Este artigo descreve os protestos que abalaram o campo médico nos anos que antecederam a epidemia de COVID-19 no México. Por um lado, houve protestos da classe médica contra diferentes formas de violência relacionadas ao crime organizado no contexto da chamada guerra às drogas. Por outro lado, houve protestos do movimento feminista contra a violência de gênero no campo médico. Apontamos a necessidade de investigar mais sistematicamente o curso diferencial dessas lutas, com apenas o movimento feminista parecendo avançar em direção à produção de um possível estado de histerese do habitus patriarcal no campo. O artigo começa com uma breve nota conceitual e metodológica. Depois mostramos o impulso que os dois tipos de protestos contra a violência no campo médico estavam ganhando. Em seguida, buscamos ilustrar como as estruturas básicas do campo, relacionadas à formação médica (precariado e autoritarismo), operaram em detrimento desses protestos, mas aparentemente com efeitos distintos. Concluímos o artigo com uma reflexão sobre o curso que essas lutas tomaram desde então, questionando se é possível falar de um estado atual de histerese parcial no campo médico.
Palavras-chave:
Campo Médico; México; Lutas Feministas; Violência; Histerese.