O presente artigo analisa a existência do Grupo Cultural Raízes de Gericinó, localizado na comunidade do 80 - Catiri, em Bangu, Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro. A história do grupo se confunde com a luta por terra que os habitantes da região enfrentaram no início dos anos 2000. O Arraiá Flor da Roça, primeira ação cultural que realizaram, veio desse vínculo construído a partir da luta contra a remoção. Maranhense, a família Mercês, que tomou a frente deste movimento, conecta a cultura popular de sua terra de origem à consolidação de laços comunitários. Com isso, a festa ganhou um dos personagens mais importantes dessa história, o Bumba meu boi, que, somente em 2012, ganhou seu nome: “Boi Estrela de Gericinó”. A instituição que atualmente é considerada a casa do Bumba meu boi - Museu Social, sediada na antiga Associação de Moradores, exerce uma influência no território, de reconhecimento e mobilização. O próprio nome do grupo já demonstra a sua intenção em (re)construir-se: é simultaneamente raiz e terra nova. O patrimônio cultural que trazem consigo, tanto imaterial quanto material, forja identidades e memórias. Não excluindo os conflitos existentes nestas categorias, a pesquisa aqui apresentada de forma resumida se propõe à reflexão da luta pela terra e sua relação com a cultura popular.
Palavras-chave:
cultura popular; ancestralidade; Bumba meu boi; comunidade; políticas culturais de base comunitária