RESUMO
O conceito de semiosfera, formulado por Iúri Lotman, é central para a teoria semiótica da cultura e tem sido reinterpretado no Brasil nas últimas três décadas. Este artigo1 mapeia a interpretação do conceito na produção científica brasileira entre 1995 e 2024, selecionados por relevância temática, autoria nacional e qualidade editorial. A análise considera quatro eixos principais: estrutura e dinâmica interna dos sistemas semióticos, processos de comunicação e tradução, mecanismos de memória e relação com a biosfera. Os resultados apontam crescimento da produção a partir de 2010 e a consolidação de uma rede de pesquisadores no país. Também se observa a passagem de abordagens teóricas para aplicações em fenômenos culturais, como jornalismo digital, cultura nerd, literatura de cordel e mídias digitais. Concluímos que a apropriação brasileira do conceito de semiosfera apresenta especificidades próprias e oferece contribuições relevantes para a atualização da teoria lotmaniana em contextos contemporâneos.
PALAVRAS-CHAVE:
Semiótica da cultura; Iúri Lotman; Semiosfera
ABSTRACT
The concept of semiosphere, formulated by Yuri Lotman, is central to the semiotic theory of culture and has been reinterpreted in Brazil over the past three decades. This article1 maps the interpretation of the concept in Brazilian academic production between 1995 and 2024, selected for thematic relevance, national authorship, and editorial quality. The analysis considers four main axes: the structure and internal dynamics of semiotic systems, communication and translation processes, memory mechanisms, and the relationship with the biosphere. The results indicate growth in production after 2010 and the consolidation of a research network in the country. A shift is also observed from theoretical approaches to applications in cultural phenomena such as digital journalism, nerd culture, cordel literature, and digital media. We conclude that the Brazilian appropriation of the semiosphere concept presents specific features and makes relevant contributions to updating Lotman’s theory in contemporary contexts.
KEYWORDS:
Semiotics of Culture; Yuri Lotman; Semiosphere
Introdução
O conceito de semiosfera, como formulado pelo semioticista Iúri Lotman2, é fundamental para a teoria semiótica da cultura. Sem tradução direta para o português, a definição lotmaniana chega ao Brasil através de traduções a partir de outras línguas (como o italiano, o espanhol e o inglês) do ensaio publicado em russo (Ramos et al., 2007). Essas traduções permitiram que o conceito passasse a ser conhecido por pesquisadores brasileiros afiliados à teoria, que posteriormente o difundiram a partir de suas interpretações.
Buscamos, neste trabalho, mapear como o conceito de semiosfera, introduzido por Iúri Lotman, tem sido interpretado e apropriado por pesquisadores brasileiros ao longo das últimas décadas, partindo da premissa de que a apropriação brasileira da noção apresenta características próprias ao incorporar temas e práticas do contexto nacional. Com base na leitura de textos acadêmicos nacionais, analisamos como diferentes abordagens destacam aspectos específicos do conceito, como a estrutura e a dinâmica interna, os processos de tradução e comunicação, os mecanismos de memória e sua relação com a biosfera. Nosso objetivo é identificar e sintetizar as contribuições desses autores, evidenciando tanto os pontos de convergência e de divergência, quanto nuances e especificidades que caracterizam a produção nacional sobre o tema.
Embora este estudo não tenha o escopo de aprofundar as razões epistemológicas ou as tradições do saber nacional que informaram essas leituras, nem comparar exaustivamente a recepção brasileira com a de outros países, o mapeamento realizado oferece um panorama inicial que permite inferir direções e ênfases características da abordagem brasileira do conceito de semiosfera.
Tendo isso em vista, organizamos este trabalho em cinco partes: iniciamos com esta introdução em que expomos o problema de pesquisa e o nosso objetivo; na sequência, trazemos uma breve apresentação do conceito de semiosfera e suas principais características; em seguida, descrevemos o corpus selecionado e os procedimentos metodológicos adotados; na quarta parte, apresentamos a análise realizada; e, por fim, encerramos com as considerações finais.
Irene Machado alerta que o uso inadvertido de um conceito pode “enfraquecer sua potência, alcance e capacidade de dizer algo sobre o mundo” (2007, p. 15). Dessa forma, uma das principais tarefas do trabalho teórico-acadêmico é “preservar o campo conceitual que orienta a investigação científica” (Machado, 2007, p. 15). A autora afirma ainda que todo conceito possui uma história, uma filiação ideológica e pragmática. Assim, consideramos importante que, antes mesmo de abordar as leituras realizadas sobre a semiosfera, seja feita uma breve introdução à obra de Iúri Lotman e à Semiótica da Cultura.
1 O semioticista, a escola e o conceito
Iúri Lotman foi um estudioso da cultura e da literatura, crítico e filósofo soviético, além de ser um dos fundadores e um dos principais nomes do que mais tarde seria conhecido como Escola de Tartú-Moscou (ETM). Nascido em 1922, foi convidado a trabalhar como professor na Universidade de Tartú, na Estônia, em 1954, onde lecionou primeiramente no Departamento de Literatura Russa, sendo transferido no final da década de 1970, para o Departamento de Literatura Estrangeira. Como nos conta Américo (2012), durante os anos 1960 o departamento também contava entre seus membros com Boris Egórov (seu criador), Zara Mints (sua esposa) e Igor Tchernov e os “principais rumos de pesquisa eram a análise do texto poético, bem como o estudo dos diferentes modelos culturais” (2012, p. 77).
Segundo a autora, foi nesse período que Lotman aprofundou seu interesse pelos conceitos do estruturalismo e pela semiótica, além de se aproximar dos linguistas e estudiosos de literatura de Moscou que vieram a formar a ETM.
Ao se falar da Escola semiótica russa, é necessário observar primeiramente que, apesar de ter sido fundada por esse expoente semioticista, ela contou com a participação de muitos autores de renome, tais como: Vladímir Toporov, Borís Uspiénski, Viatcheslav Ivánov, Eleazar Meletínski e Serguei Nekliúdov. Trata-se, portanto, de uma interação constante entre especialistas de diferentes áreas, como linguística, estudos literários, folclorística, culturologia e até mesmo das ciências exatas (por exemplo, a contribuição extremamente relevante de Vladímir Uspiénski, matemático e linguista, dentre outros). (Américo, E. V., 2015. pp. 123-124)
É com essa formação multidisciplinar que, durante o período de quase duas décadas (entre os anos 1960 e 1980), se deram as atividades da ETM e a criação do que chamamos de Semiótica da Cultura.
Uma das primeiras menções ao termo semiosfera é feita por Lotman no artigo “O semiosfere (On the Semiosphere)”, de 1984, na revista Trudy po znakovym sistemam (Sign Systems Studies) Izbrannye stat’i v trekh tomakh (Selected Articles in Three Volumes), em 1992. Entre as traduções mais citadas por autores brasileiros observamos três: para o italiano, para espanhol e em língua inglesa.
A versão para o italiano de 1985 é feita por Simonetta Salvestroni e encontra-se na coletânea La semiosfera. L’asimmetria e il dialogo nelle strutture pensante; enquanto Desiderio Navarro Pérez realiza a tradução para o espanhol em 1996, no volume inicial de La semiosfera (essa, talvez, seja a versão mais citada). E, por fim, a tradução para o inglês em 2005 por Wilma Clark, publicada na mesma revista estoniana onde vemos o artigo original. De acordo com os tradutores citados, todas essas versões são realizadas a partir da versão publicada em 1984.
A partir dessa data, observa-se o conceito de semiosfera ser introduzido e ocupar uma posição central na teoria lotmaniana. Análogo ao conceito de biosfera de V. I. Vernadski, podemos entender a semiosfera como um espaço de caráter abstrato, ocupado por diferentes formações semióticas (signos, textos, códigos e linguagens) que coexistem e interagem entre si, de modo que apenas no seu interior “é possível a realização de processos comunicativos e a produção de novas informações” (Lotman, 1996, p. 11; tradução nossa3).
O autor destaca dois atributos da semiosfera: o caráter delimitado e a irregularidade semiótica. Sobre o primeiro, o semioticista aponta que o “conceito de semiosfera está ligada a uma certa homogeneidade e individualidade semióticas” (Lotman, 1996, p. 12; tradução nossa)4, que pressupõem o caráter delimitado da semiosfera em relação ao espaço extrassemiótico ou alossemiótico que a cerca. O conceito de semiosfera, então, se refere a um sistema semiótico delimitado por uma fronteira que funciona como um filtro bilíngue, traduzindo mensagens entre a linguagem interna e externa. As estruturas externas são vistas como não-estruturais e passam por um processo de semitização realizado na fronteira. Assim, a fronteira destaca a especificidade da semiosfera em relação a seu exterior, promovendo seu desenvolvimento interno.
Em relação à irregularidade da semiosfera, Lotman expõe que a semiosfera é composta por um espaço semiótico heterogêneo, onde estruturas nucleares coexistem com um mundo amorfo e flexível em direção à periferia. “A divisão em núcleo e periferia é uma lei da organização interna da semiosfera (Lotman, 1996, p. 17; tradução nossa5)”.
Essa organização não é fixa, mas relativa, dependendo da metalinguagem utilizada para sua descrição. Enquanto o núcleo mantém maior rigidez e estabilidade, a periferia, menos organizada, é um espaço dinâmico, favorecendo a criação de novas informações e impulsionando o desenvolvimento da semiosfera em ritmos diferentes nos seus setores. As fronteiras internas que atravessam a semiosfera especializam suas partes, e a interação entre diferentes estruturas e subestruturas gera novos significados, permitindo que o sistema evolua continuamente.
Essa heterogeneidade estrutural é fundamental para o funcionamento da semiosfera, pois possibilita tanto a multiplicação de mensagens quanto o intercâmbio semiótico entre suas partes. Esse intercâmbio exige não apenas diferença entre as subestruturas envolvidas, mas também um isomorfismo em relação a um nível superior comum, permitindo a criação de um texto único que integra transmissão, tradução e diálogo. Em cada nível, da pessoa ao sistema global, a semiosfera é composta por semiosferas dentro de semiosferas, funcionando simultaneamente como participante e espaço de diálogo, em um mecanismo complexo que sustenta a geração de sentido e mantém a integridade do sistema.
Para o autor, a “semiosfera ainda tem uma profundidade diacrônica, pois é dotada de um complexo sistema de memória e sem essa memória não pode funcionar” (Lotman, 1996, p. 20; tradução nossa6). Essa diacronia se manifesta em complexos mecanismos de memória que não apenas armazenam informações do passado, mas também influenciam a evolução e a dinâmica dos sistemas semióticos. Isso permite que a semiosfera se desenvolva ao longo do tempo, incorporando novos códigos e significados. Desse modo, a memória na semiosfera não é estática, mas dinâmica. Esses mecanismos não correspondem apenas à memória individual, incluindo também sistemas de memória coletiva que armazenam e preservam informações culturais, linguísticas e simbólicas ao longo do tempo.
2 Sobre o corpus e os procedimentos metodológicos
Para compreender como o conceito de semiosfera, formulado por Iúri Lotman, tem sido interpretado e desenvolvido na produção científica brasileira, selecionamos para este trabalho um corpus composto por 24 trabalhos acadêmicos publicados entre 1995 e 2024, sendo 6 capítulos de livros e 18 artigos em periódicos científicos.
Os textos escolhidos têm como foco central ou expressivo a discussão sobre a semiosfera, abordando aspectos teóricos, metodológicos ou sua aplicação e sempre fundamentados no trabalho do autor soviético. Também foi considerado como critério essencial que os trabalhos fossem de autoria de pesquisadores brasileiros e publicados em língua portuguesa.
O recorte temporal (1995-2024) justifica-se pelo fato de que a circulação sistemática do conceito no Brasil, em termos de produção científica com alcance acadêmico, se intensifica a partir da segunda metade da década de 1990, com a consolidação de núcleos de pesquisa voltados para a semiótica da cultura. Tendo como ponto de partida o ano de publicação de um dos primeiros textos brasileiros que abordam explicitamente o conceito de semiosfera. Essa delimitação também visa mapear um ciclo recente e representativo da recepção e apropriação lotmaniana no contexto acadêmico nacional.
A escolha por concentrar o levantamento na produção brasileira se faz por considerarmos que o conceito de semiosfera foi apropriado localmente com inflexões teóricas e temáticas próprias, moldadas pelas tradições acadêmicas do país e pelas suas dinâmicas culturais específicas. Acreditamos que essa delimitação territorial permite observar de que modo essa apropriação específica se articula às condições locais de produção do saber, evidenciando como a noção de semiosfera é recontextualizada em um cenário geocultural determinado.
Para a coleta dos textos, foram utilizadas diferentes fontes, incluindo o Portal de Periódicos da CAPES e o Google Acadêmico, cuja abrangência e eficiência na busca foram relevantes para identificar materiais dispersos. A coleta também incluiu buscas nos sites de periódicos especializados, utilizando as ferramentas de pesquisa disponíveis. Durante esse processo, o termo "semiosfera" foi utilizado para localizar os textos, que posteriormente passaram por um filtro de acordo com os critérios de relevância temática, área de conhecimento e qualidade editorial.
No caso dos artigos publicados em periódicos (Tabela 1), apenas textos de revistas indexadas e classificadas nos estratos A e B do Qualis 2017-2020 foram incluídos, de modo a assegurar a qualidade editorial e a relevância acadêmica do material analisado. Além disso, foram priorizados trabalhos das áreas-mãe Linguística e Literatura e Comunicação e Informação, por serem os campos de estudo que tradicionalmente servem como base para o debate sobre o conceito no Brasil. Acreditamos que os periódicos posicionados nesses estratos atendem a rigorosos critérios de avaliação e desempenham um papel central na produção científica nacional.
Embora os artigos em periódicos predominem no corpus, capítulos de livros também foram incluídos (Tabela 2), considerando sua importância teórica e histórica para a disseminação do conceito de semiosfera no Brasil. Esses capítulos frequentemente apresentam análises mais aprofundadas e contextualizadas, permitindo ao autor desenvolver argumentos de maneira mais extensa do que nos artigos. Além disso, capítulos de livros têm desempenhado um papel significativo na introdução e consolidação do conceito no país, como no caso da coletânea Semiótica da Cultura e Semiosfera (2007), organizada por Irene Machado, que reúne estudos essenciais para a compreensão das bases teóricas e metodológicas da semiosfera. Esse tipo de publicação também possibilita a abordagem interdisciplinar, conectando o conceito a campos como literatura, cultura e comunicação, o que enriquece a análise e expande seu alcance. Por fim, esses capítulos também foram incluídos na análise por apresentarem alto índice de citação entre os artigos publicados em periódicos que consultamos.
Com base nesse corpus, na próxima seção deste trabalho buscamos apresentar um breve panorama da pesquisa brasileira sobre o conceito de semiosfera, evidenciando leituras e interpretações realizadas ao longo de quase três décadas. Além disso, buscamos identificar convergências e diferenças nas abordagens ao conceito, destacando como ele foi adaptado e aplicado no contexto acadêmico nacional.
3 A semiosfera no Brasil
Ao olharmos a distribuição da produção bibliográfica analisada aqui, temos o primeiro artigo em 1995, de autoria de Jerusa Pires Ferreira, intitulado “Cultura é memória”. A autora, baseada no livro Universe of the Mind: A Semiotic Theory of Culture (Lotman, 1990), afirma que o conceito de semiosfera “abriga o espaço semiótico e os desenvolvimentos do simbólico e da trama, no espaço geográfico e social” (1995, p. 120) e que nele Lotman sintetiza suas formulações sobre tempo e lugar.
Na década seguinte, observamos a publicação de três livros importantes para a área e que consideramos se tratar de trabalhos que mais dão luz ao conceito de semiosfera. Em 2001, Nunes publica o livro A memória na mídia: a evolução dos memes de afeto, derivado de sua tese de doutoramento, em que destacamos o capítulo “Meme, Memória: mutação nos textos culturais”. Em 2003 vemos o lançamento de Escola de semiótica: a experiência de Tártu-Moscou para o estudo da cultura, de Irene Machado, do qual realçamos o glossário de termos presente no capítulo “Metalinguagem”. Já em 2007, a coletânea Semiótica da cultura e semiosfera traz uma série de artigos a partir das teorias da ETM, dentre os quais sublinhamos a “Apresentação: Por que semiosfera” de Irene Machado e o capítulo “Semiosfera: exploração conceitual nos estudos semióticos da cultura”, de Ramos et al”.
Em 2009, vemos a publicação do artigo “A semiótica da cultura: apontamentos para uma metodologia de análise da comunicação”, de Ana Paulo Machado Velho. Porém é a partir de 2010 que podemos observar um crescimento grande na produção bibliográfica a respeito da semiosfera e são produzidos ao menos dois artigos por ano com a temática, indicando assim um aumento significativo das pesquisas e do interesse pela semiótica da cultura.
Outro ponto que se destaca é a primazia de estudos realizados por autoras e autores relacionados à Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Jerusa Pires Ferreira, Irene Machado e Lucia Santaella lecionaram na instituição, enquanto Monica R. F. Nunes, Ronaldo Henn, Herom Vargas, Regiane M. de Oliveira Nakagawa, entre outros, cursaram seu mestrado ou doutorado na universidade, colocando-a como um centro formador de pesquisadores afiliados à teoria semiótica da cultura. Outro importante centro de pesquisa para a linha pode ser visto na Universidade São Paulo, instituição em que defenderam seus doutorados Ekaterina Volkova Américo e Sandra Mina Takakura. Essas universidades também se destacam por editarem as revistas em que a maior parte dos artigos analisados foram publicados.
Entretanto, devemos ressaltar que, apesar dessa concentração inicial, os autores formados pela PUC-SP e pela USP se espalharam pelo país, desenvolvendo pesquisas relacionadas em diversas instituições como a UFRB, UFBA, Unisinos, ESPM, UFF, para citar alguns exemplos. Desse modo, podemos considerar que, ainda que haja uma concentração inicial em um estado brasileiro, os estudos sobre a semiosfera e sobre a semiótica da cultura se espalham pelo país com o passar do tempo devido à migração de pesquisadores para outras regiões.
É possível identificar, também, a constituição de uma rede de pesquisadores sobre o tema. Irene Machado, seguida de Jerusa Pires Ferreira, são as pesquisadoras mais citadas entre os textos analisados. Machado é citada na maioria dos trabalhos, enquanto Ferreira aparece com maior frequência em textos que abordam a memória. Monica R. F. Nunes faz referência aos textos de ambas em momentos distintos e é citada no trabalho de Vargas & Rocha (2019). Esses, por sua vez, também citam Ramos et al. (2007) e Velho (2009), que menciona Machado (2003) em seu trabalho, fechando, assim, parte dessa rede. O exemplo evidencia a formação de uma rede de pesquisadores que estão em contato e dialogam entre si, promovendo o entrecruzamento de referências enquanto aprofundam e difundem o tema.
Podemos ainda destacar questões de conteúdo mais específicas dos artigos selecionados, e como ele foi ampliado durante as últimas décadas. Os trabalhos publicados entre 1995 e 2011, como Ferreira (1995), Machado (2003 e 2007), Ramos et al. (2007), Velho (2009) e Kirchof (2010) têm sua atenção voltada a aspectos mais ontológicos, epistemológicos ou metodológicos da semiosfera, buscando defini-la a partir do pensamento lotmaniano e abrindo caminho para que, nos anos seguintes, outros pesquisadores possam utilizar o conceito e se basear na teoria semiótica de modo mais aplicado para compreender fenômenos da cultura.
Percebemos esse redirecionamento das pesquisas, principalmente a partir da segunda década desse século, como em Ramos (2012), que pensa sobre o jornalismo digital em base de dados como texto da cultura; ou Vargas e Rocha (2019), que buscam compreender a cultura nerd como um sistema simbólico. Mais recentemente, Takakura (2024) analisa recursos de realidade aumentada em livros infantis, conhecidos como livros 4D, partindo das noções de semiose e semiosfera e mapeando o processo de tradução cultural e o uso de linguagens multimodais no livro O reino encantado dos pôneis 4D. Enquanto Rodrigues e Reinaldo (2024) examinam a presença de monstros na literatura de cordel, abordando, além da semiosfera, os conceitos de fronteira e tradução, refletindo o sertão brasileiro como um lugar fronteiriço, habitado por monstros.
É importante destacar que, apesar de trabalhos de aplicação do conceito ganharem espaço, textos de caráter mais teórico-conceitual continuam a ser difundidos, como é o caso de Machado (2013), que aborda questões metodológicas, e Nakagawa e Cardoso (2018), que atentam para a epistemologia semiótica em Peirce e Lotman.
Por fim, ao cotejar esses textos, é possível perceber que se apoiam em quatro pilares do conceito conforme enfatizam (a) a estrutura e a dinâmica interna da semiosfera; (b) os processos de comunicação e tradução; (c) os mecanismos de memória; e (d) a relação com a biosfera, como demonstrado na próxima subseção.
3.1 Os pilares do conceito
Antes de explorar esses diferentes agrupamentos temáticos7 é importante que façamos três ressalvas a quem nos lê. A primeira é que, apesar de algumas interpretações estarem inclinadas mais para uma direção ou outra, isso não significa que ela ignore as demais e sim que determinado aspecto do conceito é ressaltado em determinado momento. Em segundo lugar, não se trata de uma classificação de qual a melhor ou mais correta leitura, mas um levantamento das diferenças e similaridades entres as diversas interpretações. Por fim, não buscamos esgotar o debate sobre o tema, nosso objetivo é apresentar um retrato sobre o estudo da semiosfera no contexto nacional em um esforço de preservar e difundir essa produção.
3.1.1 Estruturas e dinâmicas internas dos sistemas semióticos
No primeiro grupo estão os textos que enfocam a organização interna e os processos de interação dentro da semiosfera, incluindo a interação entre elementos centrais e periféricos e a geração de novas informações. Tem destaque, aqui, a visão de semiosfera como um espaço “de coexistência e coevolução dos sistemas de signos” (Machado, 2003, p. 163), o qual permite que esses signos operem dialogicamente entre si, realizando trocas e influenciando-se. Como nos mostram Ramos et al., no capítulo Semiosfera: exploração conceitual nos estudos semióticos da cultura:
A semiosfera pode ser compreendida como uma esfera sígnica que não se restringe à soma de códigos, linguagens e textos que por ela transitam (Lotman, 1990: 123). Ela pode ser vista como um ambiente no qual diversas formações semióticas se encontram imersas em diálogo constante, um espaço-tempo, cuja existência antecede tais formações e viabiliza o seu funcionamento, e, no entanto, torna possível o seu próprio ciclo vital (et al, 2007, p. 34)
Vemos, assim, ser enfatizado o caráter interativo presente nos sistemas semióticos, onde a constante mudança e a dinâmica entre os seus elementos são cruciais para a estrutura da semiosfera.
Os autores ainda enfatizam a noção da semiosfera como uma hierarquia complexa, referindo-se à forma como são organizadas as dinâmicas entre os elementos que a compõem. Segundo eles:
Lótman apresenta a irregularidade interna da semiosfera como sua lei de organização, definindo que esta se divide em estruturas nucleares e periféricas que se movimentam no espaço semiosférico, gerando áreas de tensão. A ideia da semiosfera como hierarquia complexa compreende, portanto, irregularidade, dinamismo e tensão entre as estruturas centrais e periféricas, onde as linguagens que estão no centro tendem para periferia, as que estão na periferia, para o centro. (Ramos et al, 2007, p. 35; grifo nosso)
Assim, dentro dessa estrutura dinâmica, a hierarquia também se apresenta como um elemento organizador e a semiosfera se organiza a partir da coexistência de um núcleo e de uma periferia. O núcleo, composto pelos sistemas semióticos dominantes em determinada cultura, exerce influência sobre os demais sistemas, enquanto a periferia, formada por sistemas menos dominantes ou por fragmentos de diferentes linguagens, ocupa uma posição menos central.
Enfatizamos, ainda, que essa hierarquia não é estática: sistemas periféricos podem desafiar a dominância do núcleo, gerando tensões e impulsionando a dinâmica da semiosfera.
Assim, entendemos como a irregularidade interna é uma característica inerente ao funcionamento da semiosfera, que promove tensão e movimento entre as estruturas mais estáveis dos núcleos e as de maior movimento da periferia. A ascensão do nerd na cultura midiática, como apontada por Vargas e Rocha (2019), exemplifica como um sistema inicialmente periférico pode ganhar espaço e influenciar o núcleo da cultura.
3.1.2 Processos de comunicação e tradução
Em relação ao segundo grupo, percebemos uma abordagem que enfatiza os processos de tradução e interação entre diferentes sistemas semióticos, logo esses trabalhos destacam a função essencial que a fronteira possui na mediação e tradução entre sistemas culturais, permitindo a comunicação e interação. Américo, aponta que a fronteira é “um divisor abstrato e imaginário que possibilita a troca de informações entre a semiosfera e o espaço que a circunda” (2017, p. 8).
Segundo Machado (2007, p. 16), Lotman se dedicou à compreensão da dinâmica dos encontros culturais, pontuando como duas culturas se encontram, que tipo de diálogo elas travam entre si e como elas criam experiências capazes de reconfigurar o campo das forças culturais. Assim, as margens da semiosfera constituem um espaço de extrema importância e surge a noção lotmaniana de fronteira (granítsa), nas palavras de Américo (2017, p. 8) “um divisor abstrato e imaginário que possibilita a troca de informações entre a semiosfera e o espaço que a circunda”.
Enquanto Machado caracteriza a fronteira como:
aquele segmento de espaço onde os limites se confundem adquirindo a função de filtro. Daí porque esse espaço de liminaridade se define basicamente através do mecanismo de simetria especular: tudo o que está no exterior pode ser incorporado ao espaço semiótico graças à relação complementar. (Machado, 2003, pp. 163-164).
A autora ressalta, assim, a função essencial que a fronteira possui na mediação e tradução entre sistemas culturais, permitindo a comunicação e interação. Longe de serem limites rígidos e intransponíveis, as fronteiras na semiosfera se caracterizam por sua permeabilidade, atuando como zonas de contato e intercâmbio entre diferentes sistemas (Ramos, 2012). Essa permeabilidade é essencial para a dinâmica da semiosfera, pois é através do contato entre diferentes sistemas, nas zonas de fronteira, que ocorrem as trocas, os conflitos, as assimilações e as reinterpretações que impulsionam a produção de novas informações e a transformação da cultura.
Américo (2017) retoma a comparação feita por Lotman (2001) se referindo à semiosfera como o espaço das cidades, em que observa um isomorfismo entre os dois. Desde os povoamentos arcaicos até a atualidade, a organização nos centros urbanos tende a privilegiar as construções mais importantes do ponto de vista religioso e administrativo nas regiões centrais das cidades, enquanto as periferias são regiões destinadas e de encontro de grupos sociais menos valorizados. A autora prossegue com a analogia.
No entanto, no contexto atual, a comparação entre a semiosfera e o espaço urbano precisa ser corrigida. Nas cidades modernas, a periferia não necessariamente se encontra nos limites: há bairros pobres nas regiões centrais e bairros ricos nas áreas periféricas. Porém, essa correção nos aproxima mais ainda do conceito de semiosfera como um espaço perpassado por inúmeras fronteiras (Américo, 2017, p. 10).
Além de atualizar o conceito, essa citação nos permite ressaltar a existência de uma simetria entre o funcionamento interno da semiosfera e os processos existentes entre diferentes semiosferas. Ou seja, as estruturas semióticas se movimentam no interior da semiosfera de modo similar ao movimento realizado por semiosferas. E, ao mesmo tempo que existem fronteiras entre espaços semióticos, estes também possuem fronteiras internas.
Para nós, a importância dos processos tradutórios promovidos pela fronteira na semiosfera pode ser observada na análise da interação entre diferentes linguagens e códigos culturais em jogos digitais no artigo “Um olhar da semiótica da cultura sobre jogos digitais e seus avatares” de Lorena Risse, Carlise Scalamato Duarte e Nísia Martins do Rosário. Como apontado pelas autoras (2014), a capacidade de tradução dos jogadores e sua atenção às assimetrias que podem ser encontradas impactam diretamente seu desempenho no jogo, uma vez que a compreensão das regras, dos códigos visuais e das narrativas exige a tradução entre diferentes sistemas semióticos.
3.1.3 Mecanismos de memória
Neste pilar estão os trabalhos que destacam o papel da memória na constituição da semiosfera. Diferente de uma visão estática de armazenamento de informações, a memória na semiosfera é apreendida como um processo ativo e em constante movimento. Compreendemos, assim, que é enfatizado o entendimento da memória como um processo comunicativo e cultural.
Levando isso em conta, consideramos crucial o trabalho de Jerusa Pires Ferreira (1995), “Cultura é memória”, não apenas por ser um dos primeiros a trazer o termo semiosfera e apresentar o pensamento lotmaniano ao cenário brasileiro, mas também por explorar o conceito de cultura como um mecanismo de preservação e transmissão de informações ao longo do tempo, destacando a importância da memória coletiva. A autora enfatiza que “somente aquilo que foi traduzido em um sistema de signos pode vir a ser patrimônio da memória” (Ferreira, 1995, p. 117).
A esse sistema de signos chamamos de semiosfera, pois como nos lembra Nunes “nas últimas décadas de seu trabalho, Lotman alargou a ideia de cultura como conjunto de textos para a de semiosfera,” (2001, p. 57). A pesquisadora mais tarde afirma que
O semioticista de Tártu-Moscou (op. cit, p. 35) credita à semiosfera, como um todo, “um complexo sistema de memória e sem essa memória não pode funcionar”, pois os textos que a compõem têm capacidade de restaurar a recordação. Pensar então a memória como processo comunicativo e cultural, e, em consequência, entender que a cultura em si mesma é memória permite compreender que os textos culturais midiáticos, submersos na semiosfera, devem entrar em contato com outros textos, como os textos míticos, nos exemplos a seguir, e, nessa operação, põem em andamento processos generativos, se seguirmos a teoria proposta por Lotman (Nunes, 2016, p. 153).
Sendo assim, a semiosfera é o ambiente onde os signos interagem e geram significação, e essa interação é fundamental para a construção e manutenção da memória cultural. A memória, neste contexto, não se limita a um registro do passado, mas atua como um mecanismo ativo na produção de novos sentidos e na transformação da cultura.
Em nossa compreensão, também, é possível notar nesse grupo a função mnemônica do texto cultural que, como unidade mínima da cultura, é capaz de conservar a memória de seus contextos anteriores além de produzir novos significados. Como nos indicam Cardoso e Barreto Jr.:
Por fim, todo texto, uma vez que nasce em um contexto específico e que, por isso, pode ter algo a dizer no mínimo sobre seu próprio contexto, mas, além disso, por ter uma característica de perenidade, acaba deixando uma informação que permanece, que fica para as gerações futuras, isto é, que passa a ser visto como uma memória da cultura (Cardoso e Barreto Jr., 2018, p. 53).
Nesse sentido, a memória se manifesta não apenas na conservação do passado, mas também na produção de novos sentidos e na constante transformação da cultura.
Como sugerido por Nunes - em sua discussão sobre a memória e o tempo nas teatralidades juvenis - a mobilidade e o dinamismo da semiosfera permitem que os textos, heterogêneos e dialógicos, assumam diferentes hierarquias e sejam constantemente redistribuídos e atualizados, adquirindo estabilidade temporária e definindo o que é considerado memória em uma cultura (Nunes, 2019). Isso nos leva a pensar sobre aquilo que não se elege como memória, ao que a autora nos elucida em outro lugar.
Para Lotman (1981; 1996), o esquecimento é um elemento da memória, torna viável a seleção e a fixação de certos textos culturais em detrimento de outros, que em estado de potência, e, ulteriormente, podem voltar a ser selecionados, e, neste caso, graças à dinâmica da própria semiosfera. A memória pensada como um processo comunicativo, sociocultural e memético é também uma disputa entre textos e códigos, entre memes que podem ou não ganhar estabilidade, serem transformados e permanecerem mais tempo em circulação, fecundando a cultura. A memória como disputa de textos, códigos e memes em busca da estabilidade evidencia sua dimensão política (Nunes, 2016, p. 159).
Portanto, o esquecimento atua como um mecanismo fundamental de seleção na memória, permitindo que certos textos e códigos sejam preservados, enquanto outros são descartados. Isto é, o esquecimento não é um mero apagamento do passado, mas um processo ativo que contribui para a organização e a atualização da memória cultural.
3.1.4 Relação com Biosfera
O quarto e último grupo é composto por interpretações que enfatizam a relação entre os conceitos de semiosfera e biosfera. Para Machado (2003) o conceito de semiosfera transita entre dois campos teóricos importantes: a teoria do dialogismo de Mikhail Bakhtin, que aborda o diálogo entre a mente e o mundo, além da estrutura semiótica da consciência responsiva, e a teoria da biosfera ecológica de V. I. Vernádski, biólogo e filósofo da ciência, que investigou as relações entre estruturas binárias e assimétricas, mas que, apesar das diferenças, mantêm uma unidade. Por sua vez, Américo (2012) explica que
Esse conceito, introduzido em 1875 pelo geólogo austríaco Eduard Suess (1831-1914), foi desenvolvido e aprofundado pelo biólogo e filósofo russo Vladímir Vernádski (1863-1945) que, por sua vez, sugeriu o termo "noosfera": a esfera do pensamento humano (nous em grego significa "mente") (Américo, 2012, p 83).
De acordo com Kirchof, enquanto biosfera se refere ao “mundo da natureza ainda não organizada a partir de qualquer código ou sistema semiótico”, semiosfera está relacionada “ao mundo da semiose, em que funcionam os sistemas semióticos, responsáveis pela comunicação” (2010, p. 64.). Nesse sentido, a semiosfera é entendida como um ecossistema semiótico, em que a diversidade de códigos e signos interage de maneira similar aos elementos biológicos na biosfera.
Enquanto em “A semiótica da cultura: apontamentos para uma metodologia de análise da comunicação”, Velho explica que a semiosfera funciona como a biosfera, "aquele ambiente com características específicas e elementos disponíveis para serem acessados e dar condições à vida, à cultura" (2009, p. 255), destacando a dependência da cultura em relação ao ambiente natural, tanto em termos de recursos materiais quanto de influência nos processos de significação.
Para Ramos et al. (2007), é importante destacar que o caráter espacial da semiosfera não é meramente uma metáfora ou alegoria, já que, de acordo com Lotman, a semiosfera é um espaço real e distinto, fechado em si mesmo, onde a comunicação e a produção de novas informações são possíveis.
Considerações finais
Com base na análise realizada, observamos um crescimento significativo na produção acadêmica sobre a semiosfera no Brasil ao longo das últimas décadas, com um aumento expressivo a partir de 2010. Além disso, procuramos evidenciar a formação de uma rede de pesquisadores que dialogam entre si, promovendo o entrecruzamento de referências e contribuindo para o fortalecimento da semiótica da cultura no Brasil. Essa rede, inicialmente concentrada em instituições como a PUC-SP e a USP, expandiu-se para outras universidades, refletindo a disseminação e a consolidação do campo em diferentes regiões do país.
A produção brasileira sobre a semiosfera revela uma evolução tanto em termos de profundidade teórica quanto de diversidade temática. Nos primeiros anos, os trabalhos concentraram-se em aspectos ontológicos, epistemológicos e metodológicos do conceito, alinhados diretamente ao pensamento de Lotman. Posteriormente, as abordagens ampliaram-se para incluir aplicações práticas em diferentes fenômenos culturais, como jornalismo digital, cultura nerd e literatura de cordel, demonstrando a flexibilidade e a riqueza do conceito no contexto acadêmico brasileiro. Entendemos que esse movimento reflete não apenas o interesse crescente pelo conceito, mas também sua capacidade de adaptação a novos objetos de estudo e contextos culturais.
A análise identificou quatro pilares fundamentais que sustentam as diferentes leituras do conceito de semiosfera: (a) as estruturas e dinâmicas internas, (b) os processos de comunicação e tradução, (c) os mecanismos de memória e (d) a relação com a biosfera. Atentamos que essas abordagens são complementares, oferecendo perspectivas diversas que, em conjunto, proporcionam uma compreensão mais completa do conceito. Além de orientar as interpretações, esses pilares demonstram a capacidade do conceito de integrar diferentes perspectivas teóricas e disciplinas.
Constatamos que a noção de semiosfera ainda é pouco explorada por pesquisadores brasileiros para analisar os processos semióticos em plataformas e redes digitais como TikTok, Instagram, YouTube e ambientes imersivos. Nesse contexto, ressaltamos a contribuição de Ramos (2012), que utiliza o conceito para pensar a produção jornalística digital e os trabalhos que desenvolvemos sobre o TikTok (Abrão, 2023; 2024a; 2024b) em que o compreendemos como uma semiosfera digital. Desse modo, defendemos a ideia de que considerar essas mídias como configurações contemporâneas da semiosfera influenciadas pela ação algorítmica (com fronteiras culturais mais fluidas, dinâmicas próprias de memória e de tradução), podem constituir-se como temas pertinentes para atualizar e ampliar a aplicação da teoria lotmaniana, lançando luz sobre as especificidades e os desafios comunicacionais próprios da cultura digital.
Ao traçar este panorama da produção acadêmica brasileira sobre a semiosfera, buscamos contribuir para a compreensão e valorização do conceito, ao mesmo tempo em que preservamos e difundimos o trabalho realizado pelas pesquisadoras e pesquisadores nacionais. Esperamos que este estudo sirva de base para futuros trabalhos e incentive novos debates, aprofundando ainda mais o entendimento e as aplicações do modelo teórico.
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Pareceres
Tendo em vista o compromisso assumido por Bakhtiniana. Revista de Estudos do Discurso com a Ciência Aberta, a revista publica somente os pareceres autorizados por todas as partes envolvidas.
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2
Optamos por utilizar o critério já adotado para a grafia fonética em língua portuguesa do nome do autor, porém nas referências e nas citações decidimos manter a grafia conforme a fonte consultada.
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3
Em espanhol: “Sólo dentro de tal espacio resultan posibles la realización de los procesos comunicativos y la producción de nueva información”.
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4
Em espanhol: “El concepto de semiosfera está ligado a determinada homogeneidad e individualidad semióticas.
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5
Em espanhol: “La división en núcleo y periferia es una ley de la organización interna de la semiosfera”.
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6
Em espanhol: “La semiosfera tiene una profundidad diacrónica, puesto que está dotada de un complejo sistema de memoria y sin esa memoria no puede funcionar”.
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7
A distribuição dos artigos e capítulos de livro do corpus, conforme sua associação com os quatro pilares conceituais, é sintetizada na tabela apresentada no Anexo 1
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Declaração de disponibilidade de conteúdo
Os conteúdos subjacentes ao texto da pesquisa estão contidos no manuscrito.
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1
O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES) - Código de Financiamento 001.
ANEXO 1
Parecer I
Sobre o autor do parecerSCIMAGO INSTITUTIONS RANKINGSParecer I
O artigo é relevante para os estudos na área, pois reúne os principais trabalhos na área. O artigo precisa ser publicado com sugestões a serem acatadas ou não pelo autor. Há um trabalho de mapeamento de conceitos e aplicações práticas dos artigos e dos capítulos de livros. Porém senti falta de uma tabela que detalhasse os quatro grandes temas abordados nos corpora investigados. O que poderia auxiliar no detalhamento dos resultados. Por exemplo, faltou detalhar quais os temas abordados por Sandra Mina Takakura e por Felipe Lima Rodriguez e Gabriela Reinaldo (Realidade aumentada e literatura de cordel respectivamente). O(a) autor(a) demonstrou conhecimento atualizado da bibliografia investigando corpora vastos. O artigo é primordial para os novos pesquisadores que adentram na área, pois permite obter uma visão geral sobre os conceitos de pesquisas lotmanianas. O artigo também pode auxiliar os pesquisadores a estabelecerem redes de contribuição, diálogo e trocas. O artigo carece de uma revisão aprofundada em língua portuguesa, pois há erros de digitação e de concordância. APROVADO COM SUGESTÕES [Revisado]
- recomendação: revisão
Parecer II
Sobre o autor do parecerSCIMAGO INSTITUTIONS RANKINGSParecer II
Artigo possui relevância na medida em que faz precioso levantamento de como o conceito de semiosfera, proposto por Iuri Lotman e seus colegas da Escola de Tartú-Moscou, é trabalhado por pesquisadores brasileiros no espaço de 29 anos. O título, neste sentido, está plenamente adequado ao que foi desenvolvido no trabalho, já que dá conta do objetivo central da pesquisa. O mapeamento das formas como os autores apropriaram-se e interpretaram o conceito seguiu critérios metodológicos muito bem explicitados: além da semiosfera constituir-se como palavra-chave fundamental, os artigos coletados foram publicados em revistas brasileiras com avaliação do qualis da Capes nos extratos A e B (2017-2020), além de capítulos de livros que apontassem alguma relevância editorial. Inicialmente, a pessoa autora sintetizou o conceito e sua formulação, ao longo da história da escola, informou os procedimentos metodológicos e a descrição do corpus e estabeleceu categorias de análise dos materiais: estruturas e dinâmicas internas dos sistemas semióticos; processos de comunicação e tradução; mecanismos da memória; e a relação com a biosfera. A elaboração do texto dá conta, de forma clara, do que foi proposto como objetivo. Além disso, a pessoa autora se vale de bibliografia atualizada e suficiente para o propósito do artigo. Uma inferência, que não consta no trabalho, poderia ser desenvolvida: no corpus analisado não há indicadores de como o conceito de semiosfera pode ser acionado para a descrição e compreensão dos processos que se dão no âmbito das plataformas e redes digitais, que pode se constituir em temática de pesquisa importante para a continuidade desses estudos. APROVADO
- recomendação: aceitar
Os conteúdos subjacentes ao texto da pesquisa estão contidos no manuscrito.
