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Scientiae Studia
Sci. stud.
1678-3166
Universidade de São Paulo, Departamento de Filosofia
In this work, a philosophical account of two distinct, closely related dimensions of
scientific knowledge is argued for. The first one is a view of knowledge that,
starting from a principled criticism of the classical tripartite view of knowledge,
incorporates a coherentist notion of epistemic justification as well as a role for
values in an organic, constitutive manner, departing from an inferential-deductive,
propositional, realist image of science. Second, an account of scientific
rationality, called a "co-variant" one, is proposed, also incorporating coherentist
justification (under the "macroscopic" guise of reflective equili brium), as well as
giving values a major role, which, together with the notion of widening the
axiological horizon, allows one to find a adequate balance between contingency and
invariance, and proves to be appro priate for modelling a rationality in permament
flux, with no fixed points. The structural and dynamic elements of both dimensions of
the present account are compatible with the models proposed by Hugh Lacey, Larry
Laudan and the structuralist metatheory, and the main links between epistemolo gy and
rationality are seen to be coherence and values, against the background of a
nondeductive picture of science.
Introdução
O presente artigo apresenta as linhas gerais de um programa de pesquisa que resgata
algumas reflexões que serviram de pano de fundo de estudos realizados durante os últi
mos anos, porém que ainda não haviam recebido uma formulação integrada, bem como
alguns resultados parciais. O objetivo é chegar a uma imagem de ciência na qual
papéis centrais sejam desempenhados por dois elementos: a coerência e os valores, e
indicar a fer tilidade metacientífica dessa perspectiva. Mostra-se aqui que há dois
caminhos que convergem para esses dois elementos. Um caminho é epistemológico,
envolvendo uma reflexão sobre o conhecimento científico, e o outro é do tipo que
poderíamos chamar de "normativo", envolvendo uma reflexão sobre a racionalidade
científica e a justificação.
1 Valores e coerência como constitutivos do conhecimento
Partimos de um exame de algumas dificuldades e obstáculos relacionados com os
elementos constituintes da análise tradicional do conhecimento como "crença
verdadeira justificada" (JTB, de justified true belief). Tentaremos mostrar que essa
concepção tripartida é demasiado restritiva em vários aspectos, e necessita revisão e
expansão. Faremos isso por um caminho distinto daquele usualmente adotado na
discussão dos chamados "casos de Gettier" na epistemologia contemporânea (discussão
deflagra da por Gettier (1963), e representada, por exemplo, por Dancy (1990),
Bernecker & Dretske (2000), Pappas (2000), Luz (1998)). Procuraremos mostrar que
os problemas, que levam a propor uma alternativa à concepção JTB, já começam em um
nível ainda mais básico do que aquele característico dos casos de Gettier. Veremos
que o com ponente da crença precisa ser substituído por outro mais geral, que o
componente da verdade deve ser abandonado e que o componente da justificação precisa
ser modifi cado no seu teor e receber o acréscimo de um novo elemento. Sustento que
tais modificações e expansões nos encaminham para os conceitos de "coerência" e de
"valores", dentro de uma imagem não estritamente dedutiva de ciência. A seguir,
discutiremos cada um dos componentes da visão tradicional em sequência.
1.1 Crença
A crença é uma atitude proposicional. Mas há um espectro de outras atitudes pro po
sicionais que também poderiam aspirar a ser qualificadas como conhecimento, tais
como aceitação, prospecção, pressuposição, adesão, endosso, conhecimento de fundo,
tentativa, dúvida, crítica (cf. Laudan, 2011; Lacey, 2010). E, em muitos corpos de
conhecimento complexos, encontram-se, com frequência, inclusive, atitudes cog ni
tivas que nem mesmo são proposicionais. Pensemos, por exemplo, na epistemologia da
imagem, dos diagramas, da iconografia etc. Reduzi-las a conteúdos proposicionais
seria descaracterizar aquilo que elas têm de mais singular (cf. Casanueva &
Bolaños, 2007). Esta é uma primeira indicação de que analisar o conceito de
"conhecimento" em termos do conceito de "crença" é demasiado restritivo.
O primado da noção de "crença" na epistemologia defronta-se com um problema adicional
quando se pensa em um sujeito epistêmico coletivo. Por meio de uma noção como esta,
procurar-se-ia levar a sério, por assim dizer, o importe episte mo lógico singular da
noção de "comunidade científica", invocada tantas vezes em diferentes imagens de
ciência, porém geralmente de maneira superficial, relegada a uma função mais
retórica. Digo "retórica" porque, nas imagens de ciência de Kuhn, Lakatos e outros,
não fica claro se - e, caso afirmativo, quais - características epistemologi ca mente
peculiares dependem diretamente do fato de o sujeito ser um grupo ou comu nidade.
Ora, o problema que se coloca é saber o que seria a crença no caso da comunidade
científica. Questões dessa natureza não deveriam ser passadas por alto na epis
temologia associada à filosofia da ciência. Elas dizem respeito ao que chamo de
"ontologia de suporte" dos processos que envolvem conhecimento, pois, além de
discutir sobre (1) o que é o conhecimento e (2) qual o seu portador
(knowledge-bearer), a epistemologia também deve preocupar-se com (3) do que esse
conhecimento é conhecimento e (4) o que é que tem conhecimento. Pode-se supor que o
estado epistêmi co de uma comunidade não é obtido simplesmente ao multiplicar por n o
estado cogniti vo dos indivíduos que a compõem. Uma proposta recente, que vai na
direção de conferir um estatuto epistemológico definido ao coletivo, é a "cognição
distribuída", formulada por Ronald Giere
(2002).
Além do mais, essa problematização da noção de crença em um contexto coletivo caminha
no sentido de atender ao desafio reiterado por numerosos autores, tanto ligados ao
construtivismo social quanto não ligados a ele, de contemplar efetivamente a dimensão
social do conhecimento. Nas imagens de ciência mais conhecidas da tradição analítica,
costuma-se inserir o aspecto social de maneira ad hoc, como um apêndice ou como um
expediente de emergência, e muitas vezes presta-se meramente uma satisfação retórica
a essa demanda. O mais usual é relegar o aspecto social às discussões sobre a escolha
teórica, o consenso teórico e a racionalidade (em Lakatos, Laudan, Kuhn, Agassi),
especialmente quando se trata de apontar os "suspeitos de sempre", responsáveis por
algum "resíduo irracional" que escapa aos critérios e regras de escolha teórica. Mas
seria justo que nos sentíssemos intrigados. Por que somente a racionalidade haveria
de ser social ou comunitária, mas não o próprio conhecimento? Em todo caso, seria
difícil incorporar o aspecto social, de maneira plena, dentro de uma perspectiva
epistemológica tradicional.
1. 2 Verdade
De um ponto de vista teórico, uma definição de conhecimento estribada na noção de
crença verdadeira envolve-nos com o problema da controvérsia realismo x antirrea
lismo. Além, é claro, de envolver-nos com as teorias da verdade. Há relativamente
pouca discussão direta na literatura acerca dessa conexão entre um aspecto
epistemológico e a questão do estatuto cognitivo. No caso das crenças mais
"observacionais", poder-se-ia tentar evitar esse problema afirmando que, nesse
caso, trata-se da verdade factual (adequação empírica, correspondência), e que
nesse contexto seria relativamente não problemático falar em "verdade". Mas tão
logo se passa para as teorias científicas avançadas, as quais envolvem entidades,
mecanismos e processos inobserváveis, a afirmação de que uma teoria constitui
conhecimento acarreta, necessariamente, afirmar que se acredita nessa teoria e que
ela é verdadeira. Ora, como se sabe, esse tipo de afirmação é altamente
controverso, tendo dado origem a um debate dos mais acalorados na filosofia da
ciência. O que significa dizer que uma teoria científica é verdadeira (ou
aproximadamente verdadeira)? Como determinar (isto é, por meio de quais
indicadores determinar) essa veracidade na prática científica? Finalmente, como
demonstrar a existência de uma conexão entre os métodos e técnicas da ciência
moderna e a obtenção de crenças verdadeiras?
No presente artigo não seria possível estendermo-nos sobre esse debate e fazer uma
análise crítica do realismo, pois nosso foco aqui é outro (embora tendamos a uma
posição antirrealista ou, no máximo, realista estrutural acerca do conhecimento
científico). De fato, há outro caminho que nos indica a necessidade de
desvencilharmo-nos da noção de crença verdadeira. Há um tipo de construto, bastante
frequente na ciência contemporânea, cujo caráter disseminado e cuja reconhecida
utilidade enquanto estratégia de investigação mostra-nos que o conhecimento nem
sempre precisa envolver portadores verdadeiros, nem estar baseado em crença para
constituir conhecimento autêntico (no sentido de conhecimento genuíno, viável).
Trata-se dos modelos. Os modelos são assumidamente idealizados, simplificados,
aproximados, em uma palavra, estritamente falando, são falsos. Mais sério ainda, eles
muitas vezes repousam sobre pressupostos mutuamente inconsistentes (pensemos nos
chamados "modelos semiclássicos" ou nas aproximações assintóticas e perturbativas).
Como diz a famosa frase do estatístico George Box: "todos os modelos estão errados,
mas alguns são úteis mesmo assim" (Box, 1987,
p. 424). O cientista sente-se perfeitamente confortável com esse tipo de instrumento.
E, no que se refere ao filósofo, excluir os modelos enquanto portadores de
conhecimento genuíno, em favor de uma imagem de ciência exclusivamente
"teórico-cêntrica", levaria a um empobrecimento e a uma distorção do objeto de estudo
da metaciência.
Há uma última consideração que nos permite reconectar e fazer convergir o ques
tionamento do papel da crença no conhecimento e o questionamento da noção de verdade
aplicada ao conhecimento. Trata-se da distinção entre contexto da aceitação e
contexto prospectivo proposta por Larry Laudan (cf. 2011, p. 152-60).1 À parte o fato de sua imagem de ciência ser
explicitamente antirrealista, Laudan tem uma argumentação independente visando
estabelecer a possibilidade de prospectar racionalmente - mesmo sem aceitar - as
teorias e tradições de pesquisa que venham a apresentar uma alta taxa de
progressividade. Note-se que mesmo a aceitação de teorias é pensada por ele em termos
não realistas (cf. Laudan, 1981a, 2004, 2011). Tal progressividade, Laudan tenta caracterizá-la de maneira precisa e,
diga-se, não insensível às vicissitudes da história, de maneira não anacrônica e
sensível ao contexto histórico, em termos da taxa de crescimento da eficácia na
solução de problemas, e não o valor absoluto dessa eficácia (cf. Laudan, 2011, p. 149-51).
1. 3 Justificação
O terceiro elemento da análise clássica de conhecimento também deve ser problema
tizado. A tese que aqui se defende é que a justificação não é de tipo
fundacionista,2 nem deve ser pensada exclusivamente em termos de relações
dedutivas. Vejamos o que se pode afirmar a respeito desses dois pontos, começando
pelo último. Argumentar-se-á aqui que, de um lado, a justificação não se
estabelece exclusivamente em função de relações dedutivas (quer sejam vistas de
uma perspectiva fundacionista, quer coerentista). De outra parte, a justificação
também não se propaga ou se transmite pelo sistema de conhecimento exclusivamente
através de relações dedutivas. Já se pensou, durante a fase áurea da chamada
concepção standard ou recebida de teorias, que a inferência dedutiva (por meio da
implicação lógica) seria suficiente para pensar a estrutura e o formalismo da
ciência e, segundo determinados autores, não positivistas, mas também ligados à
visão ortodoxa, como Popper, seria possível até mesmo pensar sua dinâmica. Porém a
inferência dedutiva não basta para uma imagem de ciência que faça justiça à
complexidade do sistema de conhecimento científico.
Um primeiro motivo para isso é que a tipologia das relações que vigem no sistema de
conhecimento científico é caracterizada por uma riqueza que ultrapassa em muito a
inferência dedutiva. Tal tipologia inclui, por certo, elementos como analogias,
metáforas, similaridades de família, fatores heurísticos, aproximações, condições
limítro fes, considerações de simetria etc., que dificilmente poderiam ser reduzidas
a complexos de relações dedutivas. O aspecto crucial a notar é que todos esses tipos
de relações (e possivelmente ainda outros que não mencionamos aqui) contribuem para
formar fluxos - ou, melhor dizendo, campos - de suporte justificativo. Notemos que
reco nhecer que a justificação não resulta apenas de relações inferenciais/dedutivas
é algo que afeta, por igual, tanto uma concepção fundacionista de justificação quanto
uma concepção coerentista. Pode ser oportuno esclarecer aqui que se, por um lado, as
noções de relações dedutivas entre proposições e justificação inferencial entre
crenças são ex cessivamente restritivas, por outro lado, não há problema em supor que
a noção de "estrutura" seja importante para compreender as relações acima
mencionadas. Ser modelo de uma estrutura é uma relação que (somada às noções de
"homomorfismo" e "isomorfismo" entre estruturas) permite capturar tanto aquilo que
tradicionalmente é pensado em termos de demonstração de teoremas a partir de axiomas,
dedução de consequências empiricamente testáveis, aplicação de uma teoria à solução
de um problema etc., quanto muitos outros processos. Voltaremos ao tema das
estruturas mais vezes neste artigo.
Complementar ao ponto anterior é a pergunta pela natureza da justificação. No
presente trabalho privilegia-se uma concepção coerentista de justificação, por uma
variedade de razões. A primeira delas é que a noção de coerência proporciona uma
formulação precisa para a ideia intuitiva de que os sistemas que constituem o
conhecimento científico são, de alguma maneira, coesos ou "bem amarrados"; e, com
isso, transforma essa ideia, inicialmente metafórica, no pilar central de uma imagem
de ciência, passível de formulação precisa, sem no entanto perder o seu poder
metafórico. Em segundo lugar, o coerentismo é compatível com um enfoque
particularmente bem-sucedido acerca da estrutura e dinâmica das teorias científicas
que é a metateo ria estruturalista. Tal enfoque apresenta soluções profícuas para
problemas notoriamente difíceis dentro da filosofia da ciência, tais como os da
relação teoria-experimento, a teoricidade, a impregnação teórica da observação, a
estrutura hierárquica das teorias, sua evolução diacrônica, a redução interteórica, a
incomensurabilidade etc. (cf. Balzer, Moulines & Sneed, 1987; Díez & Moulines, 1999; Moulines, 2010, 2011).
A conexão entre estruturalismo metateórico e epistemologia coerentista já fora
sugerida no texto clássico do estruturalismo (cf. Balzer, Moulines & Sneed, 1987,
cap. 8, seção 6). Em terceiro lugar, os problemas da procura dos fundamentos
(especialmente na sua versão empírica) são bem conhecidos da filosofia da ciência; de
maneira geral, quase todos eles estão relacionados, de alguma forma, com o fato de
que, nas ciências, apesar de persistir um caráter empírico, é estabelecido um
distanciamento entre a teoria e a experiência. A história da ciência apresenta-nos
outro ângulo desse mesmo aspecto, quando nos fornece numerosos exemplos nos quais a
dinâmica do conhecimento científico foi guiada - e escolhas científicas foram
determinadas - por uma miríade de fatores além do acordo com a experiência, fatores
de caráter teórico, conceitual, sis tê mico. Finalmente, deve-se mencionar uma razão
heurística para defender uma concepção coerentista: ela é capaz de proporcionar, de
maneira bastante natural, um embasamento epistemológico para mecanismos que se
afiguram promissores para a compreensão da racionalidade científica, a saber, o
equilíbrio reflexivo e o processo reticular (como veremos adiante).
Cabe interrogar se a justificação predica-se, de fato, às crenças. De uma perspectiva
coerentista, pode-se sustentar que a coerência é uma propriedade dos sistemas de
crenças, e não das crenças individuais. É em parte devido a oscilar nesse espaço
entre a crença e o sistema de crenças que um importante autor coerentista, o Laurence
Bonjour da segunda metade dos anos 1980, foi levado a falar de uma "concepção não
linear de justificação" e procurou distinguir dois registros de justificação, a
saber, o local e o global (Bonjour, 1985, p.
91). Para ele, a justificação apenas parece linear quando considerada no nível local,
porém revela-se não linear no nível global. A preocupação de Bonjour é com o problema
da circularidade, que pareceria afetar uma teoria coerentista da justificação que
fosse inferencial e linear. De fato, se a justificação se propagasse em cadeias
inferenciais, e se recusássemos tanto o infinitismo quanto o fundacionismo, seria
difícil evitar o aparecimento de círculos na justificação, do tipo "a é justificado
por b, que é justificado por c, e assim por diante... até y, que é justificado por z,
que é por sua vez justificado por a". A alegação de alguns coerentistas de que "um
círculo é tão menos vicioso quanto maior ele for" não parece ter sensibilizado muitos
críticos. No entanto, Bonjour não conseguiu mostrar precisamente onde residiria essa
não linearidade, e no que ela consistiria. Por várias vezes ele recai no jargão
inferencial, e continua pensando-a, o mais das vezes, como uma simples multiplicidade
de linearidades tomadas em conjunto.
Pode-se objetar que a questão da justificação coerentista simplesmente não se coloca
no nível local, e a concepção não linear apenas pareceria um expediente necessário
quando se tenta, não obstante, tratar desse nível, como faz, por exemplo, Day (1989). Segundo essa linha de argumentação,
as inferências podem ser lineares, porém isso não constituiria um problema, na medida
em que elas não transmitem justificação, mas sim apenas estabelecem a pertinência de
uma crença ao sistema; este, sim, o objeto legítimo da justificação.
Tem méritos a ideia de que a justificação é uma propriedade que se predica dos
sistemas, sendo que as crenças "herdam" a justificação indiretamente, pelo fato de
fazerem parte de um sistema justificado. Essa ideia é afirmada também por Dancy (1990, p. 143). Porém, resta a questão de
por que a justificação nos parece à primeira vista ser local, singular e inferencial.
Isso pode ser mais bem compreendido considerando-se outra proposta que existe no
sentido de aplicar-se o predicado "x está justificada" a uma dada crença (ou portador
de conhecimento) x. Trata-se da visão contextual. Sob esse ponto de vista, quando se
fala acerca da justificação de crenças específicas, a rigor está ocorrendo um abuso
de linguagem; seria preciso ter em conta o contexto de crenças (mais ou menos
extenso, dependendo do caso) a que essa justificação se refere (ainda que
implicitamente). Desse modo, uma concepção coerentista de justificação precisaria ser
complementada por uma visão contextualista. (Vale lembrar que a necessidade de levar
em consideração o aspecto contextual da justificação já era indicada por algumas
discussões dos casos de Gettier (cf. Pappas,
1979).
Contudo, é preciso cautela para caracterizar a natureza de tais contextos de
justificação, de modo a não recair na consequência perversa de que crenças
injustificadas, convenientemente escolhidas, pudessem fornecer justificação a
qualquer crença arbitrária. O problema da determinação do que é um contexto relevante
para a justificação, e do espectro de tipos de relações que podem entrar em jogo no
processo de justificação, é algo que remete a critérios ou parâmetros. Tais critérios
colocam, por sua vez, a possibilidade de que essa determinação seja relativa aos
valores admitidos em cada situação. Em um primeiro momento, pensa-se nos valores
cognitivos (tais como poder unificador, potencial heurístico, capacidade de solução
de problemas, simplicidade etc.). Os valores cognitivos são os que entram em jogo,
exclusivamente, no momento da avaliação teórica tal como concebida por Lacey (2008); daí a possibilidade da
imparcialidade nesse momento. Mas o conhecimento científico não é apenas uma questão
de avaliação teórica imparcial. Há outros momentos essenciais à atividade científica,
tais como a escolha de uma estratégia e a aplicação, que também têm impacto (direto
ou retroativo) na constituição do conhecimento; e, nestes últimos, entram em jogo
também os valores sociais. Como cabe supor que o processo de justificação se estenda
a todos esses momentos, segue-se que os valores sociais também possuem relevância
para a justificação envolvida no conhecimento científico (cf. Lacey & Mariconda, 2014). Assim, o que determina a extensão e
o teor do contexto de justificação serão as várias "virtudes epistêmicas" que se
pretende implementar. De todo modo, no limite, e no caso global, quando se tivesse
acesso epistêmico ao sistema coerente como um todo, o sistema proporcionaria o
contexto necessário.
1. 4 Conhecimento, coerência e valores
À luz do que foi exposto sucintamente acima, sugere-se aqui uma concepção de
conhecimento que possui as seguintes características principais:
(1) não deveria estar restrita às proposições e às crenças, abrindo espaço para
outros tipos de portadores de conhecimento;
(2) não pressupor a noção de "crença verdadeira";
(3) não há de ser exclusivamente inferencial/dedutiva.
De que maneira seria possível, então, entender a noção central de "conhecimento"?
Propõe-se aqui que o núcleo dessa noção, que precisaria ser preservado a todo
custo, está em requerer minimamente que nossas atitudes cognitivas - não
necessariamente atitudes de crença, com a inclusão de algumas atitudes cognitivas
que podem nem mesmo ser proposicionais - precisam estar coletivamente
justificadas. Propõe-se aqui que
(4) essa justificação deve ter caráter primariamente global, voltada para o
sistema, mais do que para os seus constituintes individuais;
(5) o mecanismo de justificação é coerentista, podendo ser relativo a contextos
(na seção 3, voltaremos ao problema de caracterizar a coerência);
(6) essa justificação deve dar-se, não em função da busca da verdade, mas sim em
função da satisfação de um amplo espectro de valores.
O conhecimento seria, então, entendido da seguinte forma:
um complexo de atitudes cognitivas (sejam crenças ou de outro tipo, pro po
sicionais ou não, verdadeiras ou não) justificadas coerente e contextual men te em
um sistema que inclui uma dada estrutura de valores.
Como se percebe de imediato, os principais elementos de divergência em relação à
ca racterização tradicional são a amplitude do espectro de atitudes cognitivas, a
desvin culação em relação à verdade e o lugar dos valores.3
Na realidade, a necessidade de inclusão dos valores em uma imagem filosófica da
ciência não é uma novidade. Ela já é um resultado das críticas e metamorfoses que o
empirismo sofreu ao longo do século xx, seja pelo ângulo da análise filosófica, seja
pelo da historiografia da ciência, seja pelo da sociologia do conhecimento. Desejo
evocar aqui, em particular, um aspecto que tem sido mais discutido no âmbito da
filosofia geral da ciência, a saber, o problema da subdeterminação empírica.
Suponhamos um domínio experimental D de relatos observacionais e resultados
experimentais (D não precisa remeter, de maneira alguma, a algo como uma "observação
pura". Ele pode ser ricamente estruturado e teoricamente impregnado). Suponhamos
também que existe uma teoria T0 que dá conta de D, dentro de certos
limites de precisão. Este "dar conta" pode ser conceituado de várias formas, seja em
termos clássicos, por meio da derivação dos enunciados que descrevem D a partir dos
postulados de T0, seja em termos estruturalistas, pela extensão dos
"modelos de dados" de D a modelos plenos de T0 etc. O argumento não é
afetado por tal diversidade de formulações, sendo aplicável a todas elas. (Utilizo a
expressão "modelos de dados" no sentido de Suppes.) É logicamente possível formular
uma teoria T1 (conceitualmente e estruturalmente diferente de
T0) que seja empiricamente equivalente a T0, isto é, que
reproduza exatamente a mesma descrição de D que é dada por T0, com o(s)
mesmo(s) grau(s) de precisão, isto é, possuidora das mesmas subestruturas empíricas.
Mais do que isso, é logicamente possível formular outras teorias T1,
T2 etc., todas diferentes de T0, no seu aparato conceitual e
na sua estrutura, e que, no entanto, reproduzem igualmente a descrição do domínio
empírico D. Com efeito, essa não é apenas uma possibilidade lógica, pois a história
da ciência apresenta-nos uma variedade de casos em que múltiplas teorias diferentes
davam conta dos mesmos fenômenos.
Em tal situação, a pergunta - que interessa tanto à epistemologia e à metodologia,
quanto à teoria da racionalidade científica - é a de como se chega a uma escolha
entre T0 e suas concorrentes T1, T2 etc., visto que
essa escolha é subdeterminada pela experiência, isto é, a experiência, por si só, não
basta para dirimir a controvérsia e resolver o impasse. A resposta é que cabe
recorrer a critérios de avaliação teórica além da mera adequação empírica. As teorias
T0, T1, T2, embora sejam igualmente adequadas em
pi ricamente, podem diferir no que respeita a outros parâmetros, tais como o poder
uni ficador, a simplicidade, o potencial heurístico, a compatibilidade com outras
teorias já aceitas etc. Esses critérios remetem a aspectos conceituais, que vão além
do registro empírico, e possuem o caráter de valores, com todas as consequências que
isso pode acarretar, a saber, questões sobre ponderação relativa, decidibilidade de
conflitos de valores, aceitabilidade dos próprios valores, ambiguidade na aplicação
etc. Ou seja, a partir do reconhecimento da subdeterminação empírica, toda e qualquer
imagem de ciência de tipo empirista não pode estar inteiramente calcada no empirismo.
É preciso levar em conta critérios conceituais e abrir espaço para os valores na
dinâmica da ciência e na racionalidade científica.4
A esse propósito, temos aqui uma parte da explicação para o mistério que intrigava
Quine. Como é possível que nossa cognição produza um output "torrencial" a partir de
um input "ralo" ou "magro"? Perguntava Quine
(1980, p. 164): como acontece de nossas teorias sobre a natureza
transcenderem toda a evidência disponível? A resposta é que nossas teorias não são
meras compressões ou compactações do input, mas são criações intelectuais que buscam
atender, além desse input, a variadas (e historicamente cambiantes) estruturas de
valores.
Os valores na ciência não são estáticos; eles possuem uma dinâmica extremamente rica.
Para melhor apreciar esse aspecto, convém acrescentar a nossa discussão outra
perspectiva, que é complementar, em um sentido muito forte, à discussão sobre a
natureza do conhecimento, ou seja, a perspectiva da racionalidade. É o que faremos na
sequência, com o objetivo de, posteriormente, interligar ambas as perspectivas por
meio de seu substrato comum que é a coerência.
2 Dos valores como constitutivos do conhecimento aos valores constitutivos da
racionalidade
Os valores estão entre os fatores dotados de eficácia causal (em termos de cognição e
ação) e com poder explicativo (quando tomados no registro metacientífico), que
permitem fazer a transição de uma descrição que poderíamos chamar de cinemática da
mudança científica para uma teoria propriamente dinâmica dessa mudança. Outros
fatores com esse perfil seriam a solução de problemas e os temas científicos no
sentido de Holton (cf. Laudan, 2011; Holton, 1988). No que diz respeito a especificar
precisamente a maneira pela qual os valores operam na constituição do conhecimento e
na racionalidade científica, há pelo menos duas perspectivas filosóficas que são de
interesse para o presente trabalho. Os modelos de Lacey e de Laudan já são bem
conhecidos e discutidos na literatura, de modo que não caberia nos limites deste
artigo uma exposição detalhada (cf. Lacey, 2008, 2010; Laudan, 1981b, 1984, 1996;
Tambolo, 2008). Os dois modelos, combinados, fornecem os contornos fundamentais de
uma dinâmica dos valores na ciência. O modelo de Lacey de interação entre as
atividades científicas e os valores, por meio da introdução da noção de "estratégias
de pesquisa", proporciona uma perspectiva sobre os processos de constituição do
conhecimento científico e de condicionamento da atividade científica, todos os quais
envolvem valores de maneira inescapável, impregnando o conhecimento científico desde
a sua gênese. Por outro lado, o modelo reticular de Laudan pode ser visto como parte
de uma resposta à pergunta sobre a dinâmica por meio da qual os valores cognitivos se
transformam. Laudan leva em conta originalmente apenas os valores cognitivos, mas é
plausível supor que os mecanismos por ele postulados possam ser estendidos também a
outros âmbitos de valores. Para ele, os valores entram na dinâmica do conhecimento
desempenhando o papel de fins ou alvos da investigação. As teorias podem ser
entendidas como soluções aos problemas científicos que buscam atender a uma série de
valores. Tanto as teorias quanto a metodologia atuam como meios para que se atinja
esses fins.
Há ainda uma questão que é particularmente relevante para a presente discussão. Trata-se
do problema do individualismo axiológico. Ele pode ser desdobrado nas seguintes
questões. Primeiro, os fins justificam os meios? E quais fins? Seriam quaisquer fins?
Como arbitrar isso? Mais especificamente, o que impediria que um agente cognitivo
operasse segundo fins exclusivamente egoístas, incompatíveis com os fins defendidos
pelos demais agentes?
Uma solução pode ser dada em um espírito compatível com aquele do modelo reticulado: o
alargamento do horizonte axiológico. Imaginemos uma situação hipotética de
individualismo extremo, na qual diferentes indivíduos i adotam diferentes reticu lados
{Ai, Mi, Ti}, com diferentes configurações
axiológicas, e tentam conduzir suas respectivas pesquisas nessas condições. É possível
manter essa situação indefinidamente? O primeiro aspecto a notar é que a pesquisa
(especialmente na ciência contemporânea) é uma atividade eminentemente coletiva, que
requer divisão de tarefas, coordenação, discussão crítica, interação (muitas vezes à
distância), troca de informação etc. Nesse contexto, para que a pesquisa possa ocorrer,
a interação social e cogni tiva irá obrigar cada agente i a tomar conhecimento das
axiologias Aj de seus pares j com i ≠ j, até que começará a haver uma
intersecção entre os componentes axiológicos dos reticulados adotados por diferentes
agentes. Os agentes i e j não conseguirão traba - lhar, nem sequer discordar, enquanto
não se estabelecer alguma intersecção não vazia Ai ∩ Aj entre suas
axiologias (a extensão dessa intersecção pode variar). É inevitável que, no nível
coletivo, acabe ocorrendo um processo de negociação e condicionamento recíproco entre as
axiologias individuais, nos diferentes reticulados, assim como também há condicionamento
recíproco entre teorias, metodologia e axiologia, internamente a um reticulado (cf.
Laudan, 1984).
Poderia esse processo de construção de consenso ser impedido por algo semelhante a uma
"incomensurabilidade" que porventura se estabelecesse entre os valores presentes nas
diferentes axiologias? Se os atores i e j pertencerem à mesma comunidade científica,
compartilhando uma mesma agenda de investigação, isso parece muito pouco provável; as
divergências, se houver, podem ser resolvidas recorrendo-se aos elementos acerca dos
quais existe consenso. Tanto a historiografia mais recente da ciên cia quanto as teorias
atuais sobre a mudança científica tendem a convergir nesse aspecto de que o sistema de
conhecimento científico transforma-se gradualmente, e mesmo uma mudança que, à primeira
vista, aparenta ser abrupta e global, quando examinada em "alta resolução", revela-se
composta por várias sucessivas mudanças lo cais. Assim, parece lícito supor que sempre
existem alguns elementos que perma necem fixos em cada etapa da transformação. Se eles
pertencerem a comunidades rivais ou a gerações científicas diferentes, ainda que haja
diferenças no que diz respeito aos valores, a impossibilidade de discussão racional não
se impõe necessariamente. Isso porque o processo de discussão axiológica envolve pelo
menos duas dimensões. Em primeiro lugar, cabe formular juízos acerca da possibilidade ou
impossibilidade da implementação prática daqueles valores (isto é, o fato de que as
teorias, os modelos, os experimentos, as aplicações possam ou não ser realizados
atendendo a eles), e de sua fertilidade no guiar a pesquisa. Um sistema axiológico que
desqualifique todos os sistemas de conhecimento já desenvolvidos anteriormente, e que
não consiga dar origem a sistemas minimamente articulados capazes de atender aos seus
próprios valores, seria de dificílima implementação prática, e teria sua credibilidade
afetada. Em segundo lugar, existe a crítica propriamente axiológica, pela qual os
elementos de Aj podem ser submetidos a escrutínio crítico. Essa crítica pode
acontecer internamente, em função de seus frutos ou desdobramentos, tais como aplicações
teóricas, aplicações empíricas, capacidade de solução de problemas, poder heurístico.
Mas ela pode ser comparativa, à luz das realizações de outros reticulados, ou até mesmo
externa, em um registro de crítica propriamente filosófica.
Desse modo, vê-se que não é qualquer fim arbitrário que será admissível para um dado
agente, mas aqueles fins que atenderem aos constritores internos ao reticulado e também
aos constritores externos, isto é, aqueles oriundos de outros reticulados. É justamente
nesse plano que se dá o encontro entre os registros individual e coletivo. Isso vai ao
encontro da necessidade, apontada anteriormente, de levar em conta de maneira
substancial o coletivo em um sentido propriamente epistemológico, e de forma
constitutiva. A noção aqui defendida de "alargamento do horizonte axiológico" vai ao
encontro da sugestão de Lacey (2014) de ver
diferentes estratégias de restrição e seleção como células dentro de uma rede de
estratégias e perspectivas de valores e interações no mundo da vida. Os comentários
feitos na primeira parte, sobre a ontolo gia da crença e o sujeito epistêmico coletivo,
juntamente com o processo que acabamos de descrever, de expansão do horizonte
axiológico, possibilitam, penso eu, vislumbrar os contornos de uma maneira de atender ao
desafio de evitar um reducionismo social nos dois sentidos, a saber, tanto do individual
ao social quanto do social ao individual.5
O caminho aqui esboçado aponta para uma concepção de racionalidade que poderíamos chamar
de "covariante", na medida em que, em vez de estar fundada em categorias sub specie
aeternitatis, tais como a verdade, a justificação, uma definição fixa de racionalidade,
a racionalidade é plástica a ponto de amoldar-se a diferentes contextos cognitivos,
caracterizados por diferentes perspectivas de valor. A estrutura e a forma da
racionalidade mantém-se a mesma, mas ela se manifesta diferentemente em diferentes
referenciais cognitivos, tal como acontece - se nos permitimos uma analogia
transdisciplinar - com a noção de "covariância" na teoria da relatividade. Se a análise
filosófica ainda desejar buscar, em meio à avalanche de pluralidade e variabilidade que
a história e a sociologia da ciência mostram (bem documentadas, aliás, por evidências
históricas, e que afetam os critérios, os padrões, os valores e as metodologias), certos
invariantes na racionalidade científica, ela bem poderá descobrir que o que resta de
invariante é (de maneira quase kantiana) a estrutura, a forma da racionalidade, ao passo
que seu conteúdo, sua configuração, transformam-se sem cessar ao longo do tempo. Assim,
pode-se falar em uma racionalidade sem pontos fixos.
2. 1 Conhecimento científico, pré-científico, equilíbrio reflexivo, fatos e
normas
A noção de "equilíbrio reflexivo" consegue capturar a ideia geral de
condicionamento recíproco presente na racionalidade científica. O equilíbrio
reflexivo mostra-se totalmente compatível com a teoria coerentista da
justificação, quando vista mais macros copicamente, no contexto das ciências
avançadas (cf. Sosa, 1991). Pode-se dizer que o equilíbrio reflexivo
("macroscópico") está para a coerência ("microscópica") assim como a termodinâmica
está para a mecânica estatística. O campo organizador mais básico continua sendo a
coerência, porém em uma versão de "granulação mais grossa" (coarse-grained). Um
campo de coerência que se estenda por entre uma miríade de componentes específicos
"atômicos" de um sistema, por exemplo, crenças, enunciados, princípios,
definições, aproximações, analogias, imagens etc., pela sua própria vas cularidade
e pulverização pelo sistema, não possui direcionamentos que sejam fáceis de
discernir. Já o equilíbrio reflexivo nos permite divisar esses direcionamentos de
influência ou, se for preferível, esses fluxos de informação, dentro do campo
maior.
Quando se passa a uma descrição em termos de equilíbrio reflexivo (ER), o interesse
não está tanto em entrar em muito detalhe acerca da "anatomia" detalhada dos níveis,
estratos, elementos ou componentes da microestrutura do sistema. Existe uma grande
diversidade desses componentes, com propriedades e estruturas formais diferentes,
porém não é com respeito a esse nível que se colocam as interrogações. Em tais
situações, os aspectos que revestem interesse para a análise podem requerer apenas
uma visão mais macro.
O ER permite capturar as relações de "adequação" entre as teorias T (acopladas a seus
problemas, experimentos etc. correspondentes), a axiologia A (valores cognitivos) e a
metodologia M (imperativos hipotéticos metodológicos), ou seja, as relações que
governam o processo reticular em Laudan (cf. Bezerra,
1999, 2003a). De maneira geral, o ER
é um dispositivo apropriado para descrever relações do tipo "fato-e-norma", ou entre
teoria e prática, onde os dois polos influenciam-se mutuamente, porém sem recair em
uma violação da clássica proibição da falácia naturalista.6 Os exemplos já
consagrados versam, em Rawls (cf. 1971, p.
19-21), sobre os nossos juízos morais ponderados e os princípios da justiça, em Goodman (1973, p. 63-4), sobre as inferências
realizadas cotidianamente e as regras de inferência da lógica simbólica, em Moser e
colaboradores (cf. Moser, Mulder & Trout,
2009, p. 25), sobre nossas intuições comuns sobre o conhecimento e as
teorias epistemológicas e, em Abrantes (1998, p. 22-3, nota 10), sobre as imagens de
ciência e a prática científica. Poderíamos ainda ampliar essa lista com exemplos que
dizem respeito ao equilíbrio entre a prática de uma língua (especialmente falada) e a
sua gramática. No caso de Laudan, existe outro importante complicador, que é a falta
de sincronia que se pode estabelecer entre a metodologia explícita (os
pronunciamentos metodológicos dos cientistas) e a metodologia implícita (efetivamente
implementada na prática científica e nas publicações), ou entre axiologia explícita
(valores professados) e axiologia implícita (valores efetivamente buscados e
alcançados). Nem sempre as declarações e racionalizações a posteriori estão de acordo
com a prática. O ER (que, como vimos, deriva do imperativo da coerência) pode atuar
como uma importante e persistente influência no sentido de tentar voltar a
sincronizá-las.7
O ER não pode ser visto em termos exclusivamente dedutivos; se pudesse, seria difícil
ver como ele escaparia de uma circularidade do tipo "A → B & B → A". Isso
ocorreria, por exemplo, quando A gera (isto é, governa, condiciona ou determina) B, e
este por sua vez também realimenta (isto é, sanciona, corrobora ou apoia), e assim
con di ciona retroativamente, A. A circularidade presente aqui, quando trivializa,
constitui-se em um defeito grave do mecanismo. Ao contrário, o caráter não puramente
deduti vo indica que também a justificação coerentista, da qual o ER é a versão
macroscópica, não deveria ser caracterizada em termos inferenciais e lineares. As
relações de "ida" e de "volta" não são simplesmente as inversas uma da outra. Por
isso, não se dá uma simples circularidade, mas sim uma realimentação mais
complexa.
A racionalidade covariante e o equilíbrio reflexivo - com sua ênfase na interação
mútua entre sujeitos e no condicionamento recíproco entre teoria e prática - permitem
visualizar uma continuidade com a "racionalidade espontânea" mencionada por Lacey (2014) (entendida como resposta inteligente
responsável a razões). Os agentes racionais, segundo Lacey, procuram responder às
críticas de outros, entram em diálogo com outras perspectivas, e ajustam suas ações
em função desses processos. O que muda da racionalidade adotada em um contexto
científico para a racionalidade comum é a configuração da base axiológica. Outra
ideia que também está em Lacey (2014), e para
a qual o equilíbrio reflexivo também resulta esclarecedor, é a de que existiria uma
"imbricação" (sem, porém, abolir a distinção) entre fato e valor.
3 Conhecimento e racionalidade: o papel da coerência
O elo de ligação entre os dois âmbitos anteriormente discutidos, o do conhecimento e
o da racionalidade, está na noção de "justificação via coerência". Essa conexão não é
fortuita. Como se argumentou nas seções precedentes, essa noção é constitutiva tanto
de uma concepção de conhecimento quanto de uma concepção de racionalidade. A
coerência, dir-se-ia, constitui o "cimento" tanto de um quanto de outra.
Esquematicamente:
Figura 1.
As interrelações entre as noções epistemológicas e metacientíficas
envolvendo a coerência, os valores, o conhecimento e a racionalidade.
Uma questão poderia ser levantada nesta altura. Já nos referimos acima aos modelos que,
por sua própria natureza, podem não ser totalmente coerentes. Mas, ao mesmo tempo,
estamos sugerindo que a coerência desempenha um importante papel no conhecimento e na
racionalidade. Como deve ser entendida, então, a presença dos modelos (possivelmente
incoerentes) dentro do sistema do conhecimento (que busca ser governado, em grande
escala, pela coerência)? Para compreender melhor esse ponto, precisamos responder à
questão: o que é, afinal, a coerência?
O primeiro ponto a notar é que a coerência difere da consistência lógica. A con
sistência não é uma condição necessária para a coerência, pois existem sistemas
inconsistentes que não deixam de operar de maneira plena e desenvolta como sistemas de
conhecimento e aos quais, a fortiori, se adotarmos a associação anteriormente proposta
entre conhecimento e coerência, seria difícil negar o estatuto de coerentes, como já foi
notado por vários autores (cf. Lakatos, 1979;
Neurath, 1983, p. 109; Otávio Bueno, 2002). A consistência também não é uma condição
suficiente para a coerência, pois, nesse caso, estaríamos sujeitos à objeção do
isolamento e ao problema da falta de poder heurístico, como já foi apontado por autores
desde Moritz Schlick, passando por Bonjour, Moser, Thagard, entre outros. Segundo essa
objeção, uma peça de ficção ou um sistema teórico totalmente desvinculado da realidade,
caso fossem coerentes, no sentido limitado de consistentes, teriam que ser consideradas
tão aceitáveis quanto uma teoria científica bem articulada e avaliada (cf. Schlick, 1959, seção 3; Bonjour, 1985, p. 108; Moser et al,
2009, p. 93-4; Thagard, 2000, p.
72-3).
É importante notar que, afastando-se da noção de simples consistência, a coerência não é
uma propriedade "booleana", cujos estados são apenas a presença ou a ausência dessa
propriedade, mas sim uma questão de grau. Há diferentes fatores que podem encorajar,
incrementar ou contribuir para a coerência, estreitando os vínculos no sistema, mas que
não constituem condições necessárias nem suficientes (portanto, não entrariam como
condições em uma definição de coerência). Em primeiro lugar, as conexões interteóricas
(e até interdisciplinares) de transferência de informação entre termos
T1-teóricos de uma teoria T1 e T2-não-teóricos de uma
teoria T2 (no dizer da metateoria estruturalista) são fatores que aumentam a
coerência. O mesmo vale para a presença de vínculos (links) de teorização (acréscimo de
termos T-teóricos novos a uma teoria T em relação ao arcabouço teórico de uma teoria
previamente disponível T0). Outro fator que encoraja a coerência é a ausência
da chamada "incon sistência probabilística", sendo esta definida como o grau de
implausibilidade de alguma parte do sistema diante de alguma outra parte (e isso por
várias razões), ainda que não exista uma contradição direta (cf. Bonjour, 1985, p. 95; Foley,
1987, p. 98). Também con tribuem para a coerência as relações de analogia, ou
seja, o estabelecimento de iso mor fis mos (totais ou parciais) entre estruturas em
diferentes domínios de aplicação. Finalmente, a coerência ver-se-á diminuída na medida
em que houver, dentro do sistema, "bolsões" autossuficientes que possam funcionar (e
tendam a operar) de maneira isolada (seja no registro explicativo, seja no de
solucionador de problemas, heurístico etc.).
Além do mais, podem ocorrer situações nas quais aconteçam conflitos entre diferentes
fatores, dentre aqueles capazes de contribuir, positiva ou negativamente, para a
coerência. Um exemplo seria, evidentemente, a presença de inconsistência. Ela, em geral,
irá reduzir a coerência global do sistema, mas isso pode ser contrabalançado, se esse
sistema, mesmo com inconsistências localizadas, possuir uma elevada eficácia
solucionadora de problemas ou um elevado potencial heurístico ou uma elevada capacidade
unificadora ou sugira interpretações cognitivamente ricas. Exemplos que podem ser
mencionados incluem a eletrodinâmica de Maxwell, na qual há tensão do arcabouço
metafísico-metodológico mecanicista com o conceito de campo e com o for malismo
lagrangiano (cf. Abrantes, 1998; Bezerra, 2006); o modelo de Bohr, com seus
postulados ao mesmo tempo consistentes e inconsistentes com a mecânica clássica e o
eletromagnetismo (cf. Lakatos, 1979, seção 3.c.2;
Bezerra, 2003b; 2004; Souza, 2000); a renormalização na teoria quântica do campo (cf.
Bezerra, 2003a); vários métodos de aproximação
utilizados em mecânica analítica, eletromagnetismo, química teórica mo lecular e física
da matéria condensada (tanto no cálculo numérico quanto nas demonstrações teóricas),
baseiam-se em condições inconsistentes.8
Paul Thagard, ao propor sua concepção de coerência como satisfação de constritores
(constraints), coloca em destaque a natureza multifacetada e contingente da coerência
(cf. Thagard, 2000; Thagard & Verbeurgt, 1998). Na teoria de Thagard, a coerência é
entendida como uma quantidade que deve ser maximizada em um grafo que representa o
sistema, no qual os elementos - crenças, proposições, conceitos, representações ou, em
geral, outros portadores de conteúdo - acham-se interligados dois a dois por
constritores aos quais são atribuídos determinados pesos. A maximização da coerência
deve ser obtida com base no complexo de tais relações ponderadas, partindo o conjunto
dos elementos em duas classes disjuntas, a dos elementos que deveriam ser aceitos e a
dos que deveriam ser rejeitados. Surgem problemas interessantes relativos ao cômputo da
coerência, que decorrem da complexidade computacional do problema, o qual não deixa de
apresentar analogias com o funcionamento das redes neurais.
Thagard distingue vários tipos diferentes de "problemas de coerência", corres pondendo a
formas de coerência, distintas, porém relacionadas, em diferentes registros. Na
coerência explicativa, os elementos são crenças ou proposições, e os constri tores
incluem poder explicativo, prioridade dos dados, analogia. Na coerência visual, sobre os
elementos que são as representações visuais e suas interpretações, estabelecem-se os
constritores que incluem proximidade, semelhança, continuidade, prioridade sensorial. Já
na coerência conceitual, os constritores incluem associação negativa e positiva,
aplicabilidade e proveniência dos conceitos. Os outros tipos delineados por Thagard são
a coerência deliberativa, a coerência ética e a coerência dedutiva.
Desse modo, o enfoque de Thagard caminha ao longo de algumas das mesmas linhas já
indicadas acima:
(a) ele não trabalha com uma definição de coerência, pois, embora alguns tipos gerais
de constritores possam ser antecipados, outros serão próprios da singularidade do
sistema em questão; abre-se espaço, assim, para a contingência das situações de
coerência, caso a caso;
(b) o modelo não está restrito às inferências dedutivas, nem às atitudes pro
posicionais, sendo a coerência tomada como uma noção de escopo bem mais amplo;
(c) a consistência é tomada como um constritor entre outros, não como uma condição
necessária nem suficiente; sua ausência pode provocar um decréscimo da coerência e,
assim, influenciar na rejeição de determinados elementos do sistema, mas isso não é
predeterminado a priori;
(d) o modelo incorpora objetivamente a noção de que a coerência é uma questão de
grau, sendo também suscetível de desenvolvimento computa cional, permitindo a
modelagem de estudos de casos históricos.
É instrutivo perguntarmo-nos por que, apesar da possível presença de inconsistências em
um sistema teórico, não se observa necessariamente a catástrofe cognitiva que deveria
seguir-se do problema da trivialidade ou da explosão, característico da lógica clássica.
A inconsistência não significa automaticamente um "inferno epistêmico", na expressão de
Bueno (2002). Por quê? Suspeito que a resposta está em que os sis temas científicos não
são bem caracterizados como sistemas axiomáticos dedutivos. Este aspecto já foi arguido
com verve por Otto Neurath (2002, seção 2; 1983, p. 109). Os sistemas dedutivos
correspondem apenas a uma pequena parte (e um tanto idealizada) da atividade cognitiva
científica. Por isso, uma imagem de conhecimento com um perfil estritamente dedutivo tem
dificuldades para capturar o caráter multifacetado e fluido do conhecimento e da
racionalidade científicos.9
O que acontece nas teorias científicas e mesmo nas teorias matemáticas - se levarmos a
sério a sugestão estruturalista que remonta a Bourbaki (no que se refere à matemática) e
a Suppes e Sneed (no que se refere às ciências empíricas) - é
(a) o desdobramento ou mapeamento de propriedades de determinadas estruturas,
(b) o encontro entre estruturas, por meio de relações como subestrutura induzida,
homomorfismo, isomorfismo, isomorfismo parcial, imersão etc.
(c) o mapeamento dos modelos dessas estruturas, incluindo o trabalho com os teoremas
de representação.
Na matemática (como já anunciado por Bourbaki), as relações inferenciais/dedutivas
caracterizariam apenas casos muito particulares, por exemplo, quando se demonstra que,
em uma certa estrutura, vale determinada propriedade ou determinado teorema. Porém os
objetos matemáticos que continuam no centro da investigação (ainda que os detalhes às
vezes possam nos distrair desse fato) são as estruturas. Não se deduz ou infere uma
estrutura, pois essa é uma operação que vale para os enunciados, que adquirem seu
significado nas estruturas. Na filosofia da matemática mais recente, tanto a organização
quanto o funcionamento do conhecimento matemático, seja ele puro ou aplicado, vem sendo
pensado em termos de estruturas. Assim, percebe-se que, mesmo na matemática, a noção de
implicação ou de acarretamento (entailment) revela-se uma ferramenta bastante limitada
para capturar as complexidades de seu fun cionamento. Como já observara Bourbaki, as
deduções lógicas são apenas a camada exterior, e talvez a menos interessante, de uma
investigação que, na realidade, versa primordialmente sobre as estruturas (cf. Bourbaki, 1950, p. 223). É por esse motivo que se
pode dizer que a matemática não é apenas o desdobrar tautológico (e mecânico) daquilo
que já estava contido implicitamente nos axiomas. Ao contrário, o matemático faz
descobertas genuínas e necessita desenvolver intuições. Por um lado, ele descobre novas
possibilidades insuspeitadas que se abrem no contexto de determinadas estruturas (ou no
cruzamento de estruturas); por outro lado, cria novas estruturas, cujas potencialidades
ainda não conhece, e aporta elementos para expandir as hierarquias existentes, cujo
contorno final não pode prever, embora nesse processo possa ser guiado por determinadas
heurísticas e alimentar certas expectativas acerca dos desdobramentos ulteriores.
Voltando agora ao caso das teorias científicas, a sua aplicação empírica, por exemplo,
não deve ser vista como "a derivação de consequências dedutivas empiricamente testáveis
a partir de axiomas juntamente com hipóteses auxiliares e condições de contorno", tal
como queria a concepção "recebida" ou ortodoxa de teoria. A aplicação empírica de uma
teoria T pode ser conceituada como sendo a extensão de modelos parciais (sem termos
T-teóricos) a modelos plenos de uma estrutura (cf. Moulines, 1996; Díez & Moulines,
1999; Lorenzano, 2002). Essa ideia
básica vem sendo desenvolvida com enorme riqueza de detalhes pelos chamados enfoques
semânticos ou modelo-teó ricos, em particular pela metateoria estruturalista. É por essa
razão, entre outras, que damo-nos conta de que, tal como na matemática, também nas
ciências empíricas (e quiçá até mesmo nas ciências ou disciplinas interpretativas), o
pressuposto de que o encadeamento dedutivo seja capaz de mostrar, no plano
metacientífico, tudo o que acontece na estrutura e dinâmica da ciência é precisamente
aquilo que origina a falsa impressão de completude e generalidade da visão dedutiva. Ao
mesmo tempo, é o que está na raiz de algumas limitações e impasses detectados na teoria
do conhecimento e na teoria da racionalidade ao longo das últimas décadas. É de se
esperar que, na medida em que consigamos libertar-nos desse pressuposto paralisante,
abrir-se-á o espaço para desenvolvimentos significativos em nossas imagens filosóficas
de ciência.
Agradecimentos. Este texto originou-se de uma apresentação feita no "XXIV Seminário
Internacional - Ciência, tecnociência, valores e sociedade" em agosto de 2013 no
IEA-USP, iniciativa do Projeto Temático Fapesp "Gênese e significado da tecnociência".
Agradeço ao Prof. Hugh Lacey pelo convite para participar do evento, bem como a ele e ao
Prof. Pablo R. Mariconda pelos comentários colocados durante o debate, e à audiência
presente, pelas questões levantadas. Algumas teses deste artigo foram também
apresentadas nos seguintes eventos: HOPOS 2014 em Ghent, Bélgica (viagem financiada pela
Fapesp); jornada de pesquisa do grupo de trabalho "Estilos de raciocínio científico" no
IEA-USP, 2014; II Ciclo de Palestras Filosofia e Ciência Hoje (a convite da Unisinos,
São Leopoldo, RS); e ANPOF 2014, em Campos do Jordão (participação viabilizada pelo
Programa de Pós-Graduação em Filosofia do DF-FFLCH-USP). Alguns dos elementos básicos
desta investigação remontam ao pós-doutorado que realizei no DF-FFLCH-USP entre 2002 e
2005, com financiamento da Fapesp.
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Authorship
Valter Alnis Bezerra
Departamento de Filosofia, Faculdade de
Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, Brasil.
bezerra@usp.br Universidade de São PauloBrasilBrasilDepartamento de Filosofia, Faculdade de
Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, Brasil.
bezerra@usp.br
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Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, Brasil.
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Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, Brasil.
bezerra@usp.br
Figura 1.
As interrelações entre as noções epistemológicas e metacientíficas
envolvendo a coerência, os valores, o conhecimento e a racionalidade.
imageFigura 1.
As interrelações entre as noções epistemológicas e metacientíficas
envolvendo a coerência, os valores, o conhecimento e a racionalidade.
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Bezerra, Valter Alnis. Co-variant rationality: values and coherence as constitutive of scientific knowledge and rationality. Scientiae Studia [online]. 2014, v. 12, n. 4 [Accessed 3 April 2025], pp. 727-750. Available from: <https://doi.org/10.1590/S1678-31662014000500006>. ISSN 1678-3166. https://doi.org/10.1590/S1678-31662014000500006.
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