Federal do Rio de Janeiro, Instituto de Nutrição Josué de Castro, Departamento de Nutrição Social Aplicada, Observatório de Epidemiologia Nutricional, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.Universidade Federal do Rio de JaneiroBrasilRio de Janeiro, RJ, BrasilUniversidade Federal do Rio de Janeiro, Instituto de Nutrição Josué de Castro, Departamento de Nutrição Social Aplicada, Observatório de Epidemiologia Nutricional, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.
Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Instituto de Nutrição, Programa de Pós-Graduação em Alimentação, Nutrição e Saúde, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.Universidade do Estado do Rio de JaneiroBrasilRio de Janeiro, RJ, BrasilUniversidade do Estado do Rio de Janeiro, Instituto de Nutrição, Programa de Pós-Graduação em Alimentação, Nutrição e Saúde, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.
Universidade Federal do Rio de Janeiro, Instituto de Nutrição Josué de Castro, Programa de Pós-Graduação em Nutrição, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.Universidade Federal do Rio de JaneiroBrasilRio de Janeiro, RJ, BrasilUniversidade Federal do Rio de Janeiro, Instituto de Nutrição Josué de Castro, Programa de Pós-Graduação em Nutrição, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.
Autor correspondente: Flávia Erika Felix Pereira, Rua João Alves Jobim Saldanha, 320, Bairro da Glória CEP 27933-065 – Macaé, RJ, Brasil pereirafef@gmail.com
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Universidade Federal do Rio de Janeiro, Instituto de Nutrição Josué de Castro, Programa de Pós-Graduação em Nutrição, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.Universidade Federal do Rio de JaneiroBrasilRio de Janeiro, RJ, BrasilUniversidade Federal do Rio de Janeiro, Instituto de Nutrição Josué de Castro, Programa de Pós-Graduação em Nutrição, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.
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Tabela 1
Caracterização da amostra total de escolares de 6 a 10 anos incompletos, segundo sexo e classificação do z-score do índice de massa corporal – Macaé, RJ, Brasil, 2013/2014.
Tabela 3
Regressão logística binária ajustada e não ajustada por sexo para associação entre IMC/idade e pressão arterial elevada em escolares de 6-7 anos e 8-9 anos – Macaé, RJ, Brasil, 2013/2014.
imageFigura 1
Distribuição do valor médio da pressão arterial sistólica e diastólica segundo sexo e classificação do índice de massa corporal.
open_in_new
table_chartTabela 1
Caracterização da amostra total de escolares de 6 a 10 anos incompletos, segundo sexo e classificação do z-score do índice de massa corporal – Macaé, RJ, Brasil, 2013/2014.
Total (n = 911) Média ± DP
Meninos (n = 439) Média ± DP
Meninas (n = 472) Média ± DP
p-valor
Eutrofia (n = 587)
Sobrepeso (n = 157)
Obesidade (n = 144)
p-valor
Idade (anos)
7,74 ± 1,03
7,75 ± 1,0
7,74 ± 1,0
0,15
7,73 ± 1,0
7,76±1,0
7,75±1,0
0,89
Peso (kg)
29,7 ± 8,2
30,1 ± 8,3
29,4 ± 7,9
0,39
26,1±4,2
33,0±5,7
42,48±8,4
<0,001
Estatura (cm)
129,7± 8,5
130,1 ± 8,6
129,4± 8,5
0,81
128,2±7,8
131,0±9,0
134,6±8,7
<0,001
IMC (kg/m2)
17,4 ±3,2
17,5 ± 3,2
17,3 ± 3,2
0,57
15,7±1,17
19,0±1,2
23,3±2,8
<0,001
PAS (mmHg)
107,0 ± 9,1
107,5 ± 9,5
106,5 ± 8,8
0,07
105,1±8,4
110,1±8,5
112,4±9,6
<0,001
PAD (mmHg)
67,5 ± 7,5
67,6 ± 7,4
67,4 ± 7,6
0,64
66,16±7,3
69,32±6,7
72,0±7,4
<0,001
table_chartTabela 2
Prevalência de normotensão e pressão arterial elevada em escolares de 6-7 anos e 8-9 anos - Macaé, RJ, Brasil, 2013/2014.
Pressão arterial
6-7 anos
8-9 anos
Estado nutricional
p-valor
Estado nutricional
p-valor
Eutrofia (n = 233) % (n)
Sobrepeso (n = 63) % (n)
Obesidade (n = 55) % (n)
Eutrofia (n =354) % (n)
Sobrepeso (n =94) % (n)
Obesidade (n = 89) % (n)
Normotensão (< percentil 90)
76,4 (178)
63,5 (40)
56,4 (31)
0,005
71,2 (252)
55,3 (52)
37,1 (33)
0,001
PA elevada (≥ Percentil 90)
23,6 (55)
36,5 (23)
43,6 (24)
28,8 (102)
44,7 (42)
62,9 (56)
table_chartTabela 3
Regressão logística binária ajustada e não ajustada por sexo para associação entre IMC/idade e pressão arterial elevada em escolares de 6-7 anos e 8-9 anos – Macaé, RJ, Brasil, 2013/2014.
IMC por idade
6-7 ANOS
8-9 ANOS
OR (IC 95%) não ajustado
OR (IC 95%) ajustado
OR (IC 95%) não ajustado
OR (IC 95%) ajustado
Eutrofia
-
-
-
-
Sobrepeso
1,86 (1,02 – 3,37)##
P=0,41.
1,85 (1,02 – 3,37)##
P=0,41.
1,99 (1,25 – 3,18) ****
P=0,004;
1,99 (1,25 – 3,18) ****
P=0,004;
Obesidade
2,50 (1,35 – 4,62) **
P=0,003
2,50 (1,35 – 4,62) **
P=0,003
4,19 (2,57 – 6,82) ******
P=0,001;
4,21 (2,58 – 6,87) ******
P=0,001;
Como citar
Pereira, Flávia Erika Felix et al. Sobrepeso y obesidad asociados a la presión arterial alta: un estudio seccional en escolares brasileños. Revista da Escola de Enfermagem da USP [online]. 2020, v. 54 [Accedido 3 Abril 2025], e03654. Disponible en: <https://doi.org/10.1590/S1980-220X2019036203654>. Epub 11 Dic 2020. ISSN 1980-220X. https://doi.org/10.1590/S1980-220X2019036203654.
Universidade de São Paulo, Escola de EnfermagemAv. Dr. Enéas de Carvalho Aguiar, 419 , 05403-000 São Paulo - SP/ Brasil, Tel./Fax: (55 11) 3061-7553, -
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