Open-access PRIMEIRA OCORRÊNCIA DE HEMIBERLESIA LATANIAE (SIGNORET, 1869) (HEMIPTERA, DIASPIDIDAE) EM SYNGONIUM PODOPHYLLUM SCHOTT (ARACEAE), NO BRASIL

FIRST OCCURRENCE OF HEMIBERLESIA LATANIAE (SIGNORET, 1869) (HEMIPTERA, DIASPIDIDAE) ON SYNGONIUM PODOPHYLLUM SCHOTT, (ARACEAE) IN BRAZIL

RESUMO

O trabalho relata a primeira constatação no Brasil de Hemiberlesia lataniae (Signoret, 1869) (Hemiptera, Diaspididae) danificando plantas de Syngonium podophyllum Schott (Araceae), cultivadas em vasos, no município de Campinas, SP.

PALAVRAS-CHAVE:
Ocorrência; Hemiberlesia lataniae; Syngonium podophyllum.

ABSTRACT

This work reports, for the first time, Hemiberlesia lataniae (Signoret, 1869) (Hemiptera, Diaspididae) causing damage on Syngonium podophyllum Schott (Araceae) plants, cultivated in flower pots, in Campinas, state of São Paulo, BraziL

KEY WORDS:
Occurrence; Hemiberlesia lataniae; Syngonium podophyllum.

A folhagem ornamental Syngonium podophyllum (Araceae), conhecida vulgarmente como "orelha de burro", é originária do México e América Central. Apresenta porte semi-herbáceo, serido intensamente utilizada em paisagismo, principalmente para cobertura de muros e cercas ou como forração, e também cultivada em vasos para decoração de interiores. Na espécie típica as folhas apresentam-se com divisões quando adultas e são simples nas formas jovens. Podem apresentar variegação branca e nervação estriada, sendo conhecidas como S. podophyllum alboline_atum e S. podophyllum alho-virens (LORENZI & SOUZA, 1995).

Em junho de 1997 constatou-se, pela primeira vez no Brasil, a ocorrência da cochonilha Hemiberlesia lataniae (Signoret,1869) (Hemiptera, Diaspididae) infestando Syngonium podophyllum, cultivado em vaso, no município de Campinas, São Paulo.

H. lataniae foi descrita como Aspidiotus lataniae e segundo BORCHSENIUS (1966) apresenta uma extensa lista sinonímica sendo as mais importantes Aspidiotus cydoniae Comstock, 1881; A. punicae Cockerell, 1893; A. crawii Cockerell, 1897; A. greenii Cockerell, 1898; A. lateralis Marlatt, 1899; Diaspidiotus lataniae MacGillivray 1921; A. asklemiae Sasaki, 1935; A. aspleniae Ferris, 1941; A. tectus Ferris, 1941.

Originalmente descrita de uma palmeira do gênero Latania, ocorre em diversos hospedeiros, porém, em Araceae apenas nos gêneros Monstera e Philodendron, com distribuição cosmopolita nas . zonas tropical e subtropical (BORCHSENIUS, 1966).

No Brasil, ocorre em várias culturas alimentícias de importância econômica além de plantas ornamentais tais como cactáceas, jasmineiro, lantana, palmeiras, roseira e graxa de estudante. Esta cochonilha pode ser parasitada por Prophyscus latiscapus (Hymenoptera, Aphelinidae) (SILVA et al.,1968).

Observou-se que as cochonilhas formam colônias· principalmente ao longo das hastes e nervuras das folhas chegando a cobri-las quase totalmente (Figs. 1, 2 e 3); ao sugarem continuamente a seiva provocam amarelecimento, depauperamento intenso e até a morte da planta.

Fig. 1
Aspecto geral de Syngonium podophyllum colonizado por Hemiberlesia lataniae.

Fig. 2
D stribuição de Hemiberlesia lataniae em folha e haste de Syngonium podophyllum.

Fig. 3
Colônia de Hemiberlesia lataniae em haste de Syngonium podophyllum.

A cochonilha apresenta importância como praga pois afeta intensamente esta ornamental de significativo valor paisagístico.

H. lataniae pode ser encontrada em qualquer parte da planta, mais comumente na casca. O macho é desconhecido.

A fêmea, a partir do segundo ínstar, fixa-se na planta hospedeira através de seu aparelho bucal, passando a sugar a seiva e inoculando substâncias tóxicas, durante todo o restante de sua vida. A fêmea adulta é coberta por um escudo subcircular, com cerca de 1,5mm de diâmetro, formado por uma secreção cerosa esbranquiçada sobre a qual se sobrepõe duas exúvias de coloração amarelada, excêntricas (Fig.4A). Levantando-se o escudo observa-se o corpo da fêmea ovalado, membranoso, branco, transparente com o pigídio mais amarelado, esclerotinizado (Fig. 4B). O pigídio apresenta apenas os lóbulos medianos bem desenvolvidos e esclerotinizados, muito próximos um do outro, com um par de placas muito finas entre eles. O segundo e terceiro par de lóbulos pigidiais são muito reduzidos e não esclerotiniza.dos. Entre os lóbulos medianos e o segundo par de lóbulos encontram-se do s pares de paráfises de cada lado. Entre os lóbulos medianos e o segundo par de lóbulos há duas placas e entre o segundo e o terceiro par de lóbulos três placas franjadas de cada lado (Fig. 4C e 4D).

HAMON (1979) fornece notas sobre morfologia, distribuição geográfica, plantas hospedeiras, importância econômica e controle de H. lataniae. A cochonilha é praga de palmeiras e outras plantas ornamentais na Flórida sendo capaz de se desenvolver durante todo o ano e formar, sem serem percebidas, grandes populações nas cascas das plantas hospedeiras. O trabalho relata seu parasitismo por Aphytis spp (Hymenoptera, Aphelinidae) e Thysanus spp (Hymenoptera, Thysanidae ).

WITHERELL (1984) observou o efeito da fumigação com brometo de metila em casas de vegetação, no controle de H. lataniae em plantas sob quarentena.

MEDINA-GAUD et al. (1987) constataram altas infestações de H. lataniae em ramos finos e folhas de Manilkara zapota, planta endêmica no sul do México e América Central, cultivada para fins ornamentais, para colheita de frutos e para extração do látex usado

Fig. 4
Hemiberlesia lataniae A) Escudo da fêmea adulta, B) Corpo da fêmea adulta, C) Pigídio, D) Detalhe do pigídio (retirado de Ferris, 1938).

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

  • BORCHSENIUS, N.S. Catalogue of armored scale insects (Diaspidoidea) of the world. Moscow e Leningrad: Zoologicheskii Institut, 1966. 449p.
  • COSTA, R.G. & REDAELLI, D.C. Cochonilhas ou coccídeas do Rio Grande do Sul. Porto Alegre: Seção de Informações e Publicidade Agrícola, 1949. 107p.
  • FERRIS, G.F. Atlas of the saca/e insects of North America. Califomia: Stanford University Press, 1938.
  • HAMON, A.B. Latania scale, Hemiberlesia lataniae (Signoret) (Homoptera: Coccoidea: Diaspididae), Flórida: Division. of Plant Industry, 1979. (Entomology Circular, 208).
  • LORENZI H. & SOUZA, H.M. de. Plantas ornamentais no Brasil: arbustivas, herbáceas e trepadeira. NovaOdessa, SP: Ed. Plantarum. 1995.
  • MEDINA-GAUD, S.; COVAS, F.G.; ABREU, E.; INGLES, R. The insects ofNispero (Manilkara zapota (L.) P. van Rogen) in Puerto Rico. J. Agric. Univ. Puerto Rico, v.71, n.1, p. 129-132, 1987.
  • SILVA, A.G.d' A. (Coord.) Quarto catálogo dos insetos que vivem nas plantas do Brasil: seus parasitos e predadores. Rio de Janeiro: Serviço de Defesa Sanitária Vegetal, 1968.
  • WITHERELL, P.C. Methyl bromide fumigation as a quarentine treatment for latania scale, Hemiberlesia lataniae (Homoptera: Diaspidiae). Fia. Entornol., n.67, v.2, p. 254-262, 1984.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    21 Mar 2025
  • Data do Fascículo
    Jan-Jun 1999

Histórico

  • Recebido
    24 Ago 1998
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