Open-access Quando traduzir é sentir: dimensão afetiva, ética e política na tradução de histórias verídicas

When translating is feeling: the emotional, ethical, and political dimensions of translating real-life stories

Este trabalho traz uma análise de relatos de três tradutoras sobre a percepção que têm de suas emoções durante e depois da tradução de histórias verídicas, incluindo narrativas sobre os efeitos sentidos no corpo. Por meio de uma abordagem teórico-metodológica transdisciplinar, são apresentados trechos decorrentes de entrevistas com as tradutoras, a fim de promover uma reflexão sobre as relações estabelecidas a partir do entendimento que elas apresentam sobre a interferência das emoções no processo tradutório, nas relações e na forma como vivenciam a profissão e o mundo. As análises mostram que reconhecer que os valores afetivos são constitutivos de qualquer tradução (Koskinen, 2020) pode nos ajudar a entender a nossa tarefa, além do fato inegável de que somos sempre afetadas e afetamos tudo o que nos cerca, e de que traduzir pode ser lindo e horrível (Wittner, 2023), o que põe em cena a responsabilidade e a ética (Derrida, 2000; 2006) de quem traduz, sobretudo quando se trata de literatura de testemunho (Seligmann-Silva, 2008).

Palavras-chave
tradução e emoção; narrativas tradutórias; literatura de testemunho

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