O artigo discute o caráter sexual das profilaxias pós-exposição (PEP) e pré-exposição (PrEP) ao HIV. Deriva de uma pesquisa socioantropológica sobre biomedicalização das respostas ao HIV que analisou a oferta dessas profilaxias na zona metropolitana do Rio de Janeiro e as experiências de seus usuários em 2019. Fundamentados em análise documental, observações de campo e entrevistas com homens gays, descrevemos como a sexualidade é acionada em guidelines, protocolos clínicos e fichas de atendimento, e como a PEP e a PrEP são significadas em termos das preocupações sexuais de seus usuários. A comparação entre essas duas profilaxias é um dos recursos metodológicos adotados para reconhecer as vicissitudes de seu sentido sexual, a partir do modo como elas são difundidas publicamente e oferecidas nos serviços de saúde e da experiência dos usuários. A análise sugere que essas profilaxias atuam no encontro entre ansiedades derivadas de uma verdade biotécnica e a busca por práticas e situações sexuais controláveis, frente à imprevisibilidade de sua natureza.
Palavras-chave:
Medicalização; Sexualidade; Antropologia da Saúde; Profilaxia Pré-Exposição; Profilaxia Pós-Exposição.